Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

11/01/2022

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (54) - Qual a letalidade do Covid-19? (10) O caso de Portugal 23 meses depois

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de Qual a letalidade da Covid-19? (9) O caso de Portugal 18 meses depois

Recordando a distinção entre taxa de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.).

Recordando também algumas das patetices (nalguns casos pura manipulação) que os mídia publicaram no início da pandemia: 
  • 06-03 - «O novo coronavírus é igual à gripe? Não. Mata 26 vezes mais» (Sábado)
  • 19-03 - «Organização Mundial de Saúde (OMS) avançou na semana passada que a taxa de mortalidade do vírus se encontra nos 3,4%» (Expresso)
  • 29-03 - «a taxa de letalidade subiu para 2% » (SIC Notícias)
  • 12-04 - «Em Portugal, a taxa de mortalidade situa-se agora ligeiramente acima dos 3%» (ionline)
  • 13-04 - «A taxa de mortalidade subiu para 3%, disse a ministra da Saúde» (DN)
  • 13-04 - «OMS diz que o novo coronavírus é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009» (Público)
  • 16-04 - «Portugal tem taxa de letalidade de 3,3%. A média europeia é de 8,6%» (DN)
  • 19-04 - «A taxa de mortalidade belga está perto dos 15%» (Observador)
  • 20-04 - «o que fez baixar ligeiramente a taxa de mortalidade para 3,52%» (Observador)

Como se pode ver no gráfico seguinte, à medida que são feitos cada vez mais testes aumenta o denominador da taxa de letalidade, isto é, o número de novos casos, e o numerador aumenta a um ritmo cada vez menor em resultado de:

  • menor gravidade das novas variantes do SARS-Cov-2
  • parte das pessoas de risco (idade e comorbilidades) já faleceram
  • evolução do conhecimento médico e de novas terapias e 
  • percentagem crescente de vacinados. (*)
Assim, depois de ter atingido um máximo de 4,4% no princípio de Junho do ano passado, a taxa de letalidade foi descendo gradualmente situando-se em 1,2%.
 


O próximo gráfico mostra a mesma evolução por regiões.

Escola Nacional de Saúde Pública

(*) Uma palavra para os efeitos adversos das vacinas que segundo os dados do Infarmed em quase 20 milhões de doses administradas apenas foram registados cerca de 21.500 casos até ao final de 2021. É claro que sempre se podem construir teorias da conspirações mas, nesse caso, compete aos conspiradores o ónus de prova.

Post scriptum: uma outra palavra para o facto de um número não determinado mas provavelmente significativo dos óbitos atribuídos à Covid, são apenas mortes por outras causas de pessoas que estavam infectadas mas em que o SARS-Cov-2 não foi a causa adequada da morte, como se diz no direito - leia-se por exemplo o artigo «Quedas de idosos fazem saltar mortes por covid-19» do PÁGUNA UM.

10/01/2022

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (119) - A Passarola Afundada (XI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Os amanhãs que o Dr. Costa promete irão cantar

Um governo mais compacto tipo task force (sim, ele prometeu isso e ninguém lhe perguntou porquê, depois de 6 anos com os maiores governos desde Dona Maria II), um salário mínimo de 900 euros no final da legislatura (sim, ele prometeu isso, e ninguém lhe perguntou quem vai pagar um salário mínimo que pode ser mais de 80% do salário médio), foram algumas entre muitas outras promessas do Dr. Costa. Porém, as mais impressionantes foram as de fazer «crescer (o PIB) por ano, em média, ( ... ) um ponto percentual acima da média da zona euro (19 Estados- membros)» e «reduzir, no mínimo, até 2026, o peso da dívida pública no PIB para valores inferiores 110%» (leia-se aqui o que João Duque escreveu sobre este milagre).

Até no peditório o governo do Dr. Costa é incompetente

Espanha, França, Grécia e Itália no final do ano já tinham cumprido todos os requisitos para receberem a segunda tranche do PRR. O governo do Dr. Costa ainda anda às voltas do "acordo operacional" com a CE e não cumpriu ainda os 34 marcos e as 4 metas para aceder à mineração do guito europeu.

A «Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central» pode estar a caminho de vir a ser mais uma EP

Desde Julho de 2020 o Dr. Siza Vieira tenta impingir sem sucesso a EFACEC da Dr.ª Isabel dos Santos que o governo nacionalizou. Os putativos interessados foram-se sucessivamente desinteressando e a DST, o último deles, está por um fio, segundo o Expresso. Nesta altura o governo já lá enterrou 115 milhões em garantias a empréstimos bancários e 1.050 milhões da linha Covid. É claro que nenhum "privado", como se chama em socialês uma criatura que não depende totalmente do Estado sucial, no seu perfeito juízo vai ficar com um mono sem ser devidamente "compensado" por todas as razões já conhecidas e mais uma que acabou de ser conhecida: uma acção de indemnização de 53 milhões proposta pela empresa brasileira Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos (CPTM). Daí que para evitar o escândalo nos títulos dos jornais de one shot de umas centenas de milhões , o desfecho mais provável é o mono vir a juntar-se às centenas de outros que constituem o sector "empresarial" do Estado e diluir não já as centenas de milhões mas os milhares de milhões por várias décadas - deve ser isto que estão a chamar plano B.

09/01/2022

A maldição da tabuada (58) - É um completo desaforo, mas também podem ser dificuldades com a aritmética

Outras botas para descalçar

«… o PS acaba de prometer fazer "crescer (o PIB) por ano, em média, ( ... ) um ponto percentual acima da média da zona euro (19 Estados- membros)". Mas também promete "reduzir, no mínimo, até 2026, o peso da dívida pública no PIB para valores inferiores 110%”. Imagine-se que os 19 Estados-membros crescem 1%. Nesse caso o PIB português deveria crescer 2%. Se a taxa de inflação média no período for de 2% a taxa nominal do PIB será de 4%. Mas para limitar a dívida a 110% do PIB o défice acumulado de quatro anos não pode ser superior a 1%! Sabem o que isso significa? Significa que temos de reduzir o défice quase imediatamente a zero logo em 2022! E para isso, o que vão fazer? Com promessas de despesa crescente o que nos vão rapar em impostos? Se prometem reduzir os impostos diretos e querem reduzir o consumo de combustíveis onde nos vão sugar os nossos rendimentos? Na eletricidade que carregam os automóveis elétricos? Nos consumos caseiros? Como? Como? Como?» 

«Como?», pergunta-se o prof João Duque na sua coluna habitual do Expresso

A pandemia como campo de batalha de crenças quase religiosas

De um lado os que consideraram gripezinha uma pandemia com uma taxa de letalidade várias vezes superior à da gripe comum. De outro os que anteciparam uma taxa de letalidade muitas vezes superior à que de facto se está a verificar e consideram a pandemia como uma ameaça existencial para a humanidade.

De um lado os que preconizam o uso de máscaras em todas as circunstâncias. De outro os que defendem que as máscaras são inúteis para prevenir um contágio que se faz principalmente através de aerossóis.

Também há os que perante a suposta ameaça existencial defendem a concentração de todos os recursos médicos e hospitalares no tratamento da pandemia, ainda que a realidade mostre que daí resulta um excesso de mortalidade por outras causas superior à mortalidade pela pandemia. 

De um lado os que, contra toda a evidência histórica, incluindo os resultados já disponíveis das vacinas Covid, defendem que as vacinas são uma emenda pior do que o soneto. De outro os que lhe atribuem efeitos miraculosos e que defendem a sua imposição a todos.

Também há os que, quando ainda não estão vacinados todos os adultos de risco, defendem que às crianças saudáveis, com um risco mínimo de adoecer com gravidade, lhes seja administrada uma vacina que, como qualquer outra, não impede o contágio .

Feitas as contas, receio que as criaturas cépticas, com um módico de bom senso e não prosélitos de nenhuma dessas crenças constituam uma insignificante minoria.

08/01/2022

São todos iguais mas há uns menos iguais do que outros

A tabela seguinte ordena 23 dos 35 países membros da OCDE segundo o desempenho económico durante a pandemia até ao final do 3.º trimestre com base em cinco indicadores. 
Posição de Portugal nos cinco indicadores: 
  • PIB 2.ª maior queda
  • Rendimento per capita 3.ª maior queda
  • Cotação das acções 7.º maior aumento 
  • Investimento 11.º maior aumento
  • Dívida Pública 11.º maior aumento
Note-se que que as posições menos más no 3.º 4.º e 5.º indicadores resultam de fenómenos perfeitamente circunstanciais: no caso do aumento das cotações deveu-se ao facto do ponto de partida ser muito baixo (o aumento entre 24-02 e 01-10 foi inferior a 2%); no caso do investimento, a pandemia seguiu-se a quatro anos de cortes e cativações; finalmente, a dívida pública já era a 3.ª mais alta da UE antes da pandemia.

07/01/2022

SERVIÇO PÚBLICO: Menos máscaras, menos confinamento e mais ventilação (3)

Continuação de (1) e (2)

Há muitos meses que se conhecem os mecanismos de transmissão da pandemia nomeadamente o papel crítico dos aerossóis e a consequente importância da ventilação, como referi nos posts anteriores. No entanto, raramente se têm retirado consequências em termos das medidas a tomar. Tem por isso uma importância acrescida a carta aberta que um grupo de centenas de especialistas em saúde pública, clínicos e cientistas publicou no passado dia 3 na British Medical Journal da qual cito a seguir as cinco recomendações principais:

«Acolhemos com satisfação a orientação recente da Organização Mundial da Saúde sobre o uso de máscaras na comunidade e na área de saúde, mas acreditamos que mais pode ser feito para suprimir a transmissão sem impactar negativamente a atividade econômica ou social. Consequentemente, apelamos à Organização Mundial da Saúde e aos governos nacionais para:

  1. Declarar inequivocamente o SARS-CoV-2 como um patógeno aerotransportado e enfatizar as implicações para a prevenção da transmissão. Uma mensagem clara da Organização Mundial da Saúde ajudará a remover a confusão que tem sido usada para justificar políticas desatualizadas.
  2. Promover o uso de máscaras faciais de alta qualidade para reuniões internas e outros ambientes de alta transmissão. Os benefícios significativos do mascaramento comunitário agora estão bem estabelecidos. Respiradores (por exemplo, N95, P2 / FFP2 ou KF94) devem ser preferidos em todos os ambientes internos onde as pessoas se misturam e para profissionais de saúde em todos os momentos. 
  3. Aconselhar sobre ventilação e filtração eficazes do ar. É hora de ir além de abrir as janelas e buscar uma mudança de paradigma para garantir que todos os prédios públicos sejam idealmente projetados, construídos, adaptados e utilizados para maximizar o ar limpo para os ocupantes - estratégias que têm demonstrado reduzir a transmissão SARS-CoV-2.
  4. Estabelecer critérios para impor ou relaxar medidas para reduzir a propagação de covid-19 com base nos níveis de transmissão na comunidade. A localização, teste, rastreamento, isolamento e suporte eficazes continuarão a ser essenciais para interceptar a transmissão. Baixas taxas de transmissão dão a todas as medidas disponíveis a melhor chance de serem eficazes, criando um ciclo positivo e auto-reforçador de controle da doença. Apoio financeiro e prático suficiente para o isolamento deve ser implementado em todos os lugares, especialmente em países de baixa e média rendimento e áreas mais pobres de países de alto rendimento.
  5. Apoiar medidas urgentes para alcançar a igualdade global de vacinas, incluindo a partilha de vacinas, suspensão de patentes de vacinas, remoção de barreiras à transferência de tecnologia e estabelecer centros de produção regionais para criar um suprimento local abundante de vacinas de alta qualidade em todos os lugares. O lançamento global da vacina deve incluir esforços coordenados para lidar com a desinformação para garantir que as pessoas tenham acesso a dados precisos e oportunos sobre a eficácia e proteção da vacina.»

06/01/2022

A democracia não está de boa saúde em lado nenhum e na Ásia está gravemente doente

«Em Mianmar o chefe das forças armadas tomou o poder com um golpe em fevereiro e, desde então, governou pelo terror. O general Min Aung Hlaing não apenas eliminou anos de frágeis conquistas democráticas. Com obstinada ignorância, tenta colocar seu país de volta a um modelo de disciplina, ordem e governo militar benevolente. Na realidade, as suas tropas massacram cidadãos desarmados enquanto os investidores estrangeiros fogem e a economia implode. Longe de unir Mianmar, ele está acelerando a sua dissolução.

Mianmar tornou-se a segunda ditadura militar no Sudeste Asiático, juntando-se à vizinha Tailândia que também está sob o comando de um (agora aposentado) general de inteligência limitada, Prayuth Chan-ocha, o primeiro-ministro. Uma das piadas mais sombrias do ano passado é que o general Min Aung Hlaing pediu conselhos a Prayuth sobre a construção de uma democracia florescente.

Os dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático também incluem duas ditaduras leninistas, Laos e Vietnã (ou três, se, ironicamente, incluirmos Singapura); uma monarquia absoluta, Brunei, com chicotadas e amputações como possíveis punições; e uma autocracia muito pobre, Camboja, onde Hun Sen, no poder por quase 37 anos, concede favores com a generosidade de um imperador de outrora em Angkor.

Quanto às democracias nominais da região, nas Filipinas, o presidente Rodrigo Duterte agrediu a justiça e e a imprensa. Na Indonésia, o presidente Joko Widodo, conhecido como Jokowi, usa as leis da Internet para silenciar os críticos e desfigurou a comissão anticorrupção. O movimento reformista da Malásia sucumbiu às mesmas negociações sujas tal como o partido corrupto a quem retirou do poder em 2018. Em 2021, alguns dos reformistas juntaram-se a esse partido para formar um novo governo.

