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08/07/2017

Lost in translation (293) - "Crise" neste contexto pode traduzir-se por Sócrates e o PS


Ora leia-se o que escrevi há 8 anos no post «Estado empreendedor – (10) sequelas do assalto ao Millenium bcp»:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

05/10/2009

Estado empreendedor – (10) sequelas do assalto ao Millenium bcp

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

12/06/2019

Pro memoria (391) - Filipe Pinhal, o primeiro que não teve um apagão de memória

«Filipe Pinhal, que foi afastado do BCP na luta de poder dentro da instituição financeira, diz que as mudanças na administração do banco privado só aconteceram porque tiveram o apoio do “triunvirato” José Sócrates, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio.» (Negócios)

Finalmente, alguém não teve um apagão de memória a respeito do assalto do BCP, tema que inspirou resmas de post aqui no (Im)pertinências, como por exemplo o seguinte de há 10 anos:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

29/07/2008

A promiscuidade não é uma prática recomendável (também nos bancos)

Ainda estamos longe do fim dos ajustamentos nos bancos portugueses, que estão a pagar as consequências de irem para a cama uns com os outros e todos eles com os seus clientes.

Caiem as acções do Millenium bcp e o BPI regista as correspondentes menos-valias nas suas participações. Caiem os activos e os resultados do BPI, o que faz cair a sua cotação, o que, por sua vez, faz cair ainda mais o Millenium bcp, o que faz cair outra vez o BPI, e assim sucessivamente.

Caiem as acções do Millenium bcp e do BPI e o valor dos fundos de pensões do Millenium bcp e do BPI cai também, o que gera uma insuficiência face às responsabilidades por pensões que os bancos terão que repor. No entretanto, o mercado desconta essa insuficiência nas cotações que caiem outra vez.

Caiem as acções do Millenium bcp e do BPI e os grandes accionistas cotados (sobretudo os accionistas do Millenium bcp) vêem os activos diminuir e o mercado penalizar as suas acções. Diminuem os activos desses clientes e o seu risco de crédito aumenta. O mercado não deixará de penalizar os bancos de que são accionistas e clientes com empréstimos avultados (a Teixeira Duarte, accionista do Millenium bcp, deve-lhe mais do que valor da sua capitalização bolsista).

12/05/2022

Pro memoria (421) - Berardo quer contribuir para a educação dos banqueiros e dos políticos do regime que o alimentou

Flash back (há 13 anos):

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do BCP. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Ver também os posts da etiqueta Porque ri Berardo?

Fast forward (13 anos depois):

«Joe Berardo diz que todo o processo das dívidas à banca lhe provocou elevados danos morais, inclusivamente uma profunda depressão, e reclama uma indemnização de pelo menos 100 milhões de euros, com a qual pretende, em parte, financiar bolsas de estudo a gestores bancários e cursos de ciência política aos deputados.

Na ação que colocou contra Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Novobanco e BES, o comendador diz-se vítima de quem o quer rotular de “Responsável Disto Tudo”, de quem o acusa de ser o causador de “todos os males da banca” que teve de ser socorrida pelos contribuintes, numa estratégia concertada para mascarar as falhas das próprias instituições financeiras, do Banco de Portugal e do Governo.»

01/03/2007

DIÁRIO DE BORDO: os meus votos nas OPAs

Ainda não percebi para que tem a AdC dezenas (ou serão centenas?) de doutores, mestres, licenciados e bacharéis a lamberem resmas de papel e a remoer há muitos meses as OPAs da Sonae sobre a PT e do Millenium bcp sobre o BPI, a inventar remédios quando não há doenças e a não prescrevê-los quando as maleitas saltam aos olhos.

Só há dois pontos de vista relevantes, a saber: o do mercado e o do Impertinências. O do mercado devia ser claríssimo para toda a gente e consiste em:

a) não autorizar a OPA da Sonae sobre a PT que só reduz a concorrência;
b) obrigar a PT a desmembrar-se (lembram-se das babies Bell?);
c) autorizar a OPA do Millenium bcp sobre o BPI e deixar o mercado resolver o assunto.

Infelizmente o ponto de vista do Impertinências é bastante diferente, consistindo em:

a) incitar os belmiros, obrigar os accionistas actuais, poseurs (quase todos) enfatuados (Espíritos), verborreicos (Berardos), lunáticos (uns tristes armados em cavaleiros brancos), etc., a venderem ao preço oferecido;
b) aplaudir o extermínio que os belmiros fariam à entrada na barbacã da PT dos exércitos de carraças que as administrações anteriores deixaram agarradas à carcaça de PT, em particular a administração do Visconde Barão Doutor Horta e Costa, a Enfatuada Vacuidade do double windsor e do roupão de seda com brasão;
c) igual ao b) do mercado;
c) não autorizar a OPA do Millenium bcp sobre o BPI (é o meu banco de investimento há dez anos e os cheiros a incenso dos opantes agoniam-me);
d) obrigar o BPI a lançar uma OPA sobre o Millenium bcp;
e) aplaudir a desbeatificação que os ulrichs levariam a cabo dos exércitos de beatos que infestam o Millenium bcp.

E pronto é tudo. Não se pode estar sempre com o mercado.

