Já está em marcha a retaliação dos comunistas pela derrota nas autárquicas. Jerónimo ameaça mais luta nas ruas, diz que não está amarrado a nenhum acordo, acusa o PS e o BE de hostilização e de mentiras. A Fenprof anuncia uma greve parcial dos professores a partir de 2 de Novembro se não forem atendidas as suas exigências. Professores aproveitam o 5 de Outubro e entoam cânticos ao «Marcelo amigo». Os polícias dizem que estão fartos. Depois de não se ter entendido com o ministério das Finanças sobre o descongelamento de carreiras na reunião da passada 6.ª Feira, a CGTP convocou uma greve da função pública para o dia 27.Já que falamos nos professores, registe-se que os resultados das provas de aferição do ensino básico foram desastrosos não só nas disciplinas onde já era habitual, como a matemática, mas em outras disciplinas. Um dos padrinhos do Costa, que está agora de secretário-geral nas Nações Unidas, tinha uma paixão pela educação (com maiúscula), que deu os resultados que se sabe. Receio que o afilhado tenha herdado a paixão.
Registem-se também os efeitos secundários da necessidade do governo de Costa apaziguar as obsessões berloquistas, neste caso a nova Lei dos Estrangeiros proposta pelo BE que permite a concessão de residência a quem tenha uma promessa de trabalho. O governo demitiu a directora do SEF que tinha nomeado por ter salientado as consequências de uma lei irresponsável e quatro dias depois os directores adjuntos demitiram-se.
A dívida pública continua de boa saúde e recomenda-se. A dívida bruta apesar do pagamento antecipada ao FMI continua a subir e ultrapassou em Agosto os 250 mil milhões. A dívida líquida de depósitos teve um decréscimo de 1,7 mil milhões que só para efeitos de agitprop poderia ser apresentada como o trambolhão anunciado pelo Alquimista e o seu ajudante. Para já, em vez do trambolhão, temos o anúncio pelo IGCP de dois próximos leilões de BT totalizando 2,75 mil milhões.
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| O «trambolhão» pode esperar (fonte) |
Afinal sempre há um «défice oculto», reconheceu o tele-evangelista Louçã, agora reconvertido em respeitável figura de cera do regime, em entrevista ao jornal Eco: «Há um défice oculto quando o Estado não faz os gastos que tinha de fazer na renovação do sistema de Saúde, por exemplo.» Lá mostrou a careca do Alquimista e das suas cativações e outras alquimias. Apesar de Louçã ter esclarecido que não estava «a falar nos pagamentos atrasados, porque esses são contabilizados», o certo que os pagamentos atrasados são outro dos problemas recorrentes e a CE deu um prazo de dois meses para o governo cumprir a Directiva 2011/7/UE sob pena de uma acção no Tribunal da UE,
A mesma CE no seu relatório da 6.ª missão pós-programa concluiu que as «reformas para o emprego do setor público já não se destinam à redução de custos», por exemplo a regra das duas saídas por uma admissão não tem sido respeitada. Louça e CE ambos têm razão: o governo não realiza a despesa indispensável para manter a resposta da máquina administrativa porque aumenta as despesas com pessoal para comprar a sua clientela eleitoral e manter sossegados os parceiros da geringonça.
Além da despesa não realizada de que fala Louçã, há a despesa relacionada com as funções de soberania, como a defesa, que o governo, preocupado em manter a clientela feliz, mete debaixo do tapete «(leia-se a este respeito o artigo de Miranda Sarmento «Funções de soberania e despesa pública»).
Entretanto, na sociedade civil, como se dizia nos tempos pós-PREC em que o Estado controlava 30% do PIB, o saldo do crédito a particulares diminuiu ligeiramente (0,6%) em Agosto e os novos empréstimos às empresas continuam a cair (menos 3,1% ). O rácio de malparado das empresas diminuiu ligeiramente (0,1%) em relação a Julho mas o número de devedores aumentou 0,4% e atingiu a bela percentagem de 27% - ou seja, mais de um quarto das empresas não financeiras com créditos bancários estão em incumprimento.
A venda de automóveis desacelerou ligeiramente em Setembro, no entanto o crescimento homólogo foi de 8,3%. E não, não se trata de investimento: a venda de veículos pesados diminuiu 18% até Setembro.
E, por último, além do anunciado «trambolhão» da dívida pública que não acontece, mais um dos testes «o algodão não engana»: o relatório do Eurostat confirmou o défice de conta corrente da balança de pagamento portuguesa atingiu 1,1 mil milhões de euros, o que nos situa no quarto lugar dos défices da UE28 em valor absoluto, em percentagem do PIB estamos no pódio atrás da Roménia. Desta vez vai ser diferente? Não acreditem.
