Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

20/09/2022

Call for Feminist Activism and Appeal to Devotees to Strong Regimes Fighting Moral Decay

Guardian

Feminist activists from all over the world, instead of insulting and harassing the heterosexual white man, go indoctrinate the guards of the revolution and the ayatollahs.

Devotees of strong regimes that fight moral decay, instead of insulting liberal spirits, go praise the guards of the revolution and the ayatollahs.

19/09/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (32)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Ilusionismo para retardados

Os apoios imediatos anunciados pelo governo equivalem apenas a pouco mais de um terço da perda de poder de compra nos primeiros 8 meses do ano de uma família com 2 filhos.

O governo garantiu que os pensionistas não perderiam poder de compra com os ajustamentos anunciados, que na melhor hipótese só compensam a inflação deste ano, pelo que a partir de 2023 as pensões reais descem na percentagem da inflação que se verificar em 2023, muito provavelmente vários pontos percentuais e perdem para sempre quase metade da actualização prevista na lei para 2023.

Quanto aos funcionários públicos, este ano perdem mais de 6% (inflação superior a 7% com aumentos de 0,9%) e no próximo ano com o aumento anunciado de 2% perderão também vários pontos percentuais. Quanto ao objetivo anunciado pelo Dr. Costa em Junho de aumentar o peso dos salários no PIB para 48%, isso é do domínio da cartomancia.

Já virámos a página da austeridade

Quando em 2015 a então ministra das Finanças referiu a necessidade de cortar 600 milhões nas pensões, o Dr. Costa e o PS em peso babaram-se de indignação postiça. Depois de sete anos a bramar contra a austeridade que o governo socialista do Eng. Sócrates deixou de herança ao governo “neoliberal” de Passos Coelho, o governo do Dr. Costa com as suas medidas aplicou um corte de mil milhões aos pensionistas.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

Em quatro anos, desde 2018, duplicou o número de pessoas sem médico de família, apesar do aumento do aumento de 22% da despesa e de 20 mil funcionários em relação a 2017.

Expresso

Aguardemos para ver o resultado do novo estatuto do SNS que com as suas fantasias gestionárias aplicadas com uma cultura estatista e de mediocridade arrisca colocar a funcionar mal até o que funcionava mediocremente.

«A educação é a nossa paixão»

Nas escolas como no SNS, a falta de recursos é sempre a desculpa para outras faltas como as de competência, de vergonha, de profissionalismo. Entre 2015 e 2019 o número médio de alunos por turma em Portugal reduziu-se de 21,2 para 20,9, apesar disso aumentaram as queixas da falta de professores.

Enquanto a maioria dos directores das escolas pretendem autonomia para contratar os professores, a Fenprof está contra e prefere a contratação centralizada porque, não podendo controlar a maioria dos directores, prefere controlar apenas o ministro da Educação.

Boa Nova

Mais um novo pacote extraordinário de ajudas às empresas de 1.400 milhões, dos quais 600 milhões sob a forma de crédito a empresas já de si muito endividadas.

Choque da realidade com a Boa Nova

Comprovando o princípio do Dr. Costa de que mais vale fazer uma dúzia de anúncios do que concretizar uma só medida, nos últimos dias identifiquei pelo menos os seguintes flops: a adaptação de mil casas para pessoas com deficiência teve apenas 80 candidatos; o Processo Extraordinário de Viabilização de Empresas teve apenas 22 candidaturas e apenas ajudou sete empresas; a linha de crédito para as micro e pequenas empresas atrasada 8 meses apenas foi utilizada em 3%.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

O governo deve acreditar que para fazer títulos nos jornais é melhor ter seis helicópteros com 35 anos que serão entregues em 2023 e que ficarão a maior parte do tempo no chão, incapacitados de voar ou para fornecer peças de substituição, do que ter um ou dois capazes de estar operacionais.

Se não puderes enfiar na cartola, adia

O Dr. Costa empurrou há poucos dias para o final de 2023 o anúncio de uma decisão definitiva sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa.

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

O indicador diário de actividade económica do BdP que vem abrandando desde Julho sinaliza uma variação negativa em relação ao ano passado. As taxas Euribor continuam a subir e a de 6 meses, o indexante mais utilizado no crédito à habitação, ultrapassou 1,5%.

18/09/2022

A importância da luta da Ucrânia para as liberdades em todo o mundo

«Sucede que a evolução de uma guerra não determina apenas previsões e análises. Afecta também algo de mais fundamental: as visões do mundo. A derrota da Alemanha e da Itália em 1945 não acabou com os fascistas, nem o descalabro da União Soviética em 1991 acabou com os comunistas, mas depois dessas duas datas passou a haver respectivamente muito menos fascistas e muito menos comunistas. Para muita gente, como memoravelmente notou H. L. Mencken, as manifestações de poder são sempre mais persuasivas do que quaisquer argumentos. Por isso, as guerras foram um ponto final de muitos debates ideológicos: quem ganha, e enquanto ganha, passa a ter razão. (...)

É por isso que na Ucrânia está mais em causa do que a integração europeia ou a política energética alemã. Está em causa tudo isso, sem dúvida, mas estão também em causa as nossas preferências políticas e ideológicas. A ditadura neo-soviética de Vladimir Putin pretende ser uma alternativa existencial ao Ocidente, como foi a velha União Soviética. É quase certo que usaria uma vitória na Ucrânia para demonstrar que o é. E há já quem esteja preparado para nesse caso descobrir virtudes às suas ideias e métodos. Na Europa, comunistas e esquerdas anti-capitalistas mal disfarçam, atrás de uma cínica condenação genérica da guerra, a sua simpatia por um ditador determinado a abalar a ordem internacional em que estão ancoradas as democracias liberais e as economias de mercado. Nos EUA, algum conservadorismo, descrente em relação à possibilidade de fazer valer os seus valores através do debate, parece fascinado por um “regime forte” supostamente decidido a pôr termo à “decadência moral”. Se Putin ganhasse na Ucrânia, uns convencer-se-iam de que as democracias estão vulneráveis, e outros de que as ditaduras são muito mais eficazes. O neo-sovietismo de Putin, alinhado com o comunismo chinês, poderia aspirar a ser moda. Talvez a próxima década de 30 lembrasse os anos 30 do século passado.

Os soldados da Ucrânia estão a decidir, não só por onde vão passar as fronteiras, mas o que muita gente, sempre susceptível às causas bafejadas pelo sucesso, vai pensar amanhã. Esperemos que os factos ajudem as boas opiniões. Como dizia o general MacArthur, nada substitui a vitória.»

