Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
15/07/2007
14/07/2007
ESTADO DE SÍTIO: o socialismo das bolas de berlim
Segundo o Sol, «a Autoridade de Segurança Alimentar (ASAE) vai estar de olho, durante todo o verão, nas bolas de Berlim, que se vendem nas praias de todo o país (e que) têm de ser transportadas em malas térmicas e os vendedores têm que usar luvas e pinças para as manusear. O licenciamento ... é obrigatório (e) o vendedor tem de possuir, por exemplo, formação em higiene alimentar».Pensava que já tinha visto tudo em matéria de obsessão regulamentária do estado napoleónico-estalinista. Estava enganado. Este é um caminho que só se sabe onde e quando começa, nunca se sabe onde e quando acaba. Ainda vamos ter licenciaturas de Bolonha em higiene de bolas de Berlim.
[Just in case, ver aqui uma receita que pode ser feita clandestinamente em casa]
13/07/2007
CASE STUDY: a propósito das eleições do próximo domingo
Segundo o professor Bryan Caplan (*) da Georges Mason University, os eleitores podem a votar mal por 4 ordens de preconceitos. Um preconceito anti-mercado impede os eleitores de perceber que a procura do interesse privado não é incompatível com o interesse público e, muitas vezes, da procura do primeiro resultam benefícios para o segundo. Um preconceito xenófobo leva-os a subestimarem os benefícios das relações com o estrangeiro. Um preconceito «make-work» (uma ideia tipicamente keynesiana, anos trinta) que confunde prosperidade com emprego, em vez de produção. Um preconceito jeremíaco que leva os eleitores a avaliarem a situação económica como pior do que é, de facto.O caso da câmara de Lisboa poderia ser uma daquelas excepções à regra que a procura do interesse privado não é incompatível com o interesse público. Não é directamente relevante o preconceito xenófobo e uma visão jeremíaca dificilmente seria mais pessimista do que a resultante duma análise realista à situação de irremediável falência da câmara.
Resta-nos o preconceito «make-work» que esse, sem dúvida, torna fatal o voto errado, à míngua de candidatos com propostas ou vontade política para tocar neste ponto. Dez funcionários por mil habitantes, uma vez e meio o rácio do Porto e o dobro de Barcelona ou Madrid, com uma taxa de absentismo superior a 10%, numa conjuntura de desemprego ao nível historicamente mais elevado das últimas décadas. E não vale o argumento que Lisboa é inundada todos os dias por centenas de milhar de commuters que justificariam esses rácios, porque esse rácio é próximo ou superior nas câmaras da zona metropolitana de Lisboa.
(*) The Myth of the Rational Voter [ver aqui uma interessante review]
12/07/2007
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: contra-medidas electrónicas na guerra dos sexos pós-moderna
- Alô, alô, é você Mafalda?(Medida n.º 5 da Área Estratégica de Intervenção 1 do III Plano Nacional contra a Violência Doméstica (2007-2010) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 83/2007:
- Olá Inês. Que se passa? Está com uma voz angustiada!?
- Não é caso para menos. Vou passar por aí para usar o seu correio electrónico. Posso? O Tiago mudou as chaves...
- As chaves de casa? Não posso!?
- Não. As chaves do computador.
- Ah, os homens!
- Sem falar que me deu uma bofetada.
- Não acredito. Verdade? E você telefonou para a mãe dele?
- Não. Dei-lhe um pontapé naquele sítio.
- É muito bem feito. Mas afinal o que tem isso a ver com o correio electrónico.
- Tem tudo, minha querida Mafalda. Preciso de fazer uma queixa electrónica no sítio das forças de segurança. Ou uma denúncia, sei lá.
Criar nos sítios das forças de segurança, GNR e PSP, uma zona respeitante à temática da violência doméstica, contendo informações, comportamentos a adoptar e possibilidade de efectuar queixa/denúncia electrónica.)
11/07/2007
NÓS VISTOS POR ELES: «E assim qualquer arranjo é destruído»
Wellington andou por cá, ajudando a expulsar os franceses (mudam-se os tempos, mudam-se as vontades), tempo suficiente para nos conhecer de gingeira.«Existe no povo de Portugal um inconquistável amor do seu à-vontade que é superior mesmo à sua detestação do inimigo. Nem eles, nem os seus magistrados, ou o governo, verão que a indulgência temporária desta paixão pela tranquilidade pode causar as maiores infelicidades ao Estado e as maiores dificuldades aos próprios indivíduos. E nenhuma pessoa do país gosta de ter a sua tranquilidade ou hábitos perturbados, por nenhum objectivo, por mais importante que seja, ou ser o instrumento para perturbar o dos outros. E assim qualquer arranjo é destruído.» Disse.
Como se não bastasse, queixou-se com grande crueldade que a exortação mais difícil que terá dado à tropa em toda a sua vida foi: «Soldados, lembrem-se que são portugueses.»
[Duma peça reciclada dum qualquer exemplar da Única, desmentindo o rumor que na mente dos jornalistas de arte do Expresso não é possível encontrar vestígios de humor]
10/07/2007
09/07/2007
CASE STUDY: a iliteracia e o despotismo de estado

Talvez por essas alusões, sobretudo a uma das dimensões do modelo de Hofstede, o sociólogo Manuel Villaverde Cabral teve a gentileza de enviar para o Impertinênias o seu estudo «Despotismo de estado e sociedade civil real em portugal: distância ao poder, comunicação política e familismo amoral».
O interesse do Impertinência nestas matérias tem tido, acima de tudo, um propósito queiroziano de dar umas traulitadas no ego nacional que, diferentemente das intelligentzia doméstica, aqui no Impertinências não se acredita que sofra de défice de auto-estima. Não se estranharia, pois, que a ignorância nestas matérias da sociologia e a preguiça me fizessem desistir das densas 25 páginas do texto de Villaverde Cabral.
Acabei por ler. Lá se confirma a notável distância ao poder duma população que reaje com estratégias de compensação baseadas num «familismo amoral». E se adiantam explicações de mecanismos seculares de «falta de vontade das elites políticas em alfabetizarem as massas» que lhes permitiram perpetuar o seu domínio, até hoje apesar da «massificação do ensino verificada nas últimas décadas». (Cá para com os meus botões, sempre digo que a idiotização que essa massificação promoveu, potenciada por práticas pedagógicas e de organização das escolas inspiradas no politicamente correcto, só veio piorar as coisas em termos relativos, como mostram as avaliações da OCDE que nos colocam na cauda em todas as áreas.)
Lá se evidencia o papel da administração pública como agente do «despotismo administrativo» no «autoritarismo recorrente do Estado português» e a «articulação entre despotismo administrativo e iliteracia» e se conclui que «a literacia enquanto forma de controlo social e ... o despotismo administrativo do Estado português moderno (são) dois nexos estruturantes das relações entre as elites de poder e as classes subordinadas que têm contribuído para reproduzir a falta de confiança e de participação da maioria da população nas instituições representativas».
Agora que já percebemos a génese da maleita, seria boa altura de a atacar, se não fosse a coisa requerer muito esforço e demasiado tempo.
08/07/2007
CASE STUDY: série reis de África (7)
07/07/2007
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: o melhor negócio
A criatura governo e os spin doctors que ajudam a criatura a vender-se aos portugueses têm de si próprios uma excelente ideia. Mas que ideia deverão ter os portugueses da criatura? Deverão compará-la com aquilo que esperam que a criatura (lhes) faça? O método não é recomendável porque cada português espera uma coisa diferente. Ou, melhor, na essência esperam todos a mesma coisa. Que o governo lhes trate da saúde, da «educação» dos filhos, lhe ofereça abortos grátis, lhes dê estradas, emprego, reforma, e colo, muito colo.
Experimentemos avaliar a criatura pelas suas realizações face ao que a criatura se propunha fazer, ou seja pelos seus objectivos.
Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro
«O Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) teve, até ao fim do mês de Maio, um efeito nulo na redução da despesa com pessoal prevista para este ano. No Orçamento do Estado de 2007, o Governo estima gastar 17,3 mil milhões de euros com os trabalhadores do subscritor Estado. Este valor, que inclui uma poupança directa com o PRACE em 950 milhões de euros (PEC 2006-2010), implicaria uma queda de 1,2% face à execução de 2006. Porém, e até ao quinto mês de 2007, os gastos com os funcionários públicos foi 4,5% superior ao registado no mesmo período de 2006. Mas, não é só. Se à estimativa presente no Orçamento do Estado (17,3 mil milhões) somar-se a poupança consignada ao PRACE (950 milhões), o crescimento desta rubrica em 2007 face a 2006 seria de 4,15%. Ritmo que, mesmo assim, é inferior ao que se observa na execução orçamental, até ao momento. Por outras palavras, e segundo números do Governo, sem PRACE os gastos com pessoal subiriam menos do que estão a subir. O Estado estima ainda poupar, em 2007, 410 milhões em ganhos de eficiência, fruto da reforma da Administração Pública.(PRACE falha na redução dos gastos com o pessoal; Semanário Económico)
….
O Programa do Governo de José Sócrates estabelece como objectivo "diminuir, em pelo menos 75 mil efectivos, o pessoal da Administração Pública, ao longo dos quatros anos da legislatura". Esta é uma das promessas emblemáticas deste Executivo. Para já, esta meta parece impossível de ser cumprida. Em 2006, ano do início do PRACE, a redução líquida de funcionários ficou-se nos 10.871, o que obriga à saída, até Março de 2009, de 64.129 trabalhadores. No cumprimento da regra imposta pelo Governo em que por cada dois que saem entra um, a meta definida pelo Estado implicaria a saída de 128.258 funcionários - 7125 por trimestre, de 2007 a Março de 2009 - até ao fim da legislatura.»
Face a isto, leva a criatura 3 urracas, 3 bourbons e 3 pilatos.
06/07/2007
05/07/2007
BREIGUINGUE NIUZ: os rabos dos gatos escondidos
Parece ter passado praticamente despercebida a reunião de há duas semanas do primeiro ministro com os empresários da construção. Nessa reunião o engenheiro Sócrates propôs aos empresários do betão uma «aliança para relançar os investimentos», querendo ele dizer no seu politiquês que o governo mandaria construir e contrataria com as empresas de construção o renting ou o leasing, conforme a propriedade no final do contrato, das infra-estruturas e equipamentos construídos, tais como escolas, estradas, hospitais, prisões, etc.Aparentemente nada de muito especial. É uma solução a que as empresas privadas recorrem amiúde. Aparentemente parece até razoável que tais investimentos sejam pagos através dos contratos renting/leasing nos anos em que as infra-estruturas são usadas com os impostos pagos pelos sujeitos passivos os usam.
Contudo. Contudo, esta súbita preocupação do governo de alocar, aos anos e aos sujeitos passivos, os custos dos equipamentos sociais parece bastante suspeita quando o governo entende, diversamente, que as pensões dos reformados (e que reformados!) devem ser pagas não com o dinheiro acumulado pelos próprios, mas com o dinheiro dos que se reformarão mais tarde e cujas reformas serão pagas pelos seus filhos e netos.
Acresce que a felicidade do lóbi do betão à saída da reunião, é um dos rabos de fora dos gatos escondidos. Que são pelo menos mais dois. Um é o gato da engenharia orçamentária para cozinhar défices. Outro o tão celebrado relançar do investimento público sem dor, quer dizer o torrar dinheiro em obras que obedecem a critérios políticos e que podem ser muito úteis para o lóbi do betão e para melhorar as perspectivas eleitorais do governo, mas está por provar que correspondam às necessidades dos sujeitos passivos ou ao interesse da economia.
04/07/2007
03/07/2007
NÓS VISTOS POR ELES: os pedintes em geral e os alfacinhas em particular
«Quanto mais se conhece Lisboa, menos ela corresponde às expectativas despertadas pelo seu magnífico aspecto a partir do rio. Pudesse um viajante ser subitamente transportado, sem preparação nem preconceito, a muitas partes desta cidade, concluiria razoavelmente estar a atravessar uma sucessão de aldeias amontoadas, dominadas por maciços conventos.»Beckford faz também um juízo sobre os nossos mendigos, que não parece tão actual, porque os nossos mendigos, à força das transferências comunitárias, usufruem agora dum status mais dignificado, sobretudo a nova geração de pedintes que o estado napoleónico-estalinista criou e alimenta carinhosamente.
«Nenhuns mendigos igualam os de Portugal em força de pulmões, profusão de vermes, variedade e arranjo de andrajos e perseverança destemida.»
02/07/2007
01/07/2007
CASE STUDY: quanto mais, menos
(mais uma função zingarilho aplicável no espaço não-euclideano da governação doméstica)
30/06/2007
DIÁRIO DE BORDO: a política é a arte do possível e o melhor possível é ter o menos mau dos líderes disponíveis
O obreiro de grandes passos em direcção a um estado policial? Espere-se até ver o que irá fazer o seu sucessor. Pode ler-se aqui uma excelente análise da pessoa e do político Gordon Brown, uma personagem sombria de quem um ex-secretário de estado diz possuir "Stalinist ruthlessness" e «very cynical view of mankind and his colleagues", apreciações que parecem ter merecido um largo consenso nos meios do Labor.
29/06/2007
27/06/2007
ESTÓRIAS E MORAIS: quanto mais, menos
EstóriaSe o Canadá é pátria das luminárias mais resplandecentes no firmamento do politicamente correcto, se o ambientalismo encontra lá um dos solos mais fecundos para criar raízes, isto é para ser radical, como explicar que os lóbis tenham aparentemente tão pouca influência na redução das emissões? Como compreender que conseguiu piorar mais do que o seu vizinho ianque? É mais um caso de aplicação das funções zingarilho.
Moral
Faz como eu digo e não como eu faço.
26/06/2007
25/06/2007
SERVIÇO PÚBLICO: é uma casa portuguesa (com certeza)
O governo do engenheiro Sócrates parece ter decidido que o investimento no TGV só passará a ser suportado pelo OE a partir de 2013, isto é quando ele e o seu sucessor já não andarem por aí.
Mas não só o poder central mostra dotes de premonição. Os autarcas deste país não lhe ficam atrás. Insatisfeitos com os 5 milhões de fogos para 3,5 milhões de famílias, desenvolveram e fizeram aprovar PDMs que no seu conjunto prevêem a bonita soma de 40 milhões de criaturas.
Para quem acredita nos milagres que a descentralização inevitavelmente produziria num país caciqueiro com uma cultura colectivista, isto é matéria de reflexão. Ou seria, que em matéria de fé reflexão é dispensável.
24/06/2007
CASE STUDY: série reis de África (1)
21/06/2007
SERVIÇO PÚBLICO: as pirâmides do estado napoleónico-estalinista (15)
"Since the plans for the development of the 3 billion Euro new airport for Lisbon emerged in 1990s, the air transport situation has changed dramatically — in Europe in general, and Portugal in particular. Along with trends across the continent, the low-cost airlines have developed strongly, and the mid-size national airlines (such as Olympic, Sabena, Swissair – and including TAP) have struggled financially and required substantial subsidies to stay alive. In short, the low-cost carriers have become important participants in Portuguese air transport, and need to be considered seriously."
19/06/2007
SERVIÇO PÚBLICO: as pirâmides do estado napoleónico-estalinista (14) - o ónus da prova
O ministro dos elefantes brancos poderia ter dito: não tenho nenhum estudo, nenhum trabalho feito por pessoas com credibilidade e devidamente fundamentado que prove que essa solução não é uma solução viável.
