Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

09/06/2008

A função zingarilho aplicável aos campeonatos europeus de chuto na bola

Segundo parece, o Euro 2008 terá um impacto na economia europeia de 1,4 mil milhões de euros, isto é 75% superior ao impacto do Euro 2004 organizado por Portugal. Em contrapartida, enquanto neste último o governo de Guterres torrou mais de mil milhões para construir 8 novos estádios, a maioria dos quais está actualmente destinado às moscas, no Euro 2008 a Áustria e a Suíça (tal como a Bélgica e a Holanda em 2000) partilharam a organização e construíram apenas 2 novos estádios. É caso para invocar a pertinência das funções zingarilho: quanto mais miséria, mais espavento.

Ocorre-me, a propósito, perguntar se no âmbito da Responsabilidade civil extracontratual do Estado e seus agentes prevista na Lei 67/2007 de 31-12 será ainda possível accionar judicialmente António Guterres e seu ministro-adjunto do primeiro-ministro com a tutela do Desporto, que por coincidência se chamava José Sócrates.

08/06/2008

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: da igualdade pirosa à igualdade pilosa dos géneros

Na minha geração, as feministas assanhadas queimavam os sutiãs (não é verdade, mas podia ser), não rapavam os pêlos dos sovacos e das pernas, nem o buço. Na geração dos meus netos, as netas das feministas assanhadas e as outras netas convencem os namorados a depilarem os pêlos das pernas, do peito e doutros sítios. É uma estratégia mais inteligente para o mesmo objectivo: a igualdade pilosa dos géneros.

07/06/2008

ESTADO DE SÍTIO: há um Goebbels no Portal do Cidadão (e em muito outros sítios)

Portugal é o 3º melhor ao nível da Banda Larga
De acordo com o Broadband Efficiency Índex, Portugal teve a terceira melhor performance dos 30 países da OCDE no grau de eficiência na adopção da Banda Larga. A Islândia e a Bélgica lideram o índex.

[Portal do Cidadão, 4 de Junho]

Portugal desce no “ranking” da Banda Larga da OCDE
Portugal desceu no “ranking” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que revela os dados sobre a penetração da banda larga. Num “ranking” de 30 países, Portugal ocupa o lugar 24.

[Jornal de Negócios, 5 de Junho]

05/06/2008

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: o desenvolvimento económico sem causas

Há dois anos o Banco Mundial reuniu uma comissão dedicada a estudar o desenvolvimento económico. Não para teorizar sobre receitas para o crescimento, mas para analizar em detalhe as razões do sucesso dos únicos 13 países do globo que conseguiram alcançar uma taxa de crescimento superior a 7% ao longo de pelo menos 25 anos consecutivos, a contar em 1950. O crescimento, dizem, não é um milagre, mas pode ser explicado e até repetido.

Como se pode imaginar são quase todos asiáticos (China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coreia (Sul), Malasia, Oman, Singapura, Taiwan e Tailandia) mas não só: Malta, Botswana e Brasil completam a lista. Poder-se-ia acrescentar India e Vietnam, que vão nos 15 anos.
Não há muito em comum entre eles, são grandes e pequenos, autoritários e democráticos, e razoavelmente espalhados pela Terra.
O resultado final deste exercício foi agora publicado e aponta para uma mescla DE recomendações heterodoxas, umas profundamente liberais, outras profundamente de esquerda.

O mercado, a mobilidade laboral, a globalização económica (este considerado como o principal) são essenciais mas também o termo da desigualdade dos géneros, a segurança económica a melhoria na educação e sua extensão a toda a sociedade, a arte de bem governar.... Foram em particular identificados cinco factores que todos esses países tem em comum. Com efeito todos:
1. Exploraram plenamente a abertura da economia mundial
2. Mantiveram estabilidade macroeconómica.
3. Apresentam altas taxas de poupança e de investimento.
4. Deixam aos mercados a aplicação dos recursos disponíveis a investir
5.Tem governos empenhados, credíveis e capazes.

As estratégias baseadas no mercado interno e na aprocura interna não podem ter sucesso, porque fácilmente atingem o limite. E não pode haver limite a prazo, e não autorga à economia a mesma liberdade para especializar-se no que melhor produz.

A democracia é que não parece ser um requisito imprescindível.

O meu papel consistiu em ler os jornais e fazer de relator para vocês: não participei nos trabalhos da comissão (deixei vaga a 21ª cadeira) que integrou académicos, políticos, governadores de bancos centrais, maioritáriamente de países em desenvolvimento. E dois prémios Nobel da Economia.

O crescimento não é um objectivo em si mesmo. Mas é importante porque é essencial para conseguir aquilo que preocupa toda a gente: redução da pobreza, emprego produtivo educação, saúde e oportunidade de ser criativo. É sob este último ponto de vista que a comissão e eu achamos que vocês têm todos razão.

(Os créditos vão para Walter Oppenheimer, autor do artigo a partir do qual compus a minha nota. Gostava até de transcrever o parágrafo final:

"A abertura à economia global á qualificada como a característica compartilhada mais importante e lição central deste relatório. Os países de alto crescimento beneficiam-se de duas formas: por um lado importam ideias, tecnologia e conhecimento do resto do mundo; por outro exploram a procura global para os seus bens, gerada num mercado grande e elástico. Para dizê-lo de forma simples, importam o que o resto do mundo conhece e exportam o que o resto do mundo necessita.")


[de um email de JARF que, não morrendo de amores pelos mercados, percebe que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal]

04/06/2008

Greve dizem eles. Lockout digo eu.

Embarcações de pesca estão paradas como forma de protesto (?) contra o aumento do preço dos combustíveis. Nuns casos essas embarcações são propriedade de armadores que as mantém amarradas, geralmente com o apoio dos pescadores. No caso da pesca artesanal os pescadores, eles próprios proprietários das embarcações, fazem o mesmo.

Os jornais e o ministro da Agricultura e das Pescas falam em greve. Segundo a Wikipedia (definições pouco rigorosas, mas que para o caso servem):

  • Greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho realizada por trabalhadores com o propósito de obter benefícios, como aumento de salário, melhoria de condições de trabalho ou direitos trabalhistas, ou para evitar a perda de benefícios.
  • Lockout é a recusa por parte da entidade patronal em ceder aos trabalhadores os instrumentos de trabalho necessários para a sua actividade.
Se esta paralização da pesca for classificável, estará mais para o lado do lockout do que da greve. Acontece que segundo o Artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa «é garantido o direito à greve» mas «é proibido o lock-out».

02/06/2008

SERVIÇO PÚBLICO: oito razões para nos alegrarmos com a alta dos preços do petróleo

SHADES OF GREEN
$8-a-gallon gas
Commentary: Eight reasons higher prices will do us a world of good

SAN FRANCISCO (MarketWatch) -- For one of the nastiest substances on earth, crude oil has an amazing grip on the globe. We all know the stuff's poison, yet we're as dependent on it as our air and water supplies -- which, of course, is what oil is poisoning.
Shouldn't we be technologically advanced enough here in the 21st Century to quit siphoning off the pus of the Earth? Regardless whether you believe global warming is threatening the planet's future, you must admit crude is passé.

Americans should be celebrating rather than shuddering over the arrival of $4-a-gallon gasoline. We lived on cheap gas too long, failed to innovate and now face the consequences of competing for a finite resource amid fast-expanding global demand.
A further price rise as in Europe to $8 a gallon -- or $200 and more to fill a large SUV's tank -- would be a catalyst for economic, political and social change of profound national and global impact. We could face an economic squeeze, but it would be the pain before the gain.
The U.S. economy absorbed a tripling in gas prices in the last six years without falling into recession, at least through March. Ravenous demand from China and India could see prices further double in the next few years -- and jumpstart the overdue process of weaning ourselves off fossil fuels.
Consider the world of good that would come of pricing crude oil and gasoline at levels that would strain our finances as much as they're straining international relations and the planet's long-term health:
(Continue a ler aqui)

01/06/2008

A diplomacia económica portuguesa em acção

Depois de Angola e da Venezuela, o governo, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, abre uma nova frente: Paraguai, Segundo o Expresso, Portugal já é o principal investidor europeu e o ministro antevê um futuro radioso para a cooperação entre os dois países. Haverá um fio condutor escondido que proporcione um racional alternativo à evidência?

ESTADO DE SÍTIO: mais dum mesmo, outra vez

Só distraídos poderiam esperar que algum dos três candidatos com hipóteses nas directas do PSD poderia seria outra coisa do que mais dum mesmo - um mesmo que é o mesmo de sempre com os retoques idiossincráticos dos candidatos e as pequenas diferenças que separam os seus correligionários.

O doutor Santana Lopes seria igual a si próprio e já nos mostrou suficientemente o seu self durante 30 anos. Talvez tivesse algumas ideias que exporia com reconhecida eloquência, mas provavelmente as suas ideias menos más não seriam novas e as suas ideias novas não seriam boas. O seu PPD/PSD já deu o que tinha a dar, ainda que o próprio Santana Lopes tenha virtualidades de nos animar durante mais uns 20 ou 30 anos.

O doutor Passos Coelho rapidamente deixaria cair as suas veleidades liberalizantes para ficar prisioneiro da realidade que é a do aparelho do PSD que apostou nele e a que ele próprio pertence há mais de 20 anos. Aparelho que se sustenta da ocupação do estado que tenta parasitar com a mesma gula vampírica de sempre.

A ideia mais elaborada que a doutora Ferreira Leite tem para governar o país, se lhe derem a oportunidade (um se de tamanho XL), é a reedição do cavaquismo com 20 anos de atraso, agora matizado com umas preocupações sociais. Recorde-se que o cavaquismo durante 10 anos compôs os cacos do estado que recebeu do Bloco Central e criou as fundações para o monstro voraz que hoje consome metade da riqueza produzida pelo país.

No final 4 anos de socratismo durante os quais o governo dissipou ingloriamente todo o crédito de que dispôs para fazer as reformas indispensáveis para o país sair do limbo, ficará o ressentimento de interesses ameaçados, mas nunca postos em causa, e de desigualdades sociais arbitrárias e inúteis de que não resultou maior competitividade. É este o país doente que espera a doutora Ferreira Leite e não se vê que as suas medicinas possam curá-lo.

30/05/2008

Já quase me esquecia de perguntar

A AG do Millenium bcp aprovou por maioria superior a 2/3 a proposta do Conselho Geral e de Supervisão para manter a KPMG como auditores. Serão os mesmos accionistas prejudicados durante anos pelas manobras de Jardim Gonçalves, das quais resultou a destruição maciça de valor (acções compradas a 5 euros nos aumentos de capital pouco tempo depois estavam cotadas a 3 e agora a menos de 2 euros), que aprovaram a escolha dos auditores que durante esses anos não escutaram, não viram e não falaram?

Auditors at work

29/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: tirou-me as palavras do teclado

Secção Perguntas impertinentes

Frequentemente, o doutor Mário Soares demonstra-nos que o seu pensamento político já ultrapassou o prazo de validade. Foi assim ontem, outra vez, quando perorou ao DN sobre os seus fantamas recorrentes. A este propósito, leiam-se as palavras certeiras de Camilo Lourenço no Jornal de Notícias:
«Há anos que me interrogo sobre o que leva Mário Soares a falar de questões que não domina. Ontem, a propósito das assimetrias sociais em Portugal (problema gravíssimo), Soares falou, no “DN”, sobre várias matérias: globalização, neoliberalismo, papel do Estado... Do que disse, destaco o ataque à globalização, a quem responsabiliza pelos problemas do mundo, e o apelo ao fortalecimento do Estado, a quem pede para “não entregar a riqueza aos privados” (tirada curiosa, vinda de quem iniciou a abertura da economia aos privados).

Na questão da globalização, Soares parece não saber que a queda das barreiras alfandegárias tirou da miséria mais de 150 milhões de chineses e centenas de milhões de indianos, coreanos, vietnamitas, brasileiros e mexicanos. Por outro lado, esquece-se de que foram os preços baixos, filhos da globalização, que permitiram ao mundo ter hoje acesso a coisas que, sem ela, não poderia pagar.

É impressionante como alguém a quem o País tanto deve (é também graças a si que hoje posso escrever estas linhas) assine um texto que podia ter sido parido por Hugo Chávez ou Fidel Castro.

Compreende-se que Soares queira, em nome da ala esquerda do PS, manietar Sócrates, mas para isso não precisa de fazer má figura. É que a globalização fez mais pelo combate à miséria e democratização do bem-estar, no mundo, do que todas as políticas socialistas juntas desde Marx e Engels.
»
Só faltou perguntar: onde está a riqueza criada pelo Estado que Mário Soares pede para não entregar aos «privados»?

Atribuo ao doutor Soares cinco bourbons, por continuar igual a si próprio, e três chateaubriands, por não lhe ter ocorrido a pergunta cuja resposta teria evitado alguns dislates.

28/05/2008

Milagre: Ângelo Correia teve uma revelação

“O País só olhará para o partido doutra maneira se houver um novo líder, um rosto novo, uma janela aberta sobre o País, que deixe entrar uma lufada de ar fresco. Senão continuará o mofo, o bafio, o mesmo do passado”, afirmou. Segundo disse, a mudança em Portugal “não se fará com os do costume” e “cada pessoa tem o seu tempo”. (Público)

Depois de ter apoiado (fabricado) Luís Filipe Menezes, Ângelo Correia foi visitado pela Nossa Senhora de Fátima que lhe revelou o quarto segredo.

Don't blame racism. Just go to school.


[Nearer to overcoming, May 8th 2008, The Economist print edition]

27/05/2008

CASE STUDY: sempre atrasados

Décadas depois da Europa ter abandonado o colonialismo, ainda defendiamos o «Ultramar». Décadas após a queda dos regimes de inspiração fascista na Europa, ainda tínhamos o Botas, a Mocidade Portuguesa e a Legião. Décadas depois da Europa ter abandonado as nacionalizações, estávamos a nacionalizar 30% do VAB. Décadas após o declínio dos partidos comunistas e da dissolução do esquerdismo, assistimos a um segundo fôlego do PCP e do Berloque de Esquerda.

Décadas depois dos ventos liberais terem soprado, chegaram-nos à costa umas tímidas brisas vagamente liberais que despenteiam as cabeleiras geralmente muito compostinhas dos candidatos a presidente do maior partido da oposição.

26/05/2008

Ele sabe do que fala

Segundo o Jornal de Negócios, «especuladores são os principais responsáveis pela subida do preço do petróleo» disse Georges Soros numa entrevista ao Daily Telegraph. Soros, precisamente, «the man who broke the Bank of London» numa célebre quarta-feira negra há 16 anos e que acaba de ser multado por um tribunal francês em 2 milhões de euros por insider trading.

25/05/2008

As coisas nunca estão tão más que não possam melhorar

Para calibrar a mira do (Im)pertinências e compensar o pendor jeremíaco dos últimos dias, deve dizer-se que Portugal subiu em 2008 duas posições no World Competitiveness Scoreboard do IMD.

[clicar para ampliar]

24/05/2008

DIÁRIO DE BORDO: A propósito de A Matemática das Coisas, de Nuno Crato

[daqui]

Mãezinha

A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.

28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido

desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos...
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)
Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.

Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maior sossego,
às horas em que entrava e saía do emprego.

Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.


António Gedeão / Rómulo de Carvalho, professor de liceu, investigador, pedagogo, divulgador e poeta

23/05/2008

ESTADO DE SÍTIO: as coisas nunca estão tão más que não possam piorar

Desde há pelo menos 7 anos (para não recuar até ao século XVI) que o país é o paraíso para qualquer jeremias, sobretudo para os jeremias medíocres e pouco imaginativos, visto que as coisas estão habitualmente tão pouco promissoras que se exige apenas um esforço mental evanescente para fazer constatações ou projecções pessimistas, ou mesmo catastrofistas.

Aqui no (Im)pertinências, onde se pratica um jeremismo de excelência, é sentido um vácuo de desafios. É por isso com um certo fastio que aqui se trata amiúde da confirmação que as medidas do costume, aplicadas pelos sujeitos do costume, só podem ter os resultados do costume.

Tudo isto a propósito dos Indicadores de Conjuntura do BdeP, ainda com a tinta fresca, a que nem os valorosos esforços do ministro anexo doutor Constâncio conseguem transmitir o ânimo que certamente o senhor engenheiro Sócrates espera da instituição.

Ele é o indicador coincidente mensal da actividade económica que volta a portar-se mal em Abril. Ele é o indicador coincidente mensal do consumo privado que lhe segue o exemplo. Ele é a confiança dos consumidores que continua pasmada, a confiança na indústria transformadora, na construção e no comércio a retalho que estão na mesma ou pioraram. Ele é o saldo do comércio externo que voltou a agravar-se. E não, não é só o problema dos combustíveis, porque mesmo excluindo estes as importações aumentaram mais do que as importações.

A única coisa que parece continuar a correr bem é o saque dos sujeitos passivos. O primeiro quadrimestre viu a receita de impostos directos aumentar 7,2% e a do IVA aumentar 5%. A despesa corrente primária do Estado aumentou 3,6%, mais de 1 ponto percentual acima da inflacção, evidenciando a boa saúde do monstro que o professor Cavaco recebeu dos seus antecessores, alimentou com zelo e legou aos seus sucessores. Estes, honra lhes seja feita, têm-se portado à altura da insaciável voracidade do Moloch.

22/05/2008

Pensamento do dia (2)

Vivemos cada vez mais, perseguimos a quimera do amor por toda a vida, liquidámos o casamento para toda a vida e fugimos à inevitabilidade do fim do emprego para toda a vida.

21/05/2008

BREIQUINGUE NIUZ: j'aime le béton, il a dit

Prenunciado pelo doutor Nazaré, que por seu turno, fora prenunciado pelo doutor Constâncio, «Mário Lino diz que, até aqui, se desvalorizou a importância do sector da construção no crescimento económico, na criação de emprego e no combate do défice orçamental e equilíbrio das contas públicas. E fala de "preconceito" e "interesses partidários" naqueles que invocam a sua "política de betão".»