No Sul da Ásia, ainda menos alegria. Uma teocracia de tráfico de drogas tomou o poder no Afeganistão. No Sri Lanka, o presidente Gotabaya Rajapaksa e seus irmãos continuam a transformar o Estado num feudo familiar. E na Índia, o primeiro-ministro, Narendra Modi, persegue os críticos, atiça as tensões sectárias e esvazia as funções de supervisão do Parlamento. A ironia dos seus planos em escala imperial para remodelar Nova Deli está à vista: o antigo edifício do parlamento irá tornar-se um museu da democracia.»

Democracy declined across Asia in 2021

05/01/2022

Lost in translation (357) - «M'espanto às vezes», como o Sá de Miranda, até que sou iluminado pelo nosso tradutor automático...

Como habitualmente, ao sobrevoar os jornais deparei-me com expressões enigmáticas em vários dialectos e apliquei-lhe a receita costumeira submetendo-as ao nosso tradutor automático. Eis duas delas traduzidas por um web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data:

  • «Henrique Gouveia e Melo, ex-coordenador da task force de vacinação, na tertúlia de comemoração dos 157 anos do DN, em resposta à pergunta: "O que o DN representa para si?"» respondeu «Um precursor do jornalismo livre»

Tradução: O DN em 157 anos serviu de câmara de eco a toda a sorte de regimes com destaque para os tempos do PREC em que foi dirigido pelo falecido José Saramago e atingiu o apogeu do que eu considero imprensa livre.     

  • «Num atentado nunca visto à liberdade de imprensa em Portugal na era digital, os sites do EXPRESSO e da SIC, bem como algumas das suas redes sociais, foram esta manhã alvo de um ataque informático”, escreveu a Impresa numa nota enviada às redacções a comunicar o ataque de ransonwere aos seus sistemas informáticos.

Tradução: Por falta de um sistema eficaz de protecção de ransonwere, os sites do EXPRESSO e da SIC foram atacados e estão sob controlo do bando de hackers Lapsus$ o que nos impede de ter acesso ao sistema e continuarmos a produzir o jornalismo possível sem hostilizar o Dr. Costa e o Dr. Marcelo, que resto são nossos amigos e por quem temos imenso respeito.

04/01/2022

Dúvidas (326) - Será o Wokeismo um Transtorno obsessivo-compulsivo ou Esquizofrenia paranóide? (III)

Observador

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (53) - Ómicron? So much ado for so little

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Nos dois gráficos seguintes estão representadas as infecções (gráfico de cima) e os óbitos (gráfico de baixo) pelo SARS-CoV-2 em dois períodos:

  • Da 2.ª semana de Outubro de 2020 até à 2.ª semana de Fevereiro de 2021 (do lado esquerdo) 
  • Da 1.ª semana de Outubro de 2021 até ao dia 2 de Janeiro deste ano (do lado direito).

O primeiro período corresponde à maior letalidade registada até agora e o período actual à vaga de infecções pelo Ómicron, uma variante muito mais contagiosa e, como se vê, muitíssimo menos letal. Qual o racional para o presente histerismo e o endurecimento das medidas?

03/01/2022

A maldição da tabuada (57) - Mais um socialista que só conhece os números imaginários

DISCLAIMER: Não frequento o Twitter e não costumo ler o que escreve o Dr. Galamba. Um amigo enviou-me uma imagem com a bacorada original da luminária que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» e que da teoria dos números só conhece os números imaginários. O original foi apagado, mas, pelos vistos, pôde ser recuperado.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (118) - A Passarola Afundada (X)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Computadores para a escolas, um case study do socialismo em acção

Em Abril de 2020 foi anunciada a compra de 1.200.000 computadores só autorizada em Julho. Em Janeiro do ano passado, tinham sido entregues 100 mil. Em Março do ano passado foi anunciado pela terceira ou quarta vez a aquisição de mais 350 mil. O Tribunal de Contas concluiu em Julho seguinte no seu relatório que 60% dos computadores anunciados só estariam disponíveis no próximo ano lectivo 2021-2022.

Em Outubro passado, o Avante da Sonae anunciava que o «Ministério já comprou mais 600 mil computadores e no mês seguinte, na falta dos 600 mil, o mesmo Avante anunciou que o Ministério vai comprar 15 mil computadores de secretária para as escolas». No princípio de Dezembro, outro órgão da imprensa amiga anunciava que há «600 mil computadores prestes a ser distribuídos pelos alunos» e no final do mês outro órgão da imprensa amiga consolava o povo com uma retrospectiva do passado lembrando que em 2020 foram distribuídos 450 mil e 300 mil em 2021 e, como dizia disse o Eng. Guterres a respeito do PIB, «é só fazer as contas» e chegamos a 750 mil.

Se o Dr. Costa ganhar as eleições o delegado da Fenprof no ministério terá a oportunidade continuar a fazer anúncios de que vai comprar, já encomendou, já comprou, vão chegar, chegarão em breve, estão prestes a chegar, até ao dia em que anunciará ufano chegaram!

A excelência na torrefacção

O ministro do Plano congratulou-se por ter "executado" 3.400 milhões dos fundos europeus no que foi o segundo melhor ano de sempre. Para um marciano como eu, há três coisas surpreendentes neste feito: 1.ª desde logo o verbo "executar" aplicado a gastar o dinheiro doado pelos contribuintes europeus; 2.ª os "projectos" em que esse mesmo dinheiro foi "executado" terem sido aprovados por gente que nunca geriu uma empresa, nem criou um negócio, nem mesmo um carrinho para vender castanhas assadas, ou criou um posto de trabalho; last but not least o primeiro melhor ano de sempre foi atingido pelo governo neoliberal de Passos Coelho em 2012.

Take Another Plan. Até para o Dr. Pedro Nuno Santos é demasiado

Depois de ter patrocinado a renacionalização da TAP promovendo com o dinheiro dos contribuintes a compra das participações dos accionistas privados e pelo caminho ter já torrado mais de dois mil milhões e comprometido mais 1.200 milhões que o multiplicador socialista transformará seguramente em muitos mais, o Dr. Pedro Nuno anunciou sem se rir que no futuro a TAP deve integrar-se num grande grupo de aviação. Ora os grandes grupos de aviação que existem são privados, a não ser que o Dr. Pedro Nuno queira a TAP a ser participada da China Southern Air Holding Company.

02/01/2022

CASE STUDY: A endogamia leva à consanguinidade e a consanguinidade leva à decadência, também no governo dos países

A endogamia nas casas reais europeias é um facto conhecido e estudado, como são conhecidas as consequências da consanguinidade (homozigosidade, etc.) e os seus efeitos (doenças autossómicas recessivas, etc.). Porém, nunca tinha sido estudado de forma sistemática e científica a relação entre a endogamia e a qualidade da governação, possivelmente porque as monarquias são cada vez mais raras e nas três dezenas que restam os monarcas não têm poderes executivos.

Sebastian Ottinger e Nico Voigtländer, dois investigadores da universidade da Califórnia (Los Angeles), foram ao passado para calcular o grau de consanguinidade de 331 monarcas europeus entre 990 e 1800. De seguida estimaram o sucesso dos respectivos países durante os seus reinados baseado em pontuações subjectivas dos historiadores e no aumento ou redução da superfície dos territórios sobre os quais esses monarcas reinaram. As conclusões foram publicadas no paper “The effect of European monarchs on state performance”. 

Economist

Com base nos dados publicados, a Economist preparou os dois diagramas acima relacionando o grau de consanguinidade com a competência dos monarcas e com a alteração da superfície dos territórios, diagramas que mostram como a consanguinidade afecta negativamente os resultados da governação. That's it.

[Se o Partido Socialista se eternizar no poder com o pendor endogâmico que o Dr. Costa vem promovendo nos seus governos, os especialistas terão matéria de estudo abundante.] 

30/12/2021

Pro memoria (418) - Bidenlogia. Cada tiro, cada melro

Joe Biden’s multiemployer pension plan rescue is turning into a political disaster

Programme to provide money for bailouts will start a generational war between active workers and retirees

One of the most touted components of the Biden administration’s $1.9tn American Rescue Plan was a provision to rescue “multiemployer” blue collar union-sponsored pension plans from threatened insolvency. There are about 1,400 of these plans in the US, which cover the retirement benefits for about 10.8m workers.

Now the rescue is turning into a political and financial disaster. It had been known for years that hundreds of these plans have been struggling to meet their obligations to their beneficiaries. The largest of the troubled multiemployer plans, the Teamsters union Central States Pension Fund, covers nearly 400,000 workers and retirees.


It was a case of overpromising and not delivering at all. President Joe Biden and Democratic leaders in Congress vowed to pass the Build Back Better Act (BBB), the administration’s long-stalled signature legislation, by Christmas. Instead they spent December scrambling to salvage it from complete collapse. On December 19th, Senator Joe Manchin, a Democrat from West Virginia and the crucial holdout vote, announced on television that after months of negotiation, “I cannot vote to continue with this piece of legislation… I’ve tried everything humanly possible; I can’t get there.” Whether this is a death knell for the president’s legislative agenda or just a serious setback is still to be litigated. But it is hardly the Christmas present Mr Biden wanted.

29/12/2021

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo económico no Portugal dos Pequeninos

No dia 22 o BdP divulgou a Balança de pagamentos: nota de informação estatística de outubro de 2021  com o seguinte destaque: 

«Em outubro de 2021, o saldo da balança comercial (saldo da balança de bens e serviços) diminuiu 329 milhões de euros em relação ao mês homólogo, dado que a melhoria do excedente da balança de serviços não foi suficiente para compensar o agravamento do défice da balança de bens.»

O Jornal Económico, num artigo que pretendia resumir a nota do BdP, para puxar ao pensamento positivo prantou-lhe o título Excedente externo português aumenta para 1.381 milhões de euros em outubro salientando um excedente que resultou totalmente, como o próprio BdP sublinha, do «recebimento de mais fundos europeus» que nada teve a ver com a balança comercial que se degradou o que é descrito no artigo desta maneira inacreditável:

«A nota do banco central dá ainda conta de uma diminuição do saldo da balança comercial portuguesa em 329 milhões de euros em relação ao mês homólogo, um fenómeno explicado pelo aumento do excedente da balança de serviços

Repare-se que a explicação do jornalista para diminuição do saldo da balança comercial é assim como quem diz que o saldo do conjunto das suas duas contas bancárias diminuiu porque o saldo de uma das contas aumentou.

É assim o jornalismo económico no Portugal dos Pequeninos.

28/12/2021

CASE STUDY: O princípio de Peter atinge um Almirante e os aborígenes padecendo de sebastianismo podem ser vítimas do efeito de halo

Expresso

Já era triste que muitos aborígenes sofram de sebastianismo, é lamentável que um militar que dirigiu capazmente a vacinação (muito ajudado pelo cagaço dos aborígenes) se deslumbre por o terem despromovido a celebridade e poderá ser uma tragédia que um competente comandante de submarinos se imagine talhado para supremo comandante da nação, a não ser que a nação aspire submergir ainda mais.

[Pro memoria
Princípio de Peter - as pessoas num sistema hierárquico são promovidas pelo que fizeram em funções anteriores até um nível em que deixam de ser competentes.  
Efeito de Halo - consiste na avaliação enviesada resultante de projectar em outros domínios uma qualidade real ou imaginária de uma criatura num certo domínio; por exemplo imaginar que um bom comandante de submarinos será um competente presidente da República.]

27/12/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (117) - A Passarola Afundada (IX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

«Agora é oficial. Vem na primeira página do semanário de reverência»

Segundo as projecções do FMI, a que o Expresso dá destaque, nos vinte e sete anos de 2000 até 2026 o PIB per capita do Portugal dos Pequeninos cairá da 35.ª para a 46.ª posição mundial. Não certamente por acaso, dos 21 anos já decorridos o PS foi governo durante 15 anos.

Vem a propósito referir que foram divulgados os números definitivos do PIB de 2020 confirmando que teve uma queda de 8,4%, a maior desde que o INE foi criado em 1954.

Mas como? se a especialidade do socialismo é subsidiar zombies

O Dr. Centeno desde que saiu do governo para o BdP tem vindo a ter epifanias que nunca o assaltaram durante os quatro anos em que por lá andou a ajudar o Dr. Costa a chegar ao ponto onde estamos. A última dessas epifanias foi a conclusão no relatório de estabilidade financeira de Dezembro do risco de «‘zombificação’ das empresas portuguesas» e a necessidade de dispor de «um processo célere e eficaz que permita que estas saiam do mercado e que os recursos possam ser reafetados a outras atividades». É claro que o Dr. Centeno não descobriu nada de novo, porque isto é algo que vem nos livros desde pelo menos o último quartel do século XVIII, mas dito por um ex-ministro das Finanças Socialistas do Portugal dos Pequeninos pode ser chocante.

A 'zombificação' das empresas públicas a cargo do pedronunismo

Imagino que para o Dr. Pedro Nuno Santos a Óropa é o Dr Jekyll quando abre os cordões à bolsa e o acesso à mineração do guito europeu e o Mr Hyde quando define regras, impõe condições, desaprova fantasias ou verifica medidas. Como agora, com a tentativa de extorsão de dinheiro aos contribuintes para "sanear" a dívida da CP que pelos vistos terá de passar pela aprovação da CE.

Ou como com o plano de reestruturação da TAP aprovado um ano depois com meia dúzia de condições benévolas, que qualquer investidor distraído consideraria insuficientes, serão para o Dr. Pedro Nuno e os seus compagnons de route imposições draconianas, como seja a venda da tralha que os sucessivos governos socialistas atrelaram à TAP, exceptuando a Portugália comprada a pedido do Dr. Ricardo à Espírito Santo Internacional pela TAP no governo do Eng. Sócrates, do qual era ministro o Dr. Costa.

Entre as participadas a vender está a Manutenção & Engenharia comprada à Varig em 2005 com a intermediação do Dr. Lacerda Machado, um amigo do peito do Dr. Costa que também negociou a compra pelo governo da participação de David Neeleman e de seguida entrou na administração da TAP. A venda da Manutenção & Engenharia abre uma nova oportunidade ao Dr. Lacerda Machado.