As nossas opiniões decidem-se na Ucrânia, Rui Ramos no Observador

17/09/2022

Homens livres nas sociedades livres prezam a liberdade, por isso os inimigos da liberdade odeiam as sociedades livres

«O que distingue as sociedades democráticas das sociedades autoritárias ou totalitárias é (...) o permitirem a denúncia dos casos em que essa base é posta em causa. A vida do dia-a-dia dá-nos inúmeros exemplos das duas coisas. Nos países mais livres, onde, por cultura e tradição, mais se preza a autonomia individual, mais (muito mais) exemplos do que nas democracias onde a liberdade é menor, é claro. Mas, desde que exista alguma liberdade, desde que a nossa capacidade deliberativa, tanto individual como colectiva, esteja estabelecida, tanto a base como a possibilidade de protestar contra a sua violação se encontram asseguradas.

Isto, que vale para o dia-a-dia, vale ainda mais para as situações excepcionais. Porque é que, por exemplo, a invasão da Ucrânia por Putin gerou uma condenação tão unânime por parte dos regimes democráticos – e, inversamente, uma aprovação, tácita ou explícita, pelos regimes autoritários ou totalitários? Porque os primeiros partilham as tais intuições morais justas – e os segundos não. Os primeiros exprimiram sentimentos inequívocos de solidariedade com os ucranianos porque lhes reconheceram o direito à autonomia, individual e colectiva, que para si querem e de que eles próprios têm experiência em grau variável. Os segundos, não possuindo tal experiência nem a desejando, evitaram condenar a invasão, quando não a apoiaram declaradamente. O que se diz dos regimes vale igualmente para os cidadãos produzidos por esses regimes. Alguém que não sabe o que é a liberdade, não a pode desejar – nem para si, nem para os outros.»

Os sentimentos comuns, Paulo Tunha no Observador

16/09/2022

Against all odds. Doing business in Putin's Russia is a deadly risk. If it looks like a duck, swims like a duck, and quacks like a duck, then it probably is a duck


During 2022, multi pie unusual deaths of Russian-connected businessmen occurred, of which most 
were suicides. A number of commentators have suggested that the circumstances of the suicides 
appear to be suspicious and may have been staged.

15/09/2022

Uma criatura que abomina imigrantes por comprometerem a pureza étnica é o quê?

Depende. Se, por exemplo, for japonês ou coreano, ou, vá lá, sueco ou finlandês, é preconceituoso. Se for português, cujos antepassados vão desde os celtas, os iberos, os gregos, os fenícios, os visigodos, os romanos, os árabes, os ciganos, os judeus, etc., é tontinho.

14/09/2022

SERVIÇO PÚBLICO: As sociedades avançadas podem não estar em extinção demográfica como parecem

Coincidindo com a entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho e a generalização da pílula anticoncepcional, dois fenómenos interrelacionados e o primeiro claramente associado ao crescimento económico (ver o diagrama seguinte), as taxas de fertilidade começaram a baixar dramaticamente.

Women’s History Month: U.S. women’s labor force participation

Porém, um estudo recente (Doepke et alia, The Economics of Fertility: A New Era, Working paper, NBER, April 2022) parece mostrar que neste século essa relação se alterou.

In rich countries, working women and more babies go hand in hand

Nos países mais desenvolvidos tornou-se mais fácil compatibilizar o emprego e a maternidade pelo que a taxa de fertilidade aumentou. Diferentemente, em países como a Itália ou a Espanha, as mulheres continuaram a trabalhar menos e a ter menos filhos.

Segundo o estudo, isso resulta principalmente de: mercados de trabalho flexíveis, homens mais partilhando os trabalhos domésticos, normas sociais favoráveis e boas políticas de família como creches subsidiadas e licenças parentais.

13/09/2022

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (37) - O ilusionismo gasoso do Dr. Costa (II)

Outras botas para descalçar. Esta bota é uma sequência do post O ilusionismo gasoso do Dr. Costa (I), de onde republico o mapa seguinte com os terminais de gás natural liquefeito (LNG) assinalados.
 
Technology Quarterly

«O chanceler alemão, acossado pela trágica dependência do gás russo, aceita, obviamente, tudo o que permita minimizar tal. O espanhol Sánchez vendeu-lhe então o reforço das interligações gasistas entre Espanha e França através da construção do primeiro troço do gasoduto MidCat (Midi-Catalonia Pipeline), que levaria nove meses a executar, permitindo a utilização dos seis terminais espanhóis de gás natural liquefeito (GNL) para abastecer em gás natural (GN) a Alemanha. O nosso primeiro-ministro aproveitou e vendeu-nos na silly season um gasoduto de Sines à Alemanha, fazendo crer que Sines salvaria energeticamente a Alemanha, ao mesmo tempo que tal permitiria exportar o hidrogénio verde produzido em Sines, em substituição da ideia inicial de o exportar para os Países Baixos por via marítima.

Ora, não seria necessário um novo gasoduto, mas apenas reforçar alguns troços, como o MidCat referido, e fazer uma nova interligação Portugal-Espanha entre Celorico da Beira e Vilar Formoso (162 km, €244 milhões), continuada em Espanha até Zamora (86 km, €110 milhões), em complemento das atuais ligações em Rio Maior e em Valença do Minho, lançadas no nosso projeto de introdução do GN em Portugal, as quais são perfeitamente suficientes para o funcionamento do mercado ibérico.

Mas Sines, por razões económicas, estando os terminais espanhóis mais subutilizados do que o nosso, e geográficas, não será competitivo em relação aos terminais espanhóis. Será mais prático e eficiente os metaneiros descarregarem em Bilbau e Barcelona, e, a partir daí, injetar o GN na rede europeia, do que virem a descarregar em Sines. O único porto praticamente à mesma distância da rede francesa de Sines será Huel­va, todos os outros terminais espanhóis estão mais perto. E no fim do ano esses barcos até poderão vir a descarregar já mais perto da Alemanha, em Wilhelmshaven e Brunsbüttel, e em 2023 em Stade e Lubmin.

E os franceses, que nunca concordaram com o MidCat, chamam a atenção que será sempre mais barato fazer terminais de GNL mais perto do Centro da Europa e da Alemanha do que investir nas interligações referidas para levar o GN da Península Ibérica para a Alemanha e que, face às incertezas que ainda existem na produção e transporte do hidrogénio verde, é prematuro redimensionar interligações para fazer esse transporte.

Mas, numa perspetiva de reduzir na energia a quase ilha ibérica, fará sentido o reforço das interligações gasistas e elétricas, estas prioritárias para nós, entre Espanha e França.»

