Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

06/08/2016

CASE STUDY: A economia é o que o homem quiser

Alguém terá dito que a economia é a ciência que nos permite fazer previsões e explicar com toda a segurança porque falham. Será isso e muito mais, como vários exemplos recentes evidenciam. É também a «ciência» que nos permite «explicar» o passado porque, Orwell dixit, «quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado».

A um dos exemplos recentes já aqui fiz referência: o estudo conduzido pelo professor Louçã, esse farol da economia de causas, que sem troika o défice seria zero. Não se riam porque se olharmos para o fundo da coisa a criatura até é capaz de ter razão. Pois não é verdade que sem troika e sem dinheiro para pagar as importações em dois ou três anos ficaríamos em estado de inanição e, com uma grande naturalidade, o défice poderia ser zero?

O outro exemplo é também um estudo encomendado, desta feita por Ricardo Salgado, realizado por «investigadores do ISEG» com um método inventado por «um professor de Harvard» onde se demonstra que sem resolução do BES «a economia portuguesa teria crescido pelo menos 2% no último ano, acima dos 1,5% de crescimento do PIB que foi registado e até da média da zona euro e da União Europeia». Não se riam, outra vez, porque as 3 luminárias do ISEG poderão ter razão. Pois se a resolução do BES consistiu em considerar incobráveis uns milhares de milhões de euros que eram irrecuperáveis, se mantivéssemos a ficção que seriam recuperáveis continuaríamos a pensar que teríamos um dinheiro que na verdade não tínhamos mas, para o caso, o que importa é pensar que se tem o que nos permitiria continuar a consumir e, como se sabe, do consumo nasce o crescimento.

Sem comentários: