Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

10/05/2011

A mentira como política oficial (3)

«As auto-estradas lançadas pelo governo só passaram no tribunal de contas porque foi sonegada informação aos juízes. Em causa estão cinco subconcessões feitas pela Estradas de Portugal, em representação do Estado, no valor de 10 mil milhões de euros.

A auto-estrada transmontana, no valor global de 1692 milhões euros. A sub-concessão douro interior, de 2846 milhões euros. Baixo alentejo com 1996 milhões euros. Algarve litoral, com 1634 milhões euros. E litoral oeste, com um custo global de 1847 milhões.

O Tribunal de Contas começou por recusar o visto a todos estes contratos, porque as propostas finais das empresas eram mais caras do que as levadas a concurso. A Estradas de Portugal voltou à carga com segundos pedidos de visto, após renegociação dos contratos, mas sonegou informação aos juízes, relativa a significativas compensações financeiras aos bancos e às construtoras privadas

[Ler a notícia da TVI aqui – via Insurgente]

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (41) - o mais espantoso

«Durante anos, Sócrates saiu das situações mais difíceis e delicadas graças à sua retórica imparável, argumentação brilhante, magistral prosápia. Ao fim de certo tempo, uma pessoa assim convence-se de que tudo é possível. Acaba confundindo a ficção com a realidade e acha-se capaz de tudo.

Temos na História múltiplos exemplos disto, de Hitler a Saddam, de Alves dos Reis a Madoff. O mais espantoso neste caso é o número de pessoas que nesta fase ainda acredita nisto, incluindo um do mais antigos partidos portugueses


[João César das Neves, no DN]

09/05/2011

Exemplos do costume (2)

Não tendo até hoje conseguido investigar e acusar decentemente em nenhum dos grandes casos em que interveio, a Procuradoria-Geral da República e o emplastro que a dirige instauraram um inquérito às agências de rating baseado numa queixa de economistas berloquistas por «crime de manipulação de mercado».

NÓS VISTOS POR ELES: Chocante, disse ele

«The Greek government played it relatively straight but Portugal's crisis management has been, and remains, appaling.»

Wolfgang Munchau, The political causes of a not-so-secret meeting no Financial Times

SERVIÇO PÚBLICO: The likes of Mr Sócrates

«José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.

You cannot run a monetary union with the likes of Mr Sócrates, or with finance ministers who spread rumours about a break-up

Isto não é novidade para os portugueses, com excepção daquele 1/3 que abrange todos os novos situacionistas que dependem de sinecuras, a parte mais alienada do partido do Estado e todos os patetas que não conseguem distinguir a verdade da mentira. Agora a parte que só não é novidade para os poucos frequentadores regulares do (Im)pertinências e mais umas quantas almas com um módico de lucidez.

«Europe’s political elites are afraid to tell a truth that economic historians have known forever: that a monetary union without a political union is simply not viable. This is not a debt crisis. This is a political crisis. The eurozone will soon face the choice between an unimaginable step forward to political union or an equally unimaginable step back. We know Mr Schäuble has contemplated, and rejected, the latter. We also know that he prefers the former. It is time to say so.»

Wolfgang Munchau, The political causes of a not-so-secret meeting no Financial Times

Mitos (39) - a pesada herança da longa noite fascista (V)

[Mais heranças: I, II, III e IV]

[O estado sucial, isto é o que resta do estado depois do sucialismo de José Sócrates, soterrado pelo peso das políticas erradas e da gestão incompetente, mostrado nos gráficos de Medina Carreira]

08/05/2011

DIÁRIO DE BORDO: Imagens da NASA (7)

Um gigantesco cumulonimbus pairando sobre África

07/05/2011

Resposta do Povo Finlandês à carta aberta do correspondente português da TSF

Caro Senhor Hélder Fernandes,

Recebemos a sua carta aberta ao Povo Finlandês que lemos atentamente. Queremos aproveitar para agradecer a generosidade do Povo Português, na altura tão pobre e sob um regime fascista, por ocasião da invasão do nosso País pelo exército soviético em 1940. Estamos também gratos pelos muitos milhões de telemóveis que generosamente compraram nas 2 últimas décadas à Nokia, agravando o problema que agora vos aflige.

Se o Povo Português estivesse a ser invadido uma vez mais pela vizinha Espanha ou pela França, como o foi várias vezes no passado, nós, o Povo Finlandês, teríamos a obrigação de secundar o Povo Inglês, e de vos socorrer, retribuindo a vossa ajuda de há 70 anos. Também contariam com a nossa solidariedade se tivessem sido atingidos por um novo terramoto de 1755, um tsunami ou qualquer outra catástrofe imprevisível para a qual não tivessem contribuído.

Porém, tal não é o caso. E do mesmo modo como temos a certeza que o Povo Português não estaria disponível em 1940 para nos enviar cobertores, casacos, sapatos, casacões e sacos de trigo e de arroz se, em vez de invadidos por bárbaros, tivéssemos sido invadidos por carros alemães, plasmas japoneses e coreanos, iPods e tabletes americanas e ocupados por primeiras, segundas e terceiras casas e coberto o nosso sagrado solo por revestimento betuminoso de auto-estradas - dizem-nos ser Portugal o 9.º país do mundo com melhor cobertura rodoviária e o 4.º com mais automóveis por 100 habitantes. Foi isso, segundo também julgamos saber, que aconteceu, agravado por líderes políticos incapazes e corruptos, por vós livremente escolhidos durante 3 décadas. E foi isso que vos conduziu, dia após dia, mês após mês, durante essas 3 décadas, ao estado de insolvência em que vos encontrais, situação com a qual agora fundamentais o vosso direito adquirido a ajuda financeira.

É por isso que só vos podemos oferecer o nosso exemplo de esforço num clima adverso e com um solo sem recursos, onde com muito trabalho, diligência e integridade, e sem colónias, conseguimos construir um país bem sucedido, com uma juventude educada e profissionalmente bem preparada e com elites responsáveis que prestam contas ao Povo – em suma, um País com uma elevada qualidade de vida onde vale a pena viver e um dos 10 países maiores contribuintes para a ajuda humanitária. É claro que sempre podemos oferecer uma pequena ajuda adicional passando férias no vosso País com esse sol acolhedor e belas praias - se estas ainda resistirem ao urbanismo selvagem, à incúria e ao desleixo.

O Povo Finlandês

Post Scriptum
Este nosso agradecimento ao Povo Português exclui os militantes, simpatizantes e eleitores do PCP e do Bloco de Esquerda, uns porque ainda hoje glorificam o bolchevismo que na sua versão estalinista nos invadiu em 1940 e os outros porque pensam que o bolchevismo não foi suficientemente longe e todos porque se fossem vivos nessa época teriam aplaudido a invasão da nossa Pátria por esses bárbaros.

CASE STUDY: Here we are, still

Ouvimos durante meses os responsáveis europeus a jurarem que Portugal não precisaria de bailout. Percebe-se, porque se reconhecessem que precisaria, os yields subiriam à estratosfera e os mercados fechar-se-iam irremediavelmente (na verdade já estavam fechados, porque quem comprou a dívida nos últimos meses foram os bancos portugueses, et pour cause).

Também se percebe que Fernando Ulrich fique «chocado quando [vê] alguns jovens, transformados em jornalistas, irem para os jornais falar das vantagens de Portugal reestruturar a dívida». Pudera, em 31-12-2010 o BPI detinha mais de 2,7 mil milhões de OT com mais de 300 milhões de menos valias ainda sem afectarem resultados. Imagine-se um haircut a obrigar a registar perdas de centenas de milhões de euros, equivalentes a vários anos de resultados.

Igualmente se entende que «Poul Thomsen, chefe da missão do FMI, [garanta] que um cenário de reestruturação da dívida nacional está completamente fora de questão». Se não o fizesse estaria a dizer implicitamente aos mercados para deixarem de comprar a dívida do protectorado.

