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11/09/2012

De boas intenções está o inferno cheio (12) – O mausoléu da Kaiserstrasse 29 vai ficar abarrotado (2)

A fé dos contribuintes do (Im)pertinências na sustentabilidade a longo prazo da Zona Euro é muito limitada e as instituições da União Europeia fazem pouco para a fortalecer. Desta vez, foi a proposta da Comissão para a supervisão dos bancos europeus ser gradualmente transferida para o BCE, já aqui comentada. Pior do que isso, é a possibilidade de o ex-ministro anexo Vítor Constâncio vir a ser nomeado peloureiro da supervisão. Pelo menos o próprio já parece andar a trabalhar para isso, como indiciam os manipulados plantados nos jornais (um exemplo).

Infelizmente, os delicados negócios políticos por trás destas nomeações para as instituições da Óropa podem dar vencimento às pretensões de Vítor Constâncio. Recorde-se que o currículo do homem, enquanto responsável pela supervisão da banca portuguesa, inclui os conhecidos casos do BPN e BPP, sem esquecer o seu papel no assalto do PS ao BCP. Sem esquecer também a famosa declaração Mississipi no discurso de tomada de posse em 2000 onde nos ilumina com um paradigma que deveria ficar nos anais da economia:
«Sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária.»
Comparem-se estes critérios paroquiais de nomeação para as altas instâncias financeiras da UE, com o que se está a passar no processo de substituição de Mervyn King, actual presidente do Banco de Inglaterra, em que a mais conceituada revista inglesa de economia e finanças defende que entre os candidatos se deveria encontrar o brasileiro Arminio Fraga e o polaco Leszek Balcerowicz.

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