Estima-se que irão ser enterrados € 3.200.000.000 na TAP dos quais mais 536 milhões já dentro de dias, os quais se somam aos 1.200 milhões enterrados em 2020 e aos 482 milhões em 2021. Seja como for, é apenas uma estimativa a que, com elevada probabilidade, o Dr. Pedro Nuno, se o deixarem, aplicará o multiplicador socialista. Entretanto, o Dr. Pedro Nuno fantasia com uma putativa integração do seu brinquedo num grupo de aviação.

A cremação pública dos zombies privados a cargo do Dr. Siza Vieira

É uma espécie de divisão de tarefas, um trata dos zombies públicos e outro dos privados. A EFACEC ou «Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central» está há um ano e meio a ser vendida pelo Dr. Siza depois de a ter nacionalizado à Dr.ª Isabel dos Santos. Como sempre, era para não custar nada e o nada já vai em 311 milhões, estimativa a que, uma vez mais, se aplicará o multiplicador socialista.

O Dr. Siza já estava em Agosto numa «corrida contrarrelógio para salvar a Dielmar» desistiu depois de lá torrar uns 8 milhões e deixou a coisa entregue ao administrador de insolvência que queria vender pelo mínimo de 384 mil euros e a melhor proposta, porque única, foi de 250 mil.

Com uns quatro centenas de milhões torrados, o Dr. Siza cede irremediavelmente o primeiro lugar ao Dr. Pedro Nuno que entre TAP e CP vai seguramente passar os quatro mil milhões. Por alguma razão o Dr. Pedro Nuno espera suceder ao Dr. Costa, enquanto o Dr. Siza, apesar de amigo do Dr. Costa, só pode aspirar a voltar à Linklaters e fazer uns negócios com um Dr. Pedro Nuno putativo primeiro-ministro.

26/12/2021

CASE STUDY: O legado do Gulag e a lei de Merton

O Gulag, o sistema soviético de campos de concentração e trabalho forçado, por onde passaram durante mais de duas décadas um número estimado de 28 milhões de prisioneiros, dos quais um em cada dez lá morreu ou foi executado, foi uma das maiores atrocidades do comunismo.

No paper Enemies of the people publicado em Setembro, Gerhard Toews e Pierre-Louis Vézina concluíram que da passagem pelo Gulag de «milhões de artistas, engenheiros, gerentes ou professores considerados uma ameaça ao regime soviético apenas por serem a elite educada», representando cerca de um terço dos prisioneiros, passadas seis décadas são visíveis consequências positivas para as regiões onde se situaram as quase cinco centenas de campos do Gulag. Consequências que resultaram de uma boa parte dessa elite ter ficado a residir nas proximidades dos campos quando estes foram fechados nos anos 1956-7. 

É mais um exemplo da lei das consequências inesperadas formulada por Robert Merton, consequências que a maioria das vezes são resultados perversos, mas incluem, por vezes e infelizmente raramente, benefícios imprevistos que têm um preço demasiado elevado.

24/12/2021

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (46) - Afinal não. Os trombetas precipitaram-se. Foi engano

Outros portugueses no topo do mundo.

Durante vários dias, os mídia do Portugal dos Pequeninos celebraram mais um feito que colocaria mais uma empresa portuguesa no topo do mundo, com títulos patrióticos tais como:

Filho do selecionador nacional Fernando Santos compra Euronews

Portuguesa Alpac Capital compra Euronews. Quer apostar em Bruxelas e no digital

"Venture capital" portuguesa compra quase 90% da Euronews

Portugueses da Alpac Capital compram 88% da Euronews

SOCIEDADE PORTUGUESA DE CAPITAL DE RISCO COMPRA CANAL EURONEWS

Portuguesa Alpac Capital compra Euronews. Valores do negócio não foram divulgados mas antecipam-se “fortes” investimentos

Subitamente, tudo mudou. Afinal a portuguesa Alpac já não é portuguesa, é uma empresa com sede em Lisboa que tem como chefe-executivo o «filho de um grande apoiante do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán», o qual é uma persona non grata do jornalismo de causas doméstico. 

Persona non grata sim, porque, como se sabe, o Sr. Orbán é uma personagem maléfica que tenta controlar os mídia húngaros, tal como o Dr. Costa tenta controlar os mídia do Portugal dos Pequeninos, embora com muito menos sucesso malgré tout, isto é, apesar das câmaras de eco plantadas em quase todas as redacções domésticas.

E foi assim que, de repente, a empresa portuguesa bestial a caminho do topo do mundo passou a empresa estrangeira besta, controlada por um inimigo da imprensa livre.

23/12/2021

ESTADO DE SÍTIO: Os amanhãs que cantam a caminho do socialismo (2) - Agora é oficial. Vem na primeira página do semanário de reverência

Continuação do post confuciano

ESTADO DE SÍTIO: Os amanhãs que cantam a caminho do socialismo

Se Confúcio tivesse razão, este post dispensaria umas cinco mil palavras.

A crescer cada vez mais devagar...


... envelhecer cada vez mais depressa...



... com um Estado cada vez mais pesado que nos consome cada vez mais...


 
... cada vez mais endividados...


... e dependentes do exterior


22/12/2021

A arte de bem titular toda a notícia (3) - Um exemplo do semanário de reverência

Semanário de reverência

Um marciano lê o título acima e pensa com os seus botões: que bondoso governo têm estes terráqueos que vai "desagregar" o que um malvado Relvas maldosamente agregou, eliminando centenas de lugares outrora disponíveis para colocar regedores de freguesia que de outro modo ficariam sem empregos. Este bondoso governo, continuaria o marciano a pensar, não apenas pretende repor os empregos eliminados como aumentá-los para o que já foi aprovada a «nova lei-quadro de criação, modificação e extinção destas autarquias».

Como os marcianos e muitos aborígenes se ficam pelo título, não chegam a ler umas linhas abaixo que afinal a maléfica "lei Relvas" foi a «reforma administrativa de 2013, feita pelo Governo PSD/CDS-PP (em particular pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas) e negociada com a 'troika', (que) reduziu as freguesias de 4.259 para as atuais 3.092.» Linhas que, certamente por lapso, não mencionam que a reforma administrativa foi imposta pelo Memorando de Entendimento, negociado pelo governo socialista do Sr. Eng. Sócrates e assinado a 17 de Maio de 2011 como condição para ser emprestado dinheiro para resgatar o país da situação de bancarrota criada pelo citado governo do citado Sr. Eng., do qual fizeram parte vários ministros do actual governo. 

A peça do semanário de reverência esqueceu ainda que o Memorando de Entendimento obrigava a
«3.44. Reorganizar a estrutura da administração local. Existem actualmente 308 municípios e 4.259 freguesias. Até Julho 2012, o Governo desenvolverá um plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número destas entidades. O Governo implementará estes planos baseado num acordo com a CE e o FMI. Estas alterações, que deverão entrar em vigor no próximo ciclo eleitoral local, reforçarão a prestação do serviço público, aumentarão a eficiência e reduzirão custos.» 
A peça também não mencionou que o malvado Relva não teve tomates para fazer o mais importante que era «reduzir significativamente o número» de municípios, que essa, sim, seria uma reforma digna desse nome eliminando municípios com menos população do que bairros de algumas cidades.