So? So, é uma questão de inversão do ónus de prova. Quem defender soluções diferentes do ministro dos elefantes brancos tem que ter credibilidade e fazer um estudo devidamente fundamentado.
Pergunta: quem avalia a credibilidade dos autores do estudo? Resposta: o ministro dos elefantes brancos.
Pergunta: quem verifica se o estudo está devidamente fundamentado? Resposta: o ministro dos elefantes brancos.
So? So, é a dialéctica marxista renovada do camarada Lino.
ESTADO DE SÍTIO: dialéctica marxista renovada (actualizado)
«Este estudo (da CIP sobre o novo aeroporto) o que veio agora mostrar, entre outras coisas, é que de todos os sítios estudados até agora a OTA é a melhor porque não foi recuperado nenhum sítio dos 15 ou 16 que tinham sido estudados antes e este estudo o que levanta é a hipótese de haver um sítio ainda não estudado que possa ser eventualmente melhor do que o da OTA e é isso que está a ser estudado» disse o doutor Mário Lino, citado pela SIC (via Blasfémias).Infelizmente para o doutor Lino, já (ainda) não vivemos (outra vez) nos tempos da 5.ª divisão com José Saramago à frente do Izvestia da Avenida da Liberdade e não lhe é possível apagar dos sites dos mídia portugueses tudo o que disse sobre a irremediabilidade da Ota. Nem mesmo com a ajuda da alcateia de spin doctors ao serviço do governo mais manipulador do pós 25 de Abril (*). E, ainda que os spin doctors tivessem tais poderes, os motores de busca permitiriam descobrir-lhe a careca (figura de estilo e não alusão à alopecia do ministro).
(*) Com a possível excepção do 5.º governo provisório, durante o qual imperou o diktat da 5.ª divisão.
SERVIÇO PÚBLICO: o Zé faz falta
Com 11 pessoas, das quais nove assessores técnicos, uma secretária e um coordenador de gabinete, auferindo salários mensais entre 1.530 euros e 2.500 euros... um motorista para o vereador, um motorista para o gabinete e um contínuo, e era tudo a recibo verde.
O Zé faz falta a estas 11 pessoas:
CONTRATO PRESTAÇÃO SERVIÇOS - 11 PESSOAS
- Nome - Função/Origem/Contrato - Categoria/Vencimento (euros)
- Alberto José de Castro Nunes - Assessor (50%) Renovação - 1.530,00
- Ana Rita Teles do Patrocínio Silva - Secretária (100%) Renovação - 2.000,00
- António Maria Fontes da Cruz Braga - Assessor (50%) Renovação - 1.530,00
- Bernardino dos Santos Aranda Tavares - Assessor (100%) Renovação - 2.500,00
- Carlos Manuel Marques da Silva - Assessor (50%) Renovação - 1.530,00
- Catarina Furtado Rodrigues Nunes de Oliveira - Assessora (100%) Renovação - 2.500,00
- Maria José Nobre Marreiros - Assessora (50%) Renovação - 1.530,00
- Pedro Manuel Bastos Rodrigues Soares - Coordenador do Gabinete (50%) Renovação - 1.730,00
- Rui Alexandre Ramos Abreu - Secretário (100%) Renovação - 2.000,00
- Sara Sofia Lages Borges da Veiga - Assessora (50%) Renovação - 1.530,00
- Sílvia Cristóvão Claro - Assessora (100%) Renovação - 2.500,00
(de um email reenviado por JARF)
17/06/2007
DIÁRIO DE BORDO: razões para ter esperança?
Devemos acreditar que obsessiva recusa do governo em considerar a manutenção do aeroporto da Portela releva duma tardia e inesperada fé schumpeteriana nos méritos da destruição criativa?
16/06/2007
SERVIÇO PÚBLICO: as notícias da retoma são grandemente exageradas
O que precisa a economia portuguesa para sobreviver na economia global? Competitividade, ou seja produzir bens e serviços de qualidade a um custo mais baixo do que a concorrência ou, vá lá, ao menos produzir bens e serviços simplesmente baratos.Como produzir bens e serviços baratos? Com salários comparativamente baixos. Comparativamente com quê? Depende dos bens e serviços, mas nos dias que correm comparativamente com a China (bens desde os trapinhos de griffe até bicicletas ao preço da chuva) e a Índia (serviços qualificados como o desenvolvimento de software).
É para aí que caminhamos? Duvida-se.
Os custos nominais por hora de trabalho aumentaram 5,8% no 1.º trimestre em relação ao período homólogo do ano passado, contra 2,2% na zona euro e 3,7% na UE. A inflação homóloga de Abril foi de 2,7% contra 1,9% na zona euro e 2,1% na UE, em Maio.
Como produzir produtos e serviços de qualidade? Com tecnologia avançada e mão de obra qualificada, ou seja com investimento produtivo e com ensino que promova a excelência.
É para aí que caminhamos? Duvida-se, outra vez.
O investimento no 1.º trimestre decresceu 2,1% em relação ao último trimestre de 2006. Aliás, nos últimos 5 anos o investimento sempre decresceu, com excepção dos trimestres que precederam os Euro 2004, período em que se investiu, perdão, onde se torraram alqueires de guita nos estádios. E quanto à excelência do ensino estamos conversados. Na versão do ministério da desinstrução, está a ser conseguida com engenharias pedagógicas como a ampliação do conceito de múltiplo para adequá-lo ao «trajecto para a solução» percorrido pelos alunos.
15/06/2007
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: ainda bem que pergunta
«Seria injusto termos leituras redutoras e associarmos ao poder local o anátema da corrupção. Porque se há-de dizer isso dos autarcas e não dos magistrados e dos polícias?» (Semanário Económico)
E porque não?
Três chateaubriands para o doutor Alípio Ribeiro, director nacional da Judite, por esta magistral interrogação.
DIÁRIO DE BORDO: o paradigma mudou
Proposta de meio de transporte para estar parado nos engarrafamentos alfacinhas.
13/06/2007
CASE STUDY: não há motivo para preocupações
Enfiei-me nas botas do doutor Pinho, o ministro-encarregado-das-boas-notícias-que-depois-não-se-confirmam, e inquietei-me. Por pouco tempo. Só até ler o seguinte comentário dum leitor
«Já li este título noutro jornal e não estranhei. Neste, acho que o critério deveria ser um pouquinho mais apertado. Senão vejamos: parece-me normal esta quebra num mês com 30 dias em que 13 se passaram entre feriados, pontes e fins de semana .... Não acha Sr. Editor?»Em conclusão a queda de 4,6% da produção industrial é afinal um aumento. Que alívio!
Pensando melhor, inquietei-me de novo pelo doutor Pinheiro, o ministro-aguardando-remodelação. Que esperar da produção industrial do mês de Junho que entre feriados (nacionais e municipais), pontes e fins de semana bate o record de Abril e atinge 14? E do mês de Dezembro?
12/06/2007
SERVIÇO PÚBLICO: a credibilidade é como a virgindade
Tratando-se de instituições, a coisa fia mais fino. A perda de credibilidade dum dirigente faz mossa, mas a instituição pode aguentar algumas mossas. Algumas, mas é difícil resistir quando a hidden agenda dos seus dirigentes os leva amiúde a reincidir.
É o caso do ministro anexo, doutor Vítor Constâncio, que tem usado o Banco de Portugal para fazer uns favores a uns governos ou para pôr uns gravetos nas rodas da carroça doutros, consoante.
O Impertinências, distraído com os santos populares, esqueceu-se de tratar o relatório da OCDE sobre a Previdência portuguesa (*) publicado no dia 7. Camilo Lourenço estava atento e escreve hoje no Jornal de Negócios um requisitório sobre a disparidade entre as reduções nas pensões do novo regime previstas pelo BdeP (23%) e as previstas no relatório da OCDE (44%). E conclui: «é mais um sinal de que Vítor Constâncio pôs o banco central a caucionar a governação de Sócrates. É pena: construir uma reputação leva décadas; destruí-la é num instante.»
