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16/04/2011

A caminho dos amanhãs que choram os pastorinhos abandonam o barco (5 Bis)

[Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)]

Não consigo deixar de me surpreender com as conversões nos últimos tempos. Uma das mais surpreendentes é a de Daniel Amaral. Como já aqui escrevi, só os burros não mudam, eu sei, mas serão precisos 4-anos-4 para perceber onde nos iria conduziria o governo de José Sócrates? Chamar agora «ilusionismo» aos seus golpes de teatro, a propósito das exportações, não será um pouco tarde? E desde quando o défice da balança corrente anda pelos 10% e é o mais alto da Zona Euro?

Há um mês e meio escrevi este post que, como se vê por este artigo do mesmo Daniel Amaral, continua actualíssimo. Como quase todas as conversões, também esta tem períodos de dúvida e fraqueza e o risco do convertdo cair em pecado outra vez. Lá vem o discurso de Bruxelas ter alegadamente alterado as regras a meio do jogo, quanto ao BPN e BPP e à inclusão das empresas de transporte no perímetro do orçamento, impedindo assim o governo de ajeitar o défice de 2009 e 2010. Acontece que as regras há vários anos estavam definidas e a única coisa que aconteceu a meio do jogo foi o governo ter que cumprir o que até agora fingia ignorar. Não há razões para o pastorinho Amaral irresponsabilizar o governo. Poderá haver razões para responsabilizar o Eurostat por ter andado a dormir na forma ou, pior ainda, ter andado a assobiar para o lado.

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