Durante décadas de salazarismo, de marcelismo, de cavaquismo, a política de betão foi vilipendiada por preconceito e interesses partidários, como todos sabemos. O doutor Lino disse ontem na Conferência da AECOPS «Jamais avec moi. Ça sufit.» e anunciou um ciclo original em que o betão vai ter o lugar que lhe compete.

19/05/2008

CASE STUDY: o nosso problema é «uma orografia complexa»

Agitou-se o ministro anexo doutor Constâncio, na sua intervenção de sexta-feira, a clamar contra as «ideias que apontam para a redução do peso do Estado» e logo o doutor Nazaré lhe faz eco esta manhã enaltecendo os méritos do investimento em obras públicas.

Ao contrário do doutor Constâncio cujo argumentário se perde na estratosfera da macroeconomia, o doutor Nazaré recorre a argumentos mais terrenos. Alguns deles parecem à primeira vista argumentos para os adversários do seu pensamento.

Exemplo deste último tipo de argumentos é a sua tese da evidente falta de resultados dos fundos comunitários torrados na formação profissional demonstrar implicitamente que o caminho a seguir é torrar outros fundos comunitários e o dinheiro dos contribuintes em auto-estradas, IPs e ICs que ninguém usa.

Para o doutor Nazaré esse investimento em vias rodoviários permitirá contornar «uma orografia complexa, uma mobilidade humana limitada e uma assimetria gritante entre o litoral e o interior, largamente ditada por séculos de isolamento geográfico». Segundo o doutor Nazaré «a admiração que alguns estrangeiros exprimem perante o descongestionamento de algumas das nossas auto-estradas é ilusória». A leitura do quadro seguinte extraído do relatório da Brisa permite perceber a admiração de alguns estrangeiros e a ilusão do doutor Nazaré, que teve a sorte de não nascer na Suiça (nem na Irlanda).

[Clicar para ampliar]

Pensamento do dia

Se um dia lhe disserem que o seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se que a Arca de Noé foi construída por amadores. Quem construiu o Titanic foram profissionais.

18/05/2008

SERVIÇO PÚBLICO: o doutor Teixeira dos Santos dá um tiro no pé

No final do ano passado a AR aprovou o Regime da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado e Demais Entidades Públicas (Lei 67/2007 de 31 de Dezembro). O diploma teve a ameaça de veto do PR, que levou a introduzir alterações no projecto inicial, e certamente terá tido o beneplácito do governo.

O novo regime, além de redefinir a responsabilidade do estado, estabelece (artigo 8.º n.º 1) que «os titulares de órgãos, funcionários e agentes são responsáveis pelos danos que resultem de acções ou omissões ilícitas, por eles cometidas com dolo ou com diligência e zelo manifestamente inferiores àqueles a que se encontravam obrigados em razão do cargo». É difícil não concordar com uma disposição que responsabiliza quem causa voluntariamente ou por incúria danos aos sujeitos passivos, vítimas do arbítrio do estado napoleónico-estalinista.

Como seria de esperar neste país de fazedores de leis «avançadas» e não aplicadas, ninguém pensou seriamente nas consequências de tal ejaculação do órgão legislativo. Passados 5 meses, perante o risco de redução do saque dos contribuintes, resultado do cagaço dos funcionários fiscais, fiéis executores da política do pague primeiro e reclame depois, , o governo pela boca do ministro das Finanças vem agora corrigir a pontaria com uma patacoada dita «à entrada de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia».

«O Estado vai de facto constituir um seguro que permite cobrir a sua [dos funcionários] responsabilidade civil extracontratual", disse hoje Fernando Teixeira dos Santos, em Bruxelas» (Público). Não explicou o ministro como pode o governo «constituir um seguro», nem como irá o governo compelir legalmente as seguradoras a praticá-lo e a subscrevê-lo, nem quem irá pagar o respectivo prémio.

Também não explicou como irá o governo fintar o quadro legal da actividade seguradora que considera «como contrários à ordem pública os contratos de seguro que garantam ... Responsabilidade criminal ou disciplinar» (artigo 192.º do Decreto-Lei n.º 94-B/98 de 17 de Abril).

16/05/2008

Their son of a bitch

Não fico espantado quando ouço o que dizem ou escrevem (os mais afoitos) adeptos do FCP, numa linha estratégica tortuosa de desculpabilização, os mais assanhados, ou de relativização, os mais envergonhados, de Pinto da Costa e dos seus pit bulls no caso Apito Dourado e nas outras trapalhadas mafiosas em que se envolveram. Afinal tratando-se dum presidente dos lampiões ou dos lagartos, uns e outros adoptariam, seguramente os primeiros, provavelmente os segundos, a mesma estratégia. Há apenas uma diferença de tom. No caso do FCP, dum tom ressabiado ridiculamente provinciano.

Espanta-me um pouco mais que luminárias liberais tripeiras afinem pelo mesmo diapasão. Ocorre-me o que se diz que o presidente Franklin D. Roosevelt terá dito em 1939 a propósito do apoio ao ditador Somoza: «he may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch». A mesma frase foi reiteradamente aplicada para justificar as cumplicidades da administração americana com muitos outros ditadores, um pouco por todo o mundo.

15/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: será a doutora Manuela Ferreira Leite o dom Sebastião do PSD?

Secção Padre Anchieta

Questionada pelo Público sobre o que pensava sobre o casamento das bichas e dos sapatões, a doutora Manuela aos costumes disse nada. Também disse nada a todas as outras questões que o Público colocou aos candidatos a presidente do PSD.

Tudo indica que a doutora Manuela, e com com ela muitos dos seus apoiantes, considera que a único atributo relevante para o candidato é o seu carácter, particularmente a sua putativa integridade, presumindo-se que a sua é inquestionável, não se podendo dizer o mesmo da dos outros, em particular do menino guerreiro.

Por este critério, se eu votasse nessas eleições, proporia a ressurreição, seguida de candidatura, de várias figuras que por esse critério mereceriam mais o meu voto do que a doutora Manuela. Por falta de tempo indico apenas o venerando professor doutor António de Oliveira Salazar, que além de ter sido incorruptível, sabia mais de Finanças Públicas e de gestão do orçamento do estado, como se viu.

Enquanto aguardo a ressurreição do venerando, ofereço à doutora Manuela mais 3 chateaubriands, pela sua convicção inabalável, e 2 bourbons pela sua inabalável convicção.

13/05/2008

Jantar - o remédio para a fome

O Clube dos Economistas vai realizar no dia 28 de Maio, quando passa mais um aniversário da revolução fassista (ou será contra-revolução?), um jantar para debater o tema "A Crise Alimentar: Suas Origens e Consequências".

Um dos oradores convidados será a Dra. Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar contra a Fome. Terá a seu cargo o catering?

Não há jantares à borla. A coisa custa 35 euros, julgo.

12/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: será o doutor Passos Coelho um liberal clandestino?

Secção Assaults of thoughts

«Os portugueses que querem uma sociedade mais estatizada, mais controlada, com uma democracia musculada podem escolher o PS. Os portugueses que querem uma sociedade mais livre, onde os cidadãos estejam no centro das atenções, onde o Estado se coloque numa posição de parceria com a sociedade, podem votar no PSD». Foi o que disse hoje o doutor Passos Coelho. Supondo que ele que quer significar o que as palavras que disse podem significar, como pôde ter sido presidente do cóio de carreiristas medíocres que é a JSD (e as outras juventudes, já agora)? Como pôde fazer um percurso e conviver sem sobressaltos com o caldo popularucho e sócio-democrata que tem sido o PSD nos últimos 20 anos (boa vontade minha)?

Não espero que o doutor Passos Coelho seja um liberal, espécie mal caracterizada e mais rara na paisagem nacional do que o lince da serra da Malcata. Espero que ao menos não sinta aquele desvelo colectivista pelo estado assistencial, omnipresente e omnipotente, desvelo endémico no PSD e, já agora, nessa criatura informe que é o CDS, e, claro, inscrito no código genético do PS.

Dois ou três talvez afonsos, se o doutor Passos Coelhos quis dizer o que tem dito, e três ou quatro talvez chateaubriands, se disse o que tem dito só para ser singular.

Qual será mais real?


10/05/2008

Est-ce qu'ils sont des pédés ou c'est juste pour épater le bourgeois?

O ministro da Cóltura brasileiro Gilberto Gil num momento íntimo com o cantor Lulu Santos (visto no perspectivas)

08/05/2008

CASE STUDY: a Eslovénia não tem um engenheiro Sócrates

Se tivesse, andaria a substituir importações. Também não tem um plano tecnológico.

Em vez disso, têm empresas como a Pipistrel que vai produzir o Taurus Electro, o primeiro avião eléctrico a ser comercializado que custará cerca de 85.000 Euros.

07/05/2008

Propostas de pós-graduação (últimas)

Uma vez mais segundo o inquérito 2008 do Guia Expresso do Estudante, as últimas (não por falta de matéria, mas por esgotamento da pachorra) «propostas» notáveis de pós-graduações, mestrados e doutoramentos.

A Faculdade de Motricidade Humana apresenta refrescantes pós-graduações como Golfe (6 meses) e Yoga - da Intervenção à Gestão (2 semestres). Quem não se fica atrás é a Escola Superior de Educação Jean Piaget de Arcozelo que nos propõe Gestão de Academias e Fitness (10 meses).

O Instituto Superior de Agronomia, perdido o seu objecto principal como o desaparecimento do último agricultor, dedica-nos pós-graduações em Arboricultura Urbana (150 horas) e Gastronomia Molecular: do Laboratório para a Cozinha (não nos diz qual a duração, mas isto é coisa para 4 semestres).

Até a Universidade Católica, outrora tão sisuda, nos proporciona na sua Faculdade de Ciências Humanas, uma pós-graduação em Educação da Afectividade e da Sexualidade (2 semestres), muito útil para a saída do armário de adolescentes com obsessões masturbatórias.

A Universidade Lusófona do Porto avança com imprescindíveis pós-graduações em Formação de Psicoterapeutas de Orientação Transpessoal (2 anos) e Mediação de Conflitos em Contexto Escolar (1 semestre).

A Universidade Portucalense Infante D. Henrique, por seu turno, oferece uma pós-graduação elitista (apenas aberta a licenciados) de 3 meses em Gestão e Administração de Condomínios.

Para quem espere que a Escola Superior de Marketing e Publicidade se dedique a pós-graduações mercantilistas e prosaicas, desiluda-se. Comunicação e Semiótica é uma das suas propostas mais estimulantes para 4 semestres.

06/05/2008

BREIQUINGUE NIUZ: a ressurreição da doutrina da substituição de importações segundo o engenheiro Sócrates

«Na cerimónia de apresentação de um novo projecto da tecnológica alemã Qimonda, realizada hoje em Vila do Conde, José Sócrates, citado pela agência Lusa salientou que "Portugal tem hoje um 'cluster' nas energias renováveis que não tinha há três anos", tendo acrescentado que o país "está agora a produzir o que antes era importado porque era demasiado sofisticado para ser feito em Portugal".» (Diário Económico)

Com 60 anos de atraso, o melhor do pensamento económico do engenheiro Sócrates ressuscitou a doutrina da substituição das importações, imaginada pela esquerdalhada que infestava a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) no princípio dos anos cinquenta, que deu um pouco por toda a América Latina os resultados conhecidos. E também por cá o marcelismo a adoptou ao colo da adesão à EFTA, com resultados obscurecidos pelas trapalhadas do PREC. Abandonada por todos, incluindo as luminárias que aconselham o presidente Lula da Silva, parece ter sido acolhida como doutrina oficial do governo (pelo menos nessa manhã).

Este soluço doutrinal foi produzido durante a inauguração da fábrica da Qimonda que fabricará células solares cujo sofisticado processo de produção não incorpora uma só patente, um módico de tecnologia gerado pelas sinapses de cientistas portugueses.

05/05/2008

Propostas de pós-graduação (3)

Sempre segundo o inquérito 2008 do Guia Expresso do Estudante, mais «propostas» de pós-graduações, mestrados e doutoramentos.

A Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, um verdadeiro alfobre, oferece-nos também um mestrado de 4 semestres em Observação e Análise da Relação Educativa, uma excelente ferramenta para interpretar vídeos sobre a disputa de telemóveis entre docentes e discentes.

A Faculdade de Economia da mesma universidade não fica atrás e propõe-nos uma pós-graduação em Sociologia - Mobilidade e Identidades que só peca pela insuficiência dos 3 trimestres previstos.

Esta universidade excede-se quando, além das citadas pós-graduações, nos oferece na sua Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais um mestrado de 4 semestres em Gestão e Manutenção de Campos de Golfe, já devidamente saudado na blogosfera como um marco nesta matéria.

Na outra extremidade do país, a Universidade do Minho apresenta um naipe de imperdíveis pós-graduções. Ele é o Design de Jeans Wear (1 semestre), ele é a Engenharia Humana (2 semestres), ele é a Modelação em Manequim (1 semestre). E vários utilissimos mestrados, como a Educação - Área de Especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária (de Natureza Profissional) ou Estudos da Criança - Área de Especialização em Associativismo e Animação Sócio-Cultural, ambos com a duração de 4 semestres.

04/05/2008

Propostas de pós-graduação (2)

Sempre segundo o inquérito 2008 do Guia Expresso do Estudante, mais algumas «propostas» notáveis de pós-graduações, mestrados e doutoramentos que nos hão-de levar ao Olimpo das qualificações.

Da Faculdade de Letras de Coimbra chega-nos o mestrado Ensino de Inglês e de outra Língua Estrangeira no Ensino Básico ou de Inglês e de Outra Língua Estrangeira no 3.º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, com uma duração de 4 semestres digna do comprimento do título. 4 semestres são certamente suficientes para um ucraniano falar um português quase perfeito mas podem não ser suficientes para um licenciado português em Línguas Modernas aprender a ensinar jovens portugueses a falar mesmo imperfeitamente Inglês ou outra Língua Estrangeira.

O mestrado Vitimização da Criança e do Adolescente, proposto pela Faculdade de Medicina de Lisboa com a duração de 4 semestres, é sem dúvida um dos mais promissores nas saídas profissionais. Esperamos ansiosamente pelo mestrado Vitimização do Adulto que resolveria o desemprego dos licenciados em Psicologia e Ciências Sociais, aos quais também é proposto a Vitimização da Criança e do Adolescente.

A Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve oferece um must em pós-graduações: Ensino de Competências Comutativas na Aula de Inglês. A «proposta» só é manchada por uma duração reduzida face às complexidades da Comutatividade que não se compadecem com uma meras 25 horas.

Amanhã pode haver mais.

03/05/2008

CASE STUDY: a realidade raramente se conforma com o dogma do politicamente correcto

A esquerdalhada em geral, e em particular as seitas do politicamente correcto e dos movimentos Elbêgêtê, têm cada um per se e todos no conjunto a capacidade de ocupar os mídia ou pelo menos servirem-se deles como suas câmaras de eco. Daí a lenda da vulgata gay, raramente posta em causa, do peso crescente que a comunidade gay teria na sociedade. Até um semanário que se leva a sério, como o Expresso, publicou nos finais de 2005 um encomiástico artigo com o título «Um milhão de portugueses são homossexuais» (aqui citado).

Acontece que os factos conhecidos não parecem confirmar as estatísticas de causas propaladas pelo jornalismo de causas. É o caso do Inquérito Saúde e Sexualidade (2007) do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, citado pelo Público, que abrange uma amostra substancialmente superior à dimensão habitual neste tipo de estudos (3.643 entrevistas, contra 1.980 indivíduos na sondagem citada pelo Expresso).

Segundo o inquérito, apenas 3,7% dos homens e 3,9% das mulheres se definia como homo, bi ou «outra» (sexo com animais?). Percentagens que pouco diferiam dos que confessaram ter tido relações homo no último ano: 3% dos homens e 3,4% das mulheres. Sendo conhecidas as práticas sexuais standard nestes grupos, se a pergunta se referisse às relações homo nos últimos 5 anos as percentagens não deveriam diferir significativamente.

O pior está para vir: 78,4% dos homens e 63,6% desaprovam as relações homossexuais. Uma das autoras do inquérito, a doutora Sofia Aboim, extrai daí a conclusão abusiva que «Portugal ainda é um país homofóbico», fazendo equivaler o juízo moral sobre a homossexualidade à vontade da sua proibição, à boa maneira das milícias do politicamente correcto que mal disfarçam o desejo de proibir as opiniões heréticas.

02/05/2008

Propostas de pós-graduação (1)

Segundo o inquérito 2008 do Guia Expresso do Estudante, a oferta de pós-graduações, mestrados e doutoramentos atinge a pantagruélica cifra de 1.500 «propostas» no ensino público e privado, universitário e politécnico.

Atinge-se um índice de 15 «propostas» de pós-graduação por 100.000 habitantes (o facto deste índice ser possivelmente idiota torna-o bastante apropriado para o efeito). Se não temos gente qualificada não será por falta de «propostas».

É difícil destacar algumas, mas vou tentar.

O mestrado da Universidade Aberta de Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares, coisa para 4 semestres, é algo aliciante para um jovem licenciado aprender a arrumar os 132 livros da escola C+S da Amareleja.

Outro mestrado imperdível da Universidade de Coimbra é Lazer e Desenvolvimento Local, obra de 3 semestres que deixarão os mestrando preparadíssimos para organizar excursões promovidas pela câmara de Condeixa-a-Nova.

A Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra propõe uma pós-graduação de duração indeterminada em Consentimento Informado, como área de especialização do Direito da Medicina. Nada mais útil para o graduando estar apto a explicar aos sexagenários os benefícios duma ecografia prostática.

Amanhã há mais.

01/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: atraso irremediável e razão antes de tempo

Secção Óbvio Ululante

«"Os governos PSD/PP nada mudaram em relação aos anteriores governos de Guterres” e mostraram “total incapacidade de fazer a reforma da Administração Pública, que nem sequer foi enunciada”. “Estes senhores [o actual Governo do PS] pelo menos enunciaram-na». O que se fez foi “contabilidade criativa” e “martelar os défices”. ... a situação do País “não se transforma com a visão contabilística”.»