09/01/2008

A parte submersa do iceberg Millenium bcp

A carta seguinte do Sr. Delfim Sousa chegou-me (a mim Pertinente) via Impertinente. Parece-me que a carta passa ao lado do facto mais relevante, já assinalado há mais de um ano pelo Impertinente «o Millenium bcp tem uma insuficiência nos fundos de pensões de 1.500 milhões». A ser assim, a manobra denunciada pelo Sr. Delfim Sousa não é uma, mas são duas manobras. A que ele denuncia, ou seja o aproveitamento pelo governo dos 4 mil milhões para mitigar o défice do OE, e a que ele omite, ou seja o aproveitamento do Millenium bcp (e dos seus accionistas) para transferir a insuficiência de 1,5 mil milhões para a Segurança Social que passará a responder pelas responsabilidades das pensões futuras dos empregados do banco. Enquanto o governo retira uma vantagem ilusória puramente financeira a curto prazo, o banco retira uma vantagem real de longo prazo transferindo para os contribuintes da Segurança Social o ónus dessa insuficiência que se prolongará por várias gerações.

O TABU QUE NINGUÉM FALA: BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS A ARMA SECRETA PARA O CONTROLE DO DÉFICE DO ESTADO NO ANO 2008!

É estranho o manto de silêncio, o tabu, sobre a provável e principal razão que envolve o interesse súbito de «todo o mundo» sobre o Banco Comercial Português: a possível transferência para a Segurança Social do fundo de pensões dos colaboradores do Banco avaliado em cerca de quatro mil milhões de euros.

Esta transferência, a concretizar-se, será contabilizada como receita extraordinária da Segurança Social neste ano 2008 e controlará o défice do Estado satisfatoriamente. Esta solução que estará na mira do Governo Sócrates (sem dúvidas), já foi testada pelo Governo de Guterres (com a transferência do fundo de pensões do BNU, realizado pelo ex-ministro Sousa Franco) e pelo Governo de Santana Lopes, para controlar o défice e cumprir os valores limite fixados pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Assim, no ano de 2004, o ex-ministro das Finanças Bagão Félix transferiu fundos de pensões de empresas públicas (entre outros, o Fundo da Caixa Geral de Depósitos) para a Caixa Geral de Aposentações, conseguindo um encaixe financeiro de cerca de 1,9 mil milhões de euros (segundo foi noticiado).

Estamos, na verdade, no cerne das negociações das cadeiras na Administração do BCP! Isto é, poderá o PS garantir um perfeito e tranquilo sucesso orçamental no Ano 2008, com uma total concordância do maior partido da oposição (?), tendo em vista o ano de eleições de 2009? Mas, é bom recordar e não esquecer (PS e PSD) o parecer do Tribunal de Contas sobre este tipo de operações: «O impacto directo sobre as finanças públicas, que se projectará por um período longo, resultante das transferências referidas, tem um efeito positivo sobre as receitas do Estado no ano em que ocorreram, mas têm um efeito inverso nos anos posteriores, uma vez que as receitas não serão suficientes para suportar o valor das despesas».

Neste cenário, bem descrito pelo Tribunal de Contas, afirmamos que não se augura nada de bom para os reformados e trabalhadores no activo com a transferência do Fundo de Pensões para o Estado. Denunciamos a apatia e a ingenuidade dos Sindicatos e da Comissão de Trabalhadores do BCP em não verem e não perceberem o fundo real da situação. Ou, será que querem ver e perceber? Porque será que não defendem os legítimos interesses dos trabalhadores com absoluta firmeza e determinação?

O Accionista mediático do BCP, Joe Berardo, o homem que «Sabe Tudo», que no seu apostolado de criticas e denúncias emite opiniões diversas, ainda não se pronunciou sobre esta matéria? Ou, será que sabe e não quer dizer? Ou, sabe mesmo da medida desejada pelo Governo de Sócrates?

O Senhor Joe Berardo não é seguramente um «capitalista do povo», como quer fazer passar na imagem que vende. Pelo contrário, Berardo defende unicamente o seu dinheiro, os seus investimentos e o Fundo de Pensões representa uma responsabilidade para o Banco que quer ver eliminada, ou antes, transferida para o Estado.

Finalmente, independentemente dos respeitáveis nomes que são apontados como candidatos às cadeiras do Conselho de Administração Executivo do BCP, os accionistas, os clientes, os colaboradores do Banco, gostavam de saber da voz dos Candidatos a Presidente, nos próximos dias que antecedem a Assembleia Geral, quais são os modelos e as orientações que pretendem imprimir na organização, se vão seguir a política das fusões, se vão continuar o Programa em marcha “Millennium 2010”, etc. Ou seja, Os Curriculum Vitae de Santos Ferreira e Miguel Cadilhe são inquestionáveis, mas urge sentir e reflectir as linhas orientadoras de liderança que sustentam as suas candidaturas.

Até agora vivemos no campo vago da dança dos nomes. Historicamente, o Banco Comercial Português sempre nos habituou à excelência na liderança e à clareza sólida dos objectivos a atingir. Por esta via, se atingiu o patamar de importância que o BCP hoje ocupa no sistema financeiro português.

