Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

05/01/2016

Pro memoria (283) – 37 anos depois, a mesma conclusão

«E voltamos ao princípio: como pode ser controlado um poder que concentra nas suas mãos a administração e a economia? Quem o pode limitar, quem se lhe pode opor? O poder político por si só é já formidável, como o mostrou em Portugal a era do salazarismo. O que fará se se lhe acrescentar o poder económico?

Actualmente em Portugal, onde mais de metade da economia está estatizada, ou directamente ou por intermédio dos bancos, só uma circunstância infelizmente feliz tem salvaguardado a liberdade dos cidadãos: a própria desorganização do Estado, incapaz de prosseguir uma política coerente. Virtualmente o Estado tem todos os meios para exercer um poder discricionário, que nunca foi conseguido nos tempos do salazarismo. Só que não soube ainda usar deles.

A conclusão deste razoado é que a sobrevivência da liberdade exige que o poder económico e o poder político constituam duas esferas separadas. Será isso possível com o socialismo?»

Excerto de «Socialismo e Liberdade», capítulo de «Filhos de Saturno», de António José Saraiva (publicado originalmente no Diário de Notícias de 22-12-1978

1 comentário:

Anónimo disse...

Na minha geração raros sabiam quem era António José Saraiva. Sabia-se do irmão, e pouco. Mesmo após o 25, o António José Saraiva continuou ignorado, acima de tudo pelos jovens (adolescentes e adultos) enterrado, como foi debaixo de monturos intencionais de desconhecimento.

Abraço (my nickname)