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de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
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05/12/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (94b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 94a)

O Mais Habitação da esquerdalhada na câmara de Lisboa

No fim do ano passado o balanço feito pelo Expresso mostrava que, após oito anos de anúncios ao despique do Dr. Medina e do Dr. Pedro Nuno, de todos os projectos de habitação acessível geridos pelo IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) até então havia 71 fogos arrendados. Do Programa de Arrendamento Acessível havia 900 contratos activos para dois mil alojamentos e 30 mil candidaturas.

Talvez por isso, a esquerdalhada na câmara de Lisboa, composta por PS, Cidadãos por Lisboa, PCP, Livre e BE, chumbou a proposta de Carlos Moedas de isenção do IMT para os jovens até aos 35 anos que comprem casa até 300 mil euros em Lisboa.

Boa Nova

O governo aprovou uma proposta pândega do PAN para criação de uma rede de hospitais públicos para animais. Quem sabe se estes hospitais ainda vão receber os humanos?

Choque da realidade com a Boa Nova. A Creche Feliz ficou infeliz

Em 2022 durante a discussão do OE 2022 o Dr. Costa anunciou que as creches seriam gratuitas. Passados alguns meses, ficaram de fora as crianças das creches sem acordos de cooperação. Decorrido um ano, o programa Creche Feliz que restou dos anúncios apresenta vagas na aplicação online que na realidade não existem mas impedem os pais de recorrer ao sector privado (Jornal Nascer do Sol).

Militante honorária

A ministra da Ciência, Drª. Elvira Fortunato, se não é militante socialista de facto já ganhou o direito a ser militante honorária ao pretender cancelar as parcerias internacionais da Fundação Ciência e Tecnologia (FCT) com três universidades americanas de topo escondendo um parecer que justificava as parcerias. Confrontada com a bronca, fez o que um bom militante socialistas faz: recuou e mentiu.

A família socialista tem imenso jeito para o negócio ou serão “historietas histriónicas”?

O ex-secretário de Estado do Desporto Dr. Rebelo está a ser investigado por alegados crimes relacionados com favorecimento em contratos públicos.

Derrapagem é o outro nome para gestão socialista de obras públicas

A expansão do Metro de Lisboa, o sistema de mobilidade do Mondego, a modernização da Linha de Cascais e do troço Ovar-Gaia da Linha do Norte são alguns dos exemplos de investimentos do Portugal 2020 cujas obras não ficaram concluídas e que agora são chutadas para o Portugal 2030.

Então não estamos a crescer mais do que a Óropa? Estamos, poucochinho

O crescimento trimestral do PIB caiu de 2,6% no segundo trimestre para 1,9 no terceiro, principalmente pela variação negativa das exportações.

Entretanto, a OCDE corrigiu em baixa as previsões de crescimento para Portugal de 2,5% para 2,2% este ano e de 1,5% para 1,2% em 2024.

O mafarrico tarda mas não faltará

Desde o fim do resgate a economia portuguesa cresceu 20% enquanto a produtividade aumentou 14%, o emprego cresceu 13% e o stock líquido de capital diminuiu 1,4%. Ora o emprego com uma população residente estagnada não pode crescer mais e a produtividade para aumentar precisa de investimento, isto é capital. É só fazer as contas, como dizia o Eng. Guterres quando por aí andava.

11/05/2023

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Web Summit - as 200 mil dormidas já ninguém nos tira (10) - O Paddy já exportou a "Exponoivos" para o Rio, Qatar and beyond

Uma sequela de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8) e (9)

Desde 2016 pela mão do Dr. Costa primeiro e, depois, do Dr. Medina, seu sucessor na câmara e, espera-se, na liderança do PS, a Web Summit da iniciativa do Paddy em Dublin de 2009 a 2016 têm sido realizada em Lisboa graças a um generoso subsídio de 11 milhões por ano até 2028, que o Dr. Costa paga ao Paddy para os alfacinhas terem o privilégio de receber umas dezenas de milhares de participantes estrangeiros.

Ora acontece que ainda o ano passado o Paddy disse esperar em 2025 ou 2026 começar a realizar 
Web Summits em África, há dias confirmou que em 2024 será realizada no Qatar e a semana passada teve lugar a Web Summit Rio que teve apenas uns 21 mil participantes, menos de um terço dos 70 mil em 2019 e menos de metade dos 43 mil do ano passado em Lisboa. 

De onde, o principal input da Web Summit para Lisboa que são as dezenas de milhares de participantes estrangeiro que sempre ajudam a compor o orçamento tenderão a reduzir-se, uma vez que o público para este género de eventos é limitado e a concorrência irá aumentar. 