É difícil não estar de acordo com o que disse ontem o engenheiro Mira Amaral, numa sessão de promoção da candidatura do doutor Passos Coelho, com um atraso de meia dúzia de anos, a respeito do papel da doutora Manuela Ferreira Leite como superministra do governo do doutor José Barroso.

É ainda mais difícil não estar de acordo, em princípio, com o candidato quando disse «para mudar Portugal, não é preciso andar rodeado de amigos, “basta escolher os melhores”». Em princípio, sublinho em princípio, porque no fim a coisa é bem mais complicada. É preciso saber se o eleitorado, composto por sujeitos passivos, membros do partido do estado, funcionários públicos, aposentados, e outros, pretende mudar Portugal. É também conveniente saber se os melhores estão disponíveis para ser escolhidos pelos medíocres.

Na dúvida, atribuo 3 chateaubriands ao engenheiro Miral Amaral pelo atraso e dois afonsos (à consignação) ao doutor Passos Coelho pelo pensamento arrojado.

29/04/2008

DIÁRIO DE BORDO: o suspiro das elites

Ouviu-se por todo o país um profundo suspiro quando a doutora Manuela Ferreira Leite confirmou a sua candidatura. Foi o suspiro de alívio das envergonhadas elites (sosseguem, é apenas uma figura de estilo) do PSD por finalmente poderem sair das tocas em que aguardavam ansiosamente o surgimento duma vítima para ser imolada (professor Marcelo dixit) no altar do senhor engenheiro. Formou-se um «mar de militantes», segundo as palavras do Público, para apoiar a Desejada. Porquê o alívio? Porque não foram outras candidaturas um lenitivo para o sofrimento expectante das elites? Simples, meu caro Watson: falta-lhes credibilidade (doutor Lopes) ou pátine (doutores Neto da Silva, Patinha Antão, Passos Coelho). Seriam imoladas mais facilmente, as cartas ficariam marcadas e as elites ficariam mal na fotografia.

O caso do ogro da Madeira, aka Bokassa das Ilhas, é completamente diferente. O homem corre numa pista separada e, mais do que isso, numa corrida diferente. É uma pseudo-candidatura. Há quem diga que deseja intimamente ser chefe do PSD ou mesmo, acreditam, chefe da República. Não creio. O homem faz de tonto mas não é tonto ao ponto de acreditar que os militantes ou eleitores do contenente votariam maciçamente nele. Só se for como o meu desejo íntimo de jantar com a Michele Pfeifer que, por sinal, daria uma excelente candidata.

Michelle, ma belle
Sont des mots qui vont très bien ensemble
très bien ensemble

[Vestida para matar]

Perguntas difíceis de resposta fácil

«Porque gastar 3 mil milhões para atravessar o Tejo, se custa 300 com novas tecnologias?
As grandes capitais como Paris e Londres têm transporte integrado com minibus a biogás nos subúrbios até o metro no centro, com o mesmo cartão. Têm grandes parques junto às estações de comboio e metro; portagens se o automóvel entra na cidade.
Muitos engenheiros afirmam que a ponte Vasco da Gama tem capacidade até 2030 ou mais. Falta um túnel para comboios! É a mais simples e barata solução. Não altera a vista nem o habitat das aves. O de Estocolmo, para o metro, e o do Canal da Mancha para comboio de passageiros e veículos mostrou ser o melhor. Hoje é pré-construído à beira-rio em módulos estanques, rebocados, localizados a GPS e afundados numa semi-vala pré-dragada no rio, similar aos de Boston e Baltimore.
Um terramoto danificaria a ponte planeada, como em S. Francisco; um túnel modulado usa um tipo de airbag que fecha o módulo afectado sem danificar o resto do túnel.
As formas estão prontas, a tecnologia usada. Se querem quatro vias, faz-se dois túneis. Enquanto a ponte limita a uma dúzia os possíveis concorrentes e permite todo o tipo de lóbi, o túnel, após o projecto, pode abrir-se para oitenta concorrentes, todos locais. Usa 100% de materiais fabricados por cá, por empresas de cá, com empregados de cá.
A quem interessa gastar 3 mil milhões em vez de 300? Quem vai pagar 30 dos 40 mil milhões em obras faraónicas? Em portagens, tarifas e impostos, um milhão de contribuintes terão que pagar, cada um, mais 5 mil euros por ano em 6 anos para satisfazer o lóbi de uma dúzia de empreiteiras?? Inovar é usar um túnel para atravessar o Tejo.
»
[Jack Soifer, no OJE de hoje]

27/04/2008

DIÁRIO DE BORDO: «Et pur si muove niente»?

Faz(ei) de conta que não estou cá.


[Pôr da Terra visto da Lua por Frank Borman, Jim Lovell e Bill Anders]

24/04/2008

Galileo. Et pur si muove niente

Nascido em 2001 com a preocupação de dotar a União Europeia dum sistema de navegação por satélite que deveria tornar obsoleto o sistema GPS ianque, o projecto Galileo tem-se arrastado no limbo da eurocracia, torrando pelo caminho uns milhões de euros, em simples exercícios de aquecimento para torrar uns milhares de milhões nos próximos anos.

Ontem o Parlamento Europeu aprovou o orçamento e o plano do projecto. É claro que isso não significa nada, ou pior, é uma garantia de se torrarem os tais milhares de milhões por uma quimera. O que se passou nos últimos 8 anos, com um consórcio de 8 grandes empresas europeias de 5 países (EADS, Thales, Alcatel-Lucent, Inmarsat, Finmeccanica, AENA, Hispasat, TeleOp e Deutsche Telekom) que não se entenderam nem para decidir onde deveriam ficar as instalações, dá uma pálida ideia do que nos reserva o futuro.

No entanto, o gesto foi suficiente para aliviar algumas almas, como a do Hexágono Quântico, linkado à notícia do Público, que acredita que o Galileo «permitirá reforçar a identidade científica europeia e desenvolver a independência da União no domínio estratégico da localização via satélite. Constitui, portanto, uma verdadeira alternativa ao surgimento de um monopólio em benefício do sistema GPS americano.»

Permito-me duvidar. Em primeiro lugar porque o projecto Galileo, como foi admitido pela Comissão Europeia, não tem interesse comercial, querendo com isto dizer nas entrelinhas que terá que ser financiado com dinheiros públicos, isto é com a aplicação compulsiva de dinheiros privados. No final o projecto Galileo poderá eventualmente produzir um sistema operacional, mas terá sido essencialmente um expediente dos grandes campeões nacionais serem financiados pelos contribuintes que o continuarão a pagar por ser sistema comercialmente inviável.

Segundo, quando estiver pronto em 2013, o sistema GPS (que não custa um cêntimo aos contribuintes europeus) já terá sido melhorado e o Galileo terá que competir ainda com o Glosnass russo e o sistema chinês.

Terceiro, porque o argumento que o sistema GPS poderá ser desligado pelo exército ianque em caso de conflito militar não parece muito credível. Apesar dos vários conflitos ocorridos e em curso (incluindo as 2 invasões do Iraque) o sistema esteve sempre disponível e um conflito ou ameaça global que deixasse inoperacional o GPS afectaria irremediavelmente o Galileo.

22/04/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: mais (quase) do mesmo

Secção Padre Anchieta

Como escreveu ontem Bruno Proença, citado pelo Pertinente (já que não escreve ultimamente nada de jeito, ao menos que cite), «as alternativas faladas ou desejadas: Manuela Ferreira Leite, Rui Rio, Pedro Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Cadilhe… São figuras do passado.» Ficou esquecido Aguiar Branco, uma figura do passado mais recente, que acabado de tomar a segunda decisão irreversível de apresentar uma candidatura, reverteu, outra vez, perante o avanço da veneranda doutora Ferreira Leite. Quanto ao doutor Marcelo, jura que não pretende imolar-se, outra vez. Contudo, como umas poucas semanas antes de se candidatar pela última vez havia jurado que só o faria se Cristo voltasse à terra, é melhor não fechar a porta à sua (de Marcelo) ressurreição.

A alternativa falada ou desejada ontem de manhã da doutora Manuel era à tarde considerada confirmada pela SIC Notícias e considerada «expectante» pelo doutor Marcelo, assim dispensado de esperar o regresso de Cristo à terra. Ficamos pois, segundo o doutor Marcelo, com um candidato e duas lebres: a doutora Ferreira Leite e os doutores Passos Coelho e Patinha Antão, respectivamente. Ou seja fica-se na mesma. Apenas talvez se perca o doutor Ribau, o que em si mesmo é um ganho não negligenciável.

Bourbons e chateaubriands à discrição para todos os candidatos.

21/04/2008

Tirou-me as palavras da boca

«Os problemas do PSD são mais graves. Por um lado, a total incapacidade de renovação. Vejam-se as alternativas faladas ou desejadas: Manuela Ferreira Leite, Rui Rio, Pedro Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Cadilhe… São figuras do passado. Embora mais novo, também Pedro Passos Coelho é uma personagem do passado, apesar do longo intervalo da vida política activa. Olha-se para o PS e conseguem-se identificar sete ou oito pessoas que lutarão pela liderança daqui a dez ou quinze anos. Faz-se o mesmo no PSD e não se vislumbra futuro. O corte geracional deve ser feito e depressa.

Até porque só desta forma será possível acabar com a segunda causa da crise social-democrata: o enquadramento institucional. Com a excepção das eleições directas, o PSD continua organizado como nos anos oitenta. Distritais, concelhias, secções… Tudo com as suas lógicas de poder e caciquismo locais. Nada interessante para as novas gerações habituadas a conviver com o mundo digital e organizações mais horizontais. O PSD não é um partido moderno. Nem na sua organização, nem nas causas políticas que defende.

Este é um momento particularmente sério na vida do PSD. Pode ser a sua última oportunidade, antes de entrar num processo de declínio irreversível. As instituições também acabam. A bola está do lado das figuras do partido. Mesmo sendo uma causa dos problemas, desta vez terão de fazer parte da solução. Menezes tem tudo minado e o prazo para arranjar uma alternativa é curto. Ainda assim, isto não pode ser desculpa para a incapacidade de encontrar uma solução séria, que acalme o partido, o credibilize e permita o início das mudanças estruturais. Se isto não aparecer, então o papel do PSD no actual sistema democrático está em xeque.»

(Bruno Proença, no Diário Económico de hoje)

19/04/2008

SERVIÇO PÚBLICO: n.º 1 nas bagagens


Ainda não percebi a razão do jornalismo de causas (várias) que ocupa os nossos mídia, sempre preocupado em mostrar que, mau grado a preguiça, a ignorância, a negligência e o culto da incompetência que impregnam a cultura local, somos um povo de talentos que o resto do mundo admira (ou inveja), ainda não percebi dizia eu, o porquê de não mostrarem que a TAP Air Portugal é a n.º 1 nas bagagens. (fonte Economist)

17/04/2008

CASE STUDY: mais um negacionista convertido?

«President Bush on Wednesday said that the United States should halt the growth in greenhouse gases by 2025, his first specific goal on the nation's emissions.
The remarks come after increasing pressure from the corporate sector for some kind of federal effort regarding climate change.
Bush said that he supports "realistic goals" of curbing carbon-dioxide emissions, but cautioned that the "wrong way is to raise taxes, duplicate mandates or demand sudden and drastic emissions cuts that have no chance of being realized."
Ahead of a Major Economies Meeting in Paris, the president reiterated his opposition to the global Kyoto Protocol, but said that he'd support talks to move beyond it.
» (ver mais aqui)

Bush está a ser pressionado pela crescente verdura do mundo dos negócios, que pragmaticamente vê oportunidades de negócio onde outros vêem infernos ou céus (o que é a mesma coisa). Ainda recentemente num gather together da nata ianque dos negócios «General Electric Co.'s CEO and Chairman Jeffrey Immelt, attendees of The Wall Street Journal's Economics conference on creating environmental capital kicked off with a rollicking debate on energy, technology and regulation, raising plenty of divergent views.
But one theme quickly emerged: Inaction is unacceptable. Failure in the environmental arena means forfeiting a leading U.S. role in a rapidly growing global industry. And time is running short.
We live today in a certain kind of hell where nothing is getting done," Immelt told a room packed with 300 of the nation's top corporate leaders and venture capitalists.
Immelt's warning to other CEOs on capping carbon emissions was blunt. "The day it becomes law, you're five years late."
(ver mais aqui)

16/04/2008

É cada vez mais visível que os ímpetos reformistas se esfumaram

PRACE e Simplex reduzidos ao folclore mediático, sem consequências no emagrecimento ou extinção de nenhum departamento. Plano tecnológico com um impacto epidérmico que se esgota nos anúncios. Avaliação dos profs em que todos acabaram a fazer de conta: uns que avaliarão, outros que serão avaliados. Reforma do SNS completamente subvertida, com a ministra a esconjurar da saúde o «negócio» e o «lucrativo».

O que resta das reformas mil vezes anunciadas por José Sócrates? Restam a amargura, o cansaço e a irritação dos grupos que foram massacrados pelos discursos, mas apenas mordiscados por umas tímidas medidas que deixaram praticamente intactos os direitos adquiridos.

Resta também o pior de dois mundos: uma desigualdade social crescente, mas a mesma falta de competitividade, a mesma rigidez nos mercados de trabalho, os mesmos omnipresentes direitos adquiridos, apenas erodidos pela crescente inflação. E resta um novo ciclo do betão que reduzirá a pó todos os microscópicos resultados conseguidos em 3 anos. No final, teremos um novo início.

Como justificar reformas, que seriam penosas se executadas, ao mesmo tempo que se anuncia o fim da crise e se imagina a prosperidade ao virar da esquina?

15/04/2008

DIÁRIO DE BORDO: Fobos, filho de Marte e de Venús

Depois da separação, ficou perto do pai. Enfim, relativamente perto, a 9.380 km.


[Fobos visto pelos olhos do Mars Reconnaissance Orbiter]

14/04/2008

SERVIÇO PÚBLICO: As coisas não estão tão mal que não possam ainda piorar

Também convém lembrar que enquanto o PIB per capita em unidades de poder de compra (u.p.c.) em 2006 (últimos dados disponíveis do Eurostat) era em Portugal de 75% da média europeia, o mais baixo da zona euro e em queda nos últimos anos, a Espanha e, já agora, a Grécia (que durante anos disputou com Portugal a lanterna vermelha) tinham um PIB per capita em u.p.c. praticamente igual ao da média.

Não queria falar da Irlanda que há 20 anos estava ao nível de Portugal, não tinha uma única auto-estrada (Portugal arrisca-se a ser o campeão das auto-estradas no final do ciclo socrático do betão), e agora tem uma centena de kms de auto-estradas e um PIB per capita em u.p.c. que é 1,5 da média europeia, ou seja o dobro do português. Já que já falei da Irlanda, sempre acrescento que as coisas não melhoram quando, em vez do PIB, se toma por base da comparação o Produto Nacional Bruto (PNB), que é o produto criado por nacionais, residentes ou não residentes, apesar de quem defende que uma parte significativa da rendimentos gerados na Irlanda são repatriados. Foi o que há tempos Miguel Frasquilho demonstrou em dois artigos publicados no Jornal de Negócios: «A realidade do PNB escondida pelo PIB» (I) e (II).

[Clique para ampliar]

13/04/2008

As coisas não estão tão mal como parecem

Antes de nos deixamos esmagar pelo diferencial para a Espanha do crescimento do PIB, convém lembrar que este depende do crescimento do PIB per capita e do crescimento demográfico, que no caso da Espanha tem sido muito significativo por via a imigração. Ao contrário, Portugal tem tido um crescimento pouco relevante da população residente.

O crescimento do PIB per capita do Japão e da Alemanha, por exemplo, ambos com uma população praticamente estabilizada, apresentam taxas que rivalizam com as dos EU e da GB. A Espanha, um dos campeões do crescimento europeu, tem taxas inferiores às da Alemanha.

[Fonte do gráfico: Grossly distorted picture, The Economist, March 15th]

12/04/2008

ESTADO DE SÍTIO: o supérfluo inócuo e o supérfluo nocivo

Uma boa parte dos 14 ministérios do governo do engenheiro Sócrates é supérflua e inócua ou supérflua e nociva, em potência e/ou em acto.

Exemplo do supérfluo inócuo é o ministério da Defesa, onde o respectivo ministro, com a ajuda duma dezenas de assessores de imagem ou aparentados, se esforça por disfarçar a sua não existência viajando incessantemente e fazendo declarações. Ontem esteve em França, comemorando os 90 anos da batalha de La Lys. Recorde-se que lá morreram num só dia mais de 7.000 campónios arrastados para a voragem pelo governo jacobino do doutor Afonso Costa, ou seja mais de um terço das mortes durante os 24 anos da guerra colonial. Em Lille, o ministro sublinhou as lições de La Lys que devem ser aplicadas nos dias de hoje. Não podia ter escolhido melhor audiência do que os franceses, de quem se diz que os seus generais depois de Napoleão e da última batalha que venceram em Borodino, estiveram sempre atrasados uma guerra. Se escutarem o pensamento do ministro passarão a andar atrasados uma meia dúzia: a II, a Coreia, Vietname, Afganistão, Iraque I e Iraque II.

Exemplo do supérfluo nocivo, é o ministério da Educação, cuja ministra acaba de deixar cair uma reforma incontornável chegando a acordo com os sindicatos ao fim de 7 longas horas de reunião. O ministério fingirá que vai avaliar os professores e, em troca, os professores fingirão que são avaliados e deixarão de pedir a cabeça da ministra. O engenheiro Sócrates fingirá que é um animal selvagem que nunca cede e que apoiou o ministra até ao fim.