Percebendo-se tudo isso, convirá sobretudo perceber que os mercados, ou os especuladores, se preferirem, são pouco sensíveis às conveniências dos banqueiros e dos técnicos do FMI e são completamente surdos à conversa fiada dos sócrates deste mundo. É ver o que tem acontecido com os yields desde o anúncio do bailout no dia 6 de Abril. É por essas, e por outras, que agora não tenho tempo de explicar, que o (Im)pertinências, sem jovens no staff e muito menos jornalistas, nem mandato dos eleitores para os fazer felizes, prevê há meses que a reestruturação deverá chegar e, se não chegar, devemos preparar-nos para uma longa recessão e continuar por décadas a divergência económica com a UE iniciada há 10 anos.

NÓS VISTOS POR ELES: Eles não sabem com quem se meteram

Ainda a tinta do Memorandum of Understanding não tinha secado, em particular o item «3.38. Reduce management positions and administrative units by at least 15% in the central administration», já a central de manipulação estava em plantar manipulados nos jornais, como este: «Corte de 1% dos trabalhadores na administração central pode dar margem para levantar congelamento de admissões. Reduções na Função Pública já ultrapassaram as metas da troika».

A única forma de os controlarem é cortarem-lhes a grana para torrar e obrigá-los a repetir em coro no final de cada reunião trimestral: no pain, no gain.

06/05/2011

A mentira como política oficial (2)

Pedro Silva Pereira, 5 de Maio: «Os senhores jornalistas que publicaram essas notícias sobre cortes do 13º mês, cortes no salário mínimo ou reduções de pensões a partir dos 600 euros saberão de onde essas informações vieram e com certeza que não foram do Governo», afirmou.»

José Sócrates, 16 de Março: «Perda de prestígio e influência no mundo,
[medidas com] consequências para o Estado e para a vida d as pessoas muito piores como acabar com o 13º mês, reduzir o salário mínimo, despedir funcionários públicos e cortar mais os salários», exemplificou Sócrates

[Lido em «Mentir sempre», no Blasfémias]

Citando o Impertinente: A verdade, ao contrário da mentira que tem um número infinito de versões, umas menos e outras mais estúpidas, é fácil de gerir. A mentira exige alguma competência na sua administração e deveria ser preferida pelos incompetentes. Em vez disso, a clique do pastor da IURD que controla o PS já foi atingida pelo princípio de Peter dos mentirosos e prefere a mentira. Sobrevive, com a cumplicidade dos novos situacionistas, à custa dos dependentes do partido do Estado e dos patetas incapazes de distinguir a mentira da verdade.<

Não conhecendo José Sócrates, ele não percebe. Conhecendo-o de ginjeira, nós percebemos bem demais

«Questionado sobre se este programa é uma evolução em relação ao PEC 4, como garantiu o primeiro-ministro na passada quarta-feira, Thomsen afirma “não perceber” o que quer José Sócrates dizer com essa frase e garante que “se fizermos uma comparação, este é um programa mais específico sobre como atingir objectivos em termos orçamentais, sobre como levar a cabo reformas estruturais, tem mais preocupações sobre o sector financeiro e é muito mais realista nas metas orçamentais. Portanto, isto é um programa diferente [do PEC 4]”.»

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Faites vos jeux, rien ne va plus

«Quem quiser votar na bancarrota do país, quem quiser assinar e votar na maior taxa de desemprego dos últimos 90 anos, na maior dívida pública dos últimos 160 anos, no pior crescimento económico dos últimos 90 anos, na pior dívida externa dos últimos 120 anos, na pior taxa de poupança dos últimos 50 anos, na segunda pior taxa de emigração dos últimos 160 anos. Quem quiser isto tudo, no dia 5 deve votar na continuação das políticas dos últimos anos. Quem quiser uma inversão de curso, estiver interessado em ficar no país e estiver interessado em dar um futuro aos seus filhos é melhor que pense duas vezes

[Álvaro Santos Pereira, Pensar duas vezes]

José Sócrates deve aos contribuintes portugueses 1,2 mil milhões de euros à conta do FMI

Desde pelo menos a intervenção do FMI/CE/BCE na Grécia, ou seja há um ano, que se coloca a séria possibilidade de a mesma receita ser necessária em Portugal e, desde então, se não antes, José Sócrates e os seus acólitos adoptaram a narrativa pseudo-patriótica de demonização do FMI. Façamos um exercício de contabilidade de merceeiro para estimar as perdas e danos infligidos por este expediente da clique socrática, em nome e benefício do PS.

Esqueçamos as emissões de curto prazo de BT a que o governo recorreu para iludir as taxas e dificuldades crescentes de colocação da dívida de médio-longo prazo. No 2.º semestre de 2010 e até Abril de 2011 os leilões de OT totalizaram 12,4 mil milhões: (*)
  • 2.º semestre de 2010 - 8,5 mil milhões a 5,0% (média das taxas médias ponderadas)
  • Janeiro a Abril de 2010 - 3,9 mil milhões a 6% (idem)
Admitamos que com a intervenção da troika em Julho de 2010 as taxas teriam descido para 3,25% (1/3 a cargo do FMI) e 4,2% (2/3 do FEEF, à mesma taxa da Grécia). Os 12,4 mil milhões que nos vão custar anualmente 660 milhões às taxas porque foram colocados, teriam custado cerca de 480 milhões às taxas FMI/FEEF. Como a maturidade média dos leilões desde Julho de 2010 é 6,6 anos, o custo adicional pelo qual a clique socrática é responsável é cerca de 6,6 x (660 - 480) = 1,2 mil milhões de euros. Segundo as minhas contas, na proporção aproximada de impostos que pago, a clique socrática deve-me cerca de 2 mil euros.

(*) Estimativas a partir dos dados disponíveis no site do IGCP. É só fazer as contas, como diria o padrinho de José Sócrates.

05/05/2011

ESTADO DE SÍTIO: O FMI nosso amigo (4)

[Continuação de (1) e (2) e (3)]

Até mesmo um admirador de José Sócrates com um resquício de lucidez e de inteligência, supondo que os haja, perceberia, se o lesse, que o Memorandum of Understanding é a mais completa negação de tudo o que o governo tem feito e de todas as suas políticas. A começar pela suspensão de todas as grandes obras do regime, aeroporto, TGV et alia (torrefacção de dinheiro nas energias renováveis, parcerias público-privadas, etc.) e a acabar na flexibilização do mercado de trabalho, passando pela redução efectiva do exército de funcionários públicos e o alívio da presença sufocante do estado na economia, com um programa de privatizações que só deixa da fora a CGD.

Se isto é para o querido líder um «bom acordo», como é que ele explica aos seus admiradores não ter feito nada disso durante os 6 anos que já leva de governo? Não explica, claro, porque ele conta com a cegueira da massa da apparatchiks, crentes da sua IURD e com o estado de necessidade em que se encontram muitos dos novos situacionistas agarrados às sinecuras como náufragos às suas bóias.

Que a criatura consiga, sem a mínima vacilação, empenachar-se com os méritos de negociador dum acordo, cuja necessidade ele negou durante muitos meses, e passar ao lado do facto crucial que esse acordo visa resolver os problemas que ele mesmo criou durante 6 anos, mostra ser a sua governação o maior embuste desde o fim da baderna republicana.

Aditamento:
José Sócrates não está sozinho nos seus delírios e mentiras. Segundo parece, Teixeira dos Santos ressuscitou numa conferência de imprensa e jurou que o Memorandum «desenvolve e detalha o PEC apresentado em 11 de Março» e «é um programa português que merece o apoio da UE e do FMI».

O (IM)PERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: As sementes de vara


Será a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária «parenta» da Fundação para a Prevenção e Segurança criada pelo amigo Vara?

[Enviado por JB]

ESTADO DE SÍTIO: O FMI nosso amigo – If you can't measure it, you can't manage it (3)

[Continuação de (1) e (2)]

Não vou insistir nas muitas medidas concretas e na redução dos muitos milhões de euros que os nossos amigos do FMI incluem no MEMORANDUM OF UNDERSTANDING ON SPECIFIC ECONOMIC POLICY CONDITIONALITY que terá que ser assinado pelo governo e pela oposição com ambições de ser governo. Tudo isso é importante e nunca seria feito por iniciativa do governo ou da oposição, todos apostados em fazer felizes os portugueses e a contar estórias da carochinha aos eleitores em estado de adolescência terminal. Vou apenas transcrever requisitos de Reporting que este governo e o próximo vão ter que cumprir para meter a mão na massa. Requisitos que se tivessem sido cumpridos dificilmente teríamos chegado aonde chegámos ou, pelo menos, teríamos chegado sem desculpas.

«Reporting
3.1. Approve a standard definition of arrears and commitments. [Q2-2011]
3.2. Conduct and publish a comprehensive survey of arrears covering all categories of expenditure payables as at the end of March 2011. All general government entities and SOEs classified outside the general government will be covered by this survey. [Q3-2011]
3.3. Enhance the existing monthly reporting on budgetary execution on a cash basis for the general government, including on a consolidated basis. The monthly reporting perimeter currently includes the State, Other public bodies and entities, Social Security, regional and local governments and it will be progressively expanded to include all SOEs and PPPs reclassified within the general government and local governments. [Q3-2011]
3.4. The existing annual report on tax expenditures will be improved, starting with the 2012 budget, in line with international best practices. The report will cover central, regional and local administrations. Technical assistance may be provided if necessary. [Q3-2011]
3.5. Develop intra-annual targets, and corrective measures in case of deviation from targets, for [Q3-2011]:
i. internal monthly cash balance, expenditure, revenue targets for the general government as defined in national accounts;
ii. public quarterly balance targets for the general government as defined in national accounts.
3.6. Implement any changes to the budget execution rules and procedures necessary to align with the standard definition of arrears and commitments. Meanwhile, existing commitment control procedures will be enforced for all types of expenditure across the general government. Technical assistance may be provided if necessary.[Q4-2011]
3.7. Following the survey, prepare a consolidated monthly report on arrears for the general government sector. The general government perimeter will be defined as in national accounts. [Q3-2011]
3.8. Publish quarterly accounts for State-Owned Enterprises (SOEs) at the latest 45 days after the end of the quarter. It should start with the 30 largest SOEs that are consolidated in the general government but as a general rule all SOEs should follow the same reporting standards. [Q4-2011]
3.9. Publish information on: number of general government staff on a quarterly basis (no later than 30 days after the end of the quarter); Stock and flows over the relevant period per Ministry or employment entity (i.e. new hiring, retirement flows, and exit to other government service, private sector or unemployment); average wage, allowances and bonuses. [Q1-2012]»

«If you can't measure it, you can't manage it», escreveu um dia Peter Drucker.

Rapazes do FMI, sejam bem-vindos!

04/05/2011

Pro memoria (26) - José Sócrates, de animal feroz a pedinte, em apenas 18 dias, e sempre mentiroso

[Actualização deste pro memoria]
  • 19-03-2011 «Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI»
  • 28-03-2011 «Ainda vamos ter saudades do PEC»
  • 04-04-2011 «Entre nós e o FMI há 10 milhões de portugueses»
  • 06-04-2011 «O Governo decidiu dirigir à Comissão Europeia um pedido de financiamento»
  • 03-05-2011 «São suficientes as medidas previstas no orçamento e as anunciadas no âmbito do PEC IV» jurou José Sócrates na conferência de imprensa com ao lado da múmia do melhor dos piores pior dos melhores ministros das Finanças da Zona Euro; sobre o acordo com a famigerada troika disse «não haverá … não haverá … não teremos … não será preciso…»; o que haverá, teremos e será preciso fazer será o governo provisório do protectorado a informar os súbditos.
Ao contrário do que dizem os seus detractores, José Sócrates não ofendeu a verdade. Ele jamais se aproxima o suficiente dela para lhe infligir danos corporais. Continuando a sua táctica de afagar o ego dos seus admiradores, mostrando-lhe o quanto são estúpidos, José Sócrates classificou o acordo com o governo provisório do protectorado como «um bom acordo», mas não lhes explicou porque anunciou durante meses que fazer esse acordo seria uma catástrofe da qual o patriota Sócrates não queria ser cúmplice.

CASE STUDY: Colectivismo e corrupção

Não deveria novidade nenhuma para quem conheça as sociedades colectivistas, como a portuguesa, em que o espírito de grupo, seja a família, o sindicato, o clube, o partido ou a corporação, predomina sobre a responsabilidade individual, concluir serem estas as sociedades mais vulneráveis à corrupção pela diluição da responsabilidade e pela interdependência entre os membros dos grupos sempre fortemente presentes no colectivismo.

Para quem tenha dúvidas sobre a relação colectivismo-corrupção, pode ler o estudo Greased palm psychology: Collectivism and bribery de Nina Mazar e Pankaj Aggarwal, publicado pela Association for Psychological Science, ou pelo menos ler um resumo razoavelmente elucidativo aqui. O estudo analisou 21 países e os resultados de um trabalho de laboratório com 140 participantes e concluiu que não se trata apenas de correlação estatística entre colectivismo e corrupção: os indivíduos com mentalidade colectivista sentem-se menos responsáveis e mais propensos a corromperem e serem corrompidos.

Para quem tenha dúvidas sobre o colectivismo da sociedade portuguesa recomendam-se os estudos de Gert Hofstede, há anos amplamente citados no (Im)pertinências, que mostram ser Portugal de longe o país mais colectivista (ou menos individualista) da Europa.

DIÁRIO DE BORDO: O celibato dos padres e o estado moderno

Segundo uma review da Economist, Francis Fukuyama defende no seu recente The Origins of Political Order: from Prehuman Times to The French Revolution uma interessante explicação para o celibato dos padres que, como se sabe e diferentemente da ideia generalizada, só se tornou obrigatório no século XI com as reformas introduzidas pelo papa Gregório VII. Segundo Fukuyama o celibato obrigatório dos padres foi uma arma importante para o combate à corrupção e ao rent-seeking na igreja católica o que trouxe à igreja uma maior força moral e um papel determinante na evolução posterior do estado e das instituições seculares, contribuindo para dotar as sociedades ocidentais de 3 componentes essenciais para as criar as vantagens competitivas que estão na base do seu sucesso: um estado forte, o primado da lei e a obrigação dos governantes prestarem contas.

Terá sido pela falta desses componentes que o estado português está mais próximo dum estado falhado do que dum estado de sucesso? E terá sido pelos padres portugueses, segundo a lenda, terem fama de grandes femeeiros?

03/05/2011

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A maldição da demagogia

«O partido (PSD) tem-se queixado que o Governo não dá informação actualizada sobre o estado das finanças públicas. O que o impede de propor soluções sérias para o país enfrentar a crise financeira. Então, se não tem essas informações como é que Passos Coelho promete não cortar postos de trabalho no Estado nem fazer novos cortes nos salários? Ainda para mais sem conhecer as propostas do FMI, Comissão Europeia e BCE para esta área (não foi o PSD que recusou divulgar o seu programa antes de saber o que a troika vai propor/impor a Portugal?).

Ao fazer promessas destas, Passos Coelho arrisca-se, se ganhar as eleições, a imitar José Sócrates: desdizer, como 1º ministro, o que prometeu como candidato. »

Camilo Lourenço no Negócios online

Lost in translation (102) – Rigor? Já fizemos engenharia orçamental no passado. Voltaremos a fazê-lo no futuro, queria ele dizer (XXIV)

Depois de ter vendido mais de mil milhões de imóveis à Estamo, isto é a si próprio, até 2009 e 360 milhões em 2010, o governo de José Sócrates propunha-se vender outra vez a si próprio mais 370 milhões este ano. Para financiar esta manobra de engenharia orçamental a Parpública, que detém a Estamo, viu a sua dívida total aumentar 38% para 4,8 mil milhões ou quase 3% do PIB.

Recorde-se que o «ele» que falou em «rigor» foi Teixeira dos Santos, agora rigorosamente caído em desgraça nos círculos da clique socratina.

DIÁRIO DE BORDO: Imagens da NASA (6)

Delta do rio Lena na Sibéria visto da ISS

02/05/2011

Estado assistencialista falhado (6)

Em 2005, segundo dados da Pordata, havia cerca de 380 mil reformados e aposentados da CGA. Nos últimos 5 anos, segundo informação do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, foram acrescentados mais 120 mil - 30% de aumento em apenas 5 anos. Muito provavelmente, a esmagadora maioria foi reformada com menos de 60 anos. Os seus salários foram substituídos pelas suas pensões (em muitos casos uma percentagem rondando 90% do último salário), adicionadas dos salários de novos funcionários contratados que em parte os substituíram e do custo de prestadores de serviços.

Estado assistencialista falhado (5)

Prosseguindo com determinação o aprofundamento do estado sucial, sem esquecer o caminho de para a bancarrota, o governo de José Sócrates atribuiu 557 milhões de subsídios a empresas e instituições que realizaram «missões de interesse geral, com vista à satisfação das necessidades fundamentais dos cidadãos», tais como: a Associação Portuguesa de Bancos, Automóvel Clube de Portugal, Mota-Engil, Parkalgar (autódromo do Algarve), Colecção Berardo, João Lagos (Open Estoril e da Volta a Portugal em Bicicleta).

Estes 557 milhões teriam permitido pagar mais de 1,3 milhões de abonos de família durante um ano. É só fazer as contas, disse in illo tempore António Guterres, o imaculado padrinho do querido líder.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Ponto

«Do lado do PSD havia neste contexto um programa simples e eficaz, porque correspondia à grande força que atravessa o país, a única que até agora tem tido tradução política, difusa nos seus instrumentos, mas concentrada na sua explicitude: vamos tirar Sócrates do poder. Ponto.»

[Pacheco Pereira, O demónio que nós conhecemos no Público, aqui reproduzido]

01/05/2011

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (40) – os donos do regime

«330 000€ por uma exposição, que tem como comissária-geral Maria Barroso Soares e que foi realizada pela empresa recém criada Blue Velvet, que tem como sócia Annick Burhenne, mulher de João Barroso Soares. A empresa foi criada a 09/01/2009 e encerrada a 23/11/2010

[Aqui, via Insurgente]

A mentira como política oficial

Em 25 de Março, José Sócrates continuava a garantir que «Portugal não precisa de aderir a nenhum fundo de resgate». Por essa altura, segundo o Expresso, a poucos dias do vencimento de 4,5 mil milhões de OT e juros, as disponibilidades do governo seriam de 300 milhões ou seja o equivalente a um dia de despesas.

É caso para perguntar, mais uma vez, «o que é que nos teria acontecido se não tivéssemos tido a sorte de ter um governo tão competente à frente dos destinos do país?» E é caso para dizer, mais uma vez, que o sucesso do nosso pastor da IURD só se explica porque «admiramos secretamente os grandes aldrabões» que num país civilizado normal já teriam sido julgados e condenados, senão pelos tribunais, pelo menos pela opinião pública.

DIÁRIO DE BORDO: Grande Auditório Gulbenkian, o Pequeno Met dos tesos (2)

Para Pavarotti, Il Trovatore era uma ópera fácil, só precisava dos 4 melhores cantores do mundo, conta a Fleming. Melhores é um exagero, mas sem dúvida bons.
Sondra Radvanovsky, uma competentíssima Leanora
Na audiência novos situacionistas, ainda frescos do encontro da IURD, poseurs do costume, um pedófilo esquecido pela justiça e, pasme-se, até genuínos apreciadores.

30/04/2011

SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (11)

[Actualização (1), (2), (3), (4), (5), (6), (8), (9) e (10)]

31-03-2011
Em consequência da inclusão no perímetro do OE dos défices das empresas públicas que cobrem os custos com menos de 50% de receitas próprias, segundo os critérios do Eurostat desde há vários anos não cumpridos pelo governo socrático, o INE corrigiu os défices de vários anos:
  • 2009 - 10,0%
  • 2010 - 8,6%

23-04-2011
«Défice de 2010 revisto em alta para 9,1 por cento do PIB»

Programa eleitoral do PS divulgado em 28-04-2011:

Moral da estória:
A verdade, ao contrário da mentira que tem um número infinito de versões, umas menos e outras mais estúpidas, é fácil de gerir. A mentira exige alguma competência na sua administração e deveria ser preferida pelos incompetentes. Em vez disso, a clique do pastor da IURD que controla o PS já foi atingida pelo princípio de Peter dos mentirosos e prefere a mentira. Sobrevive, com a cumplicidade dos novos situacionistas, à custa dos dependentes do partido do Estado e dos patetas incapazes de distinguir a mentira da verdade.

DIÁRIO DE BORDO: Imagens da NASA (5)

  Vulcão Sarychev nas ilhas Kuril, visto da ISS em 12-06-2009

29/04/2011

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O PS é o partido do Estado e o PSD é o quê?

«Hoje temos mais de 6 milhões de pessoas dependentes de subsídios ou de ordenados da função pública. Seis milhões de pessoas que cativam perto de 87% de todas as receitas do Estado. Chegámos a estes 6 milhões de pessoas com anos e anos de PS e PSD competindo entre si para ver qual deles fazia crescer mais este número de dependentes do Estado e a terem como principal discurso distintivo os benefícios que dariam, caso fossem governo, a estas pessoas e às outras, já poucas que ainda não faziam parte do grupo.

Estes 6 milhões de pessoas que Medina Carreira define como “partido do Estado” não são apenas um problema económico. Elas tornaram-se um problema político, pois para boa parte destes 6 milhões de pessoas as eleições passaram a ser sinónimo de insegurança, daí a sua enorme disponibilidade para apoiarem ou tolerarem quem transmita uma imagem de poder, sobretudo se este poder for exercido com tiques de autoritarismo, coisa que não resolve nada, mas facilita muito a construção de uma imagem de líder.

É fácil e tentador dizer que esta rede de dependentes funciona como o escudo humano de quem está no poder, seja esse poder o do governo central, das autarquias ou o dos governos regionais. Mas essa é apenas uma parte do problema, a que nos diz respeito a todos nós. A outra parte do problema diz respeito ao PSD: o PSD foi tendo um discurso, cada vez menos eficaz, é certo, para estas pessoas, enquanto o argumentário eleitoral se centrou no dar. Agora que se entrou na fase da gestão do medo da perda, o PSD não tem discurso, enquanto o PS, antes pelo contrário, encontrou o que anos de desgaste e escândalos lhe tinham retirado: algo para prometer.

Todos os dias uma notícia, ou duas, ou três, dão conta de que o PSD quer tirar, cortar, destruir… enfim se propõe alterar no sentido da perda aquilo com que contam para a vida. Já o PS diz-lhes que mudará o menos possível e que vai defender o Estado social, uma entidade que se foi tornando tão mais omnipresente nas nossas vidas quanto mais o Estado gastava.

O termo “social” justificou ao Estado o nepotismo, a incompetência, o meter-se onde não é chamado, o despesismo e a corrupção. Sob o chapéu-de-chuva do Estado social, o Estado adopta procedimentos que lhe garantem dinheiro em caixa para o seu expediente, mas que colocam ainda mais em risco o futuro dos portugueses.»


[Helena Matos no Público, ler integralmente no Blasfémias]

SERVIÇO PÚBLICO: A obra de José Sócrates

Quadro do 4R – Quarta República no post «O “Orgulho” (!?) de Sócrates»

Que é feito do PRACE? (4) – lambendo (outra vez) as feridas auto-infligidas

Como a aldrabice se repete, sou forçado a repetir-me também e a republicar este post:

aqui e aqui se comentaram as medidas previstas na proposta de OE 2010 de extinção, reorganização ou reestruturação de 50 organismos, dos quais 9 já estariam extintos, reorganizados ou reestruturados em consequência de medidas já tomadas no âmbito do PRACE ou outras. Faltou dizer o que apurou João Duque (Caderno Economia do Expresso): a 1.ª, a 4º, a 5.ª, a 6.ª, a 7.ª, a 8.ª medidas «e por aí fora» referem-se a organismos criados nos últimos 4 anos pelos governos de José Sócrates.

Acrescento agora que o «O Partido Socialista pretende eliminar ainda este ano mais cerca de um milhar de cargos dirigentes e equiparados no Estado e fundir mais de 60 organismos e serviços, de acordo com seu programa eleitoral

Não é extraordinário? Será exagero concluir que o aparente sucesso destes anúncios é uma demonstração de uma idiotia congénita? Talvez seja, mas poderei ao menos citar Sobrinho Simões? «Admiramos secretamente os grandes aldrabões».

28/04/2011

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Simplesmente governador. Não é ministro e muito menos anexo (2)

Secção Res ipsa loquitur

Tirei o chapéu ao governador do BdeP por, perante a ameaça de submersão da banca pelos 40 mil milhões de euros de dívida pública, ter dado corda aos sapatos e tomado uma atitude firme perante os bancos, o governo e o presidente, levando a fechar a torneira que vinha alimentando o financiamento do estado falido e empurrando a declaração de falência para a frente.

Volto a tirá-lo por ter ontem denunciado a violação reiterada das normas orçamentais e a necessidade de responsabilizar os políticos e os gestores públicos. Dir-se-à que poderia ter dito muito mais. Lá poder podia, mas quem aguentou tantos anos um ministro anexo a branquear os mais atrozes atropelos financeiros e contabilísticos, tem que celebrar como uma aragem fresca a independência de Carlos Costa.

Confirmam-se, assim, os cinco afonsos.

É isso que eles querem? Acabar com as pontes e os feriados do Estado Sucial?

No PREC eram os capitães de Abril, agora os homens sem sono são os da troika. Ficaram a trabalhar nos feriados religiosos e na comemoração do Dia da Liberdade e já têm o pacote pronto. Sendo eles os culpados, é bom que trabalhem depressa e mandem o dinheiro rapidinho e se deixem de maus exemplos e desrespeito pelos direitos adquiridos.

BREIQUINGUE NIUZ: Here we go, again

Sky's the limit

Os investidores que arriscam o seu dinheiro especuladores estão a dizer ao governo: leiam o (Im)pertinências - está lá tudo (quase) sobre a incontornável reestruturação da dívida.

27/04/2011

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Não nos podem deixar entalados

- Estamos mal, diz ela.
- A culpa é da Europa, disse ele.
- Pois é, responde ela.
- A União Europeia não nos pode deixar entalados…, remata ele.

[Conversa escutada de passagem entre um casal de reformados cumprindo o seu jogging matinal. Provavelmente é um paradigma do pensamento político-financeiro da maioria da «choldra ignóbil», como Eça chamaria, se ainda por cá andasse, ao eleitorado do século XXI. Como chamou à populaça do século XIX, pela boca de Carlos Eduardo. E, que diabo, um povo não pode escolher ser choldra? Pode sim senhor. Infelizmente, é cada vez mais difícil obrigar os outros povos a pagarem por isso.]

Lost in translation (101) – é um propósito inútil porque já o fizemos, queria ele dizer

«Esse grupo, que é constituído por ideólogos ultraliberais, visa uma única coisa que é a destruição completa do Estado Social em Portugal», garantiu Francisco de Assis, criatura por vezes assisada fora dos comícios e nem sempre demagógica.

ESTADO DE SÍTIO: As figuras do regime (2)

Continuação de (1)]
  • Mal-amado do regime – Pedro Miguel de Santana Lopes
  • Banqueiro do regime - Ricardo Espírito Santo Silva Salgado
  • Tele-evangelista do regime - Francisco Anacleto Louçã
  • Ministro anexo do regime - Vítor Manuel Ribeiro Constâncio
  • Palhaço do regime – Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim
  • Loura do regime - Edite Fátima Santos Marreiros Estrela
  • Cherne do regime - José Manuel Durão Barroso
  • Promessa do regime – António José Martins Seguro
[Não se sabe se continua]

26/04/2011

Conversa fiada (5) – maior do que a dívida, só a desfaçatez

«Reconheço e valorizo todos aqueles que apelam ao consenso, ao diálogo e à concertação entre todos os políticos. Foi isso que fiz já há muito tempo e há muito tempo que tenho vindo a falar nisso. Poderíamos ter evitado muita coisa se tivéssemos esse espírito
[Palavras de José Sócrates aos jornalistas no pátio de S. Bento no dia 25 de Abril]

Não se sabe o que mais admirar: se a maior desfaçatez de um primeiro-ministro desde a fundação, se a falta de discernimento de um povo em que pelo menos 1/3 não parece dar-se conta de tal desfaçatez, se a tolerância a essa desfaçatez de legiões de eméritos novos situacionistas que militam no PS e dele dependem para manterem as suas tenças.

SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (10)

[Actualização (1), (2), (3), (4), (5), (6), (8) e (9)]

17-12-2008
O ministro das Finanças (MF) diz que o défice em 2009 será de 3% do PIB e não 2,2% .

05-02-2009
É aprovado pelo PS o Orçamento suplementar com uma previsão 3,9% do défice.

21-04-2009
O MF diz que «a despesa está perfeitamente controlada» e que o défice se mantém (3,9%)

15-05-2009
O MF diz que o défice será 5,9% em vez de 3,9%

04-07-2009
O MF mantém que o défice será 5,9%.

22-07-2009
José Sócrates diz que «está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu».

09-10-2009
O MF mantém a previsão de 5,9%.

03-11-2009
A CE anuncia uma previsão de 8% e o MF admite a revisão da estimativa anterior (5,9%).

24-11-2009
Défice do Estado dispara para 8,4% do PIB em 2009, em resultado do orçamento rectificativo redistributivo apresentado à AR.

12-01-2010
O ministro admitiu que o défice de 2009 será superior a 8% do PIB.

26-01-2010
Responsáveis do PSD, que tiveram com o Governo negociações sobre o OE, garantiam que o défice iria passar de um valor próximo de 8,7 por cento em 2009.

27-01-2010
Teixeira dos Santos revelou ... que o défice de 2009 atingiu o valor histórico de 9,3% do PIB.

01-02-2010
«Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias», disse José Sócrates, sem explicar porque não tinha o governo sido capaz de antecipar o défice que resultou das suas decisões, nem como tendo as ajudas sido de menos de 2% do PIB causam um aumento do défice de 2,2% para 9,3%.

27-10-2010
«Sim, sou inflexível. O défice de 2011 tem de ser 4,6%» disse Teixeira dos Santos justificando a ruptura da negociação do OE 2010 com o PSD.

31-03-2011
Em consequência da inclusão no perímetro do OE dos défices das empresas públicas que cobrem os custos com menos de 50% de receitas próprias, segundo os critérios do Eurostat desde há vários anos não cumpridos pelo governo socrático, o INE corrigiu os défices de vários anos:
2009 - 10,0%
2010 - 8,6%

23-04-2011
«Défice de 2010 revisto em alta para 9,1 por cento do PIB» (Acabou por ficar em 11,2%)

24-04-2011
«Agravamento do défice de 2010 sem impacto nas contas futuras»

26-04-2011
«Défice de 2011 acelera para 5,8% com mais quatro SCUT» [Este era o défice que em 27-10-2010 tinha que ser 4,6% e que dois dias antes não era impactado pelo agravamento do défice de 2011]

ESTADO DE SÍTIO: As figuras do regime (1)

A pretexto da efeméride, o (Im)pertinências decidiu elencar as figuras do regime:
  • Supremo tabelião do regime – Aníbal António Cavaco Silva
  • Supremo coveiro do regime – José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa
  • Mito do regime – Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro
  • Oráculo do regime – Henrique Medina Carreira
  • Face do regime – Mário Alberto Nobre Lopes Soares
  • Fugitivo do regime – António Manuel de Oliveira Guterres
[Continua]

25/04/2011

CASE STUDY: Poderá José Sócrates vir a ser a próxima vítima da síndrome da abrilada?

Qualquer cidadão com mais de 55 anos poderá reconhecer o que aqui escrevi há 7 anos:

«O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser. Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.»

Sete anos depois, chamarei a isto a síndrome da abrilada: uma espécie de epidemia de conversões tardias de criaturas que durante anos, por vezes décadas, conviveram com a «situação» alegremente e sem «sobressaltos cívicos», para usar a expressão que o supremo tabelião do regime usou no seu discurso, depois de 5 anos sem sombra de um sobressalto cívico ou outro.

A manifestação original da síndrome da abrilada fez inúmeras vítimas, a começar por Marcelo Caetano. Sem querer fazer de pitonisa, nem ter competência para isso, admito e anseio, confesso, que a mesmo síndrome atinja desta vez José Sócrates. O meu mais anseio do que prognóstico, baseia-se em inúmeros sinais, mais ou menos discretos, de saída em andamento do comboio deste governo por parte de gente durante 6 anos nele comodamente viajando. O último e mais forte desses sinais vem duma personagem maquiavélica da política portuguesa que recentemente emitiu juízos laudatórios de razoabilidade e sensatez sobre Passos Coelho enquanto com ele se encontrava, a pretexto de lhe apresentar a caldeirada do «Compromisso», ao mesmo tempo que vem rareando cada vez mais os seus cumprimentos cada vez menos convincentes a José Sócrates. Há quem veja nisso uma antecipação por Soares da derrota do PS, uma tentativa de ressuscitar um grande bloco central, mantendo o PS no área do poder e prevenindo uma inevitável guerra interna de consequências trágicas se o PS fosse dele afastado.

Não sei se isso acontecerá, mas de uma coisa estou certo: se acontecer, o país e o PS amanhecerão coalhados de críticos de José Sócrates.

Depois da alucinação, a queda violenta no mundo real de um pastorinho da economia dos amanhãs que já não cantam

[Continuação desta alucinação]

A semana passada Nicolau Santos quis envergonhar os senhores que nos humilham, inspeccionando-nos as cuecas contabilísticas borradas, com os nossos prémios de arquitectura. Esta semana caiu na real, como dizem os brasileiros, que sabem muito bem o quanto é difícil, e produziu um artigo no caderno de Economia do Expresso com um título aterrador: «Querem a verdade? Ei-la

Depois de uma entrada em que, como bom praticante do jornalismo de causas, lamenta suspender momentaneamente o exercício de animação a que se dedica há anos, enumera as coisas agradáveis que a miséria das dívidas nos vai impedir de usufruir (desde as férias em sítios exóticos até comprar patés), e escreve: «o mais dramático é que chegámos aqui não por acaso, mas por uma tendência perfeitamente clara e definida».

Em vão, procurei no resto do texto uma explicação para o excelso jornalista económico só ter percebido há poucos meses a «tendência perfeitamente clara e definida» cujo início que ele próprio situa na década de 60.

24/04/2011

Estado assistencialista falhado (5) -

«Bem-estar dos portugueses está ao nível de países atingidos pela guerra». Atingidos pela guerra não me parece apropriado. Talvez mais vencidos na guerra da competência, diligência e honestidade e ocupados pela incompetência, falta de diligência e desonestidade.

ESTADO DE SÍTIO: O FMI nosso amigo – meia dúzia de razões de alívio dos patriotas (2)

[Continuação de (1)]

Quais são as principais reformas estruturais (*) que não foram feitas até agora, de todo ou com a profundidade suficiente? Alguns exemplos: funcionamento da justiça, flexibilização da legislação laboral, serviço nacional de saúde, mercado de arrendamento, reforma administrativa, redução da presença do estado na economia. Certamente não por acaso, todas essas reformas fazem parte do chamado guião da troika.

Rapazes do FMI, sejam bem-vindos!

(*) «Reformas estruturais», segundo o chavão dos economistas do regime, são simplesmente reformas, porque as reformas que não são «estruturais» não são reformas.

SERVIÇO PÚBLICO: o défice de memória (9)

[Actualização deste, deste, deste, deste, deste e deste posts]
17-12-2008
O ministro das Finanças (MF) diz que o défice em 2009 será de 3% do PIB e não 2,2% .

05-02-2009
É aprovado pelo PS o Orçamento suplementar com uma previsão 3,9% do défice.

21-04-2009
O MF diz que «a despesa está perfeitamente controlada» e que o défice se mantém (3,9%)

15-05-2009
O MF diz que o défice será 5,9% em vez de 3,9%

04-07-2009
O MF mantém que o défice será 5,9%.

22-07-2009
José Sócrates diz que «está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu».

09-10-2009
O MF mantém a previsão de 5,9%.

03-11-2009
A CE anuncia uma previsão de 8% e o MF admite a revisão da estimativa anterior (5,9%).

24-11-2009
Défice do Estado dispara para 8,4% do PIB em 2009, em resultado do orçamento rectificativo redistributivo apresentado à AR.

12-01-2010
O ministro admitiu que o défice de 2009 será superior a 8% do PIB.

26-01-2010
Responsáveis do PSD, que tiveram com o Governo negociações sobre o OE, garantiam que o défice iria passar de um valor próximo de 8,7 por cento em 2009.

27-01-2010
Teixeira dos Santos revelou ... que o défice de 2009 atingiu o valor histórico de 9,3% do PIB.

01-02-2010
«Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias», disse José Sócrates, sem explicar porque não tinha o governo sido capaz de antecipar o défice que resultou das suas decisões, nem como tendo as ajudas sido de menos de 2% do PIB causam um aumento do défice de 2,2% para 9,3%.

27-10-2010
«Sim, sou inflexível. O défice de 2011 tem de ser 4,6%» disse Teixeira dos Santos justificando a ruptura da negociação do OE 2010 com o PSD.

31-03-2011
Em consequência da inclusão no perímetro do OE dos défices das empresas públicas que cobrem os custos com menos de 50% de receitas próprias, segundo os critérios do Eurostat desde há vários anos não cumpridos pelo governo socrático, o INE corrigiu os défices de vários anos:
2009 - 10,0%
2010 - 8,6%

23-04-2011
«Défice de 2010 revisto em alta para 9,1 por cento do PIB»

Recorde-se que o défice de 2010 ainda recentemente tinha sido milagrosamente reduzido de 7,3% para 6,9%.

Surpreendido? Só se não é um dos pouquíssimos frequentadores regulares do (Im)pertinências, onde pode ser encontrada uma lista de aldrabices contabilísticas, vasta mas longe, muito longe, de ser exaustiva. Tudo isto é um grande insulto à inteligência e, lamentavelmente, sou forçado a reconhecer que o terço dos portugueses, segundo as sondagens, ainda com opinião positiva do primeiro-ministro, ou gostam de ser insultados ou não são inteligentes.

23/04/2011

Eu não diria melhor

«Os políticos enganam-nos? Sim, desgraçadamente, é verdade que sim e esse é um problema grave. Mais grave do que isso só o reverso da medalha: se alguém nos disser a verdade toda, não votamos neles.»

Miguel Sousa Tavares na sua crónica «Brasil, Portugal, Europa» no Expresso

ESTÓRIAS E MORAIS: Sinais exteriores de riqueza

Estória

Morreu há dias Bijan Paksad, o alfaiate mais caro do mundo, com estabelecimento (House of Bijan) montado em Beverly Hills. Tinha uma carteira de clientes que faria inveja à Bugatti e incluía desde as celebridades de Hollywood, aos presidentes americanos, passando por tiranos (Vladimir Putin) e tiranetes. Entre estes últimos podemos encontrar José Sócrates cujo nome faz parte da lista pintada nos vidros da loja.

Segundo dizia, os seus clientes-alvo eram os homens que ganhavam mais de 100 mil dólares por mês e podiam por isso pagar um fato custando 50 mil. E aqui chegamos à pergunta incontornável: como pode uma criatura que, além de ter assinado uns horrorosos projectos das casinhas na Beira, não se lhe conhece qualquer outra actividade profissional, nem fortuna pessoal, comprar um fatinho que lhe custa 5 meses de ordenado? Para já não falar que o nome pintado no vidro lhe deve ter custado muito mais do que um fatinho. Com o guarda-roupa que o homem exibe em público bem pode ter sido o melhor cliente do de cujus.

E o que interessam essas coisas privadas ao desempenho do cargo? Muito. Em primeiro lugar, porque a vida privada dum primeiro-ministro tem que ser em grande parte pública – assim por alto, excluí-se certamente o que o homem faz dentro de sua casa e em particular na cama. Em segundo lugar, porque assim como não se sustentam democracias dirigidas por gente que não é democrata, também não se pode governar com integridade sem gente íntegra.

Moral

Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vêm.

Mitos (38) – a crise internacional é a causa das nossas misérias

O (Im)pertinências já desmontou em várias circunstâncias (por exemplo aqui ou ali) este mito criado pelo marketing prodigioso do governo e amplificado pela central de manipulação, confrontando-o com o comportamento da China, Índia e Brasil a crescerem a dois dígitos ou quase, a África a 4 ou 5%, os Estados Unidos a 3%, a maior parte da Europa ao redor dos 2%, a OCDE a 2,9% e a economia mundial a crescer 4,5%.

Não tínhamos, porém, confrontado explicitamente o mito com o comportamento da própria economia portuguesa, como o fez Álvaro Santos Pereira no post «O mito da crise internacional» do seu blogue Desmitos, de onde extraí os seguintes gráficos:

Só não vê quem não quer ver que a nossa crise tem barbas e pouco tem a ver com a crise internacional, quer na sua génese quer no seu tempo. E, já agora, também se vê que não há governos inocentes por termos chegado onde chegámos e que a responsabilidade adicional de José Sócrates é a de ter cavado mais fundo o buraco dos antecessores e o que herdou de si próprio do 1.º governo.

22/04/2011

Lost in translation (100) – não me convinha nada estar a montar tudo outra vez, diria ele se fosse sincero

«[É] provavelmente a convicção generalizada de que, nesta crise que Portugal está a atravessar, deixar o PS na oposição não é boa ideia», disse José Miguel Júdice, o «MJ» da sociedade de advogados PLMJ cujo maior cliente é o governo a quem tem facturado nos últimos anos dezenas de milhões.

Pode o benefício da dúvida evoluir para o prejuízo da certeza? (5)

[Continuação de (1), (2), (3) e (4)]

Pode e é o que parece estar a acontecer ao «supremo tabelião do regime»: «pela primeira vez em dez anos, Cavaco Silva é o primeiro chefe de Estado a registar uma popularidade negativa, de acordo com o Barómetro da Marktest»

TRIVIALIDADES: Nada melhor para lhes abrir a cabeça do que lhes partir uma perna

«Desde que se me partiu uma perna que passei a ver as coisas de outra maneira», disse «Manuel Rocha director do Conservatório de Coimbra, músico na Brigada Victor Jara, militante activo do PCP e candidato a deputado» [via Blasfémias].

Qual a diferença entre uma perna ser partida por ciganos e uma perna ser partida por indígenas? Depende do dono da perna. Para a esquerda relativista, será imensa. A menos que se trate da própria perna.

21/04/2011

Golpe de estado? Troika toma as rédeas do país

Reacções da mídia ao que parece um golpe de estado:
Toma as rédeas? Porventura perguntareis: porquê rédeas. Que pergunta. Será preciso explicar?

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Tiro (mais um) no pé de Passos Coelho

«Fernando Nobre é … inconsistente politicamente, como abundantemente demonstrou na última campanha eleitoral e as televisões já começaram a evidenciar impiedosamente, relembrando algumas afirmações comprometedoras e as incoerências em que está a cair.
Nomeadamente penosa é a afirmação peremptória de que nunca seria candidato à Assembleia da República, invocando então razões de coerência e de independência. Por outro lado, não podemos esquecer que Fernando Nobre foi o mandatário da candidatura do BE ao Parlamento Europeu, nem podemos ignorar as posições deste Partido contrárias à União Europeia! Como é que agora pode integrar as listas de um Partido que defende a integração europeia, e ser proposto para segunda figura do Estado, sem que isso seja tomado como mais uma grave contradição e incoerência?

De resto, tenho as maiores dúvidas que a inclusão de Fernando Nobre nas listas do PSD se traduza numa mais-valia eleitoral. Pelo contrário: o cidadão comum olha para esta operação como uma 'caça ao voto' e creio que a generalidade dos eleitores que nele apostaram estão à nossa esquerda e são críticos dos Partidos. Serão provavelmente poucos os que vão acompanhar o candidato nesta transumância.

Mas, mais grave e chocante é o inexplicável compromisso de candidatar Fernando Nobre à Presidência da Assembleia (candidatura cujo desfecho está longe de ser garantido, mesmo com uma maioria parlamentar do PSD). Estamos a falar da segunda figura do Estado, que pode ser chamado em qualquer momento a substituir o Presidente da República, caso em que teríamos um político sem preparação e anti-europeísta no cargo cimeiro do Estado. Estamos a falar de um cargo que, para além das funções meramente protocolares, exige uma experiência parlamentar sólida (não é por acaso que sempre foram eleitos para o efeito personalidades com larga e consistente experiência política e parlamentar). Por outro lado, proporcionar a Fernando Nobre um mandato na Presidência da Assembleia, significa catapultá-lo para a candidatura seguinte à Presidência da República. Se ele decidir avançar, o PSD estará então em condições de lhe negar o apoio?»

Carta (aberta?) de António Capucho ao PSD Cascais, publicada no SOL

20/04/2011

CASE STUDY: Uma (outra) aplicação do efeito Lockheed TriStar ao TGV

aqui e aqui recentemente se escreveu sobre o efeito Lockheed TriStar numa aplicação particular ao TGV. Agora renasce o argumento universal, por assim dizer, que consiste em torrar mais dinheiro para salvar o que já foi ou irá ser torrado. Na circunstância, consiste em justificar os milhares de milhão de investimento e os milhares de milhão de perdas em décadas de exploração deficitária com a perda de 600 milhões de subsídios da UE se não começarmos a torrar os milhares de milhões até 2015.

SERVIÇO PÚBLICO: Serviço público de televisão? O que é isso?

Isso é também um reality show com «semelhanças com o de ‘Big Brother’: 13 pessoas, 24 câmaras, 90 dias, 24 horas … com uma forte componente multiplataforma e interactiva». Esclarecido? E não venham com mas. Que o serviço público custa isto, que custa aquilo (uns quase 3 mil milhões nos últimos 10 anos em taxas de contribuição audiovisual, indemnizações compensatórias e aumentos de capital). A coisa não tem preço. Ponto final.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: O que tem que ser tem muita força

Estamos sempre a falar disso e estamos (quase) sempre em boa companhia:

George Soros (a quase boa companhia) já tinha dito: «It’s patently unjust that the Irish people should absorb all the losses made by the banks and that the bondholders should be totally free, and that I think will have to be modified… Greece in due course, maybe sooner rather than later, will also have to be restructured. Portugal also probably needs it, and that’s about it

Rodrigo Olivares-Caminal da Universidade de Londres: «Portugal estaria claramente melhor com uma reestruturação antes do resgate do FMI e UE.»

David Hannan deputado conservador do PE: «You don’t help an indebted friend by pressing more loans on him. There is an argument for helping Portugal by restructuring its existing debt; there is no argument whatever for increasing its liabilities.»

Avelino de Jesus, economista e professor do ISEG: «A ponderação da nossa situação leva-nos a sublinhar três exigências que a experiência alemã mostra serem incontornáveis:
1. A negociação da redução da dívida, o alongamento para um período adequado dos pagamentos e a redução dos juros para níveis moderados (próximos de 3,5%);
2. A entrada em acção de agentes políticos regeneradores, livres das responsabilidades pelas loucuras que provocaram o endividamento excessivo, com elevada capacidade negocial face aos credores;
3. A formulação e execução de uma política equivalente à desestatização/des nazificação da Alemanha que represente uma efectiva ruptura face ao persistente modelo estatizante que nos conduziu até aqui

Nuno Monteiro, professor de ciência política em Yale, e Eduardo Sousa, analista senior do Santander Totta: «A debt default would dispel the spectre of Weimar, with stagnant – or worse, contracting – economies leading to rising populist tendencies that could undermine democracy in member states and thus imperil European peace. A co-ordinated debt default would not endanger the stability of the euro and the EU. In fact, it might be the best way to preserve it.»

Lost in translation (99) – Rigor? Já fizemos engenharia orçamental no passado. Voltaremos a fazê-lo no futuro, queria ele dizer (XXIII)

Ainda não perceberam como se faz o milagre da execução orçamental? Para começo de explicação tomem lá: «os hospitais devem à indústria farmacêutica mais de mil milhões de euros e os prazos médios de pagamento são superiores a um ano quando deviam ser de um máximo de três meses, revelou a associação do sector». 0,6% já cá cantam. Procurem o resto.

19/04/2011

A alucinação terminal de um pastorinho da economia dos amanhãs que já não cantam

Por certo com um tremor emocionado na pena, Nicolau Santos escreveu no caderno de Economia do Expresso a bela peça ardentemente patriótica a seguir transcrita, onde aparentemente pretende saldar a dívida em boa parte contraída para construir casinhas (daí que os gajos do FMI saibam perfeitamente que não vivemos em cavernas, antes pelo contrário) com Pritzker e, de caminho, aproveita para redimir com Outstanding Structure as trafulhices nas contas.

NÃO UM MAS DOIS PRITZKER

Os senhores que aterraram esta semana na Portela e estão a vasculhar as nossas contas públicas saberão o que é um Pritzker? Pois digam-lhes que é o Prémio Nobel da Arquitetura. E que nós temos não um mas dois arquitetos que já o ganharam, Siza Vieira e Souto Moura. E expliquem-lhes que a arquitetura portuguesa é hoje objeto de atenção e estudo por parte dos seus pares em todo o mundo. E que há muito poucos países que tenham mais Pritzker que nós - e nenhum em que os dois sejam da mesma cidade.

Depois perguntem-lhes se sabem o que é o Prémio Outstanding Structure. Expliquem-lhes que é o Prémio Nobel para a engenharia na área das estruturas. Depois digam-lhes outra vez que temos dois. Um por causa da Igreja da Santíssima Trindade em Fátima, da responsabilidade de José Mota Freitas; outro pela estrutura do Aeroporto do Funchal, um projeto da de António Segadães Tavares. Revelem-lhes ainda que só há dois países no mundo que receberam mais vezes este prémio que Portugal: Estados Unidos e Alemanha.

Finalmente, mostrem-lhes que a exportação portuguesa de serviços de engenharia e arquitetura passou de €283 milhões em 2006 para 595 milhões em 2010. Talvez assim percebam que não somos uns selvagens que ainda vivem em cavernas
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BREIQUINGUE NIUZ: agora é oficial (outra vez)

Republicação deste post a propósito do dilema dilacerante, atrasado 6 anos, do cristão-democrata, rigorosamente centrista, social-democrata, socialista, indeciso professor doutor Freitas do Amaral:

Depois ter sido compagnon de route do socialismo socrático durante vários anos e autor dum celebrado panegírico manteigueiro do engenheiro Sócrates, o professor Freitas do Amaral parece ter iniciado este ano um processo de branqueamento da sua persona política. Primeiro, sugerindo explicações que o governo deveria dar sobre o endividamento e a desorçamentação em curso, e agora prenunciando as tempestades que se foram formando durante 5 anos no bojo de supostas bonanças:
«Toda a gente já percebeu que, além da crise económica, Portugal está a viver neste momento uma crise política. Só o PS não quer reconhecê-la… É certo que a crise ainda não explodiu, mas as nuvens negras acumulam-se no céu e, para quem saiba olhar e queira ver, elas prenunciam uma tempestade
O insigne tremendo com a visão da tempestade

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Mais vale tarde do que nunca

Secção Albergue espanhol

Aqui no (Im)pertinências não temos em grande conta a doutrina do professor Carrilho, em particular a sua inclinação para a cóltura de Estado subsidiada, nem o seu inchadíssimo ego. Devemos, contudo, reconhecer que a criatura tem uma coluna, coisa cada vez mais rara nos meios socialistas onde predominam os moluscos.

Poderá a nomenclatura socratina dizer que a criatura anda ressabiado com o terem-lhe posto fim à principesca tença da UNESCO. Poderá, mas outros a quem cortaram a tença estão mais calados do que um túmulo. É por isso que é preciso saudar o seu artigo «O álibi» no DN onde denuncia a «incómoda exuberância do espectáculo» (o encontro da IURD, como lhe chamou JAS), o «bajular o líder no seu bunker», «indigência intelectual e o perfil ético de tantos "senadores" do PS», os «erros de governação do próprio PS», o «candidato eficaz … e governante medíocre».

Três afonsos para o excelentíssimo que só não leva cinco por que se atrasou mais de um ano.

Pode o benefício da dúvida evoluir para o prejuízo da certeza? (4)

[Continuação de (1), (2) e (3)]

Como se ficou a saber pelo Expresso o fim-de-semana passado, as águas do caso SLN-BP turvam-se cada vez mais e o papel de Cavaco Silva parece cada dia mais equívoco. Não se trata, pelo menos por agora, de ilegalidades e muito menos de crime. Trata-se de não saber o que pensar de um homem que, sendo o supremo magistrado na nação, como se dizia nos tempos do fascismo, ou o supremo tabelião do regime (*) como foi justamente apelidado um presidente que se encolhe nos momentos mais críticos, se pretende apresentar com uma imagem impoluta. Imagem sem aderência a uma personagem que já se sabia adquiriu acções a 1 euro e as vendeu a 2,4 euros um ano depois a um Oliveira Costa envolvido numa gigantesca fraude, a maior em quase um século. Acções que, sabe-se agora, Oliveira Costa tinha comprado a 2,1 euros e assim suportou (com que propósito?) um prejuízo de 275 mil euros para proporcionar a Cavaco Silva um ganho de 350 mil euros e outro tanto a sua filha?

É claro que podemos fintar a ética e dar explicações do tipo das que Sócrates deu no caso TVI («não tenho conhecimento formal»), mas nesse caso o que separaria Cavaco de Sócrates?

Que país é este com um presidente com a reputação assim manchada e um primeiro-ministro envolvido em mais trapalhadas e mentiras do que a totalidade dos primeiros-ministros, desde pelo menos a queda da 1.ª república? E, já agora, um país que tem um Duarte Lima, antigo presidente do grupo parlamentar de um dos dois partidos do poder, que aparece envolvido em trapalhadas que começam nos seus tempos de parlamentar com dezenas de contas bancárias por onde circularam milagrosamente milhões de contos, e continuam agora com estórias de morte no Brasil e, uma vez mais, sabe-se agora, envolvimentos no caso SLN-BPN - les bons esprits se rencontrent?

(*) Um belo achado que li algures e cujo autor, a quem presto as minhas homenagens, infelizmente não recordo.