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30/08/2016

ACREDITE SE QUISER: O lugar do outro

Não é preciso ser piloto-aviador, nem mesmo ter estado na tropa para compreender que a Força Aérea, que nem tem os meios capazes e suficientes para defender o país dos inimigos externos e cumprir as obrigações que as nossas alianças requerem, muito menos dispõe das aeronaves, do know-how, dos pilotos e restante pessoal para andar a apagar fogos, fazer a manutenção da parafernália e tudo o mais necessário durante doze meses por ano para manter os aviões no ar três ou quatro semanas.

Deve haver algumas razões para mesmo em países que dispõe de Forças Aéreas incomensuravelmente melhor apetrechadas não se inclui o combate a incêndios nas suas missões.

Consigo perceber que um desempregado, residente em Odivelas ou em qualquer outro ponto do país, à falta do que fazer, torture as suas meninges e tenha tempo disponível para promover uma petição para pôr a FA a fazer de bombeiros. Com um pouco mais de dificuldade, ainda consigo perceber, que 32 mil outras criaturas se tivessem disposto a assinar a petição - afinal de contas são apenas 0,33% dos eleitores e se até o MRPP teve 60 mil votos.

Porém, está para além da minha compreensão que o ministro da Defesa, ainda que só depois de feito ministro tenha entrado num quartel, considere «inevitável que a FAP venha a ser dotada dessa capacidade» e fico ainda preocupado com o destino do país quando o ministro acrescenta que «o primeiro-ministro coincide nessa abordagem».

1 comentário:

Jaime Cristovão disse...

Quanto mais leio a respeito deste tema, mais questões me sobram - e faltam-me as respostas. Desde o início - desde os planos atabalhoados de florestação do País, desde a ausência de um plano coerente de ordenamento territorial, passando pelo desinvestimento na silvicultura, e mais recentemente pela sobreposição de competências (e diluição de responsabilidades) nas diversas estruturas da Protecção Civil, o recurso ao voluntariado na esmagadora maioria das corporações de Bombeiros por esse País fora - e a correspondente inexistência de corporações profissionais - temos um bocadinho de todos os ingredientes para um autêntico banquete de chamas a ocorrer quase todos os Verões. A FAP é apenas mais uma perna de uma longa centopeia de demonstrações de falta de jeito. E neste caso - como em tudo o mais - há que fazer contas. E perceber se o recurso a meios da FAP e do Exército seria globalmente mais rentável no âmbito da Protecção Civil do que o modelo que temos actualmente. Mas este é um tema que dá pano para mangas e que desenvolve em direcções que causam engulhos a demasiada gente...