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17/04/2011

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Chegámos aqui um dia e um milhão de cada vez

Imagino ser muito traumático para os portugueses embriagados durante 6 anos pelo discurso encantatório do vendedor de automóveis, também conhecido como pastor da IURD, verem-se confrontados com a transição brusca do paraíso socrático para o inferno do mundo real.

Consigo, apesar de tudo, compreender que as legiões de portugueses afogados em dívidas para pagar a casinha, o chaço, o plasma e as merdas todas que a publicidade lhes diz que podem ter sem esforço, tentando acertar o fim do mês com o fim do ordenado, enfiados nos buracos negros informativos dos telejornais, desejosos do alívio das boas notícias, tenham sido vulneráveis à manipulação maciça da máquina mediática de Sócrates.

Não consigo, de jeito nenhum, compreender os pelotões de luminárias, intelectuais de trazer por casa, economistas mediáticos e de palestrantes em geral que durante esse mesmo período não perceberam perceberam bem demais o que se estava a passar e ficaram caladinhos a facturar as suas tenças. Ainda percebo menos os que fizeram isso e agora, mais ou menos disfarçadamente, consoante o seu talento de aldrabões, saltam em andamento do comboio e se preparam para apanhar o seguinte.

Perguntarão as legiões de afogados em dívidas, como chegámos aqui? A resposta é um milhão de cada vez. É parecida com a que costuma ser dada nos projectos que se atrasam anos (um dia de cada vez).

Secção Tiros nos pés
Cinco chateaubriands para os afogados em dívidas desejosos de boas notícias.

Secção Idiotas Inúteis
Cinco bourbons, cinco pilatos ou cinco ignóbeis para os pelotões de luminárias que não conseguem ser de outra maneira (a maioria), que perceberam e ficaram calados por cobardia ou por manha, respectivamente.

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