De Sines para a Alemanha?, Luís Mira Amaral no Expresso

12/09/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (31)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O pacote do Dr. Costa seria um insulto à inteligência dos eleitores se…

… se eles percebessem que

(1) do aumento este ano de 7 mil milhões da carga fiscal que o Dr. Costa subtrairá a mais aos contribuintes, vai gastar 1,4 mil milhões ou 20% para “ajudar as famílias”;

(2) os 2,4 mil milhões do pacote de resposta à inflação (uma inflação que há três meses, segundo do Dr. Costa, não teria continuidade) são o equivalente ao dinheiro torrado para manter a TAP a voar;

(3) proporcionalmente à população dos respectivos países, esse pacote de 2,4 mil milhões é o equivalente a pouco mais de um quarto do grego, menos de um terço do espanhol e cerca de um terço do alemão;

(4) com a não actualização em 2024 com base nas pensões que resultariam da lei, o meio mês de pensão oferecido pelo governo em Outubro significa um corte permanente equivalente nas pensões futuras de 600 euros ou mais por ano.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

A EFACEC, nacionalizada por um governo do PS que sucedeu a outro governo do PS que havia facilitado a entrada de Isabel dos Santos, depois de inúmeros anúncios pelo Dr. Siza Vieira foi finalmente vendida em Abril ao grupo DST que «açambarca 1/4 do PRR para as empresas». Desde então, a operação está a ser avaliada pela DGComp que percebeu tratar-se não de um negócio de venda da EFACEC, mas de um auxílio do Estado à DST. De vez em quando, como agora, o governo anuncia que a coisa será resolvida «nas próximas semanas» .

Take Another Plan

E não é que o governo mudou mesmo de plano? Depois de ter renacionalizado a TAP comprando a participação dos “privados” e enterrado mais de dois mil milhões de euro no elefante branco, o governo diz que afinal querer vender a maioria do capital aos “privados”. E quem são os “privados”? Os spin doctors sopram para a imprensa amiga que poderá ser a Lufthansa ou a Air France/KLM, de modo que se inicia assim mais uma saga de spinning e anúncios que durará mais do que a vida deste governo.

«A educação é a nossa paixão». A falta transforma-se em fartura e vice-versa

Por um lado, faltam professores («havia cerca de 2500 turmas com pelo menos um professor por atribuir»), por outro sobram («mais de 500 professores do quadro sem turmas a uma semana do início das aulas», ou vice-versa.

O que me fez lembrar uma velha estória que já em tempos contei e agora recordo: era uma vez um responsável pelo plano quinquenal soviético que numa visita a Londres nos anos 30 se manifestou surpreendido pelo facto das padarias londrinas não parecerem ter dificuldade em abastecer de pão os londrinos e estes não pareciam ter dificuldades em abastecer-se, e quis conhecer o departamento do planeamento inglês que fazia um trabalho tão bom.

Choque da realidade com a Boa Nova

Após os incêndios de Outubro de 2017 foi anunciado com grande fanfarra a recuperação nos quatro anos seguintes dos 9 mil hectares do Pinhal de Leiria que arderam. Cinco anos depois há «um descampado gigante» e «mato seco que cresce desgovernado» (Público).

Com aliados destes, os países membros da NATO não precisam de inimigos

O governo português foi informado pela embaixada americana que estão «à venda na darkweb centenas de documentos enviados pela NATO a Portugal, classificados como Secretos e Confidenciais».

Nunca se fica a saber se é a maldição da tabuada ou o multiplicador socialista ou simplesmente a trafulhice

Em Setembro de 2021, o Dr. Leão estimou o custo até então das medidas de resposta à pandemia em 30 mil milhões de euros. Em Março deste ano Conselho das Finanças Públicas (CFP) estimou o custo dessas medidas no equivalente a 4% do PIB em dois anos ou seja menos de 8 mil milhões de euros, o que tornou o governo do Dr. Costa o que menos gastou no apoio a economia. No relatório de Maio, o mesmo CFP reavaliou para 5,13 mil milhões o total dessas despesas em 2020 e 2021, ou seja, cerca de um sexto do montante propagandeado pelo Dr. Leão.

De volta ao velho normal

Nos três meses terminados em Julho, as exportações aumentaram 35,3% e as importações 38,5%, relativamente ao período homólogo de 2021. Em consequência, o défice da balança comercial de bens aumentou 504 milhões de euros e não, não se deve exclusivamente ao aumento dos combustíveis porque sem eles o défice agravou-se 87 milhões.

11/09/2022

Why is the Russian military so determined to inflict civilian casualties on neighboring Ukraine?

A conversation between Tom Nichols of the Atlantic magazine and Nick Gvosdev an expert on Russian history at the University of Oxford:

Tom Nichols: Nick, international-relations experts will hash out the “great power” dimensions of this war, but at the ground level of the actual fighting, why is the conflict so brutal? Is it really enough to say that the Russians are reacting to the humiliation of losing almost from the start?

Nick Gvosdev: To some extent. At all levels of Russian society, from the cab driver in the street to the Kremlin insider, there was a strongly held belief that Russian forces would be greeted as liberators, especially in the Russian-speaking areas of Ukraine. Indeed, the initial Russian military plan was based on the assumption that Ukrainian soldiers would refuse to fight and Ukrainian politicians would defect. This turned out not to be the case. Even more striking, it was the two largest Russian-speaking cities in Ukraine—Kharkiv and Odesa–which proved to be focal points of the successful blunting of the Russian invasion.

Nichols: That last point seems to be important.

Gvosdev: Yes. Western Ukraine—at least those areas that were never under Russian imperial rule and were part of the Habsburg realm—stressed their separateness from the Russians and were always the heartland of Ukrainian nationalism. But almost all the atrocities we’ve seen have targeted people precisely in those parts of Ukraine that are part of the Russian-speaking world. There does appear to be a strong undercurrent of giving these “traitors” their due recompense.

Nichols: I don’t think this is fully understood in the West. The Bucha massacre, for example, was aimed at Russian speakers—almost as if they infuriated the Russians more than Ukrainian nationalists did.

Gvosdev: Bucha was a special target, for sure, given its position as a bedroom community for Ukrainian government workers and military officers. But this is all a direct outcome of appropriating a World War II narrative in which the Ukrainian government is routinely described as a Nazi regime and those fighting the Russians are fascists. Meanwhile, Russian social media routinely uses the term “Allied forces”—with all the connotations from the Second World War that description carries—to characterize the Russian military and the militias of the Donetsk and Luhansk republics. So, think about it: If the Ukrainian military and government are the modern-day successors of the Nazis, then of course no quarter should be given to those who fight on the side of the fascists—and especially those who’ve betrayed their kin.

