Os coronéis de hoje não devem ser os mesmos que, depois de terem organizado um golpe de estado inspirado nas suas reivindicações corporativas, fugiram às suas responsabilidades nas colónias há 40 anos, deixando-as entregues a exércitos tribais que se dizimaram durante 3 décadas. Se estão isentos dessas responsabilidades não estão isentos do ridículo de falar de revoluções das quais não participaram.Por isso, se o ridículo matasse, a direcção da AOFA (Associação de Oficiais das Forças Armadas), representada por dois coronéis, não teria sobrevivido aos dislates produzidos numa conferência de imprensa, perante uma audiência de jornalistas de causas atentos, veneradores e gratos, onde deixou implícita a sua disponibilidade revolucionária («as revoluções não se anunciam, fazem-se») e falou em nome dos portugueses que não os mandataram para falar em seu nome («os portugueses estão a ser cozidos dentro de uma panela. E se para nos libertarmos tivermos de queimar o cozinheiro, o problema é dele!»).
Esta gente está enganada na latitude, na longitude ou na época. Alguém lhes deveria dizer que não compete a ninguém, muito menos à tropa, «consertar» o resultado de eleições legítimas.