Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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14/01/2016

Pro memoria (286) - A quem vos disser que o problema dos migrantes e refugiados deve ser resolvido com o coração recomendai-lhe um transplante (2)

[Uma espécie de sequela de Esclarecendo os conceitos e colocando em perspectiva a crise de migrantes e refugiados para a Europa e de (1)]

«The mass sexual assault on New Year’s Eve could mark a turning point in the refugee crisis. More than 500 women have now reported being molested or robbed in Cologne that night. Germany’s justice minister says that crimes on such a scale were probably organised. Of the suspects, almost all are of north African or Arab background; most are refugees. Furthermore, a man shot dead attempting to attack a police station in Paris turned out to be a refugee registered in Germany. Angela Merkel, the chancellor, and her governing coalition are now talking about cracking down on lawbreaking refugees and deporting them (harder than it sounds). In Cologne, groups of men have attacked foreigners, injuring two Pakistanis and one Syrian, and in demonstrations hooligans from the far right clashed with those from the left. Fear, anger and division are putting Germany’s “welcome culture” under unprecedented strain.»

«A less welcome culture: migration after Cologne», The Economist Espresso

Em consequência do relativismo moral que se instalou nos meios pensantes europeus, os incidentes de Colónia que começaram por ser enfiados para debaixo do tapete e continuaram a ser desvalorizados com o argumento que há assédio em todo o mundo ocidental, como se todos as sextas-feiras em cidades europeias bandos de centenas de energúmenos molestassem umas dezenas de mulheres. Por último, a bem-pensância descobriu que a coisa se compunha desde que lhe prantassem um nome. Descobriram então que a coisa se chamava em árabe «Gameâ Taharrush» (ver aqui Insurgente). Já podemos dormir tranquilos.

Aditamento:
Hoje, o mesmo o Economist Espresso dá-nos a conhecer que um júri de linguistas alemães considerou «Gutmensch» (algo como Bom Samaritano) a palavra mais feia de 2015 porque mostra a a ingenuidade dos alemães e denigre a tolerância e o altruísmo - uma extrema ironia para os «do-gooders» alemães.

2 comentários:

Anónimo disse...

Nem com transplante (que dura poucos anos) se safam. A Óropa tem que perceber que só se safa à porrada, com guerra. Temos os exemplos da Rússia e do Reino Unido, que são as sociedades com maior cultura política na Europa.

Unknown disse...

Aconselho a todos os que só têm certezas neste tema da emigração forçada a darem umas voltas pelos bairros tipo Molembeck da Belgica, França e Holanda para aclararem as ideias; uma marcação num low cost e 4 ou cinco dias a viver mais na rua do que nos museus, vai aclarar ideias a quem embarca nos extremos dos tudologos e trolls de serviço.
Com a grande vantagem de ajudar a pensar pela propria cabeça e não nas agendas dos "politicos " de ideias feitas.