Nichols: What about the Russian military? Is there something in their training and background that makes them harder to control? They certainly haven’t improved since the Soviet days in their effectiveness as a fighting force.

Gvosdev: Russia tried to create a professional all-volunteer army, but it’s still living with Soviet-era “traditions,” including brutalizing its own recruits—the so-called dedovshchina—and a strict hierarchical command structure. Add to this the ongoing problem of corruption within the military and you create an ethos where brutalizing others is preferable to being subject to it yourself. One other point: The Kremlin is anxious to avoid calling for a general mobilization, and so, as the U.S. did during Vietnam, a number of soldiers fighting in the Russian military in Ukraine chose military service rather than prison.

Nichols: I almost didn’t believe that when I saw it.

Gvosdev: Worse, Russians have also been relying on mercenaries and militias, another place where people with criminal records can end up. In many of these cases, atrocities were the result of some of these people being allowed to run amok with no particular supervision or discipline from the top other than general directions to punish “traitors” or eliminate “Nazis.”

Nichols: Ukraine, by contrast, figured out that having a solid and reliable noncommissioned-officer corps works wonders in the field.

Gvosdev: Absolutely. Ukraine’s military reforms over the last several years, along NATO standards, also allowed its military to carry out more decentralized operations.  

Nichols: It seems like the most powerful “force multiplier” in the Russian military is resentment: You’ve betrayed us, you live better than we do, you’ve elected your own government, and so … you’re Nazis and we can do to you what we did in World War II.

Gvosdev: That’s the logical outcome, and how you get from “brothers and sisters” to wholesale carnage. Ukraine, in Russian eyes, has turned its back on its brother Russia, and by seeking to integrate with the Western world, has driven a sword into the heart of the “Russian world.” Russian politicians and pundits hammer those themes every day. This “betrayal” narrative is linked to the overall Russian resentment of Europe and the West. Some of it is connected to living standards, to be sure, but it is also driven by the sense that Europeans—and now Ukrainians as well—look down on Russia as not quite European, definitely not Western, and maybe not even civilized. And that resentment leads to a Russian determination to make others share in Russia’s misery, whether by bombarding Ukraine or by sparking an energy and economic crisis in the rest of Europe.

Nichols: I’m feeling an uncomfortable parallel here with events in the U.S. and some other countries.

Gvosdev: The politics of resentment are always the doorway to legitimizing mindless fury and anger—and ultimately violence—against those you deem to be traitors or evildoers as being a justifiable response to “being looked down on.” Russians don’t have a monopoly on this.

10/09/2022

Dúvidas (342) - O que fazer com o aumento dos preços dos combustíveis?

Na reunião da passada quarta-feira do Conselho (Transportes, Telecomunicações e Energia – TTE), em que participaram os ministros da energia dos Estados membros, discutiram-se várias medidas relacionadas com os combustíveis e uma delas a fixação de preços máximos que na próxima semana a CE irá definir. 

É provável que a CE adopte uma política nesse sentido, seguindo aliás o exemplo de vários países, como a Espanha e a França. Se o fizer será um erro por várias razões de natureza geral (não são conhecidos casos em que a fixação de preços não tenha tido consequências indesejáveis) e por razões específicas dos combustíveis.

No caso dos combustíveis, cujo consumo se pretende reduzir por razões ambientais, a fixação de preços políticos conduz ao aumento do consumo. Exemplos: na Califórnia uma redução de 20% do preço marginal do gás conduziu a um aumento de 8,5% do consumo e o preço máximo do gás adoptado pelo governo espanhol conduziu a um aumento de 42% do consumo de gás para a produção de electricidade. Inversamente, o aumento dos preços refletindo os custos de produção e as condições de mercado leva à redução do consumo - alguns estudos concluíram que um aumento de 10% do preço diminui o consumo de gasolina em 3% e de gás em 4% no inverno.

Nesse caso o que fazer? Não é preciso inventar a roda que já foi inventada. A Economist sugere dois tipos de medidas (How to prevent Europe’s energy crunch spiralling into an economic crisis):

«The first is to allow the market mechanism to curb demand, while supporting the most vulnerable people. Large handouts will be needed, but targeted assistance can limit the bill: according to the IMF, policies that offer rebates and cash transfers to the poorest 40% of people would be cheaper than the policy mix today, which largely includes tax cuts on fuel, or retail-price caps.

The second priority is to increase supply, something that is not solely in Vladimir Putin’s gift. Other sources of natural gas can be cultivated: this is one reason why France’s president, Emmanuel Macron, has just visited Algeria. Within Europe, countries can help ease bottlenecks, such as inadequate cross-border gas interconnections. Today insufficient investment and differences in standards impede the flow from Spain and France to Germany and eastern Europe. The EU needs to ensure that in the event of rationing, there is a continent-wide agreement about which users are cut off first: without this the danger is that countries will hoard supplies. »

Ou seja, deixem o mercado funcionar, subsidiem os mais pobres e invistam no aumento da produção e nas infraestruturas de transporte.

09/09/2022

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (10) - Adereço na campanha d'O Imbrochável

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).


Desta vez S. Ex.ª excedeu-se a si próprio e levado por um desejo de protagonismo, que faz dele mais um dos "famosos", aterrou na campanha eleitoral de Jair, O Imbrochável, presidente de uma República que ele está a converter em República das Bananas, que o colocou ao lado de um dos seus apoiantes, o empresário Hang acusado de integrar o "gabinete paralelo" e de outras trapalhadas (por exemplo, por exemplo, ...). É uma humilhação para S. Ex.ª, o que é lá com ele, e uma vergonha para a república dos bananas de que é presidente, o que deveria ser cá connosco.

08/09/2022

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

«Small wonder then that Elizabeth’s values—of stoicism and duty, of keeping calm
and carrying on, and above all of shutting up—were those of another era.»

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (51) - Ditosa Pátria que tais filhos tem


Já era sabido que os portugueses são os melhores entre os melhores, como nos revelou S. Ex.ª, e também se sabe que as gerações X, Y e Z são as mais educadas de sempre, como nos dizem os mídia há pelo menos duas gerações. 

Ficou agora a saber-se pelo inquérito da Merck à população entre os 18 e os 35 anos de 10 países europeus que os «jovens portugueses são os que, na Europa, fazem mais planos para ter filhos» de onde concluo que está assegurado o futuro de Portugal. 

É claro que os incréus vão dizer que o inquérito também revela que «apenas 21% dos jovens em Portugal têm filhos, menos 12 pontos percentuais que os jovens europeus no seu conjunto», de onde, concluirão os cépticos, os jovens portugueses tendem a ser mentirosos. 

