Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

04/12/2024

Dúvida (343) - Quem sabe faz. E quem não sabe, faz o quê? Ensina? Sim!

Uma espécie de continuação das dúvidas: Como explicar que um país geralmente mal gerido por gestores medíocres ou maus tenha um ensino de gestão de qualidade? e Quem sabe faz. E quem não sabe, faz o quê?

Financial Times

Com 6 em 51 escolas com programas abertos para executivos, o Portugal dos Pequeninos compara bem com França (10) e Reino Unido (8) e fica claramente acima de Países Baixos (4), Espanha (4), Alemanha (3), Itália (3),  Suíça (3), Bélgica (2), Irlanda (2), Noruega (2), Dinamarca (1), Finlândia (1), Suécia (1).

Quando comparamos o sucesso do Portugal dos Pequeninos, onde predomina a gestão medíocre e os gestores do palpite, com a maioria dos outros países com níveis de desenvolvimento superiores ou muito superiores, se não existissem múltiplos outros exemplos, este seria suficiente para demonstrar que Da produção de graduados não nasce o desenvolvimento, desmentindo um dos mitos mais enraizados nas meninges das elites do Portugal dos Pequeninos.

03/12/2024

Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (39)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa» e do «Semanário de Bordo da Nau Catrineta». Outras Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa.


É o que dá fazer política inspirada na ideologia e no pensamento milagroso

Segundo um relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), o número de estrangeiros não residentes assistidos nos hospitais do SNS ultrapassou os 100 mil o ano passado e este ano atingiu 90 mil até Setembro e pode atingir 120 mil até ao final do ano. Cerca de metade não estavam abrangidos por qualquer protocolo ou seguro de saúde e o presidente do IGAS comenta «é o designado turismo de saúde. Muitas pessoas sabem que o serviço de urgência é uma porta para terem acesso a cuidados de saúde». (fonte)

A Óropa deve ficar preocupada

Não é caso para menos o Dr. António Costa prometeu servir a União Europeia como serviu a sua cidade e o seu país, apresentando como currículo oito anos como presidente da câmara de Lisboa e outros oito como primeiro-ministro. Em caso de dúvida, consultar as seguintes séries de posts:
O Dr. Centeno não poupa o esforço promocional. Lost in translation

Qualquer pretexto serve. O último são as notas velhas que o BdP anunciou pretender poupar à incineração para o que vai lançar um concurso com vista a «incentivar e envolver a sociedade no desenvolvimento de protótipos que permitam reutilizar os resíduos das notas de euro que não cumprem os requisitos de qualidade para se manterem em circulação».

Enquanto isso, o Dr. Centeno responde solenemente à pergunta de um jornalista durante a CNN International Summit sobre a sua putativa candidatura a Belém com «honestamente, nem penso nisso» querendo significar «não penso noutra coisa». Não é caso para menos, nos últimos 30 dias o Google listou umas 300-referências-300 ao Dr. Centeno na imprensa portuguesa.

Separados à nascença

Fundado na convergência do PS e do Chega nas propostas e nas votações do OE2025, o Diário de Notícias titula «Já não há um líder da oposição, há dois». Temos de concordar.

O Estado sucial como empreendedor é o costume

Segundo o relatório do Conselho de Finanças Públicas (CFP) sobre o desempenho do sector público empresarial em 2023, um terço das empresas públicas estão em falência técnica, isto é têm os capitais próprios negativos, e totalizam um prejuízo líquido de 790 milhões de euros.

Vem a propósito lembrar que em 2019 a Transtejo comprou 10 embarcações eléctricas das quais só uma tinha bateria e sem nenhuma estação de carregamento. Cinco anos depois só foram entregues cinco dessas embarcações que estão em testes e ficaram sem energia por falhas na ligação.

02/12/2024

To end a somewhat pathetic mandate, a totally pathetic decision...

CNN

... and an excuse for his successor's list of pardons.

Crónica de um Governo de Passagem (29)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
«You can’t manage what you can’t measure». A maldição da tabuada

Quem quer que tenha dito o aforismo citado, não foi escutado pelos governantes deste jardim à beira-mar plantado nem, ouso dizer, pela maioria dos seus habitantes, a começar pelos funcionários públicos, como no caso dos instalados no aparelho do ministério da Educação, que, disse o respectivo ministro, não foram capazes de contar os alunos sem aulas, fenómeno que os jornalistas de causas relataram como mea culpa do ministro que, pelos vistos, segundo eles, deveria ter circulado pelas mais de 4.500 escolas públicas básicas e secundárias para os contar.

