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22/02/2005

DIÁRIO DE BORDO: Mandaram-nos vir? Agora aturem-nos

Que os portugueses não querem reformas é coisa que até um cego poderia ver. Mas após esta eleição é mais do que isso que está em causa. Foi um novo paradigma que emergiu. Quem viu o programa Prós e Contras na RTP1 esta noite pode ter assistido a uma antevisão, no microcosmo do estúdio, do que serão os próximos 4 anos (ou menos).

O PS a ouvir com sorrisos de Mona Lisa o discurso do realismo e da competência, representado na circunstância por Sérgio Figueiredo e Vítor Bento. Um discurso afogado pelos dislates alarves e ruidosos da esquerdalhada.

Um PS a debitar a cassete do discurso vazio do optimismo e da confiança (melhor lhe chamariam fé), das reformas indolores, do sol na eira e da chuva no nabal.

Um PS acossado pela esquerdalhada, na circunstância protagonizada por um doutor Miguel Portas, acreditando representar o Bloco de Esquerda e mais um milhão de eleitores que votaram por engano no PS, e protagonizada por um travesti, acreditando representar o Partido Comunista e o povo inteiro, incluindo este vosso criado que por certo vai ter pesadelos esta noite.

Tenho, porém, que conceder que o doutor Miguel Portas, no meio dos seus delírios, disse, por outras palavras, uma coisa absolutamente certa: o voto no PS é uma caldeirada.

É uma caldeirada porque o discurso do engenheiro Sócrates foi o discurso da ambiguidade. As expectativas que ele, por manha ou por incompetência (vem a dar o mesmo), deixou que se criassem são tão divergentes que, faça o que fizer, não faça o que não fizer, vai ser penalizado. Essa base eleitoral vai começar a desfazer-se na primeira esquina da governação e jamais será uma base social de suporte a reformas indispensáveis. A seguir à base eleitoral, desfaz-se por dentro a federação de cliques ideológicas que é o PS, com algumas das suas seitas a fazerem coro com a esquerdalhada.

Até amanhã, camaradas.

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