DELFIM SOUSA
Accionista, Ex-Quadro do BCP, Ex-Sindicalista, Ex-Membro da Comissão de Trabalhadores do BCP

19/11/2006

CASE STUDY: eles comem tudo, eles comem tudo (e não deixam nada?) (3)

Primeiro o governo adicionou à sua workbench de manobras de diversão e manipulação o aborto livre, universal e gratuito. Depois, para felicidade dos adeptos do não, aditou o vampirismo da banca, a propósito do equívoco arredondamento das taxas de juro. Aqui acertou na mouche - o povo endividado até à 3.ª geração que conduz o carro do banco, vive na casa do banco e passa férias com dinheiro emprestado pelo banco, olha para os seus benfeitores com sentimentos contraditórios em que predomina o ressentimento.

Enquanto isso, a Standard & Poor mostrava os pés de barro de alguns grandes bancos europeus, e outros menos grandes, como o nosso campeão Millenium bcp, que teria uma insuficiência não relevada no balanço de mais de mil milhões de euros nos fundos de pensões do seu pessoal.

A nossa imprensa económica lá foi lidando com o problema o melhor que podia (pode pouco), ao mesmo tempo que o CFO do Millenium bcp esclarecia a trapalhada o melhor que convinha (podia mais, mas arriscava o lugar). Na sexta-feira o Semanário Económico também tratou a coisa o melhor que pôde (pôde apenas um pouco mais do que a concorrência).

E o que se percebe por trás do smog da ignorância, falta de diligência, contradições e desinformação? Percebe-se que o Millenium bcp tem uma insuficiência nos fundos de pensões de 1.500 milhões, na companhia do BES (600 milhões) e do BPI (300 milhões). Escapa o Totta Santander, que parece ter as contas em ordem.

Não deixa de ser interessante ver o contorcionismo do CFO do Millenium bcp, cuja versão da estória é a de que o problema residiria na adopção em 2005 dumas esquisitices - as normas IFRS. Delas resultaria essa pequena contrariedade referida pela S&P que, contudo, já estaria resolvida com uns abates ao core-tier 1 e com o célebre corredor, simples passes de mágica que transformariam um balanço onde faltam 1.500 mil milhões no passivo numa technality que o tempo resolverá em 20 anos.

Em conclusão, o que parece não é. Os bancos não ganham o suficiente para suportar os custos das suas políticas de emagrecimento dos efectivos que remeteram vários milhares de felizardos para uma reforma antecipada passando, em muitos casos, por um período de «desemprego» pago pela Segurança Social. Se esses custos futuros tivessem sido convenientemente relevados nas contas dos respectivos exercícios não teriam os bancos apresentado os lucros que apresentaram e que despertaram a gula do governo e a sanha popular.

Curiosamente nada disto parece ter afectado a cotação de qualquer dos bancos visados. E agora a pergunta fatal: porque retirou o então BCP em 2003 as suas acções da London Stock Exchange e da Euronext Amsterdam e as American Depositary Shares da NY Stock Exchange?

13/11/2006

CASE STUDY: eles comem tudo, eles comem tudo (e não deixam nada?) ACTUALIZADO

Agora que o governo investiu na banca as suas manobras de diversão, e a armada liberal terça armas em defesa dessas criaturas maléficas/benfeitoras (cortar o que não for aplicável), talvez tivesse interesse saber que a Standard & Poors estima que o Millenium bcp «se encontra entre os cinco grupos europeus cujo fundo de pensões possui um 'buraco' superior a mil milhões de euros».

Deixando de lado o buraco, termo que é próprio da linguagem de mineiro, como num dia inspirado concluiu o falecido professor Sousa Franco, quando confrontado com o (então modesto) buraco das finanças públicas, o que isto quer dizer é que falta relevar no passivo do Millenium bcp mais de milhões de euros de responsabilidades por pensões. Não se tratando do estado que tem uma contabilidade de partidas simples e, por essas e por outras não é confiável, estas responsabilidades deveriam estar representadas no passivo e não estão. Se o estivessem, os fundos próprios totais do Millenium bcp, que se reduziram de 6.852 milhões em 30-06-2005 para 6.653 milhões um ano depois, teriam sido reduzidos para 5 mil e tantos milhões se as estimativas da S&P estiverem correctas.

Quem é que falou em lucros excessivos?

ACTUALIZAÇÃO:
O Diário Económico acabou (às 18:20) de publicar um esclarecimento do CFO do Millenium bcp que só li poucos minutos depois de publicar este post:
«Quanto às diferenças actuariais, o banco usa o chamado 'método do corredor', sendo que todo o valor para além deste corredor - 921,6 milhões dedeste corredor - 921,6 milhões de euros - foi já abatido a fundos próprios de base core-Tier1. A nossa situação de capital está pois já descontada desses valores. Para efeitos de resultados adoptou-se um plano de amortizações em 20 anos, em linha com o prazo médio das responsabilidades, mas para efeitos de capital já foi abatido.»

Até saber a reacção da Standard & Poors eu não deitaria foguetes - se não se importam.

19/04/2010

ESTÓRIAS E MORAIS: pôs a boca no trombone depois de a orquestra ter arrumado os instrumentos (2)

Estória (sequela desta)

Não vou recontar a estória do Millenium bcp, estória a que o (Im)pertinências sempre deu a devida atenção numa centena de posts sobre o tema. Vou apenas recordar que é um dos melhores exemplos do complexo político-empresarial socialista, que Filipe Pinhal, o antigo braço direito de Jardim Gonçalves, já em tempos tinha denunciado com o caso das manobras conjuntas do governo e da banca do regime no assalto ao Millenium bcp.

Infelizmente para a sua credibilidade, Filipe Cunhal guardou de Conrado o prudente silêncio demasiado tempo a respeito dessas manobras e continua a guardar silêncio sobre as trapalhadas em que ele próprio esteve envolvido como administrador do Millenium bcp. Silêncio que voltou agora a quebrar, mas apenas quanto às manobras alheias, com a publicação do seu livro «A bem dizer», onde faz algumas considerações que ajudam a perceber a teia urdida pela banca do regime com a baba do socialismo de estado, como esta:

«Um simples grupo financeiro, criado para servir a economia, nos seus diferentes domínios - da banca de retalho à banca especializada, dos seguros aos operadores do mercado de capitais -, não chega. Pode servir o País, a economia, as empresas e os particulares, mas não basta. Pode ter sucesso, mas não permite voos mais ambiciosos. Faltam-lhe as pontes com o poder político, que é faltar muito, e faltam-lhe as alianças, os compromissos e as compensações, que contam ainda mais».

Na apresentação Filipe Pinhal acrescentou outras considerações sobre emanações recentes do que chama a «economia de influência».«É difícil imaginar casos mais marcantes de promiscuidade entre os dois poderes, como o affair Luís Figo e as manobras de bastidores que envolveram a escolha do presidente da Cimpor. Depois do que se passou no caso PT/TVI, com o primeiro-ministro a ligar à administração da PT para impedir o negócio, ninguém vai acreditar que o primeiro-ministro não esteve envolvido nas escolhas para o BCP.»

Moral (outra vez)

Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

04/01/2008

ESTADO DE SÍTIO: do conúbio do estado napolónico-estalinista com o empresariado de olho vivo e pé ligeiro

A manobra orquestral no escuro à volta do controlo do Millenium bcp, convenientemente justificada pelo «interesse nacional», é o exemplo do perfeito casamento de conveniência entre o omnipresente estado napolónico-estalinista, momentaneamente encabeçado por dois dos seus mais fervorosos adeptos e permanentemente ocupado pela coligação de interesses pudicamente chamada Bloco Central, e um empresariado preguiçoso, pouco empreendedor e subserviente, mas de olho vivo e pé ligeiro. Tudo o que até agora se sabia já era suficientemente grave. Ficou mais grave com o que hoje se ficou a saber: accionistas do Millenium bcp, incluindo o inefável comendador Berardo, reforçaram as suas participações com dinheiro emprestado pela Caixa, que além de emprestar o dinheiro e de ser um dos accionistas mais importantes do banco, emprestou igualmente o seu ex-presidente e um dos seus administradores, por feliz coincidência amigo do peito do primeiro-ministro (ver notícia do Público).

Neste contexto, compreendem-se muito melhor os protestos de inocência e virgindade do porta-voz do PS doutor Vitalino Canas de interferência na escolha da nova administração do Millenium bcp, e as acusações que faz ao doutor Cadilhe deste insinuar essa interferência como parte da sua «campanha para o BCP».

Por seu turno, o doutor Cadilhe, possivelmente inocente de qualquer manobra com os accionistas (malgré lui, c'est pas sa faute), espera por «uma vaga de fundo dos que pensam 'assim, não!'».

23/01/2019

Dúvidas (253) - Como é que foi possível? pergunta ele

Pergunta-nos Pedro Santos Guerreiro, o director do semanário de reverência, no email Expresso Curto:

«Como é que um relatório de auditoria sobre 15 anos de gestão na Caixa Geral de Depósitos revela agora o que 15 relatórios de auditorias anuais não revelaram?

Como é que tantas notícias publicadas naqueles anos sobre os casos agora confirmados não conseguiram que alguém entrasse por ali adentro para verificar o desmando?

Como é que apesar dessas notícias foi possível que os dois administradores mais importantes da Caixa, ambos ligados ao PS de Sócrates que então governava, saltassem para o BCP, liderando assim os dois maiores bancos portugueses?»

