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02/12/2016

CASE STUDY: Trumpologia (3) - Diz-me quem escolhes, dir-te-ei quem és

Um alegado misógino escolhe várias mulheres para o seu governo: Elaine L. Chao (Transportes, foi responsável pelo Trabalho com George W. Bush), Betsy DeVos (Educação, adepta do cheque-educação), Nikki R. Haley (embaixadora nas ONU, filha de imigrantes indianos, governadora da Carolina do Sul), todas elas fortemente críticas de Trump durante a campanha, e, eventualmente, escolherá ainda Victoria A. Lipnic (Trabalho, comissária para a Igualdade de Oportunidades de Emprego) e Sarah Palin (Administração Interna, antiga governador do Alasca e candidata a vice-presidente).

Um alegado racista escolherá provavelmente um neurocirurgião negro, Ben Carson, seu adversário nas primárias para a Habitação e Urbanismo.

Uma personagem instável e imprevisível nomeou Chief of Staff Reince Priebus (uma espécie de secretário geral do Partido Republicano), o general  James N. Mattis para a Defesa e poderá nomear o general David H. Petraeus para director da National Intelligence, escolhas consideradas seguras, mas também já nomeou National Security Adviser o general Michael T. Flynn, adepto de uma cruzada contra o fundamentalismo islâmico.

E o que dizer da escolha de Steve Bannon para Chief Strategist, um combativo doutrinador anti-elites, um dos inspiradores da Alt-Right e do Tea Party, auto-proclamado «nacionalista económico» que defende políticas keynesianas que fariam as delícias da nossa esquerda? (Fontes: Hollywood Reporter e NYT - um artigo dum jornal apoiante de Hillary Clinton dá um exemplo de jornalismo independente, evitando os clichés e a demonização do adversário).

E como explicar que Trump considere poder convidar para secretário de Estado (ministro dos NE) Mitt Romney, o candidato republicano de 2012, que disse dele o que Maomé não disse do chouriço: «fingido, fraude. As suas promessas são tão inúteis quanto um grau da Universidade Trump. Trata os eleitores americanos como otários. (...) Não tem nem o temperamento nem o julgamento para ser presidente»? E perguntando por perguntar, como explicar que uma criatura que diz tais coisas de outra considere poder aceitar ser por ela nomeada? (Fonte)

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