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02/01/2015

SERVIÇO PÚBLICO: Não é só um problema de eficácia é também um problema de eficiência

À primeira vista poderá parecer não existir nenhuma relação entre este e o post de ontem sobre o investimento. Na verdade há uma relação muito estreita. Ambos tornam evidente um dos nossos piores handicaps: a secular incapacidade para utilizar bem recursos escassos.

O que nos mostra o World Talent Report recentemente publicado pelo IMD é mais um exemplo disso. O propósito do relatório é «avaliar a capacidade de cada país para desenvolver, atrair e reter talento para manter uma reserva de talento disponível para as empresas que operam na economia».

Não estamos mal por apenas nos situarmos em 33.º lugar em 60 países mas sobretudo por não termos praticamente feito progressos desde 2005 e estarmos atrás de cinco países que estiveram 45 anos sob o jugo soviético: Letónia, Lituânia, Estónia, Ucrânia e Kazaquistão.

Um dos nossos maiores problemas é, sobretudo, estarmos nessa posição apesar de sermos o 16.º país com maior percentagem do PIB em despesa pública com educação e o 9.º em maior despesa pública por aluno, o que não deve admirar-nos porque no número de alunos por professor somos o 8.º com rácio mais baixo no ensino básico e o 1.º no ensino secundário. Outro desses problemas é estarmos em 57.º na formação profissional.

É claro que não devemos ficar surpreendidos com o 52.º lugar na capacidade de atrair e reter talentos e em 48.º na motivação dos trabalhadores. Naturalmente que nem tudo é mau e em matéria de educação em gestão encontramo-nos no terço superior do ranking (18.º) graças a algumas boas escolas nesta área (Católica e Nova, sobretudo), bem como no domínio das línguas (17.º).

De onde decorre que será inútil continua a derramar dinheiro em cima dos problemas. Não devemos gastar mais dinheiro na educação enquanto não formos capazes de o gastar melhor.

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