Há quem acredite (por exemplo, Carlos Moedas sonha com uma fábrica de unicórnios) que o principal input da Web Summit é o incentivo à criação de startups lusitanas, mas isso é um delírio sobre o qual já escrevi nos anteriores posts desta série, até porque, como explicou o fundador da Remote, uma das poucas startups portuguesas que vingou, que não costuma dar-se ao trabalho de comparecer na Web Summit, um unicórnio «faz-se com negócio real (...) a Web Summit é uma Exponoivos para startups.»

15/02/2023

Escrever direito por linhas curtas

Este post é uma espécie de continuação deste.

Declaração de interesse: Não conheço, nem tenho em especial conta o Eng. Carlos Moedas, a quem tenho criticado acções e declarações.

Isso não me impede de apreciar e relevar a sua resposta na assembleia municipal de Lisboa às críticas oblíquas de S. Exª, o papagaio-mor do reino, e às críticas hipócritas de socialistas, berloquistas e comunistas da sua proposta dos imigrantes só serem aceites com um contrato de trabalho. Resposta da qual respigo:

«Eu fui emigrante, sou casado com uma imigrante, o meu sogro é marroquino, a minha sogra é tunisina, por isso, há algo que gostaria de deixar muito claro: não aceito lições de ninguém nesta matéria, de ninguém». 

Mas também não deixo de acrescentar que não chegam as declarações de princípio e é preciso encontrar soluções concretas para conciliar com os interesses dos portugueses as oportunidades que devemos conceder aos imigrantes, o que desde logo exige a distinção, geralmente obscurecida por oportunistas de todos os matizes, entre refugiados perseguidos por razões políticas, religiosas ou étnicas, que devemos humanitariamente acolher sem condições, e migrantes económicos.

06/02/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (52a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Com a sua proverbial “habilidade” o Dr. Costa escondeu-se atrás do altar

Aproveitando a distracção de Carlos Moedas que não reparou na incompetência do Dr. Sá Fernandes (o amigo Zé), arvorado em comissário da Jornada Mundial da Juventude, nem na sonsice e chico-esperteza do Bispo Américo Aguiar, descobriu-se agora que a seis meses do evento estava quase tudo por fazer. O Dr. Costa esfregou as mãos de contente ao ver que a turba mediática e opinativa açulada pelos agentes do costume transferiu a sua indignação da dúzia de “casos e casinhos” no seu governo para os milhões de um altar, que afinal era um palco, e esgotou a sua indignação.

A família socialista tem imenso jeito para o negócio ou serão “historietas histriónicas”?

Por baixo do altar da Jornada Mundial da Juventude, lá foram escorrendo mais casos envolvendo o governo do Dr. Costa. Foram as irregularidades no SIFIDE (sistema de benefícios fiscais para a inovação), foram mais pormenores sobre o esquema de corrupção no ministério da Defesa e foi mais uma demissão no governo, a da subdiretora-geral de Veterinária, arguida num processo.

Até com a verdade nos enganam. Episódio 1 - O Dr. Medina diz que reduziu a dívida pública para 114,7% e esqueceu de mencionar a ajuda da inflação

Contas feitas, sem a inflação, a dívida pública, que em valor aumentou 1,2%, teria ficado em 119% em vez de 114,7% do PIB. O Dr. Medina esqueceu também que se o valor da dívida bruta aumentou 1,2%, o valor da dívida líquida de depósitos, a que mais interessa, aumentou quase 2% (4,9 mil milhões)

Até com a verdade nos enganam. Episódio 2 – A economia cresceu mais em 2022 por ter caído mais em 2020 (6.ª com maior queda) e recuperado menos em 2021 (16.ª abaixo da média) 

mais liberdade

Investimento público, a autoestrada mexicana do PS. Seria um insulto à inteligência dos eleitores, se eles a tivessem

Confirmando o expediente do costume, o governo do Dr. Costa, que orçamentou um aumento de 43% do investimento público, executou menos 2,4 mil milhões, ou seja, um aumento de apenas 6%.

A golpada do costume, quantificada

A semana passada escrevi sobre o expediente usado pelo governo do Dr. Costa para nomear os seus boys e evitar o escrutínio da Cresap. Esta semana acrescento que 70% das nomeações foram em regime de substituição, das quais 83% em regime de substituição durante mais de um ano (apud Blasfémias).

O tanque Leopard é o novo aeroporto

Vai enviar, está a estudar, está a ponderar, ainda não foi tomada uma decisão, não envia, tanques não estão operacionais, envia alguns. O Dr. Costa diz que sabe «quantos tanques serão, mas isso será anunciado no momento próprio».

(Continua)

02/02/2023

Pro memoria (428) - O erro de Moedas, a falta de fiabilidade do Dr. Sá Fernandes, a incompetência dos megafones mediáticos, a falta de profissionalismo dos jornalistas de causas e de como tudo isso deu imenso jeito ao Dr. Costa

«Mas, para começar, é óbvio que Carlos Moedas cometeu um erro comunicacional que se tornou político: quanto a isso apenas de si pode queixar-se.

