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13/08/2017

Dúvidas (204) - «A extrema-direita americana mostrou a sua força na Virgínia»?

«A extrema-direita americana mostrou a sua força na Virgínia» foi o título escolhido pelo Público (ler também e de preferência o NYT) para noticiar uma manifestação da chamada «alt-right» com palavras de ordem como «You will not replace us» e «Jew will not replace us». A manifestação degenerou em violência quando surgiu uma contra-manifestação «anti-racista».

Parece-me que a extrema-direita americana mostrou mais fraqueza do força e, em todo o caso, mostrou certamente mais estupidez do que inteligência no escolher as suas causas ou pelo menos a resposta às causas dos outros. Seja como for, importa saber por que cargas-de-água os «supremacistas brancos, saudosistas nazis, membros da Ku Klux Klan» e tutti quanti resolveram manifestar-se.

Desde há um ano e meio em Charlottesville um «afro-americano» estudante de liceu promoveu uma petição para retirar do Emancipation Park uma estátua de Robert Lee, um herói da Guerra de Secessão, general do exército dos Estados Confederados que, como se sabe, defendiam a escravatura. O Conselho Municipal votou por maioria a favor da venda da estátua, mas um juiz embargou-a temporariamente.

Em conclusão, uma iniciativa estúpida de revisionismo histórico, promovida pelo politicamente correcto (PC) a pretexto da ofensa a alguns afro-americanos, espoletou uma outra iniciativa igualmente estúpida a pretexto da ofensa a alguns euro-americanos - é assim que a imbecilidade do PC deveria designar o que eles chamam white supremacists.

4 comentários:

Unknown disse...

Atenção ao terrorismo verbal da cambada "progre".
A coisa pode, e deve, resumir-se à sigla "WASP" - aqueles que construiram aquilo que se aguentou aos finais da década de 60, sec. pretérito, e que , nos tempos actuais, se encontra em fase acelerada,e irreversível, de "descontução".
A única curiosidade, para o dizer de alguma maneira, é saber se vai ser por implosão ou por explosão - há sempre quem apanhe com estilhaços...

Anónimo disse...

É interessante referir que Robert E. Lee era contra a Secessão e não possuía escravos: era apenas fiel ao seu Estado e como combatente leal, obedeceu a ordens políticas superiores.

É um erro comum, quase de certeza intencional por parte da MSM, fazer equivaler trogloditas nazis com o movimento que elegeu Trump: este é muitíssimo mais vasto que aquele e não tem nada de intolerante, seja em que dimensão se esteja a pensar (raça, credo, orientação sexual, etc.).

Lura do Grilo disse...

Obviamente Trump nada tem a ver com esta manifestação.

Se há partido com origens racistas, e ligações ao KKK como é evidente em fotografias da Margareth Sanger a promover a sua política eugenista, é o partido democrata de Andrew Jackson: esse sim tinha escravos.

Anónimo disse...

É errado afirmar que a guerra da secessão foi de estados que precisavam de escravos contra estados que não precisavam de escravos. V.g.:

Bill Clinton para Edward Kennedy, a respeito de Barack Obama, durante a campanha de 2008: «A few years ago, this guy would have been getting us coffee...»

De Lincoln. Retirados de escritos nos registos do EUA:
● Aug 21, 1858: “I have no purpose to introduce political and social equality between the white and black races (...) I, as well as Judge Douglas, am in favor of the race to which I belong having the superior position”. And, “Free them [slaves] and make them politically and socially our equals? My own feelings will not admit of this. We cannot, then, make them equals”.
● Sept 18, 1858: ”I will to the very last stand by the law of this state, which forbids the marrying of white people with Negroes”.
● Aug 22, 1862: “My paramount object in this struggle is to save the Union, and it is not either to save or destroy slavery. If I could save the Union without freeing any slave, I would do it”.