(*) PORTUGAL - Pensions at a Glance - Public Policies across OECD Countries 2007 Edition
11/06/2007
TRIVIALIDADES: ele continua a não ler os dossiês
Foi o caso, mais uma vez, do seu artigo de opinião O vício e a virtude (respectivamente Al Gore e Bush, o texano tóxico) na Visão onde escreve patetices como «o degelo acentuado das calotas polares, tanto no Árctico como no Antárctico, que estão (o degelo estão?) a aumentar o volume das águas oceânicas e a invadir as zonas costeiras». Só o olho de águia do doutor Soares viu o degelo a invadir as zonas costeiras, quando o nível médio do oceano não aumentou mais do que uns centímetros no século passado e, no pior cenário possível, aumentará cerca de 50 cm neste século.
A maior patetice vem na frase seguinte onde o doutor Soares responsabiliza as alterações climáticas pelos tsunamis que, como se sabe (ele não sabe), são causados por sismos ou erupções vulcânicas submarinas.
Alguém lá na fundação deveria editar os textos do venerando.
10/06/2007
DIÁRIO DE BORDO: o 10 de Junho do professor Cavaco
Mas não será a raridade que atrapalha o professor Cavaco que não é homem para se encolher com as dificuldades. Lá estará ele, daqui a pouco, a pendurar comendas em mais 36 pescoços, mais 10 do que o ano passado, mais 9 do que doutor Sampaio no seu 2.º ano e, pasme-se, mais 28 do que o doutor Soares no mesmo ano. É obra.
09/06/2007
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: explicação aos ignaros
Há 33 anos uma criatura nos primeiros anos do liceu ou do ensino técnico perante a questão trivial «Escreve um número que seja, simultaneamente, múltiplo de 2, 3 e 5» responderia 30, 60, 90, 120, etc.
Fruto das novas oportunidades que o governo oferece aos jovens, os filhos dessa criatura podem hoje responder também 6, 10 ou 15, respostas que o ministério da desinstrução considerou como igualmente certas nas provas de aferição que foram recentemente realizadas.
Pela paciente explicação do director do Gabinete de Avaliação Educacional aos ignaros o Impertinências concede 5 merecidos chateaubriands ao argumentário esmagador.
(no Expresso)«Para se compreender a importância das provas de aferição é necessário conhecer os rudimentos das técnicas de avaliação e dispor de noções básicas sobre os processos de aprendizagem.
A correcta resolução de uma questão de Matemática, por exemplo, pressupõe que o aluno compreende o problema, estabelece um modelo adequado, traduz os dados para a linguagem formal da Matemática, opera sobre expressões e atinge resultados. Neste trajecto para a solução cada aluno exibe dificuldades específicas: enquanto uns poderão ter grande desenvoltura a operar sobre expressões numéricas sendo, no entanto, incapazes de traduzir o problema formulado para a linguagem matemática, outros apresentarão dificuldades opostas. Ambos falharão o objectivo de resolver o problema, mas a estratégia e o sentido do esforço do professor devem ser radicalmente diferentes.
As provas de aferição são elaboradas de forma a proporem questões que não só determinam o conhecimento dos conteúdos do programa, como verificam em que aspectos do processo de resolução se encontram as dificuldades dos alunos. A classificação dos itens de uma prova é feita com códigos numéricos (por exemplo, 00, 10, 12, 30), que não representam quantidades mas tipificam situações diferentes do percurso do aluno em direcção à solução do problema. Não faz sentido dizer que um aluno que teve uma classificação de 30, num determinado item, 'sabe' três vezes mais do que um que obteve 10. O exercício de dividir os códigos das provas de aferição é tão absurdo como dizer que o número do 81 é inversamente proporcional à idade do seu possuidor... As provas de aferição são pois indispensáveis à melhoria do desempenho dos nossos alunos».CARLOS PINTO FERREIRA, director do Gabinete de Avaliação Educacional
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: os homónimos de Mateus
Há um Augusto Mateus, ex-dirigente do MES, co-responsável por dinamitar uma escola de economia e ajudar a construir uma escola do poder popular que a substituiu durante 10 anos. Há outro Augusto Mateus que é professor doutor «catedrático» mas nunca chegou a acabar o doutoramento nessa mesma escola.
Há um Augusto Mateus que foi ministro do governo do engenheiro Guterres. Há outro Augusto Mateus que disse ontem ao Semanário Económico «enquadrava-me seguramente num governo como este» (o do outro «engenheiro»).
Há um Augusto Mateus que tem uma empresa de consultoria que faz parte do consórcio que estuda o ordenamento de actividades na envolvente da Ota. Há outro Augusto Mateus que parece fazer um estudo de avaliação da localização do novo aeroporto, não se sabe bem para quem, e que disse ontem ao Semanário Económico que Alcochete «pode vir a ser estudada» e «tem dimensão mais do que suficiente para se fazer algo mais flexível» e que a Ota «tem um conjunto de limitações dimensionais».
Por todos estes feitos oferece-se a cada um dos Mateus 3 bourbons e 4 chateaubriands.
08/06/2007
CASE STUDY: a causa ambientalista tem bons amigos
Por exemplo, uma brochura com 200 gramas, 24 páginas profusamente ilustradas a cores, uma capa cartonada de 2 mm de espessura, encadernada numa grossa lombada de 7 mm com argolas e este belo aspecto.
O presidente do município em causa (Oeiras), envolvido numas trapalhadas de dinheiros na Suíça, é sócio duma tipografia que presta serviços à câmara. Oportunamente o próprio declarou que ignorava e que já tinha dado instruções para que tal não acontecesse. Diz-se à boca chiusa que. Diz-se, mas o certo é que a brochura não nos informa onde foi impressa, portanto nada está provado.
06/06/2007
05/06/2007
ESTÓRIA E MORAL: Lost in translation
Se me tivessem contado, não acreditaria. A detractora acidental RMR enviou-me há tempos uma «publicidade institucional a uma conferência que se realizou no fim de Abril, na Universidade de Granada, versando o título acima (Translation & social activism). A grande mentora da coisa é a sumidade Mona Baker, "professional translator, university teacher & social activist". A dona Mona tem tb uma Editora, a St. Jerome's (para o caso de não saber, é o santinho padroeiro dos tradutores) de onde, há tempos, despediu (primeiro pediu que eles se demitissem...) dois colaboradores por serem israelitas.»
Da bendita brochura extraio o primeiro parágrafo do Concept:
«As linguistic, cultural and national borders become increasingly blurred by corporate-led globalisation and the ravages of ‘perpetual’ war, non-mainstream institutions such as NGOs and social movements, as well as individual activists, are beginning to exploit the shift from national to transnational spheres of action to challenge mainstream ideologies that support patterns of injustice across the globe. The involvement and intervention of translators and interpreters on both sides of the power divide in this complex and volatile landscape is becoming a growing concern for the sociology and ethics of translation and interpreting.»
Moral
Tradutore, traditore.
Nova entrada para o Glossário das Impertinências:
Tradução de causas
Uma tradução que se está borrifando para o texto e que desafia as ideologias dominantes que suportam a injustiça no mundo.
Se Armando Baptista-Bastos fosse tradutor, diria que a tradução de causas é sobretudo o porta-voz daqueles que não têm voz. É a tradução onde não há textos. Os textos correspondem à visão do mediador, do tradutor. É a tradução de indignação, que não é indolor e incolor e de revolta contra os que querem é capar-nos.
04/06/2007
SERVIÇO PÚBLICO: as pirâmides do estado napoleónico-estalinista (12)
«Nestas linhas procuraremos analisar o processo de um ponto de vista ambiental - pois foi com este critério, diz-se, que foi rejeitada uma outra opção, em Rio Frio.
Antes de mais, uma nota: segundo a legislação portuguesa, as grandes obras públicas devem ser acompanhadas de um estudo de impacte ambiental que, para o comum dos cidadãos, deve ser resumido num 'resumo-não-técnico' onde, de forma simples, sejam expostos os problemas ambientais que por ela virão a ser causados. Ora esse resumo não-técnico parece faltar em absoluto. Será tal falta razoável numa obra de tal envergadura, e que há tantos anos anda a ser discutida?
Sabemos que a localização em Rio Frio foi abandonada no tempo da ministra Elisa Ferreira por razões ambientais (*), entre as quais a necessidade de se proteger uma mancha de sobreiros, espécie protegida em Portugal. De facto, o sobreiro é uma espécie nativa do nosso país (os sobreiros serão mesmo restos da vegetação primitiva) e Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo.
Muito bem. Só que esta abordagem esquece que os sobreiros ocupam uma área de 730 mil hectares, 8,5% do país, e que são uma espécie de zonas secas - enquanto na Ota o aeroporto se iria (irá?)construir sobre uma zona húmida. Designam-se por zonas húmidas aquelas em que há água ao nível do solo (ou pouco abaixo desse nível) durante a maior parte do ano. Ora, em Portugal, são estas as que escasseiam (limitando-se a cerca de 1 % do território) e não as zonas secas.»
(Ota: opção política ou técnica?, António Manuel Saraiva, arquitecto paisagista, no Sol)
(*) Diferentemente do que escreve o autor, a doutora Elisa Ferreira disse ao Sol que «não houve nenhum veto ambiental» à localização do novo aeroporto internacional de Lisboa em Rio Frio.
03/06/2007
BREIQUINGUE NIUZ: «momentos Chávez» (*)
02/06/2007
CASE STUDY: perguntar não ofende
“Ninguém deve querer dar lições de democracia a ninguém” disse com humildade postiça o homem a quem a guarda pretoriana do czar Putin fechou a praça para ele fazer o seu jogging.Você compraria um carro em segunda mão a este homem?
01/06/2007
NÓS VISTOS POR ELES: «não têm nenhum espírito público»
Escrito o lustroso parágrafo anterior e esgotada a erudição cravada à Manitoba Historical Society, resta-me confessar que não faço a mínima ideia onde o homem escreveu sobre os indígenas, que «não têm nenhum espírito público e por consequência nenhum carácter nacional. Um inglês ou um francês pode distinguir-se em países estrangeiros por um ar e umas maneiras peculiares à sua nação, que ele tentará em vão disfarçar. Mas qualquer homem magro, moreno, pode passar por um português».
200 anos depois, não fora a obesidade endémica que nos ameaça, o juízo continuaria actual.
31/05/2007
NÓS VISTOS POR ELES: o facilitismo não facilita e a infelicidade bate-nos à porta à força de querermos ser felizes
«No trabalho, os portugueses não se valorizam entre si. Para arranjar emprego conta mais por quem se é recomendado do que o currículo ou a experiência que alguém possa ter e, para subir de posição, pesam mais a influência dos amigos e as relações de simpatia do que a competência ou a visão profissional da pessoa. Portugal ainda tem a mentalidade dos 'jobs for the boys'. Nestas culturas é natural que as pessoas não dêem o seu melhor porque não vêem o seu trabalho valorizado. E isso não traz felicidade» disse à Única, há duas semanas, Eva Henningsen, uma dinamarquesa que por cá vive e que parece conhecer bem a alma nacional.
Segundo ela os portugueses são infelizes devido ao «nepotismo enraizado na família, no trabalho e nas autoridades. ... São um povo muito simpático e caloroso, mas têm uma mentalidade de controlo que persiste. Houve uma grande revolução política (25 de Abril), mas o impulso de vigiar e controlar os outros mantém-se e isso tolhe a felicidade das pessoas porque lhes limita a liberdade de acção e de expressão. Portugal é um país católico ainda muito preso a convenções sociais do passado. Na Dinamarca as pessoas têm, mesmo, liberdade para serem o que quiserem desde que não violem a lei.»
30/05/2007
DIÁRIO DE BORDO: de volta à maledicência
24/05/2007
ARTIGO DEFUNTO: e a montanha mediática pariu mais um rato fáctico
Desta vez é a notícia que o «Governo dispensou 40% dos recibos verdes», isto é 40% dos infelizes avençados e tarefeiros que nunca chegaram a arrimar-se a um bico da teta da generosa vaca marsupial pública. Impante, o governo informa o seu agente no Diário Económico que «dispensou, no ano passado, quase metade dos trabalhadores da Administração Central com contratos de tarefa e avença».
Depois da conversão levada a cabo pelos governos do engenheiro Guterres (nos quais, recorde-se, participou o actual primeiro-ministro, seu confesso admirador) que transformaram dezenas de milhares de infelizes dos recibos verdes em felizardos utentes da vaca, sobrou pouco para o ímpeto reformista do engenheiro Sócrates. Segundo o ministério das Finanças sobraram apenas 8.698 infelizes, dos quais 3.660 foram expelidos o ano passado do ventre acolhedor da vaca para as agruras do mercado de trabalho.
Será isto um feito a creditar ao governo? Duvida-se. Primeiro pela insignificância no oceano dos setecentos e tantos mil utentes, segundo porque os infelizes 3.660 infelizes expulsos do paraísos eram presumivelmente os mais produtivos.
22/05/2007
BREIQUINGUE NIUZ: catástrofe social, disse ele
Coisas incontornáveis? Talvez incontornáveis no estado de nevoeiro analítico em que a nação se encontra, mas com pressupostos preocupantes para um líder da oposição que deveria ter políticas alternativas e não mais do mesmo ou menos do mesmo.
Pensa o líder da oposição que compete ao governo criar empregos? Será? Só se for lugares no monstro do professor Cavaco et alia.
Acredita o líder da oposição que está perante uma catástrofe social? E o que chamou à situação decorrente das reformas que a Espanha realizou há 20 anos que fizeram o desemprego ultrapassar 20%? E o que chama ao estado de coisas em que temos vivido, sustentando empregos improdutivos e empresas inviáveis, na economia paralela ou na economia parasitária dos subsídios, que afundam empresas viáveis?
Num ponto ele pode ter razão. Como a medicina que o primeiro-ministro prometeu no programa de governo que administraria ao país é a mesma do líder da oposição, talvez seja um «rotundo fracasso da política do governo» não criar 150.000 novos empregos até ao fim do mandato. Ou talvez não. Se o doutor Marques Mendes pensar que o importante é manter o emprego, terá que fazer a justiça ao primeiro-ministro que ele, não destruindo, como prometeu, 75.000 empregos na administração pública só precisará de «criar» 75.000 para ficar tudo na «mesma».
Conseguirá o doutor Marques Mendes perceber que a economia só se renova com a destruição de uns empregos e a criação de outros? Compreenderá que a política de manter empregos a qualquer custo é o caminho mais directo para os destruir sem criar novos.
21/05/2007
SERVIÇO PÚBLICO: as notícias da retoma eram manifestamente exageradas
O Impertinências, nisto parecido com sua excelência o PR, disse para com os seus botões esperar para ver (os botões de sua excelência foi um rancho de jornalistas).
Hoje os Indicadores de Conjuntura do Banco de Portugal, informam-nos que a actividade económica se manteve estável nos últimos 5 meses e, para ajudar, o indicador coincidente do consumo privado diminui em Abril, o que não augura boas notícias para os próximos meses.
