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28/05/2012

CASE STUDY: Envenenado pelo próprio remédio

Se há medidas que Nicolau Santos, o pastorinho da economia dos amanhãs que cantam do Expresso, deve apreciar, o programa PME Crescimento encontra-se certamente entre elas. Trata-se de uma linha de crédito de 1,5 mil milhões de euros dirigida às micros e pequenas empresas, com preferência para exportadoras, a taxas de juro subsidiadas pelos contribuintes para investimento novo e para liquidar até 30% de empréstimos da banca contraídos para regularizar dívidas ao fisco e à segurança social.

Pois bem, a criatura saiu amargurada da conferência «PME As empresas e o futuro», iniciativa salvífica do grupo Impresa, e relatou na sua coluna do suplemento Economia três exemplos do «passo de gigante» que vai «entre as boas intenções e a realidade».

No primeiro exemplo, o banco só emprestaria o dinheiro ao empresário para liquidar uma conta caucionada. No segundo, outro empresário propunha-se pedir dinheiro a uma taxa bonificada para liquidar um empréstimo precisamente ao mesmo banco e este recusou. No terceiro exemplo, o banco ofereceu crédito ao empresário que não precisa de dinheiro para este fazer um depósito a prazo com uma taxa mais elevada.

Nicolau Santos conclui desgostoso: «é extraordinária a capacidade humana para subverter e utilizar em proveito próprio as melhores intenções destinadas ao bem comum». Pois é. É por isso, e por outras razões sobre as quais agora não tenho tempo de escrever, que é melhor o governo abster-se de tirar dinheiro a uns contribuintes para o dar a outros.

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