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12/02/2005

CASE STUDY: Os programas não são para se cumprir (3) - O choque tecnológico e os sobreviventes do comunismo

Quase tão incansável como o doutor Anacleto Louça, o Impertinências prossegue, passo a passo, a saga dos programas de governo.

Ao ver, uns destes dias, pela janela do meu escritório uns serventes acartarem baldes de cimento e tijolos, ocorreu-me uma ideia para ajudar o engenheiro Sócrates a preencher os famosos mil lugares para Investigação & Desenvolvimento que ele diz que vai criar na administração pública. É mais um subsídio, uma mãozinha impertinente para cumprir o seu programa.

Os serventes em causa são cidadãos do leste, sobreviventes das ruínas do socialismo real. Têm um ar diligente, limpo (dentro do possível) e educado, que contrasta com o aspecto boçal comum no pessoal das obras. Como muitos outros imigrantes do leste, têm provavelmente uma formação universitária e competências técnicas e científicas que os habilitariam a preencher os tais mil lugares.

A não ser assim, esses lugares terão que ser preenchidos com recurso à chusma de analfabetos funcionais provenientes da JS, carregados de diplomas de humanidades e ciências ocultas, que teriam de ser depositados em cima da camada anterior dos analfabetos funcionais provenientes da JSD, que, por sua vez, por força da alternância, jaziam sobre um estrato mais antigo de JS's, e assim sucessivamente.

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