Porém, a minha conclusão nada tem a ver com a demografia, nem com a mentira. Tem a ver com aquele atributo da cultura portuguesa que nos leva a fazer planos durante décadas para construir um novo aeroporto, para reduzir a dívida para 60% do PIB, para atingirmos o nível médio de vida europeu, etc. (um grande etc.) e, claro, para ter filhos. E o que o inquérito da Mercx nos mostra é que os nossos jovens assegurarão a perenidade desse atributo que, afinal, faz portugueses os portugueses.

06/09/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (30b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.


Passividade bovina da esmagadora maioria do eleitorado. Podia ser de outro modo?

Talvez não. Contas feitas, 70% dos eleitores que votam são dependentes do Estado sucial, a saber: 3,0 milhões pensionistas + 0,7 milhões funcionários públicos + 0,1 milhões empregados de empresas públicas = 3,8 milhões ou 70% dos votantes (contas de Pedro Ramos no jornal SOL).


Estado sucial pendurado na Óropa

E o investimento público só não é ainda mais miserável porque é sustentado em quase 90% pelos fundos comunitários.

mais liberdade

Choque da realidade com a Boa Nova

Segundo o Forum para a Competitividade, «em julho e agosto, a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foi inferior a um décimo do que deveria ser».

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

Economist

Desta vez, o governo do PS vai poder contar menos com as ajudas da UE que tudo indica terá ela própria de enfrentar uma recessão a caminho.

05/09/2022

O povo chileno tem mais juízo do que os seus deputados e rejeitou uma utopia no mínimo desmiolada e no máximo perigosa


Chile Today

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (30a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Uma demissão atrasada e por razões erradas. Um paradigma da governação do Dr. Costa

Depois de ter sabotado o SNS durante quase quatro anos, fechando várias PPPs com desempenhos muito superiores aos dos hospitais de gestão pública, limitando o ministério da Saúde a uma gestão ideológica e incompetente do SNS, incluindo na resposta à pandemia onde a mortalidade por Covid e com Covid bateu recordes e o excesso de mortalidade por outras causas continua elevado, depois do seu mau desempenho, já na altura visível, ter sido celebrado pelo PS no seu congresso de 2019 elevando-a ao estrelato socialista, a Dr.ª Temido demitiu-se/foi demitida pela morte acidental de uma grávida que poderia ter acontecido no SNS melhor gerido do mundo.

Gestão incompetente que não tem justificação na alegada falta de recursos num ministério que gastou 12,4 mil milhões em 2021, um aumento de 22% em relação a 2017, e dispõe de 155,5 mil funcionários, um aumento de mais de 20 mil face aos efectivos que a Dr.ª Temido encontrou, nem tem justificação num país que tem mais médicos por mil habitantes do que a Áustria, a Suécia, a Alemanha e a Dinamarca, por exemplo, e em que o Estado sucial gasta na saúde maiores percentagens do PIB do que vários países da UE e está mais de 2 pontos percentuais acima da média da OCDE.

É claro que o Dr. Costa despachou a Dr.ª Temido não pelo seu mau desempenho, mas para apaziguar a agitação promovida por uma imprensa onde os antigos parceiros da geringonça continuam a ter imensa influência, exactamente o mesmo processo da demissão do seu amigo Dr. Cabrita.

A receita para o PIB subir no presente é ter descido no passado

Com títulos como «INE revê crescimento no segundo trimestre em alta» ou «Economia portuguesa cresce 7,1% no 2.º trimestre», foi muito celebrada a revisão em alta para 7,1% da estimativa rápida, crescimento que resultou apenas da comparação com a queda abissal no 2.º trimestre do ano passado, em resultado da pandemia e que representou uma queda de 0,2%, quando comparado com o trimestre anterior.

Investimento público, a autoestrada mexicana do PS, sempre

Decorridos 7 meses deste ano, apenas 35% do investimento orçamentado foi executado e, comparado com 2021, caiu 33% no SNS, 17,5% na Segurança Social (SS) e 7% na administração local. Uma vez mais, é o esquema da autoestrada mexicana: por exemplo no SNS, orçamenta-se e anuncia-se com grande pompa para 2022 mais do dobro do investimento executado em 2021 e executa-se menos 33% do que ano passado. O expediente das cativações do Dr. Centeno continua também nas despesas correntes e no total, no 1.º semestre mantiveram-se quase 90% das cativações.

No final, poucos se apercebem e, destes, a maioria depende do governo de um ou outro modo e chuta para canto. Este é um dos exemplos de três coisas notórias, mas pouco notadas: (1) como os governos do Dr. Costa ultrapassaram tudo quanto se tinha visto até agora (e já vimos imenso) em aldrabice; (2) o controlo que o PS exerce sobre os mídia e (3) a passividade bovina da esmagadora maioria do eleitorado.

(Continua) 

04/09/2022

Vivemos num estado policial? (22) - O drama dos suicídios e a falta de subsídios

Outros casos de polícia.

Um dia destes podia ler-se no Expresso o lamento de um polícia dirigente de um dos 17 (dezassete) sindicatos de polícias (entre os quais um "Vertical", outro "Independente", outro "Autónomo", outro "Livre" e até um dos "Polícias do Porto"), tendo o 16.º 451 associados e 459 dirigentes e delegados e o 17.º sindicato 27 polícias todos dirigentes sindicais. 

Escreveu o Expresso: 

«Segundo um estudo do Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP), 83% dos polícias que se suicidam usam a arma de serviço. “Uma das razões para continuar a haver uma alta taxa de suicídios nas polícias portuguesas — é uma das maiores da Europa — é o facto de os polícias terem acesso à arma de serviço 24 horas por dia e de, só em casos muito excecionais, esta ser retirada”, diz Miguel Rodrigues, autor do estudo, que apresenta uma solução: “O Ministério da Administração Interna (MAI) deveria criar uma bolsa para que quem não tivesse a arma não ficasse sem os suplementos.”

O mesmo estudo do SIAP — cujos resultados são apresentados a 1 de setembro — diz que a taxa de suicídio nas polícias é de 16,3 por cada cem mil habitantes, contra os 9,7 da população em geral. Ou seja, quase o dobro. “Uma das causas é o acesso fácil às armas. Mas principalmente o impacto negativo de uma profissão em que tem de se lidar diariamente com violência. A PSP não dota os profissionais de meios para combater os efeitos negativos dessa exposição”, argumenta Miguel Rodrigues.
»

Repare-se que os polícias suicidam-se mais porque têm acesso à arma de serviço, mas como «quem fica sem a arma deixa de poder fazer patrulhamentos ou gratificados e de receber suplementos que podem chegar aos €300 por mês» o problema do excesso de suicídios resolve-se com uma bolsa.