11/04/2008

Mudanças climáticas - quando o que parece pode não ser, mas em todo o caso vale a pena prestar atenção

Com excepção de certas correntes doutrinárias, libertárias umas, ultra-conservadoras outras, mas todas emanações dum lunatismo irreconciliável com os factos, o mainstream dos fazedores de opinião e a própria opinião pública acreditam que estão em curso mudanças climáticas, seja pelo greenhouse effect seja por outra(s) causa(s), cujos efeitos são o aquecimento global, para uns, ou o arrefecimento global, para outros, ou a crescente ocorrência de fenómenos extremos, para os restantes.

Quer se goste, quer se não goste, da personalidade de Al Gore, quer se pense dele que é um oportunista, quer se ache que se move por filantropia ambiental, tem de reconhecer-se que ao contribuir para colocar na ordem do dia as preocupações com o ambiente e ao derrotar na opinião pública o negacionismo prestou um serviço público.

Chegou-se aparentemente a um ponto de não retorno, quando se constata que no próprio mundo de negócios (e não apenas no negócio das energias renováveis que é mais um entre outros - fortemente subsidiado neste caso) as preocupações ambientais estão na ordem do dia, como se pode ver pelos resultados deste inquérito da McKinsey.

[Dados (ponderados pela população do respectivo país) dum inquérito em Dezembro de 2007 a 2.192 executivos de topo; Fonte: How companies think about climate change: A McKinsey Global Survey]

10/04/2008

Do papel almaço ao ciberespaço - a inovação por decreto

Segundo o DN, a proposta de Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas que o Governo aprovou e irá discutir com os sindicatos, prevê o teletrabalho na função pública.

Só quem não conhece de todo o que é administração pública e os requisitos de comunicações, de software e de hardware (este último é o problema mais simples de resolver) para executar um trabalho em condições minímas de produtividade e de controlo pode imaginar que uma medida como esta envolva mais do que uma dúzia de figurantes pagos pelo Governo para aparecer na foto.

A menos que se pretenda um sucedâneo para o casaco na cadeira e substituir o «saiu mas não deve demorar porque tem o casaco aí na cadeira» por «está em teletrabalho». Neste caso o sucesso estará garantido.

09/04/2008

ESTADO DE SÍTIO: se por um lado, por outro

Se por um lado o governo quer mandar a ASAE fiscalizar os escritórios de advogados para verificar se têm «em local visível, uma tabela com os preços que cobram pelos serviços jurídicos, (e) também ... se possuem livro de reclamações», por outro, o mesmo governo (sublinho o mesmo) deixa o Tribunal de Comércio de Lisboa chegar à «completa ruptura» ao ponto da juíza presidente admitir que «se eu fosse um estrangeiro, não investia em Portugal». Conselho que, avant la lettre, já foi seguido e não deixará de o ser no futuro.

Não é preciso conhecer o papel da rule of law no desenvolvimento para perceber que os milhões da campanha The West Coast of Europe teriam sido bem aplicados para reformar o TCL.

[Fonte do gráfico: Order in the jungle, Mar 13th 2008, From The Economist print edition]

ARTIGO DEFUNTO / CASE STUDY: os analistas aplaudem

«Os analistas contactados pelo Jornal de Negócios aplaudem o nome de Jorge Coelho como futuro presidente da Mota-Engil. Acreditam que, independentemente das conotações políticas que o seu nome acarreta, o ex-ministro do Equipamento Social é uma boa aposta, que poderá favorecer a construtora quando se aproximam importantes adjudicações de obras públicas.

"É uma pessoa com conhecimentos no sector e com boas capacidades de gestão, pelo que, apesar das reservas políticas, pode ser uma boa aposta da Mota-Engil", adiantou um analista que preferiu não ser identificado. Outro responsável, que também pediu o anonimato, sublinhou que "pode ser um nome forte para a obtenção de futuras adjudicações ao estar ligado ao Partido Socialista".»
(Jornal de Notícias)
É certamente uma boa aposta, não independentemente das conotações políticas que o seu nome acarreta, mas precisamente por via dessas conotações. Não é extraordinário que um analista e outro responsável se exprimam com tanta inocência e um jornalista reproduza essa inocência (ou a invente)? Não. O que é extraordinário é poucos acharem extraordinário - talvez apenas uns milhares de marcianos que nos habitam.

08/04/2008

¿Por qué no te callas?

Depois de 20 anos à frente do Fed praticando a doutrina de fintar a recessão espevitando a procura à custa do preço do dinheiro artificialmente baixo, é difícil irresponsabilizar Greenspan pela crise financeira do subprime, que culminou uma longa série de housing bubbles, como ele lhes chama em mais uma das suas prolixas respostas aos críticos que emergiram da clandestinidade depois da sua saída do Fed. Ao menos os seus escritos não sofrem tanto do mumble jumble que infecta as suas conferências de imprensa.

07/04/2008

ESTADO DE SÍTIO: os fetos e os afectos do Estado, segundo o PS

O divórcio na hora, objecto do projecto de lei que o PS apresentará no parlamento, é mais uma emanação das concessões do oportunismo político do engenheiro Sócrates para sossegar as milícias do politicamente correcto que habitam no PS e que caminham a reboque do radicalismo chic berloquista. «É a concepção da conjugalidade assente nos afectos» explicou o doutor Alberto Martins, como se o Estado em vez de garantir clareza e previsibilidade nas relações contratuais – e face ao Estado, o casamento é apenas isso - tivesse que se imiscuir nos sentimentos e emoções das partes. Como contrato que é, em que se distinguirá o casamento duma união de facto, se uma das partes poder resolver unilateralmente o contrato sem uma causa objectiva?

A longo prazo, a maldita demografia torna divórcios na hora, abortos a pedido e cesarianas por receita médica dificilmente compatíveis com direitos adquiridos, pensões garantidas e toda a parafernália do Estado social, qual divina providência, que o infantilismo esquerdista nos quer impingir. E o infantilismo direitista, já agora.

06/04/2008

Onde tem andado António Borges?


Terminada a sua vice-presidência da Goldman Sachs (*), António Borges numa interessante entrevista ao Jornal de Negócio à mesa do Tavares, talvez animado pela sofisticada selecção de vinhos, revela uma interessante, original e insuspeitada doutrina sobre o papel sufocante do Estado português, a aversão ao risco dos empresários portugueses, a dependência dos jornalistas portugueses, a mediocridade das universidades portuguesas, a irrelevância do sector bancário em geral e as grandes empresas portuguesas protegidas da concorrência que não sabem o que fazer ao dinheiro.

Também se queixa pela boca do jornalista que o ministro Pinho cancelou os contratos entre o Governo e a Goldman Sachs, esquecendo que os contratos, talvez por acaso, tinham sido assinados por um ministro do PSD.

(*) Segundo as investigações do Impertinente aqui relatadas, a vice-presidência é a pertença como International Advisor a um gigantesco Partnership Pool.

04/04/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: O que é bom para a Mota-Engil é bom para o país e vice-versa. Hádem ver.

Secção Musgo viscoso

Durante o processo de nomeação como secretário da Defesa de Eisenhower em 1953, Charles Erwin Wilson, que tinha sido presidente executivo da General Motors e à data ainda detinha acções da GM, quando questionado pela comissão de Defesa do Senado sobre os potenciais conflitos de interesse, terá respondido com a maior ingenuidade «what was good for the country was good for General Motors and vice versa».

O que se passou com Charles Wilson, repetiu-se e com muitos outros nos EU e em vários países europeus, onde o caminho clássico se faz das empresas para um cargo público e se regressa ao primeiro no final do mandato. Uma das excepções notáveis é a de Shroeder, que de chanceler passou a presidente da Gasprom, a empresa controlada pelo cartel do czar Putin.

Em Portugal o caminho tem sido mais no sentido partido->cargo público->empresa. São inúmeros os exemplos, e o doutor Coelho, agora nomeado CEO da Mota-Engil, é apenas mais um. Neste caso a ordem dos factores não é arbitrária. É certo que o caminho empresa->cargo público contem potenciais conflitos de interesse. Mas o caminho inverso em que ao quadro político, que fez uma carreira nas bancadas do partido e que nunca manifestou um módico de talento gerencial, se apresenta uma oportunidade numa empresa privada tem fumos de tráfico de influências.

O fumo adensa-se quando a carreira profissional da personalidade em causa se resume a um ignoto lugar de quadro secundarissimo na Carris em tempos longínguos, aonde chegou levado pela mão do aparelho socialista. Mais se adensa quando o core business da empresa que o contratou são as obras públicas, de que o estradista doutor Coelho foi, nem de propósito, ministro. A coisa fica irrespirável quando tudo isto se passa à beira de mais um período desvairado da política de betão.

O facto disto não constituir um problema para o personagem é, em si mesmo, assaz significativo. 4 bourbons, 2 pilatos e 3 ignóbeis são amplamento merecidos.

