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27/12/2016

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (2) - Rigor financeiro, disse ele

«Em qualquer caso, é muito importante que se tenha chegado a esse resultado, porque há nove meses as pessoas profetizavam que nunca se chegaria a nada parecido com isso.

Ainda vamos no défice de nove meses e o optimismo do primeiro-ministro parece mostrar que ele sabe mais coisas do que nós sabemos e que espera ainda melhor do que o défice de Setembro, porque ele fala num défice inferior a 2,5%. Eu, realisticamente, falei sempre em 2,5%.

Aparentemente, pode acontecer que o optimismo do primeiro-ministro justifique um défice até ligeiramente inferior a 2,5%, mas para já 2,5% é aquilo que a Comissão Europeia achava ser fundamental e é aquilo que corresponde a ser seguido um caminho de rigor financeiro e que eu também considero fundamental e os portugueses consideram.»

Disse o presidente da República aos jornalistas depois de ter promulgado em corrida o OE 2017

Registo que o governo da geringonça conseguiu pela primeira vez na história de Portugal acertar no défice com um rigor de um ponto base, É extraordinário quando os governos que o antecederam falharam por vários pontos percentuais. No caso de Teixeira dos Santos, outro paradigma de rigor financeiro, o défice de 2009 começou em 2,2% e acabou em 10,0%.

Tanto rigor recorda-me uma anedota de actuários - uns sujeitos conhecidos pelas suas preocupações de rigor - cuja conclusão é serem os profissionais que trabalham para a Mafia os mais rigorosos de todos. Eles não se limitam a estimar a taxa de mortalidade, prevêem exactamente quem vai morrer.

2 comentários:

Anónimo disse...

Tanto rigor recorda-me uma anedota de actuários - uns sujeitos conhecidos pelas suas preocupações de rigor - cuja conclusão é serem os profissionais que trabalham para a Mafia os mais rigorosos de todos.

Só uns toscos é que escrevem mal o português.

Pertinente disse...

Fico na dúvida se devo agradecer ao autor do inteligente comentário anterior por se ter dignado apreciar a qualidade do português do post ou se a anedota exige demais à sua capacidade de compreender a ironia.
Tosco agradecido