Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

02/06/2013

SERVIÇO PÚBLICO: Duas dúvidas existenciais sobre o agravamento do défice em 600 milhões a melhoria do défice em 200 milhões

Clicar para ampliar
Este diagrama sobre as contas públicas até Abril, de Paulo Trigo Pereira, publicado num seu artigo no Público, é tão autoexplicativo que dispensaria comentários. Ou talvez não, uma vez que os mídia, praticamente sem excepções, não perceberam nada do que se passou. Só algumas chamadas de atenção.

Do lado da receita, não há surpresas; os impostos directos aumentam 18% em resultado do aumento das taxas de IRS e os indirectos diminuem 4% pela quebra do consumo; as contribuições para a segurança social aumentam 4% devido à componente CGA;

Do lado da despesa tudo aumenta, como seria de esperar, porque as reformas do Estado estão à espera do guião/argumentário do Dr. Paulo Portas; o aumento das despesas com o pessoal explica-se devido à antecipação do subsídio que representará 320 milhões – sem isso as despesas com pessoa teriam baixado de 148 milhões; as despesas de saúde reduzem-se ligeiramente o que num contexto de aumento sistemático desde há décadas é mais positivo do que parece; as outras despesas (uma parte será investimento) aumentam sem que se perceba porquê.

O saldo positivo aumentou 128 milhões e, corrigido do efeito do subsídio, aumenta 448 milhões.

Nas contas da Segurança Social e CGA, o aumento conjugado das pensões foi de 10,6% ou 716 milhões; sem surpresa, os subsídios de desemprego aumentaram 14%; corrigindo dos 563 milhões dos duodécimos do subsídio, as pensões teriam aumentado apenas 153 milhões e o saldo negativo teria sido reduzido de 8 milhões.

Em resumo: o agravamento do défice de 683 milhões, corrigido do efeito da antecipação do pagamento do subsídio de cerca de 320 + 563 = 883 milhões, transforma-se numa melhoria de 200 milhões.

Feitas estas contas de mercearia, acessíveis a um motorista de táxi com a antiga 4.ª classe, ficam-me duas dúvidas existenciais:
  • O caso do jornalismo de causas, que unanimemente passou ao lado destas elementaridades clamando um aumento colossal do défice, é um caso de incompetência pura ou explica-se apenas pela completa ausência de escrúpulos?
  • O caso do governo ser incapaz de explicar isto decentemente é um caso de incompetência pura ou explica-se por andarem ocupados a escrever o guião/argumentário da reforma do Estado?

1 comentário:

Unknown disse...

Boa tarde,

Referi este seu post aqui:

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/06/do-jornalismo-de-rotulos.html

Cumprimentos.