Realmente deveria ter feito já em 2022 uma conferência de imprensa a anunciar o estado das coisas, a revelar que herdara a JMJ do mandato anterior, que em mais de 2 anos quase nada fora feito, quanto iria custar e que vantagens – além das espirituais, que a descristianização crescente nem considera – a JMJ traz para o País e para a região de Lisboa.

Se o tivesse feito, ver-se-ia que isto é um não-assunto. Ou, se fosse, era um assunto criado pela Igreja Católica Portuguesa, pelo Governo e pelo Presidente da República, com o entusiasmo de 2019 e a desatenção a seguir, em que os novos presidentes de Lisboa e de Loures estão a tirar as castanhas do lume.

Seja como for, Moedas ficou politicamente atado ao pelourinho, abandonado pela Igreja, vítima dos ziguezagues comunicacionais de Marcelo e com o Governo calado a descansar banhado em felicidade, porque este tema matou os anteriores que tinham todos a ver com o PS e o Governo. (...)

É duvidoso que JSF seja fiável:

a) Ficou evidente que não tem nenhum estudo feito com base nas especificações e complexidades do terreno de um aterro sanitário, que contribuiu para eleger;

b) a providência cautelar com que bloqueou o Túnel do Marquês há cerca de 20 anos, e que obrigou em 2008 a CML a pagar quase mais 18 milhões de euros ao construtor, revela que é muito mau a calcular a relação custo/benefício; e, além disso,

c) confessou há dias que, em nome do Estado, adjudicou a construção de toilettes e de torres para o recinto e aluguer de painéis multimédia por quase 8 milhões de euros, mais IVA.
»

José Miguel Júdice no Expresso

06/10/2022

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (98) - Loucura mansa. Mansa?

« A LOUCURA MANSA

O Partido Comunista da Federação Russa, o segundo maior partido russo, votou favoravelmente a anexação de 20% da Ucrânia. E subiram as penas de prisão para quem ouse criticar a invasão e os media podem ser encerrados se o fizerem.

Carlos Moedas acabou com a ofensa ao património e à paisagem que eram os cartazes de partidos na Praça do Marquês de Pombal.

O PCP referiu a violação da liberdade de expressão, da lei e da Constituição da República e classifica a decisão como "atitude de censura".

Falava da Rússia? Não, era do Marquês de Pombal.»

José Miguel Júdice no Expresso

23/02/2022

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (201) - Um regedor socialista e a doutrina Somoza

A estória é a de um presidente socialista de junta que se opõe indignado às filmagens na sua freguesia (Santa Maria Maior) de uma produção da Netflix, não obstante a câmara municipal de Lisboa ter uma comissão para promover filmagens em Lisboa que teve um certo sucesso ao autorizar até agora mais de milhar de pedidos para filmar, dos quais 119 na freguesia dessa criatura, sem ao que saiba nenhum protesto.

O que mudou agora?, questiona-se Helena Matos, admitindo um caso de «demência socialista». Não me parece, a começar porque os socialistas não sofrem de demência socialista. Eles sabem muito bem o que querem e o que não querem e o que fazer para o atingir ou para o evitar, respectivamente. 

Neste caso, para o regedor em causa, estas filmagens não têm nada a ver com as anteriores promovidas pela vereação do Dr. Costa e do seu delfim Dr. Medina, putativo futuro ministro das Finanças. E esse é o quid. Estas filmagens são promovidas pela vereação de Carlos Moedas a quem não se aplica a doutrina Somoza, por não ser obviamente their son of a bitch.

21/02/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (3)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

A baderna eleitoral

Não vale a pena contar a estória já muitas vezes contada. Apenas para efeitos de intendência, registe-se a pouca-vergonha dos ocupantes das instituições do Estado sucial, começando pelo governo, continuando pela Comissão Nacional de Eleições, pelos partidos e terminando em S. Exª, todos com as suas bocas sempre balbuciando respeito e encómios à Constituição, que fintaram com expedientes de chico-esperto (sendo certo que no mundo digital em que vivemos o processo de identificação previsto é obsoleto), e aos emigrantes que foram insultados pela anulação dos seus votos.

A Justiça do Estado sucial não é cega. É apenas zarolha

Por um lado, um jovem estudante perturbado é tratado como um terrorista da Jihad pela PJ, o director aproveita-se para se promover e S. Ex.ª para fazer uma selfie com himself. Por outro lado, temos um imigrante senegalês, que até poderia ter sido sufista militante da Jihad no Senegal, a quem foi concedida nacionalidade portuguesa, a insultar impunemente 20 deputados do parlamento português chamando-lhes "suínos" e "fascistas-racistas-neoliberais", depois de já ter incitado a “matar o homem branco” e de chamar à polícia "bosta da bófia".

