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13/04/2013

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: Uma aplicação do axioma de Sócrates-Passos (9)

Fascículos anteriores: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)

[Em rigoroso exclusivo, o (Im)pertinências continua a publicar em fascículos o paper «Teoria Geral da História de Portus Cale e Arredores à luz do Axioma de Sócrates-Passos» do detractor e amigo Pai Silva.
Nos fascículos anteriores foi tratada a axiomática, abordada a fundação de Portus Cale, tratados os protagonistas fundadores e os seus herdeiros menos imediatos até àquele que um dia deverá regressar embuçado, tratados poderes temporais a que se costuma chamar espirituais, entre outros temas obscuros saídos dos delírios criativos do Autor. Este fascículo trata da reconstrução do Império e do começo dos trabalhos com vista à sua destruição, que como de costume não foi criativa mas simplesmente destrutiva.]

Em resumo, os nuestros hermanos andavam aflitos à pancada na Catalunha e não puderam, por falta de tempo e meios, andar à pancada aqui no condado. Quando deram pelo imbróglio na costa oeste e quiseram remediar a encrenca já não podiam ou não tinham a força suficiente pois quando aqui chegaram ainda levaram com alguns enxertos que lhes arruinaram os intentos de dominar o condado e este, com mais umas quantas ajudas vindas de fora e naturalmente mal aproveitadas, lá foi capaz, apesar de tudo, de consolidar a independência coisa a que acedeu pela primeira vez em toda a sua história. Nada disto porém implica ou quer dizer que não continuasse no buraco. Estava sim senhor e sem jeito de sair dele.

Estar-se no buraco tem uma implicação premente: é a de que é mesmo necessário fazer pela vida. E o que os homens do condado fizeram ou procuraram fazer foi a reconstrução do Império no Brasil que andava a ser abocanhado pelos Ingleses a Holandeses. A operação até foi bem sucedida e, exactamente a partir desta colónia, devido à necessidade urgente e inadiável de controlar as fontes fornecedoras de trabalho braçal involuntário, recuperou-se Angola e depois Moçambique. O resto do Império estava perdido para sempre mas também territorialmente não era assim tão significativo que valesse o menor dos esforços além do mais, se em relação aos nuestros hermanos tínhamos de pensar pelo menos três vezes antes de nos decidirmos pela traulitada, com os Ingleses nem valia a pena pensar.

A reconstrução do essencial do Império misturada com o Jackpot que foi a descoberta do ouro no Brasil permite dois milagres em simultâneo:

(1) - Sair do buraco porque a metrópole passou de um dia para o outro a nadar em dinheiro e deste modo finalmente voltou-se a parte do aforismo promovido a axioma: não há mal que nunca acabe;

(2) - Esbanjar de forma luxuosa, estúpida e incompetente a riqueza posta a disposição sem nada se ter feito para a obter. Como na época não existia o benemérito conceito de auto-estrada é compreensível que o senhor João, o sexto do cardápio de reizinhos do condado, procurasse uma alternativa decente àquela inutilidade e o que encontrou de melhor foram conventos capelas e similares coisa que todos hoje sabemos ser do ponto de vista da rentabilidade do investimento o melhor que se pode fazer comparando e aprimorando, sem a menor das dúvidas, o das auto-estradas de agora. Atónitos e tesos, ainda hoje, os portucalenses que se dignam a visitar a obra-prima deste senhor ali para os lados de Mafra, especados e aparvalhados a mirarem o edifício remoem-se em perguntas irrespondíveis: porquê isto, aqui e para quê?

Sem resposta a perguntas tão simples e óbvias cabe perguntar: como é que possível ser-se monárquico com trastes deste calibre a governar a casa? Com as respostas já se poderá adiantar alguma coisa: tanto faz. Ser-se monárquico, republicano ou qualquer outra coisa, os trastes e o calibre dos mesmos não varia. Pelo menos no que ao condado concerne.

Curta terá sido a vigência do lado amável do aforismo (aqui tido por axioma), o de não haver bem que sempre dure. Para o ilustrar vale a pena lembrar uma pequena trica de autoria de um homem, o terceiro de um absolutamente restrito conjunto de quatro que constituem as referências da história do condado sendo que nele figuram três por vergonha de só ter uma.

(Continua)

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