É claro que se os marcianos e os aborígenes frequentassem o (Im)pertinências teriam lido vários posts sobre este tema (por exemplo CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Depois não se queixem) que o outro contribuinte se deu ao trabalho de publicar, poupando assim a este contribuinte o trabalho de publicar o presente.

20/12/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (116) - A Passarola Afundada (VIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

A principal fraqueza da teoria de conspiração proposta pelo Dr. Rio é a autoria

Referindo-se à detenção do Dr. Rendeiro depois de vários meses a brincar às escondidas com a justiça portuguesa, detenção amplamente propagandeada em diversos canais pelo director-vedeta da Judite, o Dr. Rio comentou que «o azar de João Rendeiro foi haver eleições em janeiro».

Se à detenção do Dr. Rendeiro, depois do seu mandado internacional ter estacionado 73 dias na PGR, adicionarmos a detenção do Dr. Pinho dos corninhos, dois dias depois, por crimes que tiveram lugar há mais de 10 anos, o comentário do Dr. Rio ganha foros de apropriado.

O costismo paga tributo ao socratismo

Dado o passado da Dr.ª Edite Estrela, amiga do peito, fiel e feroz defensora do Sr. Eng. Sócrates, que o Dr. Costa fui buscar ao sótão do PS para futura presidente do parlamento, o juízo de João Miguel Tavares de considerar a Dr.ª Edite inapropriada ao lugar é neste caso também apropriado.

A corrupção cresce mais depressa do que incham os efectivos da justiça e da polícia

Et pourtant, a despesa per capita com a Justiça está a meio da tabela dos 47 países membros do Conselho da Europa, as custas judiciais estão sete pontos percentuais acima da mediana, há mais juízes e magistrados por 100 mil habitantes do que a mediana e 5 (cinco) vezes mais tribunais de 1.ª instância por 100 mil habitantes (fonte CEPEJ Report). Em cima disso, Portugal é um dos países mais policiados da UE com efectivos por 100 mil habitantes 27% acima da média europeia e nos últimos quatro anos a PJ aumentou em 400 os efectivos de inspectores e no próximo ano serão mais 200.

E com tanto dinheiro desperdiçados em legiões de apparatchiks a fazerem de juízes e de polícias não há recursos, diz o lóbi dessas legiões, para impedir a prescrição dos crimes dos políticos suspeitos no caso da negociação das PPP rodoviárias que envolveram "benefícios" de 3,3 mil milhões e não há dinheiro para pagar aos tradutores judiciais que ficam anos à espera.

Disse «serviços distintos»?

Com um atraso de nove meses em relação à morte do imigrante ucraniano às mãos (e pés) dos agentes do SEF e um atraso de seis em relação ao atropelamento mortal na A6, o demitido ministro da tutela atribuiu medalha de ouro por "serviços distintos" ao SEF. Há quem se indigne sem razão - afinal o SEF, os serviços distintos e o ex-ministro são perfeitamente compatíveis.

19/12/2021

A arte de bem titular toda a notícia (2)

Expresso

Um marciano lê o título acima e pensa com os seus botões: que belo governo têm estes terráqueos que consegue que os produtores das energias renováveis sejam bondosos ajudando as empresas e poupando-lhes uma pipa de massa melhorando assim a vida dos aborígenes.

Como os marcianos e muitos aborígenes se ficam pelo título, não chegam a ler umas linhas abaixo: «Pela primeira vez na história do sistema elétrico nacional, a existência de tarifas garantidas à produção de energias renováveis representará em 2022 um benefício aos consumidores de eletricidade e não um sobrecusto. E o maior beneficiário será a indústria, que (...) ganhará no próximo ano um alívio tarifário superior a €500 milhões associado às rendas aos produtores de renováveis..» 

Dito em português corrente simplificado, os preços de aquisição aos produtores das energias renováveis são fixos, garantidos e têm sido historicamente muito superiores aos das energias convencionais. Com o aumento dos preços do gás e do petróleo a situação inverteu-se porque os custos de produção das energias convencionais aumentaram significativamente e, em consequência, os respectivos custos de aquisição aos produtores ultrapassaram os preços garantidos das energias renováveis. Moral da estória: os produtores de energias renováveis vão continuar a ser pagos aos mesmos preços e como os seus custos de produção não se alteraram porque por não dependerem dos preços do gás e do petróleo manterão as mesmas margens.

18/12/2021

A competência mais notável do governo do Dr. Costa é a propaganda para retardados

«Portugal oferece ajuda à Alemanha para tratar doentes com covid-19

Caso seja aceite, apoio pode passar por receber doentes a precisar de cuidados intensivos ou pelo envio de equipas de profissionais de saúde para aquele país, tal como a Alemanha fez com Portugal no início do ano.»

Fonte

O governo do país do lado esquerdo tem os serviços públicos de saúde em colapso com centenas de milhar de consultas e dezenas de milhar de cirurgias por fazer e com 1.000 infectados internados em hospitais e menos de 150 em UCI diz-se aflito. Esse governo ofereceu-se para "ajudar" o país do lado direito.

16/12/2021

No Portugal dos Pequeninos qualquer criatura que dê conta do recado é um candidato potencial à presidência de qualquer coisa (por exemplo, da República)

Perguntado sobre se teria «a coragem de se candidatar à Presidência da República nas próximas eleições?», o vice-almirante Gouveia e Melo e respondeu prudentemente

«Têm-me aconselhado a dizer que dessa água não beberei, que é uma frase muito forte que não se deve dizer nunca. Tenho uma carreira militar que pretendo continuar. O futuro só a Deus pertence.  (...) Não sou um ator político. Sou um ator que tem uma missão e a única coisa em que tem de estar focado é nessa missão e não estar a pensar no que vai fazer no futuro. O que posso dizer sobre o futuro? É que ele ainda não está realizado e até lá muita coisa pode acontecer». 

Foi o suficiente para uma reacção em cadeia nos jornais a fazer a hermenêutica da declaração, num de dois sentidos: uns, no sentido sebastiânico tão característico do Portugal dos Pequeninos, sempre em busca de um salvador, um homem providencial (*), outros, talvez expressando a preocupação de putativos candidatos, insinuando ambições implicitamente ilegítimas.

(*) Homem providencial? Sim, homem, até agora não foram referidas mulheres providenciais, uma discriminação que a militância feminista deveria combater.

O czar de Todas as Rússias e o Imperador do Novo Império do Meio finalmente juntos

Birds of a Feather Flock Together

15/12/2021

Lincoln, Eisenhower, Ford, Reagan e outros presidentes republicanos devem estar a revirar-se na tumba assistindo à destruição do legado do GOP

«Por exemplo, sabemos agora que o assalto de 6 de janeiro ao Capitólio foi mesmo o resultado de uma teoria da conspiração. Os emails de Hillary ao pé disto são isso mesmo, simples emails, mas tiveram muito mais atenção. A fixação com a covid obscurece a realidade, impede que as pessoas pensem moral e politicamente sobre o mundo.

