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06/02/2005

CASE STUDY: Os programas não são para se cumprir (2) - zero à esquerda

aqui confessei a minha irremediável falta de pachorra para ler com atenção os programas de governo. Para evitar sucumbir definitivamente à preguiça, forcei-me a ir dar uma outra olhadela ao Semanário Económico da semana passada. Na página 5 desenterrei «a aposta num "orçamento de base zero"» do Bloco de Esquerda .

Não acreditei no que li. Os jornalistas do Semanário Económico, aproveitando a proximidade do carnaval, divertiram-se à custa do BE. Só podia ser. Como é que as almas bloquistas foram desenterrar, com trinta anos de atraso, uma ferramenta de «gestão capitalista» que se, aplicada à letra, exigiria fundamentar a partir do primeiro tostão cada departamento, cada funcionário, cada projecto, cada despesa? Como é que essas criaturas conciliariam a prescrição duma técnica orçamental que, se aplicada com um módico de honestidade e competência, levaria a eliminar as banhas da vaca marsupial pública e despachar para o desemprego umas centenas de milhares dos seus utentes, com a primeira («CRIAR EMPREGO E REDUZIR A PRECARIEDADE») das suas «10 prioridades para os primeiros 100 dias»?

Saberão eles o que é o orçamento de base zero? Talvez saibam, o que tornará as coisas ainda mais tenebrosas. Sabendo, o que o BE nos propõe é o regresso dum estado soviético com 5 milhões de funcionários e 10 milhões de «cidadãos-utentes» trabalhando com uma utópica eficiência garantida pelo orçamento de base zero.

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