Possíveis explicações para o fenómeno das discrepâncias:
1.ª o INE fez umas estimativas tão rápidas que se enganou nas contas
2.ª o ministro anexo do BdeP decidiu reabilitar-se e marcar as suas distâncias ao governo
3.º com amigos destes no INE mais vale o 1.º ministro ter só inimigos
4.º na viagem das Avenidas novas para a Rua do Ouro perdeu-se 0,4% do PIB
20/05/2007
ESTADO DE SÍTIO: os excessos de zelo revelam tiques autoritários
E se esse critério, qualquer que tenha sido, tivesse sido aplicado aos comentários jocosos, produzidos pelos gabinetes deste país e fora dos gabinetes, a propósito das inúmeras tontices (a maior parte deles menos desabonatória do seu carácter e menos grave do que as alegadas manobras da UnI) que o parlapatão doutor Santana Lopes produziu durante o seu breve consolado?
Resposta: 9 em cada 10 utentes da vaca marsupial pública teriam sido suspensos. O que até teria sido uma benção, diga-se.
19/05/2007
ESTADO DE SÍTIO: mais estatísticas de causas que sustentam um optimismo pessimista
O ministro do Trabalho prefere apelar para o que ele acredita ser a auto-estima ferida dos portugueses e cita as estatísticas de causas dos centros de emprego para traçar um cenário mirífico de recuperação do emprego. (Diário Económico)
E, no entanto, o cenário «pessimista» que emerge dos números do INE é muito mais optimista do que o cenário «optimista» ministerial que, a ser acreditado, era caso para se ficar ainda mais pessimista.
A questão é tão simples que só é difícil de ver por causa do nevoeiro analítico dos spin doctors governamentais. Nas duas décadas que levamos de subsídios da UE, criámos empregos total ou parcialmente improdutivos no estado napoleónico-estalinista e nos seus anexos (centenas de empresas públicas, muitas delas actualmente semi-públicas). Só a administração pública terá engordado com 2 ou 3 centenas de milhar de utentes.
A engorda teve dois efeitos letais para o crescimento económico. Por um lado, um efeito directo na produtividade já que o subemprego ou o emprego fictício não acrescenta valor, só acrescenta custos. Por outro, porque criou nos mercados de trabalho uma oferta de emprego que manteve os salários artificialmente elevados, que sustentou uma procura de bens de consumo e de habitação (potenciada pela baixa das taxas de juro), que ajudou a manter à tona milhares de empresas inviáveis de todos os tamanhos.
Imagine-se, nesta situação, se o emprego aumentasse. Deveríamos ficar mais pessimistas se o cenário idílico que vive na cabeça do ministro do Trabalho (supondo que ele acredita no que diz) tivesse alguns pontos de contacto com a realidade. Estaríamos ainda mais presos numa armadilha de que os nossos vizinhos espanhóis se libertaram há 20 anos, quando chegaram a uma taxa de desemprego superior a 20% e reorganizaram todo o tecido empresarial.
Como é que se sai desta armadilha? Fechando empresas, descontinuando negócios, emagrecendo o monstro que o professor Cavaco e o engenheiro Guterres (para só citar os maiores responsáveis) alimentaram com desvelo. Quanto ao monstro, estamos conversados, porque as ganas do engenheiro Sócrates são mais no campo discursivo do que no campo das reformas. Quanto às antigas empresas públicas e seus resíduos no interior de empresas privadas, os excedentes são enviados para uma bela aposentação com confortáveis pensões (só o Millenium bcp à sua conta enviou milhares que recebeu do BPA, BPSM, etc.).
Fica pois o emagrecimento para as micro-empresas e PME por esse país fora (sobretudo no Norte) que vão ter que pagar uma parte desproporcionada da factura da obesidade alheia. Enquanto não aparecem (in)voluntários para pagar o resto da factura é difícil imaginar a retoma.
18/05/2007
LA DONNA E UN ANIMAL STRAVAGANTE: por trás de uma grande mulher está o quê? (2)
Está o marido dela, falsamente respeitoso (a patroa maiúscula), que finge confessar os seus (mais do que justificados) receios, e que se revela falando de sedução e de usar as armas do inimigo para melhor o dominar (já não lhe chegava dormir com ele).Mandei o seu post à Patroa. Vamos ver se me deixa entrar em casa hoje ou não.
Nesta dicotomia que no seu blog documenta através da etiqueta «iguais mas diferentes» há um exemplo recente que gosto que tenha ocorrido: interpreto que uma parte da vitória do Sarko sobre a Sego foi uma vitoria do macho sobre a fêmea, do sexo fraco sobre o sexo forte (não, não me enganei).
Já nem entro em linha de conta com o erotismo do frente-a-frente entre os dois no qual a Sego até chegou a levar um penteado semelhante ao da mulher de Sarko. Sarko com um sorriso que corrompe qualquer um e Sego, senhora, elegante, distinta: todo o debate girou à volta da sedução (entre ele e ela mas também e sobretudo entre eles e o público, em que ela de forma desafiadora, forma essa tão típica aos machos, nunca deixou de o fixar olhos nos olhos como que a afirmar a sua superioridade de matriarca. Marcou-me também o facto do François dela quase nunca aparecer enquanto que a Cecilia dele foi desaparecendo à medida que a campanha se tornava mais intimista. Só voltou no dia da vitória, substituindo a outra.
Foi uma campanha sexy. Ao contrario das precedentes com Chirac morto-vivo e Mitterand zombie, são dois «jovens», de bom aspecto, que usam e abusam do seu charme em parte natural em parte produto puro de marketing, ultrapassados só pelo Kennedy e a sua Jacqueline. Ele faz ciclismo, ela vela e nada.
Ele tem ideias e pensamentos - certos ou errados - mas estruturados, preparados, fundamentados, cartesianos. Ela é intuição feminina bruta no sentido exacto dado pela Simone de Beauvoir («a intuição feminina é aquele instinto estranho que permite a uma mulher saber que está certa, quer o esteja ou não»). Como aquele caso sub-demagógico dela querer que as mulheres-polícia fossem acompanhadas para casa por um polícia para evitarem o que acontecera dias antes a duas delas.
É pois uma vitória do Homem sobre a Mulher.
Sobretudo quando, para ganhar, ele utilizou armas tipicamente femininas e não as suas ideias e pensamentos.
17/05/2007
LA DONNA E UN ANIMAL STRAVAGANTE: por trás de uma grande mulher está o quê?
A business school da Universidade (com maiúscula) católica (com minúscula) foi classificada pelo Financial Times em 19.º lugar no ranking da formação de executivos. Mesmo que o FT não seja o papa, e já lá se escreveu muita asneira, ainda que bem escrita, com pompa e circunstância, o certo é que a classificação significa alguma coisa e quase pode ser colocada na mesma prateleira dos dois Nobel que nos calharam.
Mas o mais importante para esta secção do Impertinências, é Fátima Barros, a directora da FCEE da UC, uma das pessoas a quem mais ficamos a dever o FT ter descoberto a excelência na profusão da mediocridade que contamina as universidades portuguesas.
Se por trás de um grande homem está uma grande mulher, o que estará por trás duma grande mulher? No geral, ignoro. Neste caso está um amigo do Impertinências, agora completamente babado, que também passou pela FCEE, a quem dou os parabéns por ter convencido a Fátima a aceitar ser a patroa dele.
16/05/2007
ARTIGO DEFUNTO: I beg your pardon?!
Para o Diário Económico, Wolfowitz implora para ficar como administrador do Banco Mundial.
Para o Diário Digital, Wolfowitz implora manutenção do cargo à administração.
Wolfowitz, le vieux con, já é suficientemente repugnante e não vão ser estes títulos fabricados pela ignorância e/ou pela falta de escrúpulo que o tornam pior.