É claro que a pessoa ou grupo que passa a vida a dizer que vivemos numa teoria da conspiração é de certeza a pessoa ou grupo que põe em prática verdadeiras teorias da conspiração. O trumpismo é uma enorme teoria da conspiração que executa planos conspirativos uns atrás dos outros. Alguns destes planos são passíveis de investigação e condenação. Agora sabemos que o assalto de 6 de janeiro era do óbvio conhecimento de assessores de Trump – até tinham um powerpoint detalhado do que se ia passar. Sabemos ainda que agentes de Kanye West, grande amigo de Trump, pressionaram à la URSS os responsáveis eleitorais da Geórgia.

Descubram por favor estas duas notícias debaixo do entulho covídico e ficam a perceber que o partido republicano, outrora a base do Ocidente, é hoje uma força autoritária e conspirativa que só encontra paralelo nos regimes autoritários. Lermos um livro sobre a RDA é algo estranhamente parecido a lermos um livro ou vermos uma reportagem sobre a atual "direita" americana. Não, lamento, não estou a exagerar. O clima mental criado na direita americana é irrespirável, conspirativo e autoritário; e este vírus político é e continuará a ser mais perigoso do que qualquer emergência de saúde pública.

Como diz David Brooks na Atlantic, o conservadorismo americano, outrora uma rica tradição política, está reduzido à Fox News (ou a plataformas ainda piores), a teorias da conspiração, a um excel obrigatório de ódios (um hábito tão esquerdista) e à supressão de votos através do infame gerrymandering. O que é gerrymandering? Imagine que um partido consegue estar sempre a mudar as fronteiras dos círculos eleitorais em seu próprio benefício – é isto o partido republicano à beira de 2021.»

A verdadeira teoria da conspiração, Henrique Raposo no Expresso

Resta acrescentar que o gerrymandering é uma prática bipartisan e, sobretudo, que o estado patético do Partido Democrata controlado pelo wokeism não faz o estado do Partido Republicano controlado pelo trumpismo deixar de ser patético.

14/12/2021

SERVIÇO PÚBLICO: O regresso da inflação, a abundância de moeda em circulação, a realidade que acabará por se impor e o fim da festa à vista (ó Dr. Costa comece a procurar um lugarzito em Bruxelas)

«Os fatores que podem provocar um aumento de preços são tendencialmente em número infinito. “Se qualquer destes fatores for acompanhado de um aumento da massa monetária, haverá inflação; se tal não acontecer, não poderemos imputar-lhe essa responsabilidade.”

O aumento da massa monetária, ou da moeda em circulação, é o combustível sem o qual o aumento dos preços não poderá ganhar sustentação, acabando por retroceder (com custos, evidentemente, em que não é possível descartar a desaceleração temporária do crescimento económico, no limite, a retração temporária do PIB e do próprio emprego). Ora, como todos sabemos, moeda em circulação é o que o Mundo tem mais, hoje em dia, num processo iniciado há vários anos e intensificado, em larga escala, com o surgimento da pandemia e o aumento das dívidas públicas, financia­das pelos bancos centrais.

A pandemia foi “a cereja em cima do bolo”. Ao mesmo tempo que contraiu a produção e a oferta de bens e serviços, fez aumentar a massa monetária. Durante algum tempo, os detentores desta massa monetária dispuseram-se a pagar (taxas de juro negativas) para continuarem a detê-la, não a gastando. Entenderam ter chegado o momento de começarem a gastá-la. Temos inflação.

Encontramo-nos num momento de grandes decisões. Dando curso à tendência habitual para nos sossegarem, e nos diminuírem, infantilizando-nos, a generalidade dos políticos, alguns governadores de bancos centrais incluídos, dizem-nos que o fenómeno é passageiro, não havendo razões para alarme. Não é verdade. Ou se inicia um processo de retração da massa monetária, começando por subir as taxas de juro, ou a inflação tornar-se-á imparável. Falta decidir, e agir, se a orientação vier a ser a de assegurar a estabilidade dos preços.

À nossa escala, num registo mais prosaico, tivemos uma manifestação exemplar desta “lei de ferro” da Economia. Acompanhou a adoção do salário mínimo em 1974 — implicando um aumento salarial considerabilíssimo, que um grande número de empresas nunca poderia acompanhar e de onde só poderia resultar o encerramento de muitas destas empresas, com consequente retração do produto e do emprego.

É por isso que a imposição do salário mínimo, em 1974, obrigou à publicação não de um mas de três diplomas legais, com poucos dias de distância entre eles. O primeiro decretou o salário mínimo. O segundo decretou que, quando uma empresa não tivesse tesouraria para pagar o salário mínimo, os bancos eram obrigados a financiá-la. O terceiro decretou que, quando os bancos não tivessem tesouraria para proceder a este financiamento, o banco central era obrigado a refinanciá-los. O Banco de Portugal foi obrigado a financiar os bancos, emitindo moeda, para que estes pudessem financiar as empresas, para que estas pudessem pagar o salário mínimo decretado pelo Governo... Sem estes três diplomas, “a maionese não teria prendido” e o salário mínimo teria acabado num decréscimo mais acentuado do PIB do que acabou por ocorrer em 1974 e 1975 e num ainda maior aumento do desemprego.

Não houve desemprego mas houve inflação, reduzindo o salário mínimo, em termos reais, ao que a economia portuguesa podia comportar, nesse momento. A realidade acaba sempre por se impor.»

Excerto de O regresso da inflação, Daniel Bessa no Expresso

13/12/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (115) - A Passarola Afundada (VII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Sem Custos para o Utilizador, com Custos para os Contribuintes

Durante o consolado do Eng. Guterres, o seu ministro das Obras Públicas Eng. Cravinho inventou as SCUT que segundo ele se pagariam a si próprias através do prodigioso mecanismo do multiplicador socialista. Mais de vinte depois o Ministério Público acordou de um longo sono e acusou dois secretários de Estado do Animal Feroz de terem beneficiado uns dez anos depois de muitos milhões na negociação das concessões rodoviárias e na renegociação das SCUT. A esquerdalhada costuma queixar-se da pesada herança do fascismo, o povo - se não fosse ignaro - deveria queixar-se da pesada herança do socialismo.

Boa Nova

O Dr. Siza Vieira, nos intervalos de anunciar pela enésima vez a venda da EFACEC e da Dielmar, anuncia os amanhãs que cantam que ele ouviu no relatório da OCDE de onde concluiu que Portugal é o país que «mais vai crescer nos próximos anos», no que foi acompanhado por legiões de jornalistas de causas e opinion dealers.

