Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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» (António Alçada Baptista)
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30/08/2016

ACREDITE SE QUISER: O lugar do outro

Não é preciso ser piloto-aviador, nem mesmo ter estado na tropa para compreender que a Força Aérea, que nem tem os meios capazes e suficientes para defender o país dos inimigos externos e cumprir as obrigações que as nossas alianças requerem, muito menos dispõe das aeronaves, do know-how, dos pilotos e restante pessoal para andar a apagar fogos, fazer a manutenção da parafernália e tudo o mais necessário durante doze meses por ano para manter os aviões no ar três ou quatro semanas.

Deve haver algumas razões para mesmo em países que dispõe de Forças Aéreas incomensuravelmente melhor apetrechadas não se inclui o combate a incêndios nas suas missões.

Consigo perceber que um desempregado, residente em Odivelas ou em qualquer outro ponto do país, à falta do que fazer, torture as suas meninges e tenha tempo disponível para promover uma petição para pôr a FA a fazer de bombeiros. Com um pouco mais de dificuldade, ainda consigo perceber, que 32 mil outras criaturas se tivessem disposto a assinar a petição - afinal de contas são apenas 0,33% dos eleitores e se até o MRPP teve 60 mil votos.

Porém, está para além da minha compreensão que o ministro da Defesa, ainda que só depois de feito ministro tenha entrado num quartel, considere «inevitável que a FAP venha a ser dotada dessa capacidade» e fico ainda preocupado com o destino do país quando o ministro acrescenta que «o primeiro-ministro coincide nessa abordagem».