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28/09/2012

Lost in translation (156) – Devíamos chapar isso na cara dos articulistas, ponto

«O défice orçamental, sem medidas extraordinárias, em 2009 e 2010 foi praticamente igual 17 mil milhões de euros, o que representou 10,2% do PIB num ano e 9,8% no outro. Em 2012, aquilo que se estima, sem medidas extraordinárias é um défice de 10 mil milhões de euros, 6,1% do PIB. Desde 2010 até 2012, o défice, sem medidas extraordinárias, reduz quase sete mil milhões de euros em dois anos, o que são quase 3,7 pontos percentuais de PIB e, a primeira coisa que temos de assumir é que é um resultado muito bom em qualquer parte do mundo» disse Fernando Ulrich ontem na conferência da Exame,  eu concordo.

Não sei se concordo com Fernando Ulrich quando acrescenta «temos de nos orgulhar disto e usar isto como bandeira e chapar na cara desses articulistas do ‘Financial Times’ e outros que tais». A não ser que ele esqueça os articulistas do FT que raramente se lembram que nós existimos e deixe ficar os «outros que tais», ou seja o bando de jornalistas de causas que por aí escrevem sobre o que não sabem ou sobre o que lhes mandam.

O mesmo bando que durante mais de uma década em que a economia estagnou, os défices externos e do orçamento aumentaram sucessivamente e a dívida pública e privada se tornou pletórica, cantou os amanhãs radiosos, celebrou o «investimento» público e silenciou o caminho para a insolvência que percorremos.

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