Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

10/08/2016

Mitos (236) - A lengalenga do politicamente correcto sobre a vitimização do «afro-americano» resiste mal aos factos

A eterna vitimização do negro

«O típico videoclip de hip-hop é assim: um cantor negro e os seus amigos andam pelas ruas acenando Glocks, 38s e Magnums enquanto dão palmadinhas em bundas ao léu. A instrumentalização machista do corpo feminino e a glorificação das armas estão no centro da canção negra por excelência. Portanto, quando se fala em armas nos EUA, convém perceber que a cultura do gatilho feliz não é exclusiva dos brancos, dos hillbillies, dos sulistas confederados. Os negros também têm a sua NRA, chama-se hip-hop. O curioso é que é raríssimo ouvirmos algum americano do mainstream mencionar esta evidência da cultura negra. Se criticar um muçulmano ou um determinado aspeto de comunidades muçulmanas, um indivíduo corre o risco de ser rotulado de "islamofóbico". Se criticar um negro ou um determinado aspeto da cultura negra, o risco é maior, porque o rótulo será mais simples e corrosivo, "racista". O exercício que vou fazer de seguida também só pode ser "racista" aos olhos da narrativa vigente.

Todos os dias ouvimos falar nos números que provam que a polícia americana é racista. Mas será mesmo assim? Metade dos mortos em tiroteios com a polícia são brancos, a outra metade é composta por todas as minorias; contudo, se compararmos o rácio entre mortos e o peso demográfico de cada comunidade, vemos que um negro tem 2,5 mais chances de ser morto pela polícia do que um branco. Este segundo dado estatístico é jogado aos céus todos os dias. Sucede que a montante deste dado encontramos outros factos menos comentados: a taxa de crimes violentos é muito mais elevada entre negros do que em qualquer outra comunidade. 40°/o dos agentes do FBI abatidos em serviço foram baleados em confrontos com negros, quando os negros representam apenas 13% da população geral. Nos 75 maiores condados dos EUA, 57% dos assassinatos foram executados por negros, quando a comunidade negra representa apenas 15% da população geral desses condados.

Uma professora do Manhattan Institute, Heather Mac Donald, autora do livro "The War on Cops", estudou estes e outros números que tornam a realidade um pouco mais complexa do que a narrativa maniqueísta do Black Lives Matter. Querem mais exemplos? Ainda há dias, José Manuel Fernandes mencionou este dado: em 2014, 6.065 negros foram vítimas de homicídio, contra 5.397 vítimas das restantes comunidades. A quase totalidade dos negros foi assassinado por outros negros. Portanto, o problema está muito longe de ser a "polícia racista". O problema é que a cultura de violência é muito mais forte junto de negros do que junto de brancos, hispânicos, indianos, coreanos, etc. Resta saber porquê. Racismo? Talvez. Mas aqui temos de alertar para dois pontos. Primeiro, o racismo não é monopólio dos brancos, também há racismo entre hispânicos e negros, asiáticos e negros. Segundo, se o racismo é uma causa, porque é que os hispânicos e asiáticos não são tão violentos como os negros? Antes de apontar o dedo ao sistema (e há muito para apontar), a comunidade negra devia fazer uma autocrítica, que podia começar, por exemplo, pela recusa do próprio conceito de "comunidade negra" ou de "afro-americano". Porquê o afro? Porquê esta insistência na divisão da sociedade em tribos?»

Henrique Raposo, no Expresso

1 comentário:

Inês Meneses disse...

ai coitado. Está a precisar de sair de casa, Henrique.