Boa Nova?

Parece que o governo do Dr. Montenegro percebeu que a chamada crise da habitação não se resolve pelo lado dos subsídios e da procura, mas pelo lado da oferta e desse lado é crucial a disponibilidade de solos para construção e daí o sentido de alterar a chamada Lei dos Solos, o que o governo fez a semana passada. Falta saber se o fez bem e, sobretudo, se a implementará bem,

Quem te avisa teu amigo é

A Comissão Europeia olhou para o Draft Budgetary Plan for 2025 apresentado pelo governo português e fez umas quantas considerações e recomendações, nomeadamente para limitar o crescimento da despesa líquida, reduzir o endividamento, substituir as reduções de impostos sobre os combustíveis por apoios aos mais desfavorecidos, considerou o orçamento como expansionista, a política fiscal insuficientemente detalhada e assinalou a ausência de medidas para a sustentabilidade das segurança social. Mais do que o explícito, importa ter em conta o implícito que são os riscos resultantes das vulnerabilidades da economia portuguesa não resistirem aos tempos de vacas magras que se desenham no horizonte da UE com a Casa Branca ocupada por uma criatura instável.

Há quem diga que está em curso a vingança dos "PIGS". Porém, o "I" nunca saiu dos "PIGS" e os outros poderão voltar em breve

A propósito do estado das grandes economias europeias, da Alemanha em risco de recessão e da França à beira de uma crise orçamental e da dívida (a Itália continua encalhada no mesmo sítio há várias décadas), há umas almas que não disfarçam uma espécie de schadenfreude por, pensam essas almas, a situação se ter invertido e hoje estão entalados os que ontem olhavam com arrogância os "PIGS". É um grande engano por muitas razões e em especial duas: as economias de uns e de outros são bastante diferentes e com o nível de integração da UE as desgraças das maiores economias não tardarão a ser desgraças das outras. Por exemplo, a França e a Alemanha representam um quarto das exportações portuguesas, e o arrefecimento dessas economias já se faz sentir em Portugal em que só consumo interno está a aguentar o medíocre crescimento de 0,2% no 3.º trimestre que algumas outras almas celebram porque Portugal «está com as contas certas, está a crescer mais do que a média europeia» - recorde-se que as previsões de crescimento do PIB em 2024 são 0,9 % na UE e 0,8 % na área do euro.

01/12/2024

ARTIGO DEFUNTO: O semanário de reverência a pagar tributo ao PS. Segundo capítulo - presunção de culpa

Continuação deste outro tributo.

O ano passado o Expresso publicou um artigo de duas páginas no caderno principal sobre uma moradia que o Dr. Montenegro construiu, uma peça com 2 mil palavras semeadas de insinuações, sem uma única acusação concreta para além de alegar que o valor da moradia não foi declarado ao Tribunal Constitucional (Montenegro explica não estar prevista a indicação do valor que, aliás, consta da caderneta predial).


Este fim de semana, o mesmo periódico publicou o artigo acima onde em escreve que «os inspetores não terão detetado qualquer suspeita de crime». Note-se que não se escreve «não detetaram» e se opta pela subtileza «não terão detetado». Continua com «o Ministério Público se prepara para encerrar o processo (... mas) pode decidir ainda fazer novas diligências. E pode até pedir ajuda à PJ novamente». O resto do artigo é uma devassa ridícula semelhante à do primeiro artigo onde se especula sobre os materiais e os seus preços e o financiamento da construção e no final não resta uma única acusação concreta, resta apenas a tentativa de levantar suspeições na mente do tuga invejoso de um político com uma «habitação de luxo com seis pisos (de) um milhão de euros (ou) mais».

Declaração de interesse: qualquer visitante deste blogue terá tido inúmeras oportunidades de confirmar que nenhum dos contribuintes tem em especial conta o Dr. Montenegro. Neste blogue têm-se em especial apreciação a independência do jornalismo e o apego aos factos, uma e outro raros.

30/11/2024

Títulos inspirados (96) - Titilando mentes fracas com palavras fortes. Será a Mota-Engil um cadáver adiado?

