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17/07/2015

Vós, ó esquerdalhada, sede honestos, por uma vez (3)

O que diríeis de um primeiro-ministro que:
  • Escolhesse um ministro das Finanças que insultasse os credores, lhes desse lições de finanças nas reuniões, divulgasse as discussões nas redes sociais, se comportasse como uma vedeta da socialite, anunciasse que se demitiria se um «sim» fosse aprovado num referendo e, por fim, se demitisse com a aprovação do «não» que ele defendeu;
  • Consumisse 5 meses em negociações plenas de manobras evasivas, sem quaisquer progressos, para acabar a rejeitar uma proposta dos credores e submetê-la a um referendo inconstitucional sobre uma matéria fiscal proibida pelo n.º 2 do artigo 44.º da Constituição; 
  • Reiniciasse negociações com os credores apresentando uma proposta com mais 4 mil milhões de medidas de austeridade do que a rejeitada pelo referendo;
  • Submetesse nove jornalistas críticos do governo que defenderam o sim no referendo a uma investigação pelo ministério público e pelo regulador estatal (o sindicato «independente» dos jornalistas também vai fazer uma investigação)?
E além disso
  • Tivesse aceitado um acordo pior do que a sua proposta depois do referendo, que afinal já era pior do que a proposta dos credores antes do referendo, e apresentasse esse acordo como uma vitória do seu governo;
  • Tivesse declarado que não acreditava no acordo que tinha acabado de assinar e o submetesse à votação no parlamento onde acabou por ser aprovado pelos votos da oposição;
  • Justificasse a necessidade de reformas que antes negara, ao ponto de se poder colocar a dúvida se não se teria transformado num perigoso neoliberal.

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