Choque da realidade com a Boa Nova

Faz agora três anos, o Dr. Costa entregou ao seu então delfim Dr. Medina o edifício onde se situava o ministério da Educação, na avenida 5 de Outubro em Lisboa, para alojamentos de estudantes, parte de um grandioso Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior. Três anos depois, está tudo na mesma e o governo anunciou agora que em 2026 o edifício estará pronto para receber umas centenas de estudantes o que abrirá a oportunidade ao sucessor do Dr. Costa de fazer novo anúncio por ocasião das eleições de 2026.

A startup que é um stop down

Por falar no Dr. Costa e no Dr. Medina, a Startup Lisboa foi criada pelo Dr. Costa em 2011, enquanto estagiava na câmara de Lisboa, para chocar os ovos das legiões de startups que iriam seguir-se. A chocadeira iria ser no Hub Criativo do Beato, na antiga Manutenção Militar, que estaria pronta em 2019 para a primeira fornada de pintos, onde três anos depois o actual presidente Carlos Moedas iria lançar a sua anunciada Fábrica de Unicórnios. Desde então, foi sendo torrado dinheiro, foram falindo vários empreiteiros e anunciadas adesões para ocupação de escritórios seguidas de desistências. No mundo real a primeira coisa que ficará pronta no trimestre corrente é o espaço de restauração (juro que é isto que o Expresso escreveu).

«Sont les mots qui vont tres bien ensemble»

Teriam dito os Beatles a respeito do título «Governo promete dinheiro barato e energia verde aos produtores de porcos» inventado pelo jornal Eco com palavras chave tão apropriadas: governo, dinheiro barato e porcos.

A caminho do socialismo


Em apenas 6 anos, de 2016 a 2021, o Dr. Costa e a sua trupe acrescentaram 74.351 utentes aos efectivos da vaca marsupial pública. É obra.

14/02/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (2)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa».

O que podemos esperar do Dr. Costa e o que o Dr. Costa pode esperar da realidade

Volto a citar a previsão de Henrique Neto, um antigo socialista que sabe do que está a falar e escreveu: «vamos ter na próxima legislatura mais Estado e menos liberdade, mais impostos e mais taxas e menos concorrência, mais escolhas de quadros por amiguismo e menos por critérios de mérito, mais corrupção e menos transparência.»

Quanto ao Dr. Costa, espera-o muito provavelmente governar com uma dívida crescente a custos crescentes com a inflação a subir, uma CE menos permissiva e um BCE menos cooperante a comprar dívida, logo que a economia e as finanças públicas italianas recuperem pela mão do Super Mario, comunistas assanhados e berloquistas ressabiados, uns e outros a tentarem recuperar na rua e nas greves, os primeiros, e nas redacções dos mídia, os segundos, o que perderam nas urnas, e com um PSD acossado pelo IL e pelo Chega à procura de uma identidade perdida com um líder precário.

Irá o Dr. Costa dar ao pedronunismo a oportunidade de pôr Portugal a voar?

Lê-se nalguns jornais que no novo governo o Dr. Siza vai passar a pasta ao Dr. Pedro Nuno Santos. É uma excelente ideia. Se assim vier a ser, o Dr. Pedro Nuno estará em melhor posição para endoutrinar os "privados" no seu modelo TAP.

Corrigindo a anomalia

As eleições para a câmara de Lisboa foram uma desagradável surpresa para o PS dando a vitória a Carlos Moedas contra todas as previsões. Multiplicam-se os sinais de que a máquina do PS já está em marcha para corrigir a anomalia impedindo o presidente eleito de gerir e câmara e levando-o à demissão.

As consequências previsíveis mas imprevistas das medidas do governo para ficar bem na foto do ambiente

Há um ano o governo mandou fechar a central a carvão de Sines, «a maior e a mais eficiente da Península Ibérica», uma medida completamente irracional, como aqui se citou há um ano. Um ano depois as consequências estão à vista, como aqui explicou o antigo director-geral de Energia e Geologia. Numa altura de seca extrema foi preciso usar as reservas hidrográficas para compensar o fecho da central a carvão e importar 30% da electricidade consumida, principalmente de Espanha e uma parte dela das centrais a carvão espanholas muito menos eficientes e mais poluidoras do que a de Sines.

Job for the Boys

Uma das medidas mais relevantes para evitar o nepotismo e a incompetência que lhe está associada tomada pelo governo de Passos Coelho em 2011 foi a criação da CRESAP (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública). Poucos meses de depois de tomar posse, o Dr. Costa mostrou ao que vinha e mandou cancelar uma dúzia de concursos da CRESAP que estava a recrutar candidatos com base em perfis técnicos definidos pelas tutelas, coisa que não interessava nada à geringonça mais preocupada com os cartões de filiados. Com uma nova direcção desde Abril de 2017 nomeada pelo governo de Costa, a CRESAP aprovou prontamente 167 candidatos a cargos dirigentes na administração pública sem quaisquer reservas ou, como escreveu o semanário de reverência, «com zero chumbos». Outras vezes, para fintar a selecção pela CRESAP, o governo recorreu ao regime de substituição. Desde então gradualmente a CRESAP entrou em extinção e o governo já nem se dá ao trabalho de manter as aparências.