03/04/2008

Realpolitik no Vaticano

Benedicto XVI y el viaje a Cuba del cardenal Bertone
Lo más grave del viaje a la isla-cárcel del alto prelado es la enigmática continuidad de la política de mano extendida del Vaticano y de importantes figuras eclesiásticas hacia la tiranía del Caribe, durante casi cuatro décadas, continuidad enigmática que ineludiblemente llega al propio pontificado de Benedicto XVI, del cual el cardenal Bertone es secretario de Estado y fue a Cuba como su enviado
Por Armando F. Valladares


La visita a Cuba comunista del cardenal Tarcisio Bertone, secretario de Estado de la Santa Sede, entre el 21 y el 26 de febrero pp., provocó malestar e indignación entre los fieles católicos de la isla y del destierro, por el espaldarazo diplomático que su visita significó para el régimen cubano, en una coyuntura política particularmente delicada.
Antes de embarcar para Cuba, en declaraciones al periódico Avvenire, órgano de episcopado italiano, el cardenal Bertone reconoció que su viaje obedecía a una invitación del episcopado de la isla, en el marco de las conmemoraciones por el 10o aniversario del viaje de Juan Pablo II a Cuba; pero que también era fruto de "una invitación, particularmente cálida, de las autoridades civiles", o sea, de los actuales carceleros comunistas. Añadió el jefe de la diplomacia vaticana, de manera chocante, que "Cuba es la prueba de que el diálogo, si es sincero, siempre da frutos", pareciendo olvidar la advertencia evangélica de que un árbol malo jamás puede tener buenos frutos (S. Mateo 7, 18). Y no perdió la oportunidad de elogiar a monseñor Cesare Zacchi -nuncio apostólico durante los primeros años de la revolución comunista, tristemente célebre por su colaboración con el régimen, quien llegó a referirse a Castro como "un hombre con profundos valores cristianos"- quien, según el cardenal Bertone, "tanto hizo", y "con éxito", por incentivar las relaciones entre La Habana y Roma (cf. Zenit, Febr. 19, 2008).
El canciller Pérez Roque, que lo aguardaba en el aeropuerto junto con autoridades eclesiásticas y comunistas, dijo cínicamente que recibía al alto eclesiástico con "respeto y hospitalidad", y que esa visita era la expresión de las "excelentes" relaciones entre el régimen y el Vaticano.
Se comprende que la prensa comunista haya dado cierta notoriedad a su estadía en Cuba, en particular, a su entrevista con el nuevo dictador, Raúl Castro, increíblemente llena de sonrisas y cordialidad, de acuerdo con las fotos divulgadas por la prensa cubana. Castro, a pesar de ser junto con su hermano uno de los mayores represores y torturadores del régimen, durante medio siglo, recibió del enviado vaticano votos de "éxitos" en una "misión" que, según el cardenal, el nuevo dictador ejercerá "al servicio de su país". No faltaron, de parte del cardenal Bertone, enfáticas declaraciones contra el embargo norteamericano, pareciendo olvidar que la causa del problema es el implacable embargo interno del régimen comunista contra el pueblo cubano. Este viaje a Cuba y esta entrevista con el dictador de turno se produjeron diez años después del viaje de Juan Pablo II, que tantas esperanzas de libertad para Cuba suscitara en el mundo entero. En realidad, a juzgar sus propias confesiones a algunos periodistas, el enviado papal salió de la entrevista con los labios y el corazón tiznados por concesiones, los oídos llenos de promesas, y las manos vacías: ''Todo comienza siempre con promesas, pero esperamos una apertura, puesto que nada es imposible'' (cf. Isabel Sánchez, AFP; El Nuevo Herald, Miami, Febr. 27, 2008).
No fueron suficientes sus tímidas alusiones a los presos de la isla, efectuadas al pie del avión que lo condujo a Roma, para atenuar el sabor amargo que dejó su estadía en Cuba, especialmente, en los presos políticos y sus familiares.
El procastrismo del cardenal Bertone ya había quedado de manifiesto en su anterior viaje a Cuba, en octubre de 2005, cuando, siendo aún arzobispo de Génova, tuvo una larga entrevista con Fidel Castro, después de la cual tejió loas a la "notable lucidez" del tirano, expresó su convicción de que en él "ha crecido el respeto por la religión" y el "aprecio por la Iglesia", rematando, contra todas las evidencias, que en la isla-cárcel "la apertura ya es total" (cf. Armando Valladares, "Cardenal Bertone-Cuba: el Pastor ‘bendice’ al Lobo", Oct. 25, 2005).
En realidad, lo más grave del viaje a Cuba de tan alto prelado es la enigmática continuidad de la política de mano extendida del Vaticano y de importantes figuras eclesiásticas de diversos países hacia la tiranía del Caribe, durante casi cuatro décadas, que se remonta a los años en que monseñor Zacchi, ahora ensalzado por el cardenal Bertone, era nuncio en Cuba; y a la época en que monseñor Agostino Casaroli, entonces secretario del Consejo para los Asuntos Públicos de la Iglesia, afirmó en visita a Cuba, en 1974, que los católicos de la isla eran felices. Enigmática continuidad que pasa por tantos lamentables episodios protagonizados por numerosos cardenales y altos eclesiásticos de diversos países, que han peregrinado a Cuba comunista, hechos que he tenido ocasión de abordar en artículos anteriores. Enigmática continuidad que pasa por Juan Pablo II cuando el 8 de enero de 2005, al recibir las cartas credenciales del nuevo embajador de Cuba ante la Santa Sede, hizo un increíble reconocimiento a diversas "metas" supuestamente alcanzadas por la revolución comunista en materia de "atención sanitaria", "instrucción" y "cultura", a través de las cuales se realizaría la "promoción humana integral", incluyendo el "crecimiento armónico del cuerpo y del espíritu"; algo que colocó a los católicos cubanos en una encrucijada espiritual sin precedentes (cf. Armando Valladares, "Juan Pablo II, Cuba y un dilema de conciencia", Enero 15, 2005 y "Cardenal Sodano y Fidel Castro: el Pastor sale en auxilio del lobo", Mayo 11, 2003). Continuidad enigmática que ineludiblemente llega al propio pontificado de Benedicto XVI, del cual el cardenal Bertone es secretario de Estado y fue a Cuba como su enviado.
En el extenso mensaje de Benedicto XVI, llevado por el cardenal Bertone, su alusión al drama de los católicos cubanos no podía ser más decepcionante: "En ocasiones, algunas comunidades cristianas se ven abrumadas por las dificultades, por la escasez de recursos, la indiferencia o incluso el recelo, que pueden inducir al desánimo". ¿A eso se reducirá, según la visión papal, el exterminio sistemático de los católicos cubanos, que incluye el asesinato físico en el "paredón" de fusilamiento de jóvenes mártires cuyas últimas palabras fueron "¡Viva Cristo Rey! ¡Abajo el comunismo!", y el asesinato espiritual de generaciones enteras?
Mi sospecha, con relación al futuro de Cuba, es que se prepara, con apoyos eclesiásticos del más alto nivel, un castrismo sin Castro que intentaría salvar los supuestos "logros" y "metas" del comunismo cubano en materia social, en particular, la educación y la salud, que en realidad han sido y continúan siendo dos instrumentos implacables de control de las conciencias y de extinción de la fe de niños, jóvenes y adultos.
No es la primera vez que me veo en la obligación de conciencia de publicar comentarios críticos, aunque invariablemente filiales, respetuosos y documentados, sobre las relaciones diplomáticas de altas figuras de la Iglesia con el Estado comunista. Son comentarios efectuados por el imperativo de conciencia de un fiel católico, cubano y preso político durante 22 años, que tuvo su fe vivificada al oír los gritos de esos jóvenes que murieron fusilados, cuyas últimas palabras fueron de fe en la Iglesia y de repudio a un sistema que, para usar la expresión del entonces cardenal Ratzinger, prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, es una "vergüenza de nuestro tiempo".

Diario Las Américas, Miami (FL), 04 de marzo de 2008.
Armando Valladares, ex preso político cubano, fue embajador de Estados Unidos ante la Comisión de Derechos Humanos de la ONU, en Ginebra, durante las administraciones Reagan y Bush.

E-mail: armandovalladares2005@yahoo.es

[email de Armando Valadares para Impertinente, trespassado para Pertinente]

02/04/2008

ESTADO DE SÍTIO: Michaelis e o PIN, a mesma luta

Por fim, depois de 2 semanas ausente sem justificação, o Pertinente deu à costa a escrever com pertinência sobre as orgias mediáticas do telemóvel disputado pelas 2 criaturas da Michaelis.

Por falar em orgias mediáticas, lembrei-me da montanha que pariu um PIN, para usar a expressão de Pedro Santos Guerreiro ao referir no JN o facto pouco mediático que «de 147 propostas de PIN, a AICEP aceitou 77; apenas 11 estão em execução; nenhum em laboração».

É mais um exemplo, de que para os portugueses só existe o que passa na televisão. No caso da decadência do sistema de instrução pública, a novela Michaelis consegue «chocar» os portugueses que até aqui dormiam descansados entregando alegremente os seus rebentos às fábricas de idiotas pagas com os seus impostos. No caso do PIN, nunca os portugueses se darão conta da diferença abissal entre a realidade pífia e os amanhãs cantados em duo pelo engenheiro Sócrates e pelo seu ajudante doutor Pinho e devidamente amplificados pelas câmaras de eco do jornalismo de causas.