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10/06/2013

Pro memoria (114) – Procurai na liberalidade e nos erros do passado as raízes da austeridade do presente (e do futuro)

Ao princípio eram as SCUT, uma invenção da dupla Guterres-Cravinho, que proporcionaria uma espécie de paraíso rodoviário onde se circularia à borla até ao fim dos tempos. Já então, para os mais precavidos, borla significava uma pesada factura nas próximas décadas, como até os portugueses mais distraídos haveriam de perceber gradualmente nos anos seguintes.

Dez anos mais tarde José Sócrates, o discípulo de Guterres, apertado pela falta de dinheiro, foi forçado a mandar o ministro Mário Jamais Lino instalar o sistema de cobrança de portagens das SCUT. O ministro aprestou-se a instalar as portagens «o mais depressa possível», o que demorou praticamente 7 anos, como se recorda nesta retrospectiva.

Em vez de então optar pelo sistema testadíssimo da Via Verde, o governo escolheu um sistema de chips de matrícula, por razões que só se compreenderiam estando envolvidos donativos para o PS e para os intermediários, como aqui se deduziu.

O ano passado, decorridos 8 anos da escolha do sistema de cobrança de portagens pelo ministro Jamais Lino, a Estradas de Portugal, segundo o Expresso, pagou 42 milhões de euros para cobrar as portagens nas sete SCT, ou seja mais de 40% do seu valor. Não admira ter-se chegado a um volume de dívida da empresa que António Ramalho, presidente da EP considera ser o «verdadeiramente insustentável», como disse à comissão parlamentar de inquérito às PPP. Até 2030, a responsabilidade da EP com as concessões rodoviárias é de 16 mil milhões de euros, sem IVA, ou seja mais de 15 vezes o EBITDA da empresa.

Nos momentos mais exaltados, os indignados que hoje vociferam contra a austeridade, a troika, a Merkel e o Gaspar deveriam bater nas suas desconchavadas monas para se punirem por esses anos de alienação, poupando-nos a essa indignação tão tardia quanto inútil.

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