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20/11/2010

CASE STUDY: A escola caviar, a imobilidade social e o recrutamento da PT – a diferença da partícula

Há dois meses publiquei este post a propósito de um artigo de artigo de Henrique Raposo atribuindo à escola caviar a destruição do futuro dos filhos dos mais pobres e responsabilizando por tal obra a esquerda caviar ou o radical chic e a sua doutrina educativa. Nesse post dava o exemplo dos 100 «novos colaboradores, jovens recém-licenciados que foram seleccionados e formados através do programa Trainees PT em 2010» cujos nomes, especulava eu, indiciavam uma origem social bastante diferente da que presumivelmente aparentaria uma pauta da escola C+S da Brandoa.

Alguns detractores amigos ou simples leitores comentaram que era uma ideia classista sem fundamento porque se havia coisa mais neutral seriam os nomes. Argumentei sem sucesso que as classes sociais, em todo o lado e mais intensamente num país com fraca mobilidade social que dá grande importância ao status, distinguem-se em tudo: vestuário (desde as peúgas até às gravatas ou sutiãs, passando pelas cuecas ou calcinhas), discurso, carro, casa, gostos, etc., e também os nomes.

Por falta de tempo, só agora consegui fazer uma análise comparativa dos 100 nomes dos jovens recém-licenciados da PT com um número aproximado (97) de nomes de adolescentes do 5.º ano duma escola da periferia que uma mão amiga me fez chegar. Eis os resultados, que falam por si sobre os sinais que os nomes emitem.


Apesar de os resultados falarem por si, eis alguns sublinhados em intenção de algum duro de ouvido transitando por aqui:
  • A discriminação do sexo não parece poupar as meninas da PT;
  • Algo surpreendentemente há uma grande coincidência entre os nomes próprios mais frequentes, apesar duma diferença de idades de cerca de 10 anos [hipótese: as classes baixas escolhem os nomes da geração anterior das classes altas];
  • Os nomes próprios estrangeirados, ou não tradicionalmente portugueses, são muito mais frequentes na amostra de alunos do 5.º [em parte explicado por um certo número de alunos brasileiros: Déboras, Vinicius, Jessicas, etc.];
  • Ao contrário, os apelidos estrangeirados são um pouco mais frequentes nos jovens PT, mas enquanto os dos alunos do 5.º evocam terceiro-mundismo de emigrantes, os jovens PT exalam status e patina [ver a lista no post anterior];
  • O número de apelidos aparece claramente como um factor distintivo muito forte: quase metade dos jovens PT têm 3 ou mais apelidos contra menos de 1/7 dos adolescentes periféricos;
  • O que verdadeiramente distingue uns dos doutros são as partículas (da, de, do, dos, e): mais de metade dos jovens PT apresenta uma ou mais partículas no nomes e não se encontra um única na amostra dos adolescentes periféricos.
Qed?

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