Excesso de suicídios? O dirigente compara a taxa de suicídios de um grupo profissional com mais de 90% de homens com a população em geral, ora a taxa de suicídios dos homens em 2019 foi 15,2 por 100 mil, quase o quadruplo das mulheres, sem esquecer que é nas idades dos polícias (entre os 25 e os 60 anos) que a taxa de suicídio é mais elevada. Tudo considerado, é até possível que os polícias se suicidem menos do que a população e isto passa ao lado do jornalismo de causas ao serviço da corporação policial.

03/09/2022

ARTIGO DEFUNTO: Por que omitem os mídia os factos sobre a transmissibilidade da varíola dos macacos?

Monkeypox has spread rapidly in male sex networks. 

Todos os dados conhecidos apontam para a transmissibilidade da varíola dos macacos ser essencialmente por via sexual entre homossexuais masculinos, à semelhança de outras doenças como a SIDA. No entanto, não se encontram referências a este facto nos mídia, provavelmente para proteger a comunidade gay como se a censura sobre a forma de mentira ou, mais frequentemente pela omissão de factos, protegesse alguém.

02/09/2022

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (50) - Sempre em bicos de pés

Outros portugueses no topo do mundo.
«Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo. A reserva e a modéstia que parecem constituir a nossa segunda natureza escondem na maioria de nós uma vontade de exibição que toca as raias da paranoia, exibição trágica, não aquela desinibida que é característica de sociedades em que o abismo entre o que se é e o que se deve parecer não atinge o grau patológico que existe entre nós».
Escreveu Eduardo Lourenço, que teve ganas de dissecar a "alma" portuguesa exaltada pelas elites merdosas que fingem venerar o povo para darem graxa a si próprias.

Todos os dias encontramos exemplos semeados nos mídia desse desejo obsessivo de aparecer a propósito das coisas mais ridículas.

A propósito, por exemplo, de um petroleiro que encalhou no Suez, que é o facto relevante, o qual por coincidência, tinha partido de Portugal, que é o facto irrelevante - afinal ele teria de partir de algum lado e o facto de ter partido de Sines é igual ao litro e não consigo imaginar a outra imprensa salientar que o petroleiro tivesse saído do respectivo país. O evento deu origem a uma peça da Agência Lusa - a Tass do PS - que foi glosada em inúmeras referências nos jornais de ontem e até por alguns títulos, como:

01/09/2022

De vez em quando alguém desrespeita as vacas sagradas

«A maioria das pessoas que está dentro das escolas, sejam reitorias ou professores, não quer a Web Summit. A Web Summit expõe a falta de conhecimento e de visão que ainda existe. As métricas de avaliação dos professores das indústrias criativas são assustadoras. Se fosse reitor de uma escola, a primeira coisa que perguntaria é se conseguem recrutar e qual o nível de satisfação dos alunos. Um colega queria chumbar alguns alunos de um curso mas não o deixavam, apesar de o nível ser muito mau. Se não os passasse poderia ser despedido.

A nível de escolas com preocupações éticas, existe apenas a ETIC no Algarve, que está a fazer um trabalho muito interessante mesmo sem apoios. Quando as escolas preparam zero para o mercado de trabalho… é muito mau. Já fui a algumas instituições, apesar de haver gente com talento, há zero de portefólio, ritmo de trabalho e conhecimentos técnicos para darem direito a receber um salário. Em Portugal, talento não falta, mas é destruído pelo sistema de educação. Recebo dezenas de e-mails de alunos no desespero porque os professores nunca trabalharam na indústria e depois as saídas profissionais são todas para o Estado.»

André Luís, fundador e líder do Trojan Horse was a Unicorn, em entrevista ao jornal Eco

31/08/2022

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (49) - Campeões da síndrome de Peter Pan, a confirmação

Outros portugueses no topo do mundo.

Eurostat

A percentagem de jovens portugueses dos 15 aos 29 anos que estão a estudar e a trabalhar é menos de metade da UE. É uma espécie de confirmação da síndrome de Peter Pan em que os jovens portugueses são campeões europeus permanecendo no colo da família até quase os 34 anos.  

E, tal como no caso da idade de saída de casa dos pais, há uma correlação negativa muito significativa entre o nível de desenvolvimento dos países medido pelo PIB per capita e a percentagem de jovens que estuda e não trabalha.

30/08/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (29b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 29a)

Se eles o dizem…

O relatório sobre o Questionário da Independência Judicial de 2022 da RECJ, com a participação de 15.821 juízes de 27 países, concluiu que 26% dos cerca de 500 juízes portugueses acreditavam ter havido durante os últimos três anos juízes que aceitaram subornos ou estiveram envolvidos nalguma forma de corrupção. A ministra da Justiça assobiou e chutou para o lado dizendo que «foi uma situação absolutamente excepcional», situação que outros relatórios já tinham mostrado.

«Em defesa do SNS, sempre»

Uma das consequências imprevistas das políticas de remendos para defenderem o SNS, dizem, adoptadas pelo Dr. Costa e a sua ajudante Dr.ª Temido pagarem muito mais a alguns médicos do que os “privados”. Por exemplo, os chamados tarefeiros (em muitos casos médicos do SNS a fazerem horas extraordinárias nas urgências de outros hospitais) podem receber mais de 2 mil euros por dia nas urgências.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

O endividamento da economia, isto é, a dívida total das empresas não financeiras e das famílias, teve um crescimento de 24,1 mil milhões no 1.º semestre atingindo 794,8 mil milhões, garantido assim que no próximo semestre será ultrapassado a cifra “mágica”, como dizem os patetas, de 800 mil milhões. As yields da dívida pública dos PIGS, incluindo Portugal, continuam a subir em todos os prazos.

O PS fez o PSI20 minguar para PSI14

Nos últimos 3 anos o principal índice bolsista perdeu 6 empresas cotadas e apesar do aumento nos últimos dois anos tem hoje valores que são uma fracção dos valores da primeira década deste século. É um bom indicador do estado do capitalismo português periférico e dependente.

Euronext

O Estado sucial como máquina de extorsão

O International tax competitiveness Index 2021 da Tax Foundation apurou que entre os 37 países da OCDE Portugal continua a ser o 34.º na competitividade fiscal, o 35.º na fiscalidade empresarial (tem o IRC total mais alto dos 37), o 31.º no IRS, o 33.º no IVA, e o 20.º no IMI.

