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05/05/2014

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Se saímos a ele o devemos


Ponto: Senhor Engenheiro como comenta a saída limpa?

Senhor Engenheiro: Em primeiro lugar é preciso não esquecer que só foi necessário sair porque tivemos de entrar.

Ponto: Como assim?

Senhor Engenheiro: Tivemos de entrar porque o Coelho votou contra o PEC IV.

Ponto: Mas diz-se que o governo já não tinha dinheiro para pagar salários…

Senhor Engenheiro: É mentira. É uma enorme falsidade. O dinheiro sempre apareceu quando foi preciso.

Ponto: Como assim?

Senhor Engenheiro: Olhe, veja a dívida que o meu governo deixou... praticamente 100% do PIB… Acha que teria sido possível se o dinheiro não tivesse aparecido?

Ponto: Voltando à saída limpa…

Senhor Engenheiro: É absolutamente enganadora a versão histórica que o primeiro-ministro tem dado, segundo a qual foi o anterior Governo que atirou Portugal para a ajuda externa.

Ponto: Mas não foi o seu governo que pediu ajuda?

Senhor Engenheiro: Porque o Coelho votou contra o PEC IV. O pedido de ajuda foi uma medida patriótica do meu governo que aproveitou a este governo e lhe permitiu fazer o brilharete.

Ponto: Com o PEC IV não teria sido necessária a austeridade?

Senhor Engenheiro: Não. De maneira nenhuma. Seria uma espécie de redressement avant la lettre, como o do mon ami François.

(Diálogo quase imaginário, imaginado a partir do tempo de antena do senhor Engenheiro)

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