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16/07/2015

ARTIGO DEFUNTO: O Pastorinho da economia dos amanhãs que cantam e a zona monetária óptima

Surpreendentemente, ou talvez não para uma criatura que andou semanas a promover o vigarista Artur Baptista da Silva, um episódio que num país decente acabaria com a credibilidade de um jornalista durante uma década, o pastorinho da economia dos amanhãs que cantam Nicolau Santos (NS) só agora, 54 anos depois, teve oportunidade de estudar «A Theory of Optimum Currency Areas» de Robert Mundell.

Se preferirem e para lhe encurtar a longevidade da ignorância, só agora, 18 anos depois, NS teve a oportunidade de ler o que especificamente Milton Friedman escreveu sobre a União Monetária. Releia-se o último parágrafo de «The Euro: Monetary Unity To Political Disunity?» escrito por Friedman em 1997:
«The drive for the Euro has been motivated by politics not economics. The aim has been to link Germany and France so closely as to make a future European war impossible, and to set the stage for a federal United States of Europe. I believe that adoption of the Euro would have the opposite effect. It would exacerbate political tensions by converting divergent shocks that could have been readily accommodated by exchange rate changes into divisive political issues. Political unity can pave the way for monetary unity. Monetary unity imposed under unfavorable conditions will prove a barrier to the achievement of political unity.» 
Foi assim que no caderno de Economia do Expresso onde nos dá conta dos seus estados de alma, NS concluiu finalmente, com décadas de atraso, que as «condições essenciais para a existência de uma moeda comum implicavam a livre circulação de trabalhadores e capitais, a flexibilidade de preços e salários, a coordenação dos ciclos económicos e um mecanismo federal que compensasse os choques assimétricos».

Concluiu ainda que, portanto, o Euro estava condenado desde o primeiro dia, a menos que existissem «fundos que permitissem compensar os tais choques assimétricos», o que na cabecinha dele significaria que a Alemanha e os países solventes pagariam a conta dos desvarios.

Nem por um momento lhe ocorre que a existência de um «mecanismo federal que compensasse os choques assimétricos» exigiria um Estado único, federado ou não, que prevenisse os desvarios antes de eles ocorrerem, ou seja impondo a cada um dos potenciais desvairados o colete de um orçamento aprovado por um parlamento europeu onde os deputados dos países com juízo seriam a maioria.

Muito menos lhe ocorre que existindo esse Estado único, federado ou não, o seu amigo preso 44 em Évora nunca teria tido a oportunidade de adoptar as políticas que ele, Nicolau, tanto incensou e que tanto anseia por ver de novo adoptadas pelo futuro primeiro-ministro de Portugal. Ou, para dar o exemplo da Grécia, governada pelo Syriza-Anel, por quem tanto NS se comove, o mecanismo federal só não imporia uma receita drástica, como a que agora a Eurozona impõe, porque os gregos nunca teriam tido a oportunidade de a tornar necessária e se arruinar alegremente, a exemplo do Portugal governado pela tralha socrática.

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