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17/04/2011

ESTADO DE SÍTIO: O FMI nosso amigo – meia dúzia de razões de alívio dos patriotas

Um sério indício de que o povo português é composto maioritariamente por idiotas é aceitação generalizada da demonização do FMI ensaiada por José Sócrates et pour cause. O caso dos jornalistas que propalam a tese socrática e o caso das luminárias, em especial as luminárias económicas, que a avalizam é diferente. A estes é-lhe aplicável o trilema de Žižek na variedade socialista.


  1. Pois não é verdade que o FMI já por cá andou 2 vezes em 1979 e 1983 a emprestar dinheiro e a endireitar (*) com sucesso as exauridas finanças públicas?
  2. Pois não é verdade que os nossos líderes políticos não têm tomates para tomar as medidas indispensáveis sem um diktat exterior?
  3. Pois não é verdade que o FMI irá acompanhar a execução orçamental e as nossas contas e limitará desse modo o risco dos nossos políticos aldrabões e dos nossos técnicos subservientes e sem ética profissional vigarizarem as contas?
  4. Pois não é verdade que o FMI, diferentemente dos nossos amigos da UE, declara pretender compatibilizar as medidas de consolidação orçamental com a necessidade de garantir o crescimento?
  5. Pois não é verdade que o FMI pretende dar-nos um período de carência de 5 anos precisamente nesse sentido?
  6. Pois não é verdade que o putativo demónio FMI nos quer emprestar dinheiro a uma taxa (3,25%) 35% a 45% mais baixa do que a taxa (5% a 6%) que os nossos amigos da UE nos querem aplicar?
Rapazes do FMI, sejam bem-vindos!

(*) Endireitar é algo que, por definição, não pode ser feito pela esquerdalhada, a não ser em estado de necessidade e, ainda assim, em outsourcing, como foi o caso de, com o país sem divisas, o Dr. Soares ter adjudicado a Ernani Lopes a pasta das Finanças para pôr de pé as medidas preconizadas pelo FMI.

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