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04/10/2017

Saída limpa

Para dizer a coisa em poucas palavras, Passos Coelho estava politicamente moribundo desde que não foi capaz de encontrar ideias e um discurso alternativo à geringonça. Com os resultados das eleições autárquicas recebeu a certidão de óbito político. E a quem está morto, tratando-se morte física, o que há a fazer é enterrar o cadáver rapidamente. Nos outros casos há que encontrar um substituto, o que não é urgente, é importante. Embora para a maior parte dos portugueses tal distinção seja um pormenor, na realidade é um pormaior.

Quer nos casos de morte física, quer nos outros, é de bom tom dizer umas palavras de circunstância. No caso da morte física, geralmente ninguém tem coragem de dizer mal do morto. No caso de morte política, geralmente é o contrário.

Tratando-se de Passos Coelho, porventura o político mais odiado na última década, não precisamos de nos esforçar para dizer mal. Os seus inimigos, isto é o baronato e os socialistas ressabiados dentro do seu partido, por um lado, e os seus adversários, isto é os socialistas fora do seu partido, os comunistas e bloquistas, por outro, sem esquecer as legiões de jornalistas de causas ao serviço de uns e outros, já o fizeram bastamente.

Resta dizer que a falta de qualidade dos seus detractores em geral e os argumentos para a detracção durante os sete anos em que foi líder do PSD são a maior homenagem que lhe prestaram, agora que irá sair da cena política. Salientamos uma coragem pouco habitual nos nossos políticos e acrescentamos que teve uma saída limpa, o que não é dizer pouco.

Pertinente                            Impertinente

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