Assim de repente, ocorre-me responder que talvez tenha sido porque, devido a razões que me escapam, a audiência do (Im)pertinências ainda é menor do que a do Diário de Noticias e limita-se a umas poucas milhares de almas que essas, sim, leram pelo menos alguns das muitas dezenas de posts que aqui publicámos a esse respeito, entre os quais os seguintes, na primeira década de vida do (Im)pertinências:

27/09/2004 SERVIÇO PÚBLICO: O clientelismo como política de clientes.
02/08/2005 ESTÓRIA E MORAL: uma primeira impressão com segundas intenções
03/08/2005 SERVIÇO PÚBLICO: a ventoinha do PS começa a trabalhar (ACTUALIZADO)
12/08/2005 TRIVIALIDADES: salto à vara
04/01/2008 ESTADO DE SÍTIO: do conúbio do estado napolónico-estalinista com o empresariado de olho vivo e pé ligeiro
09/01/2008 A parte submersa do iceberg Millenium bcp
02/10/2008 A mão pesada versus a mão invisível
08/10/2008 Deserto? Jamais! Pescadinha de rabo na boca.
21/12/2008 O toque de finados para os elefantes brancos
21/02/2009 ESTADO DE SÍTIO: La putain de la republique
27/02/2009 ESTADO DE SÍTIO: La putain de la republique (2) - sans virgules
14/05/2009 Mais um a caminho
12/06/2009 CASE STUDY: Sócrates & Pinho, uma dupla de sucesso nos negócios – o caso La Seda
28/07/2009 CASE STUDY: Sócrates & Pinho Santos, uma dupla de sucesso nos negócios – La Seda (ACTUALIZAÇÃO)
05/10/2009 Estado empreendedor – (10) sequelas do assalto ao Millenium bcp
12/11/2009 SERVIÇO PÚBLICO: «Cronologia de um golpe»
19/12/2009 Lost in translation (14) - uma espécie de condicionamento industrial socialista
12/02/2010 ESTADO DE SÍTIO: la strategia del ragno
23/02/2010 Lost in translation (32) – Rigor? Já fizemos engenharia orçamental no passado. Voltaremos a fazê-lo no futuro, queria ele dizer. (V)
26/03/2010 O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (13) – amarrados ao Vara
05/07/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Os objectivos e a estratégia
23/07/2010 O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (21) – cada tiro, cada melro
04/10/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime
06/10/2010 CAMINHO PARA A SERVIDÃO: As rameiras do regime (2)
25/07/2011 Lost in translation (114) – esta manhã acordei e senti-me um homem novo, terá dito ele com os seus botões
14/02/2012 Uma Caixa de Pandora
19/02/2012 Uma Caixa de Pandora (2)
10/04/2012 A defesa dos centros de decisão nacional (7) - a procissão já saiu do adro mas ainda há muitos penitentes com promessas por pagar
10/08/2012 Estado empreendedor (68) – outro PIN auto-abortado
02/10/2012 Uma Caixa de Pandora (3)
22/10/2013 Estado empreendedor (76) - Sequelas do assalto ao Millenium bcp (III)
25/08/2014 Pro memoria (189) – Quase um quinto do PIB consumido em 6 anos para manter os bancos a flutuar

Outra pergunta pertinente, desta vez de Rui Rio, o líder que teve uma epifania nocturna a semana passada: «Governo já sabia de irregularidades na CGD? Se sim, “é grave”» Mais outro que não frequenta o (Im)pertinente.

20/03/2016

ESTADO DE SÍTIO: Costa, o Zé Du do Puto

1.ª página do Expresso de 18-03
Quem tenha ouvido falar de Christine Deviers-Joncour e não tenha perdido a memória dos assaltos da clique sócio-socrática ao BCP perceberá que um título alternativo para este post seria: «BCP, la putain de la République».

Para recordar o caso BCP releiam-se as seguintes séries de posts: «A parte submersa do iceberg Millenium bcp»; «Cronologia de um golpe»; «La strategia del ragno»; «Móbil do assalto ao BCP»; «Sequelas do assalto ao Millenium bcp».

Quem não tenha perdido a memória reconhecerá nos últimos meses o padrão habitual das Orchestral Manoeuvres in the Dark a desenrolarem-se no Expresso agora mais visíveis nas primeiras páginas e no chuto para cima do mano Ricardo (que aliás estava a mostrar-se mais independente do que o costume).

11/11/2005

SERVIÇO PÚBLICO: já não se trata de não fazer as coisas certas, trata-se de fazer as coisas erradas

O Público anunciava ao princípio da manhã de ontem que «o Millennium bcp propôs ao Governo a passagem da totalidade dos trabalhadores do banco para o regime geral da Segurança Social o que, a concretizar-se, implicará a transferência para a Segurança Social do fundo de pensões dos seus empregados, avaliado em quatro mil milhões de euros, o equivalente a 2,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2005».

No fim da manhã acrescentava que «o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, e o representante da comissão de trabalhadores do BCP, Bastos Torres, disseram hoje que desconhecem qualquer proposta do Millennium bcp para a transferência do fundo de pensões do banco privado para o regime geral da Segurança Social.»

À tarde citava a administração do BCP que «afirma que não apresentou nenhuma "proposta formal" para a passagem da totalidade dos seus trabalhadores para o regime geral da Segurança Social e a consequente transferência do fundo de pensões.»

Para perceber o que pode estar a passar-se não é preciso enveredar por teorias conspiratórias. Basta ligar o desconfiómetro e analisar os factos.

