Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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24/04/2011

SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (9)

[Actualização deste, deste, deste, deste, deste e deste posts]
17-12-2008
O ministro das Finanças (MF) diz que o défice em 2009 será de 3% do PIB e não 2,2% .

05-02-2009
É aprovado pelo PS o Orçamento suplementar com uma previsão 3,9% do défice.

21-04-2009
O MF diz que «a despesa está perfeitamente controlada» e que o défice se mantém (3,9%)

15-05-2009
O MF diz que o défice será 5,9% em vez de 3,9%

04-07-2009
O MF mantém que o défice será 5,9%.

22-07-2009
José Sócrates diz que «está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu».

09-10-2009
O MF mantém a previsão de 5,9%.

03-11-2009
A CE anuncia uma previsão de 8% e o MF admite a revisão da estimativa anterior (5,9%).

24-11-2009
Défice do Estado dispara para 8,4% do PIB em 2009, em resultado do orçamento rectificativo redistributivo apresentado à AR.

12-01-2010
O ministro admitiu que o défice de 2009 será superior a 8% do PIB.

26-01-2010
Responsáveis do PSD, que tiveram com o Governo negociações sobre o OE, garantiam que o défice iria passar de um valor próximo de 8,7 por cento em 2009.

27-01-2010
Teixeira dos Santos revelou ... que o défice de 2009 atingiu o valor histórico de 9,3% do PIB.

01-02-2010
«Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias», disse José Sócrates, sem explicar porque não tinha o governo sido capaz de antecipar o défice que resultou das suas decisões, nem como tendo as ajudas sido de menos de 2% do PIB causam um aumento do défice de 2,2% para 9,3%.

27-10-2010
«Sim, sou inflexível. O défice de 2011 tem de ser 4,6%» disse Teixeira dos Santos justificando a ruptura da negociação do OE 2010 com o PSD.

31-03-2011
Em consequência da inclusão no perímetro do OE dos défices das empresas públicas que cobrem os custos com menos de 50% de receitas próprias, segundo os critérios do Eurostat desde há vários anos não cumpridos pelo governo socrático, o INE corrigiu os défices de vários anos:
2009 - 10,0%
2010 - 8,6%

23-04-2011
«Défice de 2010 revisto em alta para 9,1 por cento do PIB»

Recorde-se que o défice de 2010 ainda recentemente tinha sido milagrosamente reduzido de 7,3% para 6,9%.

Surpreendido? Só se não é um dos pouquíssimos frequentadores regulares do (Im)pertinências, onde pode ser encontrada uma lista de aldrabices contabilísticas, vasta mas longe, muito longe, de ser exaustiva. Tudo isto é um grande insulto à inteligência e, lamentavelmente, sou forçado a reconhecer que o terço dos portugueses, segundo as sondagens, ainda com opinião positiva do primeiro-ministro, ou gostam de ser insultados ou não são inteligentes.

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