Choque da realidade com a Boa Nova

Infelizmente o relatório da OCDE não parece suportar o entusiamo do Dr. Siza, por várias razões a começar porque o maior crescimento entre 2021 e 2023, por ele anunciado, resulta da segunda maior queda do PIB na OCDE entre 2019 e 2021, e a continuar com as omissões que ele faz que uma simples leitura dos gráficos do relatório permite perceber. Tais como: população a diminuir e a envelhecer, produtividade a crescer pouco, uma das maiores quedas do PIB, turismo pesadamente afectado, condições deterioradas do mercado de trabalho, níveis de actividade e confiança ainda abaixo do nível pré-pandemia, aumento das vulnerabilidades macro-financeiras, declínio do investimento público, elevado desemprego dos jovens, terceiro maior endividamento público da UE, elevado endividamento privado e baixa rentabilidade, etc. Onde a OCDE nos coloca no topo - facto não mencionado pelo Dr. Siza - é na carga fiscal com 1,3% acima da média da OCDE.

Em cima dos 70 milhões em Agosto do ano passado, mais 45 milhões de euros com garantia do Banco de Fomento para a EFACEC nacionalizada por um governo do PS que sucedeu a outro governo do PS que facilitou a entrada de Isabel dos Santos na empresa. É mais uma herança do socialismo.

A Dielmar que ia ser vendida, que já foi vendida, que final ainda não, voltou a estaca zero e foi aberto novo concurso para a compra da marca e dos activos industriais. Se nos lembrarmos que, depois de mais de um ano desta novela, a imagem da marca está pelas ruas da amargura e que os activos industriais estão obsoletos, é prudente não depositar muitas esperança no concurso.

12/12/2021

ACREDITE SE QUISER: Joe Biden dá tiros nos pés (dos pobres e da classe média)

Economist
Uma das medidas do pacote do presidente Biden no campo fiscal diz respeito à chamada dedução SALT («state and local tax») que, adoptada há mais de um século, permitia aos contribuintes americanos deduzir os impostos sobre os imóveis pagos a nível estadual aos impostos sobre o rendimento a nível federal, o que em 2017 custou $370 mil milhões ou quase 2% do PIB. 

Sob a administração Trump foi adoptado um limite anual de $10 mil para essa dedução.

Agora o Partido Democrata pretende aumentar o limite anual de $10 mil para $80 mil, o que além de custar $275 mil milhões nos próximos 5 anos tem um efeito fortemente regressivo, beneficiando quase só 1 em cada mil contribuintes (ver diagrama ao lado).

De modo que um dos resultados do Build Back Better Act, já aprovado na Câmara dos Representantes e em discussão no Senado, que segundo Biden visava melhorar a situação da classe média, pode ser em, vez disso, melhorar a situação dos bilionários, a um custo que é superior à despesa prevista para os subsídios para reduzir a pobreza.

11/12/2021

A arte de bem titular toda a notícia

Eco

Um marciano lê o título acima e pensa com os seus botões: que belo governo têm estes terráqueos que faz reformas estruturais, frequentemente com efeitos negativos de curto prazo, e ainda assim melhora a vida dos aborígenes.   

Como os marcianos e os aborígenes se ficam pelo título, não chegam a ler umas linhas abaixo: «se fossem implementadas apenas quatro reformas estruturais em Portugal.». Se, um grande SE.

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Ó pai está-me a apetecer fumar um cigarro

Pai! Está-me a apetecer fumar um cigarro.

Não podes, filhe. É proibido. Além disso, não é pai que se diz, é progenitor, ou nãe.

Está bem ó nãe, mas proibido porquê?

Ora, porque faz mal e o governo fez uma lei a proibir. 

Ó nãe que chatice! O que tem o governo com isso?

Elus proibiram para teu bem. Deixa lá, sempre podes fumar uma ganza.

?

Ou mudar de sexo...

Diálogo entre um progenitor neozelandês e o seu filhe do género masculino.

[Bibliografia: Guia para “Linguagem Neutra” (PT-BR)]

10/12/2021

Não estou seguro para que serve um jornalista, mas estou certo para o que não devia servir

Um jornalista não é pago para ser uma madre teresa de calcutá ou para salvar o mundo. Devia ser pago para produzir notícias objectivas com factos e independência, embora saibamos que, em muitos casos, é pago para servir de câmara de eco ou fazer agitprop.

[Pensamento que me ocorreu depois de ler hoje (mas podia ser outro dia qualquer) várias newsletters e de passar os olhos por uma dezena de jornais] 

09/12/2021

De boas intenções está o inferno cheio (57) – A religião é a política por outros meios? (XXIV)

Outros posts sobre a religião como a política por outros meios.

Advertência: não sou fã do papa Francisco; emanam dele vapores de teologia da libertação (ou teologia da submissão ao totalitarismo) que um agnóstico e adepto de a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, como este escriba, não aprecia.

Feito o aviso, passo a comentar a reacção indignada de Francisco a mais um manual totalitário de «linguagem inclusiva», neste caso produzido pela comissária europeia para a Igualdade, Helena Dalli, que entre outras tolices pretendia suprimir a palavra «Natal» substituindo-a por «festividades». Francisco não poupou nos adjectivos e para condenar a ideia não hesitou em evocar as ditaduras nazi e comunista.

Aplaudo a crítica papal e até a evocação de ditaduras, porque é disso que se trata. Feito o aplauso, evoco o silêncio papal de 8 anos perante dictatus emitidos dia sim, dia não, pelos mais variados grémios da polícia do woke, do politicamente correcto, da identidade do género e congéneres por esse mundo, silêncio só agora quebrado a propósito do Natal.

E acrescento que o silêncio seguido de indignação papal também evocou no meu espírito as palavras do pastor luterano alemão Martin Niemöller, contemporâneo de Hitler, que começou por simpatizar com o nazismo, arrependeu-se amargamente e acabou a denunciá-lo, penalizando-se assim pela inacção: 
Quando os nazis vieram buscar os comunistas, eu fiquei em silêncio; eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu fiquei em silêncio; eu não era um social-democrata.
Quando eles vieram buscar os sindicalistas, eu não disse nada; eu não era um sindicalista.
Quando eles buscaram os judeus, eu fiquei em silêncio; eu não era um judeu.
Quando eles me vieram buscar, já não havia ninguém que pudesse protestar.

07/12/2021

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: O ministro da Economia não poupa nas palavras

Secção Insultos à inteligência

Durante o  Congresso da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo na passada sexta-feira, o ministro da Economia Dr. Siza Vieira partilhou com os participantes o seguinte pensamento:

«Eu acho mesmo que a TAP é, provavelmente, uma das empresas mais críticas para o nosso futuro coletivo. Assumo isso claramente. Mas também não vale a pena ter um novo aeroporto significativo sem a TAP (...) o movimento aeroportuário cresceu em Lisboa porque a TAP cresceu. O crescimento da TAP motivou outros operadores a virem para Portugal». 

Sabendo-se que dos 60 milhões de passageiros (Pordata) que passaram pelos aeroportos portugueses em 2019 menos de 30% (17 milhões), com percentagens muito menores no Porto e Faro, viajaram pela TAP, ao postular que o crescimento do movimento aeroportuário cresceu pelo crescimento da TAP, o Dr. Siza Vieira ganha o direito a 5 (cinco) chateaubriands, um prémio inspirado no visconde e escritor François-René de Chateaubriand que abençoou, ou poderia ter abençoado se lhe tivesse ocorrido, a divina providência por fazer passar os rios pelo meio das cidades.