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18/08/2016

ACREDITE SE QUISER: O BE do ano passado não é o mesmo deste ano e o PCP também não

Se o Pedro do ano passado não é o Soares deste ano, é natural que o BE do ano passado não seja o mesmo deste ano e o PCP também não.

Pelo menos é o que nos diz o Expresso, o semanário do regime e uma autoridade em matéria de geringonça, logo no título da peça: «Passos acusa, Costa responde (e BE e PCP fingem que não é com eles)». Dado o interesse historiográfico da coisa e considerando que a peça do Expresso só está disponível para assinantes vou citar o trecho relevante acerca da mudança de paradigma de bloquistas e comunistas mostrando assim grande desvelo pela doutrina Somoza. Aqui vai.

«A 14 de agosto de 2015, o INE divulgou os dados da evolução da economia no segundo trimestre desse ano: 1,50% de variação homóloga, 0,4% de crescimento em relação ao trimestre anterior. Jorge Pires, do PCP, considerou que era “crescimento anémico, muito aquém das necessidades". 

Três meses depois, já a seguir às eleições, o Instituto de Estatística voltava à carga, com os dados relativos a julho, agosto e setembro: 1,4% de crescimento homólogo, variação em cadeia quase nula (+0,1%). Os comunistas voltaram à carga, considerando que o crescimento apregoado pela coligação durante a campanha eleitoral era uma ficção. “Afinal tudo aquilo que foi intensamente dito aos portugueses não passava de um grande embuste”, denunciou António Filipe, considerando que "a evolução da economia portuguesa caracteriza-se pela estagnação e pela desaceleração". 

Do lado do BE, o discurso era parecido. Ao olhar para os números do terceiro semestre, os últimos da responsabilidade da direita antes de eleições, Mariana Mortágua afirmou: “Os dados contradizem toda a narrativa de sucesso económico que foi apresentado por PSD e CDS durante campanha. A economia não está a crescer, está a estagnar”. Perante os 1,4% de subida do PIB, a economista do BE afirmou que o que existe é uma “economia estagnada e incapaz de recuperar da crise que viveu nos últimos anos”.

Meses antes, Pedro Filipe Soares, tinha igualmente desvalorizado os dados do primeiro trimestre de 2015 que foram os mais positivos que o país conheceu em muito tempo: crescimento homólogo de 1,7% e variação em cadeia de +0,5%. Uma melhoria que “não está a responder ao essencial", acusou o líder parlamentar do BE, pois “a vida real das pessoas mostra que os salários não chegam para pagar as contas no final do mês”.

Nesse dia de maio de 2015, quando foram revelados os dados do primeiro trimestre, o PCP olhava para os 1,7% e frisava que “o crescimento económico é inferior à previsão do Governo". Mais: segundo o comunista Paulo Sá, “este crescimento económico é insuficiente e não traduz uma melhoria das condições de vida dos portugueses, mas apenas uma acumulação de riqueza nas grandes empresas e nos grupos económicos".»

E pronto. Agora não me peçam para, à luz disto, explicar os resultados destas sondagens. Se insistirem, lá terei de responder que, se não é possível saber se um povo tem a oposição que precisa (só se vê depois), é indisputável que tem sempre o governo que merece.

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