28/09/2021

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Ficar acima das expectativas não é uma vitória. É uma derrota menos pesada do que o esperado

«Sublinho: perdeu as eleições. Rio e todo o espaço de centro-direita. Lamento este anti-clímax, mas na leitura nacional que se pode fazer destas eleições, o centro-direita perdeu-as: em número de câmaras, em número de autarcas e no somatório de votos. Outra vez. É certo que tem boas razões para festejar. Ganhar Lisboa é sempre um passo importante para ganhar o país, mas o pior que pode fazer é iludir-se que Lisboa é o país. Pior: que Rui Rio é Carlos Moedas. E são os perigos destas ilusões, à boleia do “ah, mas foi Rio que escolheu Moedas, tem que se lhe dar esse mérito” (...)

E reconheço: foi uma escolha de Rui Rio. Mas é sobretudo o contraste entre ambos, entre o que cada um deles representa que, à escala nacional, o PSD terá de avaliar (e o CDS também). Na dúvida perguntem-se: lançar Cristiano Ronaldo em campo, alguma fez de Lazlo Boloni o melhor treinador do mundo?»

Pedro Gomes Sanches no Expresso

07/03/2021

Paira um espectro sobre a nomenclatura do Portugal dos Pequeninos e esse espectro é...

... Pedro Passos Coelho.

De cada vez que o nome do homem é invocado ocorrem sobressaltos à esquerda e à direita, no governo, na oposição e em Belém. Em Belém? Sim em Belém, o que de resto não deveria espantar ninguém desde que o famigerado 3P se saiu na sua moção ao congresso de 2014 com o «catavento de opiniões erráticas» e o catavento lui-même correu a enfiar a carapuça.

O exemplo mais recente das manobras para cobrar o catavento é visível numa peça da jornalista do semanário de reverência investida em porta-voz do Dr. Marcelo, onde se descreve a mal disfarçada satisfação de S. Ex.ª com a candidatura do Eng. Moedas à câmara de Lisboa, não tanto pela candidatura em si mesma, mas pelo candidato ter pedido a sua bênção prévia e pela esperança dessa candidatura poder vir a ser o princípio de um muito desejado antídoto ao indesejável regresso de 3P. 

«“Ele deu o grito do Ipiranga”, comentava-se esta semana no Palácio de Belém, onde o avanço de Carlos Moedas para a capital foi lido como um atropelo ao eventual regresso de Passos Coelho, pelo menos no curto e médio prazo», escreveu a jornalista porta-voz. 

Felizmente não voto em Lisboa e não terei o dilema de escolher entre um putativo sucessor do Dr. Costa e um putativo sucessor do Dr. Rio, a quem os Espírito Santo não hesitaram em o «por a funcionar» quando estavam a ser apertados pelas investigações e que, enquanto comissário europeu, viajava frequentemente para Lisboa a passar manteiga no governo do Dr. Costa e na sua geringonça. Posso estar enganado? Posso, sim, mas o que dizer de um candidato a presidente da câmara de Lisboa portador de uma tal linguagem corporal?

31/08/2019

Com este pessoal político, Portugal, que tem algum passado e pouco presente, dificilmente terá um futuro diferente

Já poucos acreditam nos políticos com graus académicos ornamentais que fazem o circuito das feiras a comer sandes de carne assada e pastéis de bacalhau ou a tournée de prova dos tintos. Ou que fingem interessar-se pela Lavoura (com maiúscula) ou que fazem campanha nos mercados municipais a dar beijinhos às peixeiras.

Contudo, parece haver ainda um resíduo de fé numa nova geração de políticos ilustrados com graus académicos prestigiados, por vezes em universidades estrangeiras, que aparentam ter vida para além do orçamento. Essa nova geração com outra cultura, outras ideias e outras práticas, assim reza a profecia, irá substituir gradualmente os velhos políticos.

É uma profecia comovente, mas, como é costume nas profecias, se calhar tem uma baixa probabilidade de se concretizar. Vem esta profecia a propósito de um desses novos políticos que aqui no (Im)pertinências já fez gastar muita tinta desde os tempos longínquos em que a criatura emergiu da sombra na encarnação de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro Passos Coelho.

Trata-se, pois, de Carlos Moedas que nos últimos dias confirmou que, aparte os graus académicos, o inglês fluente e o à vontade no "estrangeiro" e alguns tiques, reúne muitos dos atributos que fazem dos políticos portugueses o que eles costumam ser.

Por exemplo, costumam ter uma ideia da Europa como a Óropa dos subsídios e o seguro contra todos os riscos que a preguiça e a falta de iniciativa imaginam ter subscrito, como o  homem que se orgulha que «vai duplicar os fundos comunitários para ciência» e exorta «Portugueses devem ir buscar mil milhões aos apoios à inovação».

Por exemplo, costumam ser desprovidos de coluna dorsal, como o homem que é um bajulador emérito que, jogando no tabuleiro do PS, mete a língua no ouvido de Costa dizendo-lhe «foram cinco anos com uma relação institucional com o primeiro-ministro que correu sempre tão bem».

Como já tinha jogado no tabuleiro de Marcelo que encomendou à sua porta-voz, que faz as vezes de jornalista do Expresso, uma enjoativa peça com um título que, quando se discutia a sucessão de Passos Coelho, era todo um programa  - «Marcelo sonha com ele para o PSD».

Por exemplo, quando prepara cuidadosamente com jogos de bastidores o seu limbo de dois anos após a fim do mandato na CE, pondo, como diz o povo, o palito no bolo das Fundações Gulbenkian e Champallimaud através da citada porta-voz de Marcelo no semanário de reverência.

12/04/2019

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (14) - Nos buracos negros, por direito próprio

Outros portugueses no topo do mundo.

É mais uma confirmação do postulado de Ti Célito: os portugueses são os melhores dos melhores, em tudo e, inevitavelmente, ou principalmente, nos buracos negros.

O primeiro dos portugueses é Hugo Messias, um português de 33 anos, trabalha no ALMA (Atacama Large Millimeter Array), a cinco mil metros de altitude no meio do deserto do Atacama, no Chile, a colectar e verificar dados sobre dois buracos negros, o da galáxia M87 e o Saggitarus A*, dados que são enviados para o Instituto Max Planck e o MIT.

O segundo é Carlos Moedas, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, e não precisa de apresentações. O que tem ele a ver com o buraco negro, perguntareis. Tem tudo, lembro eu. Em primeiro lugar, fez parte do governo que lidou com o buraco negro deixado por José Sócrates e agora falou em Bruxelas do buraco negro fotografado pela primeira vez.

Temos assim, a juntar a tantos outros, não apenas mais um, mas desta vez dois portugueses no topo do mundo: «o português por detrás da primeira fotografia de um buraco negro» e o português que «esteve na apresentação da primeira fotografia de um buraco negro, em Bruxelas, onde sublinhou a importância da imagem captada pelo telescópio Event Horizon».

24/02/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um comissário para todo o serviço (2)

Secção Albergue espanhol

Confessamos (outra vez): aqui no (Im)pertinências o comissário Carlos Moedas tem vindo a provocar urticária. A primeira vez que surgiu no nosso radar em plena crise do resgate foi a descerrar uma lápide em Beja com o seu nome, a pretexto de ser lá da terra, numa escola sem alunos (um projecto do tempo de Sócrates), na qualidade de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro.

Ainda restava alguma boa impressão na segunda vez que nos apareceu,  (...) Para nós foi sempre a descer. E quando pensávamos que já não desceria mais, ... (a partir daqui é ler o post anterior)

Agora que já sabemos que pode descer mais, não nos surpreendemos com as promoções que o semanário de reverência lhe fez esta semana. Aqui vão elas:


Repare-se como Moedas substituiu Tsipras nos favores da viúva de Miguel Portas.

Corrige-se assim a avaliação da prestação de carreira de Moedas, segundo a pontuação impertinente, com cinco em vez de quatro urracas pela frouxidão, mantêm-se os cinco pilatos por querer colocar cartas em todos os tabuleiros e leva cinco em vez de três chateaubriands por confundir a sua promoção com os deveres do cargo e o interesse do país, a que acrescem dois ignóbeis.

26/12/2018

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Um comissário para todo o serviço

Secção Albergue espanhol

Confessamos: aqui no (Im)pertinências o comissário Carlos Moedas tem vindo a provocar urticária. A primeira vez que surgiu no nosso radar em plena crise do resgate foi a descerrar uma lápide em Beja com o seu nome, a pretexto de ser lá da terra, numa escola sem alunos (um projecto do tempo de Sócrates), na qualidade de secretário de estado adjunto do primeiro-ministro.

Ainda restava alguma boa impressão na segunda vez que nos apareceu, em plena crise do resgate, como porta-voz do governo numa conferência de imprensa onde apresentou um relatório do FMI («Portugal rethinking the state—selected expenditure reform options») recheado de medidas para apertar ainda mais o cinto. Fê-lo com o ar de totó sem a mínima ideia do impacto que essas medidas iriam provocar nos portugueses a quem a esquerdalhada apresentava como uma maldade da direita as medidas negociados pelo governo de Sócrates, recorde-se. Cúmulo da patetice, referiu-se ao repositório de mais maldades da direita com «um relatório muito bem feito», como se estivesse a falar para os alunos do mestrado de finanças da Católica.