Há um tempo atrás, assinalei aqui o exercício patético de uma peça do Expresso com o título "Quem são os 'fundos abutres' que investem quase €300 milhões para a bolsa nacional se afundar?" em que o jornalista concluiu que existe um enorme risco de uns fundos que controlam menos de 0,5% da capitalização bolsista das 11 empresas portuguesas onde detêm posições afundarem uma bolsa que está há muito afundada na sua própria irrelevância.

O mesmo exercício patético foi agora replicado por outro jornalista, provavelmente por encomenda da putativa vítima do abutre, com o título «Mota-Engil foi a “vítima perfeita para um fundo abutre”, diz administrador financeiro». Desta vez, o abutre é o Muddy Waters Capital Domino Master Fund com uma posição curta (*) de 0,65% que, segundo o roteiro, conseguiu afundar as cotações em quase 40% reduzindo a posição de 0,65% para 0,57%. 

Em vez de "vulture" o jornalista de causas financeiras deveria classificar o fundo Muddy Waters (o nome de um famoso guitarrista fundador do Chicago blues - ouça aqui Mannish Boy) como fundo "sorcer" visto que, com apenas uns gramas de uma barra que pesa quilos, está a transformar em chumbo essa barra de suposto ouro. Nesse caso deveria acrescentar que o feitiço, supondo que é a causa da queda, só estará a resultar porque o free float da Mota-Engil são peanuts ou, dito em português corrente, é insignificante a percentagem das acções transacionáveis na bolsa porque os "donos" da Mota-Engil não confiam no mercado e olham para os outros accionistas como silent partners ou, em português corrente, uns parolos a quem permitem deter acções para manter a empresa cotada.

 _________

(*) Por memória: os "fundos abutres" praticam o short selling ou venda a descoberto que consiste em vender um activo esperando comprá-lo mais tarde a uma cotação menor, o que só faz sentido para o fundo se tiver expectativas que o activo em causa está sobreavaliado. Em mercados evoluídos considera-se que esta prática reduz o risco dos investidores e aumenta a liquidez e a estabilidade dos mercados.

29/11/2024

No, maybe it won't be the end of the world (8)

Continued from (1), (2), (3), (4), (5), (6) and (7

It is very difficult to comment on Mr. Trump's ideias because his volatility is as great as the America he wants to make. And by the way, although it is an apparent contradiction, but the most achievable purpose is his motto MAGA because, as it has been written, a country that has an unemployment rate of 4% and a GDP per capita of $85,000 does not have to be made great again - it has been great for a long time. 

To the volatility of Mr. Trump you have to add the unrealism of the ideas of the people he picked for his government. For example, the designated secretary of Health and Human Services and dropout candidate Robert F. Kennedy Junior promised that he and the President will «transform our nation’s food, fitness, air, water, soil and medicine», a purpose that the Democratic party would not disdain.

And to RFK Jr's unrealism we must also add the unintended consequences (or perhaps intended) of Elon Musk's announced purposes, whose objective of eliminating bureaucracy could very well degenerate into the creation of an oligarchy.

Returning to the increase in tariffs and citing the conclusions of economist Ricardo Reis, the experience of Trump's first term showed that, with some exceptions such as steel, a US tariff of 10% on a Chinese import leads to an increase in the price paid by Americans of 9.5% and a drop in the price received by the Chinese of 0.5%. In other words, the tariff ends up being almost entirely paid by Americans.

Furthermore, it was found that a 10% increase in rates came with a decrease of about 10% in purchases after 3 months, and about 20% after 18 months. And it was also found that those who benefited from these tariffs were mainly countries such as Mexico, Vietnam, Thailand and South Korea, that increased their exports to the USA, and at least in some cases Chinese companies opened branches in the country and continued exporting to the USA through of them.

In the end, according to the best available estimates, Americans lost out in margins and in profits and wages, or in prices. Other countries may gain slightly, although the world will lose by producing in less efficient and more expensive places.

(To be continued)

Se ká nevásski faziasse kásski

Jornal Económico

O estudo em causa que parece ser uma espécie de exercício de pensamento miraculoso é da McKinsey, uma grande consultora americana, em tempos considerada la crème de la crème da consultoria, cuja reputação foi bastante abalada por vários escândalos. O mais conhecido desses escândalos foi aconselhar fabricantes de medicamentos, nomeadamente a Purdue Pharma, a preparar planos de marketing enganosos para as vendas de opióides. A McKinsey foi condenada e está a tentar um acordo de pagamento que pode chegar a US$ 600 milhões

Não é provável que os portugueses, sempre ansiosos de boas notícias e de «fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo», proponham uma acção colectiva contra a McKinsey por estudos enganosos - afinal estamos num país onde costumamos dizer uns para os outros «engana-me que eu gosto».

