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14/01/2015

Todas as indignações são iguais mas há umas mais iguais do que outras

Ofensa gratuita                                                                         Livre expressão

«Uma das questões mais interessantes da sociedade ocidental é a de saber como é que a tolerância gerou a intolerância. Inicialmente, a ideia era definir um espaço público onde todas as opiniões pudessem circular e onde, consequentemente, nada fosse tabu. Iconoclastas como os do Charlie Hebdo alargaram, desde a célebre década de 1960, as fronteiras do que se podia dizer e mostrar. Tudo correu bem enquanto o alvo da irreverência foram os poderes estabelecidos: os políticos, o cristianismo ou a “moral burguesa”.

Mas enquanto o “establishment” era exposto à mais veemente sem-cerimónia, eis que os grupos identitários “libertados” na mesma época começavam, em contra corrente, a reivindicar o direito de serem protegidos da verrina e da paródia a que os chefes de Estado estavam agora sujeitos. Não lhes bastava corrigirem discriminações jurídicas e de facto. Pretendiam ainda eliminar todos os seus vestígios, através da censura de qualquer expressão que remetesse para velhas perseguições ou rebaixamentos, independentemente da intenção com que fosse usada.

A tolerância e a igualdade desaguaram assim no “direito de não ser ofendido”. Subitamente, a primeira luta de uma “minoria” não é para dispor dos mesmos direitos dos outros cidadãos, mas, em nome de antigas discriminações, adquirir privilégios especiais, tornando-se mais ou menos sagrada e intocável. Na prática, tudo isto tem sido um meio de os porta-vozes de grupos identitários adquirirem poder de chantagem e, por aí, acesso favorecido às instituições e aos recursos públicos. Por isso, a extrema-esquerda ocidental fez-se imediatamente campeã de muitas destas causas, não por qualquer consideração ou estima, mas por simples oportunismo político: à falta de classe operária, servem as minorias de carne para canhão

«As origens tolerantes da intolerância», Rui Ramos no Observador

2 comentários:

Anónimo disse...

Há uns 3000 anos que se começou ensaiar democracia. Já feneceram umas centenas. A ideia é bonita mas, se não se "trata da saúde" dos antidemocratas, isto é, se não se liquidam, eles liquidam a democracia. Hoje, o RU e os EUA são das poucas democracias vivinhas porque não perdoam. Como a HistóriA SE REPETE, estou a ver a Óropa a dar o cú e três vinténs, como deu ao nacional socialismo. Depois não se queixem.

Anónimo disse...

ah,ah,ah...agora é centimes, não é vinténs... e o resto até é moda...
neves