1.º facto - este chuto para a frente (já se verá porquê) da transferência de responsabilidades e dos correspondentes fundos para a Segurança Social já foi dado muitas vezes no passado recente, com destaque especial para o caso da CGD (ver o inventário pelo insurgente João);

2.º facto - esta eventual transferência dos fundos de pensões é altamente conveniente, agora e sobretudo no futuro, para o Millenium bcp que, tendo recorrido maciçamente à antecipação de reformas do pessoal dos bancos que comprou, ficou com o volume gigantesco de responsabilidades por pensões no regime de «benefícios definidos»;

3.º facto - isso obrigou e obrigará no futuro a dotar o fundo para compensar menos-valias durante as fases de bear market (veja-se o que se passou com os fundos de pensões ingleses que têm insuficiências de biliões de libras);

4.º facto - esta eventual transferência dos fundos de pensões do Millenium bcp é altamente conveniente para o governo actual, porque lhe permite minimizar o défice durante algum tempo;

5.º facto - essa transferência é altamente inconveniente para a sustentabilidade da Segurança Social pois faz entrar imediatamente 15 mil reformados com pensões muito superiores à média e aumenta as responsabilidades futuras pelas pensões de 12.400 activos que transitariam para o regime geral;

6.º facto - como a Segurança Social vive num sistema de pay as you go, os 4 mil milhões de euros irão financiar a despesa corrente com pensões, subsídios de desemprego, doença and so on e, talvez (um grande talvez), uma pequena parte fosse afectada ao fundo de estabilização da segurança social.

Em conclusão, numa operação destas todos ganham, excepto vocês, que são novos, os meus filhos e os meus netos. Na pior hipótese, eu por mim tanto me faz. Na melhor hipótese, pode ser que o estado napoleónico-estalinista me alivie a punção fiscal durante um ou dois anos.

Post scriptum: já não menciono o facto desta eventual transferência ser exactamente o contrário do que se está a fazer um pouco por todo o lado, e até na Europa Social, e, a bem dizer, até cá no burgo, com as tímidas reformas que visavam reforçar o 2.º e o 3.º pilar e não aumentar a insustentabilidade do 1.º pilar.

21/05/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Distraído, mentiroso ou medroso? (3)

Uma continuação por outras palavras daqui

Secção Musgo Viscoso

Tentando lavar a sua roupa interior ainda com vestígios da sua obra e da que foi cúmplice enquanto ajudante de Sócrates para as Finanças, obra que começou pela nomeação de Vara para a administração da Caixa, recusada pelo seu antecessor Campos e Cunha, demitido por essa razão por Sócrates, e continuou com o assistir impávido ao assalto ao BCP (*), Teixeira dos Santos aproveitou o Fórum Desafios e Oportunidades para dizer que «não nos podemos esquecer do que há 20 anos se tornou quase um paradigma, pelo menos entre as elites bem pensantes económicas, que achavam que precisávamos de ter centros de decisão nacional» o que, segundo ele, explicaria o expediente «de os bancos arranjarem empresários portugueses que personificassem estes tais centros de decisão nacional e de os financiarem para que pudessem existir.»

Com esta narrativa para estúpidos, digna do seu chefe Sócrates, uma vez mais Teixeira dos Santos merece cinco urracas pela falta de tomates, cinco bourbons por continuar igual a si próprio, cinco pilatos por ter passado o tempo a lavar as mãos das responsabilidades, e cinco ignóbeis por desta vez já ter percebida que não é distraído, é mentiroso e medroso.

Em alternativa ao estilo Berardo que se ri, com toda a razão e a maior desfaçatez, nas trombas dos deputados tendes o estilo songamonga do cúmplice de Sócrates na bancarrota do Estado Sucial que insulta a vossa inteligência. Pela minha parte, se me obrigarem a escolher, prefiro o Berardo.

(*) Para recordar o caso BCP releiam-se as seguintes séries de posts: «A parte submersa do iceberg Millenium bcp»; «Cronologia de um golpe»; «La strategia del ragno»; «Móbil do assalto ao BCP»; «Sequelas do assalto ao Millenium bcp».

22/10/2013

Estado empreendedor (76) - Sequelas do assalto ao Millenium bcp (III)

Continuação de (I) e (II).

Recapitulando, Joe Berardo compra acções do BCP com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, mais tarde transferido para o BCP, no âmbito do assalto socrático ao BCP, sucedendo a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento de Filipe Pinhal da administração, o próprio BCP pela mão de Santos Ferreira financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco.

A coisa correu mal porque as acções do BCP, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos há 4 anos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do BCP. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

E assim chegamos, à actualidade com a participação de Berardo no BCP comprada a mil milhões a valer 66 milhões e os bancos que financiaram a compra (CGD, BCP, BES e Santander) a terem de registar as imparidades correspondentes e a limitarem a sua capacidade para financiarem a economia.

08/06/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Receba agora e pague depois ou a cosmética do défice em preparação

O método receba agora e pague depois é irresistível para qualquer governo em estado de pré-falência. Uma vez mais, ao que parece, retorna a manobra da transferência para a Segurança Social das responsabilidades por pensões dos bancários. É uma manobra mutuamente interessante para o governo, que enche o pipeline com os fundos de pensões dos bancos e reduz como por milagre o défice, e para os bancos que se livram das insuficiências dos fundos e do risco de imparidades dos activos dos fundos.

