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22/08/2016

Mitos (239) - A troika deixou os portugueses mais pobres e mais desiguais

Há dois anos, com base em dados do período 2007-2011 do estudo da OCDE «Rising inequality: youth and poor fall further behind», Insights from the OECD Income Distribution Database, June 2014, desmontei neste post a parte do mito antes da intervenção da troika, demonstrando que nesse período:
  • em relação aos rendimentos disponíveis as desigualdades diminuíram;
  • os mais afectados foram os ricos; 
  • os idosos tiveram ganhos nos rendimentos disponíveis;
  • a «austeridade neoliberal» foi menos penosa do que a «austeridade socialista» do Dr. Soares
Agora, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, o Expresso num artigo intitulado «Pós-troika: mais poder de compra e menos desigualdades?», com um extraordinário ponto de interrogação supérfluo pelos dados citados no texto e só explicado pela doutrina oficial do jornalismo de causas, vem reconhecer que «após três anos de troika, o mercado de trabalho em Portugal sofreu algumas alterações. Já depois da intervenção externa no país, o salário mínimo subiu e também os rendimentos médios tiveram uma melhoria. Houve uma subida de 4,5% em dois anos. Ou cerca de 3,2% em termos reais».

Como explicar que, contrariamente à lengalenga e ao discurso da esquerdalhada, os portugueses estejam hoje melhor do que antes do início da crise em 2008 e, sobretudo, depois de 4 anos de intervenção da troika?

Fonte: Trading Economics

A resposta é dada pelo diagrama que mostra que entre 2007 e a actualidade a dívida pública portuguesa duplicou, significando que o Estado português fez uma redistribuição do rendimento à custa dos credores, nomeadamente FMI, BCE e CE. Em conclusão, os portugueses estão melhor hoje porque Portugal está pior, o que significa que os portugueses estão melhor no presente à custa de ficarem pior no futuro.

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