Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

04/04/2014

BREIQUINGUE NIUZ: Here we go, again

O governo aprovou ontem o Plano Estratégico dos Transportes e Infra-estruturas (PETI). Segundo o Económico, o PETI inclui 59 projectos até 2020 totalizando um investimento de 6 mil milhões, repartido por entre 1,4 e 1,7 mil milhões do Estado português (leia-se os contribuintes portugueses) e 2,8 mil milhões dos fundos comunitários (isto é os contribuintes dos países da UE). Os projectos rodoviários representam 44% do investimento total.


Primeira dúvida: sendo a soma dos financiamentos no máximo 4,5 mil milhões (1,7 + 2,8) quem pagará os 1,5 mil milhões em falta?

Segunda dúvida: se os fundos comunitários entram com 2,8 mil milhões e destes 44% dos 6,6 mil milhões respeitam são aplicados em projectos rodoviários, como interpretar o anúncio do Sr. «Shririn Wheeler, porta-voz da Comissão Europeia para o Desenvolvimento Regional, (alertando) que Bruxelas chumbará qualquer projeto de apoio à construção de novas estradas em todos os Estados-membros»?

Terceira dúvida: o aumento de 43,8% da venda de carros no 1.º trimestre será uma consequência da lendária capacidade de premonição dos portugueses a ajustarem-se ao incontornável aumento da oferta de estradas que resultará do PETI?

Quarta dúvida: a estória repete-se ou sou eu que estou a ver mal?

Quinta dúvida: se este governo é um governo neoliberal o que será um governo socialista que já prometeu acabar com a austeridade e dar abrigo a todos os sem abrigo?

Sexta dúvida: com o que se percebe poder estar a caminho, porque insistem os jarretas em manifestos exigindo a reestruturação da dúvida, correndo o risco de os credores também terem a capacidade de premonição dos portugueses e cortarem o crédito antes de acabarmos o PETI?

Sem comentários: