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14/12/2016

BREIQUINGUE NIUZ: Na melhor hipótese foi um tiro de pólvora seca, na pior foi um tiro no pé

É costume dizer-se que no regime em vigor um partido na oposição não ganha as eleições. É o partido no governo que as perde, normalmente derrotado pelo cansaço ou pela realidade. É por isso longa a lista de líderes da oposição que no passado não resistiram à travessia do deserto.

E porquê? Sendo o Estado (com maiúscula), historicamente, o alfa e o ómega da vida portuguesa e a chamada sociedade civil apenas um seu apêndice que nele encontra a sua justificação, fora do Estado não se existe política e socialmente. A começar pela prosaica razão que quem controla o Estado controla a máquina de distribuição de rendas, subsídios, empregos, tenças, favores, alvarás, negócios vários e tutti quanti. Quem não controla o Estado só pode fazer promessas julgadas vãs até ao momento em que emperra a máquina de distribuição, normalmente por falta de dinheiro.

É por essa má fortuna e por erros próprios que Passos Coelho está muito provavelmente destinado a agonizar às mãos do próprio aparelho do PSD, incapaz de sofrear a impaciência e, por isso, procurando um capo que o cavalgue em direcção ao poder. E, também por isso, se agita uma meia dúzia de candidatos levados ao colo por jornalistas amigos e até por jornalistas que, se a candidatura tiver sucesso, se transformarão em jornalistas inimigos.

Entre esses candidatos, encontramos um que já foi candidato a candidato de quase tudo – Rui Rio, um ex-presidente da câmara do Porto relativamente bem sucedido, mas irremediavelmente complexado por não pertencer ao eixo Estoril-Cascais, para usar a expressão (adequada, de resto) de um outro complexado que já foi líder do PSD.

Sem se dar conta de que é apenas um peão num tabuleiro em que se movimentam, às claras e sobretudo às escuras, jogadores, como o presidente dos afectos e o chefe da geringonça, acolitados por inúmeros opinion dealers e a tropa-fandanga do jornalismo de causas, Rio empertiga-se e tenta uma pose de estadista produzindo ideias para a salvação do país.

A pior hipótese
A última dessas ideias foi acrescentar à longa lista de impostos mais um para pagar a dívida. Uma ideia à primeira vista inexequível (a lei orçamental não permite a consignação de receitas) e à segunda vista irremediavelmente disparatada, tão disparatada que não parece ter havido uma única criatura que a apoiasse - o Expresso, um dos promotores da sua candidatura a líder do PSD (em rigor um instrumento para apear Passos Coelho)  - titulou enfaticamente «Ninguém compra o imposto de Rio».

Na melhor hipótese foi um tiro de pólvora seca, na pior foi um tiro no pé.

1 comentário:

Lura do Grilo disse...

.... um tiro no pé ou talvez um pouco mais acima