ESTADO DE SÍTIO: uma cajadada, dois coelhos
Bem pode o doutor Marques Mendes retirar a confiança política a todos os autarcas do PSD arguidos, que com isso não limpa o que agora sujou. Pelo contrário, se ao retirar a confiança política está, eventualmente, a manifestar algum respeito pelo partido, está ao mesmo tempo, eventualmente, a mostrar pouco respeito pelos eleitores. Ao indigitar candidatos como agora faz o pleno: manifesta desrespeito pelo seu partido, revelando-o como um repositório de mediocridades, desrespeito pelas escolhas dos eleitores e pelo compromisso dos eleitos.
15/05/2007
ESTADO DE SÍTIO: escrever torto por linhas tortas
Que tal ínvio processo possa ter escapado ao escrutínio duma mente que se pretende mostrar acima da falta de escrúpulo que contamina a classe política, ou que tal processo lhe possa ter parecido normal, é, por si só, um indicador do ponto de degradação a que chegou o regime.
Dir-se-à que coisa morreu na praia. Pois morreu, mas apenas porque o indigitado doutor Seara «por questões pessoais, (entendeu) que não tinha condições». Se ao menos tivesse recusado candidatar-se a um lugar porque já o ocupa noutra câmara.
14/05/2007
ESTÓRIA E MORAL: o dilúvio de palavras e o deserto de acções
Para quem se propunha reduzir o número de utentes da vaca marsupial pública em 75.000, durante o mandato de 4 anos, enviar até agora um prodigioso número de 95 para o quadro de excedentários dá-nos uma justa medida da diferença entre o dilúvio de palavras e o deserto de acções.
No final do mandato o governo arrisca-se a ter o número de funcionários públicos que tinha no princípio, e umas dezenas de milhar de aposentados mais.
Se o governo não consegue tomar as medidas que só dependem de si próprio, como quer animar a ecoanomia e criar empregos fora do estado napoleónico-estalinista, coisas que pouco mais dependem do governo do que a meteorologia?
Moral
A montanha da manipulação pariu o rato dos resultados.
12/05/2007
SERVIÇO PÚBLICO: a génese do cinema de causas subsídio-dependente
Está por avaliar o papel que JBC (João Bénard da Costa) tem tido na perpetuação de alguns mitos e na opinião sectária sobre a valia de alguns filmes e cineastas portugueses. Mas, para já, gostaria de deixar aqui uma primeira reflexão sobre as razões que fizeram abortar a ideia de AP (Azeredo Perdigão) ao financiar, sob a forma de capital de risco, um grupo de cineastas que despontavam e aos quais nem o Regime nem o mercado proporcionavam qualquer oportunidade.(O velho 'Cinema Novo', de António-Pedro Vasconcelos, no Sol)
Hoje tenho a noção clara de que, se essa iniciativa não deu os frutos que se esperava, foi porque o Estado marcelista, ao criar, nas vésperas do 25 de Abril, o IPC, para tutelar o cinema e financiar directamente os cineastas, veio reforçar a ideia de que não havia um mercado para os nossos filmes e consolidou em todos nós uma mentalidade de assistidos em autogestão. Com isso, cineastas e Estado uniram-se, desde o inicio, numa visão ecológica sobre o cinema português, como se este fosse uma espécie em vias de extinção que urgia proteger dos predadores industriais. Essa trágica visão das coisas, ao invés dos resultados que AP pretendia obter, abortou qualquer hipótese de ver surgir uma rede de produtores responsáveis e de criar uma relação positiva destes com o mercado - as salas e os canais de TV, para os quais se reservou o papel de financiadores compulsivos dos filmes, em vez de os aliciar a serem parceiros activos na sua produção, interessando-os nos seus resultados.
11/05/2007
ESTADO DE SÍTIO: cacafonia orçamental
Vítor Baptista, coordenador do Partido Socialista para a área económica propôs hoje a Emanuel dos Santos, Secretário de Estado adjunto do Orçamento, que quando houver condições orçamentais o Governo opte relançar o investimento público "ainda antes de baixar impostos". O que, disse o deputado, seria "ainda mais oportuno do que baixar taxas de impostos", pode ler-se no mesmo Jornal de Negócios.
Enquanto o presidente do Tribunal de Contas e antigo ministro das Finanças do governo do desaparecido engenheiro Guterres (com a sua quota-parte de responsabilidade no desconchavo orçamental) propõe, sem chamar o boi pelo nome, o eterno MacGuffin do orçamento base zero como ferramenta para produzir o milagre, a espécie de porta-voz para a economia do mesmo PS propõe-se já espatifar o que, não sei quem, chama «sequência dos bons resultados orçamentais do ano passado», que consiste apenas no maior défice orçamental da União Europeia.
10/05/2007
ARTIGO DEFUNTO: a boa imprensa da PT
às 7:38 no Jornal de Negócios, Lucros da PT caem 16,3% no primeiro trimestre
às 8:09 no Diário Económico, Lucro da PT cai 16,3% no primeiro trimestre
às 9:18 no Jornal de Negócios, PT em máximos de sete anos com resultados acima do esperado
às 9:30 no Diário Económico, Bons resultados levam PT a atingir máximo nos 10,65€.
09/05/2007
08/05/2007
DIÁLOGOS DE PLUTÃO: ele já não
- E a Pilar? Ainda está com depressão?- Nada. Passou-lhe tudo.
- Uáu!
- Está óptima. Optimista, cheia de energia.
- Qual o milagre?
- Começou a fazer body building?
- Body building? Não será ioga?
- Olha, não sei. Pode ser isso, ou outra coisa qualquer. Certo, certo, é que tem um personal trainer.
- Personal trainer?
- Sim. Porquê a admiração?
- Nenhuma. Bem me parecia.
- O queres tu dizer com o bem me parecia?
- Então, quer dizer tu ... já não ...?
- Já não o quê, pá! Pára lá essa conversa!
(ouvida no balneário do ginásio)
07/05/2007
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: pior a emenda do que o soneto
Por outro, a oposição pela boca do líder do PSD doutor Marques Mendes promete que quando ele for governo «haverá um ministro das pequenas e médias empresas», que acrescentará ainda mais entropia à decrépita e gigantesca máquina do estado napoleónico-estalinista. E porque não prometer também um ministro para as micro-empresas, outro para os profissionais liberais, outro para as start ups? Ele coitado, não é totalmente responsável pelo despautério. Está só a tentar chegar à altura do professor Cavaco, que teve há tempos a visão da «criação de uma secretaria de Estado para acompanhar a vida das empresas estrangeiras a actuar em Portugal»,numa daquelas suas visitas ao país chamado real, que eu acharia melhor chamado de irreal.
06/05/2007
05/05/2007
ESTADO DE SÍTIO: uma desfaçatez acima do comum
Um dos elementos fundamentais da retórica do Primeiro-ministro é que “antes” não se fazia nada, não se decidia nada, a oposição defendia sempre o contrário de hoje; “agora” decide-se tudo, faz-se tudo, sempre com um “rumo” certo e seguro que o PS sempre teve. Quando ouço isto, só há uma pergunta que acho que deveria ser obrigatório fazer: naquele preciso momento do “antes” quais eram as posições que o PS e José Sócrates defendiam sobre a matéria respectiva?(Antes e depois de JPP, no Abrupto)
Para se reconstruir honestamente o mundo de “antes” é vital saber o que é que eles defendiam “antes”. E aqui a resposta é simples: o PS e José Sócrates defendiam o contrário de “agora”, sendo que o “agora” é muito mais parecido com o que os outros defendiam “antes”. “Antes” era a “obsessão do deficit”, “agora” é o “rigor orçamental”; “antes” era o “discurso da tanga”, “agora” é “um momento muito difícil”; “antes” era colocar os números antes das pessoas, “agora” é a irresponsabilidade de colocar as pessoas antes dos números, na saúde, na segurança social, na administração pública. Esta retórica política é uma das coisas que mais desprestigiam a política em democracia. PSD e PS pagam um preço significativo por essa retórica, mas o actual Primeiro-ministro é de uma desfaçatez acima do comum nesta forma de mentira.