29/08/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (29a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O Dr. Medina mostra as suas credenciais de putativo sucessor do Dr. Costa

Recorde-se que depois de ter oferecido ao Dr. Figueiredo (que contratou o Dr. Medina como comentador da TVI) um contrato com a câmara e um subsídio de 350 mil euros a empresa do filho do Dr. Figueiredo, o Dr. Medina ofereceu ao Dr. Figueiredo um lugar no ministério das Finanças como consultor para as políticas públicas. Como se fosse pouco, ficámos a semana passada a saber que o Dr. Medina depois de ter nomeado o Dr. António Furtado, o seu ex-director da área de Gestão Patrimonial da Câmara de Lisboa para presidente da Estamo, uma empresa pública de gestão de imobiliário, nomeou de seguida a sua ex-chefe de gabinete Dr.ª Fátima Madureira para vice-presidente.

O algoritmo da Dr.ª Patrícia

A secretária de Estado da Administração Interna, regozijou-se porque, segundo ela, no incêndio no Parque da Serra da Estrela a área afectada prevista segundo «os dados, os algoritmos e as contas feitas dizem que a área ardida que deveríamos ter deveria ser 30 por cento superior. Ou seja, ardeu 70 por cento daquilo que era suposto arder» Foi, por isso, imediatamente desancada pela oposição e os jornalistas armados em cientistas que, injustamente, não tiveram em consideração o facto da licenciatura em Relações Internacionais da Dr.ª Patrícia não a qualificar para lidar com a aritmética elementar (se a previsão foi 30% superior à área ardida, então a área ardida representaria 76,9% = 1/1,3 e não 70% do que era suposto arder) e muito menos para saber o que seja um algoritmo.

Boa Nova

Se houvessem dúvidas que a Dr.ª Vieira da Silva, ministra da Presidência, está à altura de ser um@ delfin@ do Dr. Costa, ficaram dissipadas quando anunciou um plano de revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela, severamente queimado pelos incêndios cuja extensão se deve (pelo menos em parte) à incompetência governamental, para deixar o Parque «melhor do que estava». Já agora, sugeria à Dr.* Mariana que se informasse sobre o estado de recuperação dos 9 mil hectares do Pinhal de Leiria que arderam em Outubro de 2017.

TAP, uma companhia low standard e high cost

Ao mesmo tempo que era anunciado que a TAP receberá este ano mais 990 milhões do Estado sucial, totalizando 2.554 milhões de dinheiro dos contribuintes para tornar possível manter a flutuar um operador que dá emprego a uns milhares e transporta uma pequena percentagem dos contribuintes mais abonados, era igualmente anunciado um grande sucesso: a TAP “só” tinha tido 202 milhões de euros de prejuízo no primeiro semestre.

Acrescente-se que, ainda assim, esse grande sucesso só foi possível pelo “sacrifício” dos trabalhadores que perderam algumas das suas mordomias e pelo mau serviço prestado aos clientes transportando-os em aviões low standard e high cost fretados a operadores rascas como a Hi Fly Malta.

Votando com os pés

Durante o resgate pela troika, o PS e a esquerdalhada em coro berraram que os jovens portugueses eram forçados a emigrar pelos sacrifícios impostos pelo governo “neoliberal” que geria a falência socialista. Segundo os dados da ONU (aqui citados por Ricardo Reis), entre 2011 e 2020 emigraram 992 mil portugueses, pelo menos 400 mil de forma permanente. Cerca de metade dos 992 mil emigraram durante o governo socialista que, diziam eles, haveria de dar oportunidades aos jovens. Ainda segundo a ONU, há 2,6 milhões de portugueses a viverem no estrangeiro, o oitavo rácio mundial, e isso diz muito sobre o resultado de quase cinco décadas de várias modalidades de Estado sucial que superam a este respeito o resultado de quase outras cinco décadas do Estado Novo.

(Continua)

28/08/2022

CASE STUDY: Chuva na eira e sol no nabal na América Latina

Os inimigos da liberdade não apreciam a democracia liberal e entre outros defeitos apontam-lhe o de criar desigualdades, por exemplo na distribuição dos rendimentos. Não é certo que as crie, porque sendo os homens desiguais nos talentos, a desigualdade na distribuição dos rendimentos é apenas uma das consequências inevitáveis. Contudo, os inimigos da liberdade parecem ter razão porque as democracias liberais ao não conseguirem assegurar a igualdade de oportunidades, tendem a acentuar essas desigualdades e, ao fazê-lo, alienam os mais pobres e colocam a sua sustentabilidade em risco como a história mostra e como, de novo, parece estar a acontecer.

Voltarei mais tarde a este tema, mas, por agora, pretendo apenas responder à questão: sendo certo que a democracia liberal tende a acentuar as desigualdades de rendimento, as democracias iliberais que apenas retêm as formalidades das democracias liberais, na melhor hipótese, ou, na pior, os regimes não democráticos, reduzem essas desigualdades?

Inequality in Latin America is fuelling a new wave of populism

A resposta parece ser não, pelo menos no caso da América Latina onde, com poucas excepções, os regimes da maioria dos Estados têm sido democracias imperfeitas, para ser benigno, alternando com ditaduras militares, com golpes de estado pelo meio, e, no entanto, ou talvez por causa disso, a desigualdade não só é maior do que a média mundial e nos EUA, como os sistemas fiscais mostram-se menos eficazes para a atenuar.

27/08/2022

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (40) - É como viver num metaverso

Outras manifestações de paranóia/esquizofrenia


«Cerca de 15 pessoas entram em fila em um ensolarado escritório imobiliário em Denver, tomam os seus lugares e ficam frente a frente como se estivessem prontos para uma palestra. As próximas três horas são parte sermão, parte grupo de apoio para teóricos da conspiração. Os participantes discutem eventos e preocupações que os preocupam. Segundo eles, o Fórum Económico Mundial quer liderar um governo global; as eleições primárias do Colorado foram falsificadas; o papa, e possivelmente Joe Biden, são hologramas; e a sociedade está a apenas duas semanas do colapso.

O encontro é uma reunião local de People’s Rights, uma rede para aqueles que temem que seus direitos individuais estejam sendo corroídos pelo governo federal dos Estados Unidos. É a ideia de Ammon Bundy, um candidato a governador em Idaho que é mais conhecido por ter liderado confrontos armados contra o governo federal no rancho de sua família em Nevada em 2014 e num refúgio de vida selvagem em Oregon em 2016. A oferta principal do grupo, criado por Bundy em 2020, é o seu serviço de atendimento telefónico para a milícia: se um membro se sentir ameaçado pode convocar seus compatriotas para o ajudarem.

