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29/06/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (18)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16) e (17)

Há pelo menos dois Portugais. Há o Portugal que faz greves, que resiste às mudanças inevitáveis, amarrado aos direitos adquiridos, que sai para as ruas a protestar, que vai às televisões perorar contra a austeridade. E há o Portugal que silenciosamente se adapta, trabalha e faz pela vida. Se avaliarmos os pesos de cada um deles pelo ruído mediático, o primeiro dos Portugais, à boleia do jornalismo de causas e das luminárias incompetentes e cobardes que dominam os mídia, esmaga a humildade do segundo. Quando saímos do mundo do espectáculo as coisas podem ser diferentes.

Como tem sido salientado aqui no (Im)pertinências, as contas externas têm vindo a melhorar significativamente nos dois últimos anos. Isso deve-se ao que este governo fez? Alguma coisa, mas deve-se sobretudo ao que fez o Portugal que não depende do Estado. As contas externas até Abril, divulgadas no Boletim Estatístico de Junho do BdeP, mostram claramente a continuação dessa melhoria. Pela primeira vez desde há muitas décadas, não estamos a ter saldos negativos na balança corrente, ou seja não estamos a aumentar o endividamento ao exterior.



Fonte: Boletim Estatístico de Junho do BdeP
É claro que sempre se pode dizer que os saldos melhoram porque se importa menos. Ainda que a verdade fosse só essa, já seria positivo porque não é possível as famílias, as empresas, o Estado e, portanto, o país terem durante décadas mais despesas do que receitas. Contudo, a verdade é mais do que isso: em relação ao período de Janeiro a Abril as exportações de bens aumentaram de 15.172 para 15.786 milhões (4,0%) e as de serviços aumentaram de 5.437 para 5.673 milhões (4,3%).

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