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27/09/2012

O SNS poderá falecer dos cuidados intensivos (2)

(Continuação daqui)

Como se sabe, as recentes greves de médicos promovidas pelo bastonário-sindicalista tinham por fim defender o SNS, a exemplo, aliás, das greves dos professores que visam defender o ensino. Também se sabe que apesar dos 10% de estrangeiros a exercer medicina em Portugal, o bastonário acha que «dentro de pouco teremos 600 (médicos) a mais (os quais) … são prejudiciais para os doentes».

Talvez devido aos médicos a mais que o bastonário-sindicalista descobriu, «os hospitais públicos têm 164 vagas para recém-especialistas que nenhum médico quer. E os centros de saúde não conseguem preencher 110 lugares, por não haver no mercado médicos de família e de saúde pública, em início da carreira, para contratar. Ao todo, são 274 lugares que ficaram vazios no primeiro concurso aberto este ano para os quadros do Serviço Nacional de Saúde». (Expresso)

Em alternativa, temos a explicação do Expresso: «quase todos estes lugares são em unidades de saúde fora dos grandes centros urbanos, sobretudo no Alentejo e no Algarve. Aceitá-los obriga a estar longe de casa e sem nenhum aumento de salário, pois a remuneração para os recém-especialistas (destinatários do concurso) estão 'tabelados' em todo o SNS

A referida explicação tem o pequeno inconveniente de pressupor que os médicos se estão nas tintas para a defesa do SNS e o que querem mesmo é tratar das suas vidinhas o melhor possível, como toda a gente quer. Mas então as políticas de pessoal do ministério da Saúde só ganhariam em ter isso em consideração e promover a concorrência entre os médicos. Para tal daria muito jeito acabar com a limitação da oferta de vagas nas faculdades de medicina promovida pelo lóbi deste e dos outros bastonários-sindicalistas que o antecederam, práticas que levaram 1.300 estudantes portugueses a estudar medicina no estrangeiro.

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