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16/02/2005

DIÁRIO DE BORDO: O grande chefe apache e as traições do cardeal trânsfuga

Nestes tempos do paradigma do político mediático plastificado, o único líder partidário que me inspira confiança e simpatia é Jerónimo de Sousa. Chefe duma tribo em extinção, tal como o seu homónimo Geronimo da tribo apache chiricahua, o homem tem o carisma e a coragem dos lutadores de causas perdidas. Sucedendo ao chefe songamonga doutor Carvalhas, percebeu rapidamente que para salvar a tribo da extinção teria que unir os índios à volta duma liderança forte e inspiradora, combater os trânsfugas (os renegados «renovadores») e atacar a outra tribo que ocupa o mesmo território - os esquerdistas do BE, que sofrem daquela doença infantil de que falava o camarada Ulianov. Inspirado no agit-prop vintage, baptizou magistralmente o Bloco de Esquerda de «depósito geral de adidos». Quase tão boa, só a boutade do doutor Sarmento Rodrigues ao baptizar o chefe do depósito, doutor Anacleto, de «tele-evangelista».

Além dessas qualidades intrínsecas, o nosso Jerónimo tem o aspecto recomendável dum ser sexualmente ortodoxo - um gajo que já deu umas cambalhotas com as camaradas, mas capacitado para uma relação estável com uma camarada companheira. Nada de troca de namoradas. Nada de ficar do lado errado na guerra dos sexos. Nada daqueles meneios de mãozinhas e de ancas, daquelas volubilidades e inconstâncias próprias de emasculados e de homens efeminados, que talvez façam babar as leitoras da Caras e as gajas do politicamente correcto, mas deixam indiferentes as sólidas camaradas sempre prontas para a brincadeira. Estou mesmo a ouvi-lo dizer para a camarada companheira, quando vê aqueles líderes que a gente sabe (que são quase todos os outros e que se encaixam numa daquelas duas categorias): lá estão aqueles maricas a enganar o povo.

Só não voto nele porque ainda me obrigaria a trabalhar numa empresa pública (outra vez) e mandaria o Copcon engavetar-me por ter um blogue «desalinhado, desconforme, herético, heterodoxo e homofóbico».

Por falar em trânsfugas, quem é que pode dar crédito ao doutor Pina Moura? De zeloso apparatchik do PCP, passou a cardeal do senhor engenheiro, e passou-se a seguir para o lado do inimigo capitalista, ainda para mais espanhol. Trocou as migalhas que papava do orçamento pelas côdeas comidas na mão da castelhana Iberdrola, que «conta com Sócrates para expandir-se».

Ficámos agora a saber que, alem das outras traições ao proletariado já conhecidas, o cardeal «Pina Moura "retirou" dívidas dos clubes das certidões fiscais» quando esteve ao serviço do governo da burguesia (e dos coronéis do futebol) chefiado pelo senhor engenheiro.

ESCLARECIMENTO a quem possa não interessar:
Comecei a escrever este post antes do combate dos chefes na RTP1. Como se viu, o nosso Jerónimo participou diminuído por uma aflitiva afonia - ainda não foi desta que se vez ouvir a voz da classe operária. Aos olhos da tribo apache (onde momentaneamente o Impertinências se inclui), isso só o engrandece. Em vez de andar a mastigar aquelas pastilhas que os maricas chupam ou a engolir colheradas daqueles xaropes que os maricas lambem, o Jerónimo enfrentou a afonia até que a voz lhe doeu. É dómem.

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