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02/04/2014

Pro memoria (169) – A quadratura do círculo (3)

Agora, que já se confirmou ter ficado o défice de 2013 em 4,9%, veio-me à memória a previsão, a poucos dias do fim do ano, do secretário nacional do PS Dr. Eurico Brilhante Dias: «Portanto, Portugal passará para 2014 com um défice orçamental muito próximo dos 6%».

Na altura escrevi: foi uma previsão corajosa porque nas últimas décadas o PS (e os outros partidos do «S» e os do «C» e o do «E») falhou praticamente todas as previsões. Receio que o Dr. Brilhante falhe outra vez, apesar de só já faltar meia dúzia de dias para fechar o ano.

E três semanas depois escrevi: já podemos antecipar com razoável segurança que o défice de 2013 ficará não «muito próximo dos 6%» mas muito mais próximo dos 5% e, por isso, um PS que falhou sistematicamente as previsões dos défices dos seus governos, consegue ainda pela boca do Dr. Brilhante falhar as previsões dos governos dos outros.

Em conclusão, as previsões são todas falíveis, excepto aquela previsão de que os economistas do PS (e dos outros partidos do «S» e os do «C» e o do «E») falham sistematicamente as previsões, não por serem especialmente incompetentes (muitos são) mas por praticarem a economia de causas.

E, para não se pensar que estou a ser especialmente injusto, ou, ainda pior, sofro de «turção» ideológica, recordo a previsão do venerando professor Teixeira dos Santos do défice de 2009 que começou por 2,2% e acabou em 10,0%.

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