21/12/2017

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (6)

Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)

Na sua edição do passado dia 8, o Expresso ultrapassou-se a si próprio, dedicando as duas páginas centrais do caderno principal à promoção de Carlos Moedas e a receptáculo dos recados do comentador Marcelo, agora residente em Belém. São peças tão repelentes que precisei de alguns dias a vencer a minha repugnância para escrever este post.

Passo a citar alguns nacos mais putrefactos de uma das peças com um título que é todo um programa «Marcelo sonha com ele para o PSD»:

«Pelo menos um dos fundadores do partido (…) vislumbra no atual comissário português em Bruxelas uma forte hipótese para, num futuro não muito longínquo, suceder na liderança social-democrata, seja a Rui Rio, seja a Santana Lopes. 

Desconsolado com as duas candidaturas na forja para suceder a Pedro Passos Coelho, Marcelo Rebelo de Sousa não tem disfarçado em privado o entusiasmo com que acompanha a carreira de Carlos Moedas, que considera um caso raro de competência, rigor, inovação e cosmopolitismo. Marcelo vê em Moedas uma carta "fora do baralho".

(…) apareceu alguém diferente, com um discurso de rutura e que funcionou como uma lufada de ar fresco capaz de mobilizar atenções e apoios e de retirar o partido de uma letargia prolongada. Nos anos 80, esse nome foi Aníbal Cavaco Silva. Algures nos anos 2000, Marcelo admite que possa ser Carlos Moedas. 

(…) No estilo, são muito diferentes. Moedas, ao contrário de Cavaco, não é um carismático. Mas tem mais mundo e tem um trato tu- cá-tu-lá que o analista Marcelo prefere à distância dos frios. No léxico (e na visão) marcelista, diz-se que Carlos Moedas "encaixa na política mais cosmopolita e dos afetos". 

"Quer vir?"
Que o Presidente da República gosta da sua companhia é indisfarçável. Quando o comissário vem a Lisboa basta telefonar a  Marcelo e juntam-se em Belém a conversar.»

Esqueçam o Código Deontológico do Jornalista, esqueçam o Código de Conduta dos jornalistas do Expresso, esta é apenas uma amostra que diz tanto sobre a subserviência do jornalismo ao serviço de causas obscuras como sobre os conflitos de interesse e a instrumentalização recorrente da presidência da República por Marcelo Rebelo de Sousa para servir a sua agenda pessoal.

12/12/2017

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Pendurados no Estado, o Costismo como guterrismo perneta e um manobrista em Belém

«Entre a direita pendurada no Estado e a esquerda pendurada no Estado, a esmagadora maioria do eleitorado (cada vez mais dominado por pensionistas e funcionários públicos) prefere a versão socialista. Por isso, fechado o ciclo cavaquista em 1995, o PSD passou a ser o suplente do PS. Governou apenas quando o PS apodreceu. As duas vezes (2002-2005 e 2011-2015) foram experiências desastrosas. Em vez de reformismo, houve cortes orçamentais. Em vez de novas ideias, houve reciclagem de ideias velhas. Em vez de abertura à sociedade civil, optou-se cada vez mais pelo aparelho puro e duro.»

Excerto de «A crise do PSD (I): o sorpasso», Nuno Garoupa no DN

E não há solução? Haver há, mas não com nenhum dos Marretas saídos da naftalina.

«Ao escolher ficar exclusiva e permanentemente apoiado na bengala comunista-bloquista, Costa tornou o seu Governo ainda mais frágil e refém de interesses instalados do que o de Guterres já fora. O resultado da necessidade deste último de comprar a boa vontade de todos não foi só a sua fama de “indeciso”, mas também os 70 mil novos funcionários públicos que se juntaram à mesa do orçamento entre 1996 e 2000, o aumento da despesa pública, e o défice de 4,3% que deixou a quem veio depois. 
Mas, ao menos, podia dar-se ao luxo de ser “indeciso”, porque podia escolher o que e a quem ceder.

Já Costa sabe que tem de dar o que quer que os únicos que o podem sustentar dele pretenderem, sob pena de perder o poder, a única coisa que o seu “pragmatismo” não pode aceitar. O resultado da “capacidade negocial” de Costa será o fortalecimento dos sindicatos do PCP, o agravamento dos problemas estruturais do país, a continuação da degradação dos serviços públicos e uma desconfiança da população em relação aos políticos ainda maior que a que já hoje se faz sentir. Pior que o “guterrismo”, talvez só mesmo um “guterrismo” perneta.

