Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

04/11/2010

A diferença entre ser bom e vender-se bem (2)

António Horta Osório não é apenas provavelmente o gestor português mais capaz e com maior notoriedade internacional, o que já é imenso. António Horta Osório, tudo indica, tem igualmente uma qualidade pouco abundante nos meios domésticos da alta gestão: integridade. Foi isso que mostrou durante os seus anos em Portugal ao manter-se à distância da partidocracia e desse pequeno círculo de vaidades e mediocridade das luminárias locais de gestão. Ao aceitar trocar a posição segura que tem num banco, que é uma sua criação em Inglaterra, pela responsabilidade dum banco com problemas sérios que assustariam 99 em cada 100 gestores domésticos e ao aceitar fazê-lo com um «corte substancial» na remuneração, mostra uma qualidade invulgar: o gosto pelo risco. Uma qualidade num país em que 999 em cada 1.000 gestores têm uma profunda aversão ao risco e se pelam por saltar para o colo do governo, para o colo de um grupo que está ao colo ou dá colo ao governo.

Declaração de desinteresse:
Não conheço António Horta Osório. Uma única vez, partilhei o mesmo voo Madrid-Lisboa e tomei nota que se encontrava sozinho carregando a própria pasta e, salvo erro, viajando na classe económica. No mesmo voo, uns quantos gestores inchados com a sua própria vacuidade viajaram em executiva com um ou dois acólitos para lhe levarem os papéis.

Sem comentários: