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16/02/2005

TRIVIALIDADES: O desgraçadinho e o vilão

Será preciso dizer que o vencedor do debate de ontem à noite foi a afonia de Jerónimo de Sousa?

Não houve novidades, apenas confirmações. Duas das confirmações merecem referência especial por serem notavelmente reveladoras do que vai na alma dos nossos líderes partidários.

Com excepção do engenheiro Sócrates, que, de tão rígido na sua pose, tentando controlar aquelas mãozinhas esvoaçantes, se esqueceu, os outros líderes fizeram questão de mostrar a mais piedosa solidariedade com o infortúnio de Jerónimo de Sousa. É o nosso entranhado desvelo pelo desgraçadinho no seu melhor, a ternura por aqueles que já não sentimos como uma ameaça e de quem, por isso, temos pena. Possivelmente tal desvelo vai também ser sentido pelos eleitores hesitantes e reflectido nos votos. É caso para o doutor Anacleto ficar preocupado pelos efeitos no seu depósito geral de adidos.

Se tivemos um desgraçadinho, tínhamos que ter um vilão. Uma vez mais, com suspeita unanimidade, o vilão foi o sector mais competitivo da economia portuguesa e que mais se aproxima das best practices, dos níveis de excelência no serviço e dos padrões internacionais de produtividade: a banca.

Não merece referência a enorme ignorância e incompetência do demagogo doutor Anacleto Louçã, ao invocar um privilégio inexistente na aplicação do DL 404/90, já aplicado nos últimos 15 anos vezes sem conta na reestruturação de empresas de todos os sectores. O que merece ser relevado é o seguidismo com que as outras luminárias quiserem mostrar os galões e aproveitaram a oportunidade para cascar no vilão de serviço. Fizeram-no com a fundada expectativa de dividendos eleitorais, porque se há coisa que os eleitores portugueses, consumidos pela inveja e apertados pelos passivos, gostam de ouvir, é cascar no sucesso, nos poderosos, no «capital financeiro» (Vicente Jorge Silva nos comentários na RTP N, recuando subitamente 30 anos até ao Comércio do Funchal).

Ainda vamos assistir a uma campanha liderada pelo BE, apoiada pela acção ou omissão dos outros partidos, a exigir o perdão da dívida dos inadimplentes de carteiras prenhes de cartões de crédito, cravejados de dívidas para comprar o chaço, a casinha e as férias no nordeste brasileiro, que precisariam de duas vidas para pagar. A seguir podemos nacionalizar outra vez a banca.

[o desgraçadinho e o vilão]

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