Para se perceber melhor, vejamos alguns factos há 5 anos aqui referidos, a propósito da manobra no Millenium bcp ainda com Jardim Gonçalves, e agora actualizados :

1.º facto - este chuto para a frente da transferência de responsabilidades e dos correspondentes fundos para a Segurança Social já foi dado muitas vezes no passado recente, com destaque especial para o caso da CGD (ver o inventário no final);

2.º facto - esta eventual transferência dos fundos de pensões é altamente conveniente, agora e sobretudo no futuro, para o Millenium bcp que, tendo recorrido maciçamente à antecipação de reformas do pessoal dos bancos que comprou, ficou com o volume gigantesco de responsabilidades por pensões no regime de «benefícios definidos»;

3.º facto - isso obrigou e obrigará no futuro a dotar o fundo para compensar menos-valias durante as fases de bear market (veja-se o que se passou com os fundos de pensões ingleses que têm insuficiências de biliões de libras);

4.º facto - esta eventual transferência dos fundos de pensões dos bancos é altamente conveniente para o governo actual, porque lhe permite minimizar o défice durante algum tempo;

5.º facto - essa transferência é altamente inconveniente para a sustentabilidade da Segurança Social pois faz entrar imediatamente dezenas de milhar de reformados com pensões muito superiores à média e aumenta as responsabilidades futuras pelas pensões de outras dezenas de milhar de activos que transitariam para o regime geral;

6.º facto - como a Segurança Social vive num sistema de pay as you go, as dezenas de milhar de milhões de euros (só o Millenium bcp tinha em 31-12-2009 responsabilidades de 5,4 mil milhões) irão financiar a despesa corrente com pensões, subsídios de desemprego, doença and so on e, talvez (um grande talvez), uma pequena parte fosse afectada ao fundo de estabilização da segurança social.

Nos finais de 2005, O Insurgente inventariava as transferências de fundos de pensões para a Segurança Social (a maior parte dos quais da responsabilidade do governo de Durão Barroso):

  • Caixa Geral de Depósitos, S.A (CGD) [Decreto-Lei n.º 240-A/2004, de 29 de Dezembro, e Decreto-Lei n.º 241-A/2004, de 30 de Dezembro];
  • Aeroportos de Portugal, S.A. (ANA, S.A.) [Decreto-Lei n.º 240-B/2004, de 29 de Dezembro]
  • Empresa Pública Navegação Aérea de Portugal (NAV Portugal, E.P.E.)[Decreto-Lei n.º 240-C/2004, de 29 de Dezembro]
  • Imprensa Nacional – Casa da Moeda, S.A. (INCM, S.A.) [Decreto-Lei n.º 240-D/2004, de 29 de Dezembro]
  • CTT - Correios de Portugal, S.A. [Decreto-Lei n.º 246/2003, de 8 de Outubro]
  • Casa do Douro [Decreto-Lei n.º 277/2003, de 6 de Novembro]
  • Radiodifusão Portuguesa, S.A. (RDP) [I] [Decreto-Lei n.º 291/2003, de 19 de Novembro]
  • INDEP [Despacho do Secretário de Estado do Orçamento de 21/10/2002]
  • Radiodifusão Portuguesa, S.A. (RDP) [II] [Decreto-Lei n.º 90/99, de 22 de Março]
  • Dragapor [Decreto Lei n.º 10/98, de 17 de Janeiro]
  • Banco Nacional Ultramarino, S.A. (BNU) [Decreto-Lei n.º 227/96, de 29 de Novembro]

26/12/2007

CASE STUDY: the African way

O Millenium bcp já foi um case study de sucesso nos serviços financeiros e não só em Portugal. Nos últimos meses evoluiu para um case study de degenerescência da liderança e de opacidade da prática de governação. Nas últimas semanas evoluiu para um case study de dependência do estado, com o presidente da República e o governo a meterem a colher a pretexto dum equívoco interesse nacional e da invasão da banca espanhola, e os lóbis partidários e financeiros em grande excitação.

A lista de putativos candidatos às administrações do Millenium bcp e da Caixa dá uma justa medida do grau de prosmicuidade entre o poder político, representado pelas luminárias dos partidos do bloco central, e a finança doméstica, sempre veneradora e grata. Nada de verdadeiramente novo, porque se em relação à Caixa a prosmiscuidade sempre foi pública e notória, em relação ao Millenium bcp o engenheiro Jardim Gonçalves sempre teve na administração variados agentes do poder político, para o caso da dependência dos accionistas em relação ao banco não ser suficiente para garantir a blindagem.

31/08/2025

ARTIGO DEFUNTO: A distribuição de dividendos do BCP vista pelo Avante! da Sonae


A peça acima é do Público, um jornal sustentado pela família Azevedo, eventualmente porque é o preço que paga à esquerdalhada (em particular os comunistas e, por isso, também é conhecido por Avante! da Sonae) para não os chatearem demasiado. Aparentemente parece uma coisa factual e inócua mas é tudo menos objectivo e está cheio de mensagens subliminares.  