Charles Tappan, que liderou a reunião, repudia Bundy e argumenta que o grupo está mais interessado em preparar-se para três cenários – uma tomada do mundo globalista, uma invasão alienígena ou o Arrebatamento no fim dos tempos – do que pegar em armas contra os federais. No entanto, as conspirações expressas em Denver são semelhantes às preocupações dos eleitores que participaram de um recente evento de campanha de Bundy em Sandpoint, Idaho, uma pequena cidade que fica a uma hora de carro ao sul da fronteira canadense. Aqui, os participantes reclamam do exagero federal, dos “extremistas ambientalistas” e da grande mídia. “Eu sou uma extremista?” pergunta retoricamente uma mulher. "Não sei!"

A evolução de Bundy de líder da milícia a candidato a governador reflete uma fusão da extrema direita com a política eleitoral. Em vez de fomentar a insurreição, muitos extremistas adotaram uma nova mentalidade: se você não pode vencê-los, junte-se a eles.»

26/08/2022

Internacional nacionalista? (2) - É a comunhão de ideias ou a atracção pelo dinheiro que não tem cor nem cheiro e faz sempre falta?

Uma espécie de continuação daqui

«Na última década, uma parte significativa do financiamento de partidos antissistema em países europeus tem origem em pessoas e entidades ligadas à liderança russa.

O financiamento tem sido canalizado para partidos populistas de extrema-direita, os quais adaptaram o seu discurso racista, xenófobo, securitário, autoritário e nacionalista, para uma narrativa claramente antissistema, em especial anti-UE e anti-NATO.

Em França, o Reassemblement National (RN) de M. Le Pen é um bom exemplo de financiamento russo. Em 2014, o micropartido de J-M Le Pen, Cotelec, recebeu um empréstimo de 2 milhões de euros de uma obscura empresa offshore cipriota - a Vernonsia Holdings Ltd - que é alimentada por fundos russos e ligada a Yuri Kudimov - um ex-agente do KGB que chefiou o banco estatal russo VTB e que é próximo do influente oligarca Konstantin Malofeev. O RN beneficiou desse empréstimo, pois obteve um empréstimo da Cotelec para financiar a campanha presidencial de 2017. Em 2014, o FN (nome anterior do RN) contraiu um empréstimo de 9,4 milhões de euros junto de um banco russo, o First Czech Russian Bank, para financiar a sua campanha para as eleições regionais e departamentais de 2015. E M. Le Pen já assumiu existirem outros empréstimos a bancos russos num "total de 20 milhões de euros". As posições anti-UE e anti-NATO do RN já justificariam o investimento russo. Mas Le Pen ainda faz regularmente declarações pró-Putin e está rodeada de colaboradores russófilos.

Foi na Áustria que um destes partidos populistas nacionalistas chegou ao poder - o Freiheitliche Partei Österreichs (FPÖ). O que não é surpreendente, sobretudo se considerarmos que Viena é desde há muito o principal centro do capital russo; o estatuto neutral do país e a fragilidade decorrente da localização geográfica facilitaram a entrada de capital russo ao longo de décadas e não é certamente por acaso que a sede do principal banco russo, o Sberbank, é em Viena. Em maio de 2019, foi divulgado um vídeo de 2017, mostrando o líder do partido - e em 2019 vice-chanceler do governo austríaco - H-C Strache, a falar de fundos para o partido com uma suposta cidadã russa familiar de um político poderoso na Rússia; no vídeo, Strache acolhe a interferência em meios de comunicação austríacos de uma forma que favoreça o FPÖ, citando o panorama mediático da Hungria de Orban.

Em Itália, também existem indícios de financiamento russo à Lega Nord de Salvini, sobretudo depois da revelação pública de negociações nesse sentido, em 2018, no Metropol Hotel, em Moscovo, entre responsáveis da Lega e russos. O apoio financeiro de Putin a Salvini já rendeu bastante; o líder da Lega chegou a vice-PM, colocou a Itália na linha da frente dos países anti-imigração e levou ao derrube do governo de Draghi.

O regime russo sob a liderança de Putin transformou-se num moderno "Komintern" que coordena e financia ações várias antissistema em países europeus (e noutras geografias...), seja para promover a divisão e o enfraquecimento da UE - que os líderes russos sempre consideraram uma ameaça aos seus interesses -, seja para promover uma Internacional Fascista que proteja os interesses do regime imperialista, fascista e cleptocrático que está instalado na Rússia desde a era pós-soviética.»

O moderno komintern e o financiamento de partidos antissistema na Europa, Jorge Costa Oliveira

25/08/2022

Um Serviço de Desenvolvimento de Identidade de Género pode ser uma espécie de clínica do Dr. Mengele (3) - O Dr. Mengele vai ter de fechar a clínica

Continuação de (1) e (2)

Em retrospectiva: a Tavistock and Portman NHS Foundation, uma organização inspirada na ideologia da identidade de género, geria uma clínica "transgénero" dedicada à mudança de sexo em Inglaterra e Gales que durante dez anos administrou "supressores de puberdade", um coquetel hormonal para travar o desenvolvimento normal da sexualidade, a milhares de crianças e adolescentes com disforia sexual.

Depois de vários desastres provocados pela actividade da clínica "transgénero", alguns dos quais referidos nos posts anteriores, finalmente o NHS considerou as práticas da Travistock não seguras para crianças e tomou no final do mês passado a decisão de fechar a clínica a partir da próxima Primavera. É uma decisão atrasada e de efeitos diferidos, mas é, apesar disso, melhor do que manter o status quo, como pretendiam os áctivistas da identidade de género.

24/08/2022

Duginism in a nutshell

«Aleksandr Dugin is part of a weird strain of Russian imperial hypernationalism that somehow manages to venerate Russian Orthodoxy, Stalin, the Nazis, and the occult all at the same time. You can read more here about the late-1980s trends in the U.S.S.R. that produced this vicious and deeply weird school of thought, but spare yourself the effort it would take to make sense of it all. Much of it is warmed-over Russian messianism and mystical gobbledygook, the product not only of 19th-century Russian grievances against Europe and Western Christianity but also of late-20th-century Soviet resentments against the “Atlantic” world led by the United States.

Underneath it all is the simple and brutal belief that Russia—specifically white, Christian Russia—is destined to rule Eurasia as the first step to contesting world domination with the decadent Americans and Europeans. Dugin’s ravings are as unreadable in Russian as they are in English, but the Russian General Staff assigns Dugin’s book as a required text, and understandably so. It is an almost perfectly Orwellian view of total and permanent war, a perfect ideology for a country afflicted by both a deep inferiority complex and a dark spiritual vacuum».

Tom Nichols, The Atlantic Daily