SERVIÇO PÚBLICO: as pirâmides do estado napoleónico-estalinista (11)
Será editado na primeira quinzena de Maio, pela Tribuna, o livro «O Erro da Ota e o Futuro de Portugal: a Posição da Sociedade Civil».O panorama traçado pelos autores revela que não está apenas em jogo decidir se o novo aeroporto de Lisboa deve ser grande e substituir o da Portela; se deve ser mais pequeno e servir os voos de Baixo Custo e combinar-se com o actual, na solução Portela +1; ou se deve haver um novo aeroporto na grande banda de território plano entre Tejo e Sado que vai desde o Campo de Tiro de Alcochete até à Marateca. O que está em jogo exige começar por “sentir o território”; tentar perceber a geografia da região metropolitana de Lisboa; quais as potencialidades dos grandes estuários e a ligação dos corredores do Tejo e Sado; as vulnerabilidades da expansão a Norte do Tejo; a abrangência e as ameaças ambientais ao aquífero da península de Setúbal; a rede de ligações mar e terra, os portos e o transporte ferroviário e rodoviário.
Em segundo lugar, os autores deste livro rejeitam a Ota. Foi uma decisão mal preparada por sucessivos governos; mal fundamentada do ponto de vista técnico; acompanhada da ocultação e da manipulação de estudos; e desacompanhada por precauções relativamente à especulação fundiária: rejeitam o erro da Ota que contraria toda e qualquer normalidade de procedimentos de “bom senso”.
Em terceiro lugar, aceitam que a Portela tem de ser complementada por um novo Aeroporto que deverá surgir de uma perspectiva de implementação faseada. O novo Aeroporto Internacional terá de reservar espaço de desenvolvimento para todo o século XXI. Para isso, o território em que se implanta deve ser bem compreendido, e as ligações com portos e ferrovias bem estabelecidas porque, em futuro próximo, as contingências ambientais limitarão a correcção de trajectória.
(de um email de Luís Gonçalves)
04/05/2007
SERVIÇO PÚBLICO: e não se pode exterminá-los?
No Diário da República de 30 de Abril publica-se mais uma longa lista de 78 portarias que estabelecem estruturas nucleares, aprovam estatutos, fixam dotações máximas das unidades orgânicas flexíveis e outras medidas supostamente indispensáveis para reformarem outras tantas instituições.No início do 3.º dos 4 anos que o governo se concedeu para levar a cabo a reforma administrativa, não há sinais visíveis de downsizing da vaca marsupial e os ímpetos reformadores esgotam-se na ejaculação legislativa.
De toda a ejaculatória do dia 30, uma das mais inspiradoras é a Portaria n.º 569/2007 do ministério da Economia e da Inovação (I-no-va-ção?) que «fixa a dotação máxima de chefes de equipas multidisciplinares da Comissão de Aplicação de Coimas em Matéria Económica e de Publicidade».
Alguém é capaz de imaginar uma empresa com mais de 700.000 empregados a ser reorganizada ao ritmo do Diário da República?
Quantos daqueles repositórios de burocracia, mais do que inútil, nociva, regurgitando inutilidades não poderiam ser exterminados, em vez de «reformados»?
Porque não se dedica o governo a tratar da única coisa que está e deve estar ao seu alcance e é da sua inteira responsabilidade, em vez de se masturbar a produzir declarações para dinamizar a economia, ou a tentar animar os portugueses, ou a impedir que se estrepem com nicotina, ou qualquer outras das múltiplas (in)actividades onde torra 1/3 do PIB?
03/05/2007
SERVIÇO PÚBLICO: no perder está o ganho
E porquê a diferença entre a contabilidade para o fisco e as outras?, perguntaria M. de La Palice. O ministério das Finanças poderia responder porque «apesar de a taxa nominal do imposto ter decrescido 16,66%, (de 30% para 25%), a receita líquida do IRC do ano de 2005 foi inferior à de 2004 em apenas 4,4%, e a de 2006 já foi superior à de 2004 em 11,8%».
(Fonte Diário Económico)
Segundo os analistas do BPI a «decisão do Santander Totta de eliminar algumas comissões cobradas aos clientes terá um impacto negativo para a banca portuguesa». O banco vai perder 10 milhões de euros por ano, mas espera ganhar 200 mil novos clientes. O impacto negativo na banca é, neste caso, um impacto positivo nos seus clientes, tudo isto sem o governo disparar um tiro, sem o senhor engenheiro ter feito uma declaração, sem um único telefonema para os mídia das dezenas de spin doctors que gravitam à sua volta.
(Fonte Jornal de Negócios)
02/05/2007
ESTÓRIA E MORAL: Hugo Rafael Louis Chávez Bonaparte, o caudilho socialista (RECTIFICADO) [OUTRA VEZ]
Esquecidas as prateleiras vazias do sistema comunista, como a memória dos povos é curta, teremos que agradecer ao coronel Chávez o favor de esvaziar as prateleiras das lojas de Caracas para lembrar aos colombianos (*) que o que aconteceu uma vez pode acontecer sempre que as mesmas circunstâncias se reunam. Como agora, que o regime chavista, para combater a inflação, resolveu fixar os preços e controlar os circuitos de abastecimento dos alimentos evaporando-os do mercado. Em resposta, o chavismo organizou «mega-mercados» de rua para esconjurar a «maldição do capitalismo» (ver no Economist, Venezuela's overheating economy - disponível para assinantes).
Como acontece aos engenheiros sociais de todas as correntes, se a medicina que aplicam não cura a maleita (um resultado recorrente) sempre concluem que a dose foi insuficiente e logo se propõem aplicar mais da mesma. Até ao ponto em que o paciente se livra deles, infelizmente alguns (ou muitos) anos depois.
Moral
A história repete-se. A primeira vez como tragédia e a segunda como comédia. (Marx, 18 Brumário)
(*) Por enquanto, os compatriotas do coronel Chavéz ainda são os venezuelanos e não os colombianos, como distraidamente escrevi. Como atenuante, invoca-se o facto dum perfeito idiota sul-americano como o Chavéz poder ser perfeitamente colombiano. Como agravante, aceita-se que a distracção é objectivamente uma ofensa involuntária grave a Alvaro Uribe e menos grave aos colombianos.
(Agradecimento ao detractor acidental JSC) [benfeitor frequente JSC].
A temperatura do paciente do doutor Chavéz
01/05/2007
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: mais uma tanga para os otários
Na inauguração, com 16 meses de atraso, do primeiro troço do Metro Sul do Tejo, o engenheiro Mário Lino prometeu ontem, segundo o Público, que até 2032 (ano em que o inefável engenheiro terá a bela idade de 92 anos e está no governo há 27) a rede chegará não só ao Fogueteiro, ao Barreiro e ao Lavradio mas até à Costa da Caparica.
Escreveu um leitor, «e eu se for ministro prometo que em 2050 teremos um metro de Vila Real a Portimão», e eu, no lugar dele, prometeria mesmo mais «teremos um metro em cada aldeia de Portugal».
Como se podem levar à séria estas tangas dum ministro que integra um governo que nem os seus compromissos formais com o eleitorado cumpre? «Eu recomendo que leiam o meu programa: não está no programa nenhum aumento de impostos», disse o engenheiro Sócrates. O aumento de impostos não está no programa, de facto, o que está é a criação de 150.000 novos empregos e a redução de 75.000 utentes da vaca marsupial pública.
Leva o senhor ministro quatro ignóbeis pela falta de pejo, e quatro bourbons porque, com a escola que adquiriu no PCP, onde só se cuidam dos fins, continuará igual a si próprio, sem um módico de vergonha.