Em primeiro lugar, o título tem implícito que os accionistas não têm direito à proporção do lucro da empresa de que são proprietários e que, em consequência, se estão a apropriar ilegitimamente de dois terços. Em segundo lugar, tem igualmente subentendido que se a Fosun e a Sonangol «são as principais beneficiadas» por terem usurpado 40% dos lucros, apesar de terem 40% do capital do BCP, que lhes dá o direito a disporem de 40% do dividendo distribuído a todos os accionistas. Em terceiro lugar, que os outros 120 mil pequenos accionistas deveriam ter uma proporção maior dos dividendos do que a correspondente à sua participação no capital, como se não fosse inevitável que um accionista que tem 10% do capital tenha um dividendo 10 vezes maior do que outro que só dispõe de 1% do capital. Em quarto lugar, insinua que os accionistas «chamuscados pela guerra de poder de 2007» o foram por algum desígnio oculto e não por simplesmente serem então accionistas. 

Curiosamente, mas não surpreendentemente, a peça não faz qualquer alusão ao desígnio oculto, ou seja, à génese da guerra de poder de que resultou a venda de participações à Fosun e à Sonangol depois de lá terem sido torrado 8,3 mil milhões  (5,3 em aumentos de capital e  3,0 mil milhões em "ajudas") de dinheiro dos contribuintes (*).

______________

(*) Ver mais de uma centena de posts que se publicaram sobre o assalto ao Millenium bcp e, em particular o resumo «sequelas do assalto ao Millenium bcp.

04/11/2008

CASE STUDY: Alguns protagonistas do caso Banco Português de Negócios.


JOSÉ OLIVEIRA E COSTA
Actualmente: ?
No passado: fundador e presidente do BPN até recentemente, membro do lóbi aveirense do PSD, secretário de estado dos Assuntos Fiscais do 1.º governo de Cavaco Silva, de que era ministro das Finanças Miguel Cadilhe.

MIGUEL CADILHE
Actualmente: presidente demissionário do BPN; não conseguiu concluir o aumento de capital necessário para repor a solvência e acusa o governo de mentir quando este afirma que foi o Banco de Portugal que detectou as imparidades do BPN, segundo ele detectadas por auditorias internas por si mandadas fazer.
No passado: ministro das Finanças (o melhor, segundo os seus adeptos) de Cavaco Silva, presidente da API - Agência Portuguesa para o Investimento, candidato a presidente do Millenium bcp, eterna reserva para presidente do PSD.

RUI PEDRAS
Actualmente: administrador do BPN, convidado por Miguel Cadilhe com a oposição da CMVM que considerou haver potencial conflito de interesses.
No passado: vogal do Conselho Directivo da CMVM responsável pela supervisão dos fundos geridos pelo BPN, onde foi substituído por Carlos Ferreira Alves, antigo adjunto de Fernando Teixeira dos Santos quando secretário de estado do Tesouro e Finanças.

MANUEL DIAS LOUREIRO
Actualmente: administrador da holding que controla o BPN
No passado: várias vezes deputado, ex-secretário-geral e ex-vice-presidente do PSD, ministro da Administração Interna de Cavaco Silva e considerado seu homem de confiança, sócio de Roquete na «holding» Plêiade que foi vendida ao BPN e da qual Dias Loureiro ficou presidente, administrador da holding que controla o BPN.

RUI MACHETE
Actualmente: presidente da holding que controla o BPN e presidente da mesa do congresso do PSD.
No passado: várias vezes deputado do PSD, secretário de estado da Emigração, ministro de várias pastas em vários governos provisórios e constitucionais, administrador do Banco de Portugal, presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

FERNANDO FARIA DE OLIVEIRA
Actualmente: presidente da CGD; a pedido de Miguel Cadilhe, concedeu no princípio de Outubro um empréstimo de 100 milhões ao BPN, para resolver problemas de liquidez; a CGD irá administrar o BPN até à sua extinção.
No passado: vice-presidente do PSD, ministro do Comércio e do Turismo de Cavaco Silva, administrador de várias empresas públicas e presidente da sucursal da CGD em Espanha.

FERNANDO TEIXEIRA DOS SANTOS
Actualmente: ministro das Finanças; anunciou há 2 dias a nacionalização do BPN.
No passado: secretário de estado do Tesouro e das Finanças de Sousa Franco no 1.º governo Guterres, presidente da CMVM, onde foi substituído por Carlos Tavares.

VÍTOR CONSTÂNCIO
Actualmente: governador do Banco de Portugal, instituição responsável pela supervisão da banca, que segundo Miguel Cadilhe não detectou nada e segundo Teixeira dos Santos «fez o que podia e devia ter feito».
No passado: administrador do BPI e da EDP, várias vezes secretário de estado dos governos provisórios e ministro das Finanças do governo PS-CDS, várias vezes deputado pelo PS e seu secretário-geral.

CARLOS TAVARES
Actualmente: presidente da CMVM, responsável pela supervisão de diversos fundos geridos pelo BPN.
No passado: trabalhou com Miguel Cadilhe no Gabinete de Estudos do BPA (banco posteriormente integrado no Millenium bcp) e foi seu assessor no ministério das Finanças e seu secretário de estado do Tesouro, presidente do BNU, administrador e vice-presidente da CGD, administrador do CISF (grupo BCP), vice-presidente Banco Totta nomeado por Champalimaud, banco posteriormente vendido ao Santander, vice-presidente do Santander Negócios, ministro da Economia do governo Durão Barroso.