É claro que este poderá ser suficiente para Costa renovar a sua estadia em São Bento em 2019, talvez até para obter uma maioria absoluta na Assembleia, se o que os eleitores desejam é um Governo que se limite a fazê-los sentir que as coisas já não estão tão complicadas como estavam há uns anos atrás, mesmo que nada tenha realmente mudado. Mas isso não será suficiente para evitar que, mais tarde ou mais cedo, as coisas se compliquem ainda mais, e deixe de ser possível fingir que não.»

Excerto de «Um “guterrismo” amputado», Bruno Alves no Económico

E não há solução? Não, não há. Há sempre um Costa à espera de vaga no PS.

«Desta feita, em jeito de presente de aniversário, Marcelo Rebelo de Sousa convidou o histórico e deveras competente assessor de imprensa do PSD, Zeca Mendonça, para a assessoria de imprensa da Presidência da República. Ora, o Presidente que diz ser o político mais independente de todos leva para a sua equipa a pessoa que melhor conhece e domina a máquina do PSD – em pleno processo eleitoral nesse partido! Ou seja: Marcelo quer estar por dentro da luta entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio. Mais: Marcelo apoia Santana Lopes, mas já está a queimá-lo para 2019, lançando (de forma inaudita e só possível em Portugal) Carlos Moedas como o futuro do PSD. E resta esperar para perceber qual será a “facada final” que Marcelo dará (ou tentará dar) na candidatura de Rui Rio. Para nós, é a grande incógnita da política portuguesa nos próximos dias, em plena época natalícia.»

Excerto de «Os 69 de Marcelo», João Lemos Esteves no ionline

E não há solução? Não, não há. Elegeram-no, agora aguentem até 2026.

18/11/2016

Pro memoria (327) - «Luz no fundo do túnel», disse ele


«Moedas diz que pela primeira vez há “luz ao fundo do túnel”»

«Comissário europeu e ex-secretário de Estado-adjunto de Passos Coelho diz que "pela primeira vez" Portugal está no bom caminho em relação ao défice e que já se começa a ver "luz ao fundo do túnel". (Observador)

Carlos Moedas já demonstrou não ter muito jeito para a política (o episódio da sua conferência de imprensa sobre o relatório do FMI em 2013 é lendário) e parece tentar compensar a falta de jeito esforçando-se por parecer político, dizendo coisas que até os políticos profissionais hesitariam em dizer. Com esta conseguiu dizer numa só frase dois disparates/mentiras (cortar conforme o gosto): (1) se há coisa que os portugueses em geral e os políticos em particulares, dia sim dia não, vêem são «luzes no fundo do túnel»; (2) quanto ao «está no bom caminho», se ele não sabe como o défice de 2016 está a ser fabricado aplica-se a primeira alternativa, se sabe aplica-se a segunda.

25/07/2016

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (41)

Outras avarias da geringonça.

A semana que passou foi tão fértil em produções fictícias da geringonça que é difícil destacar uma. Escolho o orçamento participativo inventado pela máquina de propaganda de Costa que permitirá aos cidadãos decidir onde gastar 3 milhões de euros ou o equivalente a 0,004% da despesa total - leu bem: quatro euros em cada cem mil euros euros de despesa.

Mas também poderia escolher o folhetim Caixa. Ficou a saber-se que a administração demissionária apresentou ao ministro das Finanças em Dezembro um plano de recapitalização sem dinheiro público. A menos que a administração da Caixa já nessa altura tivesse atacada de paranóia, e nesse caso deveria ter sido imediatamente demitida, é difícil de entender o silêncio de Centeno. Pior não parece possível, mas talvez seja porque o BCE considerou o novo plano de António Domingues «não credível».

10/07/2016

Bons exemplos (111) – Durão Barroso, uma espécie de Mourinho-Horta Osório

No mesmo dia em que escrevi sobre Horta Osório, ficou a saber-se que Durão Barroso foi nomeado presidente não executivo da Goldman Sachs International e conselheiro da Goldman Sachs, depois de ter passado pelos crivos das autoridades de supervisão bancária americana e britânica. Recorde-se que a Goldman Sachs, segundo a esquerdalhada uma entidade diabólica, não costuma recrutar patetas. Entre outros passaram por lá António Borges, Carlos Moedas, Mario Monti (ex-comissário europeu e ex-primeiro-ministro italiano), Mario Dragui (actual presidente do BCE).

Não tinha intenção de escrever sobre esta nomeação de uma criatura que, depois dos 10 anos como presidente da CE da UE, deve ser o político português com maior notoriedade internacional, até ver a profusão de reacções indignadas. Para só citar algumas: eurodeputados socialistas franceses sortidos não citados, designados por «França» e Marine Le Pen (Público), Jerónimo de Sousa (Negócios), Catarina Martins (DN).

Os argumentos são desesperadamente patéticos e não há um único que se esforce por demonstrar a existência de um conflito de interesses na passagem de um cargo sem responsabilidades financeiras especiais num órgão político-administrativo comunitário para um cargo não executivo num banco internacional de investimento.