28/11/2024

Estado empreendedor (112) - A política industrial falha porque o Estado é um mau empreendedor

O texto seguinte é um resumo de «Os falhanços da política industrial» de Ricardo Reis no Expresso, um artigo de opinião com uma independência e lucidez infelizmente raras no nosso Portugal dos Pequeninos, sobre as políticas industriais adoptadas com o propósito do Estado intervir para fazer crescer a economia, criar os chamados "campeões nacionais" e, em particular, intervir na investigação e desenvolvimento (I&D), sendo este último propósito o foco do artigo.

Ricardo Reis começa por chamar a atenção que a UE e os EUA gastam os mesmos 0,7% do PIB na I&D e a diferença está no sector privado que nos EUA investe quase o dobro da UE e no sector público em que na UE o apoio à ciência tem mais a ver com a equidade entre os Estados membros do que nos méritos dos programas financiados. Um exemplo desta última diferença é o Human Brian Project (HBP) no qual a UE «investiu cerca de mil milhões de euros entre 2013 e 2013, que fez avanços fundamentais na neurociência e na computação com o objetivo de criar um simulacro artificial do cérebro humano. Esse objetivo nunca foi alcançado. Já a empresa privada DeepMind, adquirida pela Google em 2014, começou por querer desenhar jogos, mas rapidamente dedicou-se a desenvolver ferramentas de inteligência artificial, alcançou enorme sucesso na biologia molecular, e mais recentemente está a apostar nos braços robóticos.

No que diz respeito às políticas industriais, há casos de sucesso e casos de falhanço quando estudamos a sua história pelo mundo fora. Regra geral, são mais os falhanços, justificando um saudável ceticismo quando se vê um partido fazer disto a sua bandeira como o PS fez parcialmente nas últimas eleições legislativas. Um problema de raiz é que os políticos não são particularmente bons a escolher os sectores certos onde investir. Antes pelo contrário, é inevitável que os bolsos fundos do Estado atraiam o esforço de persuasão de muitos aldrabões e oportunistas preparados para se aproveitarem do político bem-intencionado.

27/11/2024

CASE STUDY: A atracção por Belém - a lista dos que não se excluem não pára de crescer (12)

Outras atracções.

Desta vez ainda com maior antecedência (desde 2022, pelo menos), começaram a alinhar-se os candidatáveis a Belém, segundo os próprios, segundo os partidos que os apoiarão, segundo as cortes privadas, segundo os jornalistas amigos e até segundo os jornalistas inimigos, frequentemente para lançar o barro à parede ou para queimar nomes.

Eis um breve elenco feito à pressa dos que já se chegaram à frente ou foram falados ou sondados ou lançados à parede (disclaimer: não há garantias implícitas ou explícitas de que a lista esteja actualizada):

  • Ana Gomes
  • André Ventura
  • António Guterres
  • António José Seguro
  • António Vitorino
  • Augusto Santos Silva
  • Elisa Ferreira
  • José Pedro Aguiar-Branco 
  • Henrique Gouveia e Melo 
  • Leonor Beleza
  • Luís Marques Mendes
  • Mário Centeno 
  • Paulo Portas
  • Pedro Passos Coelho
  • Pedro Santana Lopes
  • Rui Rio
Faz uns vinte anos inventei a seguinte teoria conspirativa: é mais barato e mais agradável ser presidente da República do que líder da oposição, que implica suportar a travessia do deserto do poder, aguentar uma cambada de potenciais traidores escondendo as navalhas da traição nas calças da pouca-vergonha e suportar uma infinita corja de medíocres ansiando por uma sinecura, tudo isto apenas mitigado pelo séquito de seguidores incondicionais, que vai minguando, na medida em que mingua a esperança do governo de serviço cair. Percebe-se que esta teoria conspirativa, como todas as teorias conspirativas, teve um tempo de vida limitado, neste caso porque a candidatura a Belém já não é, como foi nalguns casos no passado, um ersatz à candidatura a líder da oposição. Hoje, com a emergência das redes sociais e da bacoquice sem freio, a candidatura a Belém é sobretudo o pináculo da carreira de um "influencer".

26/11/2024

Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (38)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa» e do «Semanário de Bordo da Nau Catrineta». Outras Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa.

Num país normal, depois dos encómios do Dr. Pedro Nuno, o Estado como agente económico ficaria definitivamente desacreditado (continuação)

A semana passada ironizei a pesporrência ignorante do Dr. Pedro Nuno citando o caso das carruagens com amianto compradas à Renfe, o que um comentador considerou exagerado. Concordo que até nem foi o caso mais grave da governação do actual líder socialista, foi apenas o mais ridículo. Entre outras razões porque na compra foi anunciado que as carruagens começariam a circular no fim desse ano (2020), o que efectivamente só aconteceu em Julho de 2023, mas ridículo sobretudo porque numa saloiice terminal o Dr. Pedro Nuno se auto-glorificou com um Portugal (isto é, ele próprio) «pode ensinar a outros Estados estrangeiros e também a alguns privados como fazer bons negócios».

O bilhar às três tabelas do Dr. Pedro Nuno (coadjuvado pelo Dr. Ventura) pode não lhe correr bem

Provavelmente com duplo propósito de facturar junto dos pensionistas, um segmento fundamental dos seus mercados eleitorais, sem ter de pagar a factura das “contas certas”, o Dr. Pedro Nuno e o Dr. Ventura propuseram aumentos adicionais das pensões que custarão segundo a UTAO 327 milhões e 265 milhões, respectivamente. Suspeito que estejam enganados, porque o Dr. Montenegro está a aproveitar para mostrar responsabilidade e, se a proposta for aprovada, a memória do eleitorado pensionista irá esquecer o Dr. Pedro Nuno e o Dr. Ventura e lembrar a medida como mais uma de um PSD esforçado para apagar as más recordações do resgate.

Dez anos depois o processo da Operação Marquês está no mesmo sítio

O processo em que é acusado o Sr. Eng. Sócrates é muito mais do que uma acusação a um sujeito com muito mais ambição do que escrúpulos que usou em proveito próprio um lugar político. É um processo em que está em causa o domínio do aparelho de Estado por um partido com a cumplicidade e o proveito de uma parte da nomenclatura do regime, incluindo bonzos que ocupam o aparelho judicial. Por isso, desiludi-vos, o processo vai arrastar-se a pretexto de expedientes judiciais e apodrecer, porque ninguém com influência está interessado numa autópsia do regime.

A acção promocional do Dr. Centeno não está a correr bem

Parece que, no seu afinco promocional, o Dr. Centeno meteu a pata na poça ao apresentar do seu púlpito a tese que Portugal é um «receptor líquido de diplomados», ao arrepio da conclusão generalizada. A demonstração da argolada foi feita por várias pessoas mais bem qualificadas para o tema, entre as quais o professor Óscar Afonso no artigo «Senhor Governador, a fuga de talento é mesmo real».

25/11/2024

Crónica de um Governo de Passagem (28)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Mercearia orçamental. No topo do mundo

Mais de 2.100 propostas de alteração ao OE2025 foram apresentadas à razão de uma para cada duas páginas das quase cinco mil, com o Chega em primeiro lugar com 639 propostas, seguido do PCP com 517, do Livre com 264, etc. O PAN com 238 propostas para um só deputado teve um desempenho prodigioso que, se igualado pelos outros partidos, teria resultado em quase 55 mil propostas o que seguramente colocaria o parlamento português no topo do mundo.

O outro contribuinte deste blogue fez em 2017 as contas do número de páginas por cada milhão de euros dos orçamentos português e do Reino Unido e conclui que eram respectivamente 4,7 e 0,076 o que dava um rácio comparativo de verborreia com 1 para 62. Aqui sem dúvida, estamos no topo do mundo.

A educação também é uma paixão para a AD? Será este governo bom no género mau?

Há um mês havia 54 mil alunos que em algum momento não tiveram aulas a pelo menos uma disciplina e nesta altura ainda há mais de 2 mil alunos nessa situação. Dir-se-á que pior não seria possível, mas foi. No final do 1.º período do ano lectivo passado o governo para quem «educação era uma paixão» tinha quase 21 mil nessas mesmas circunstâncias.

Aproveitai enquanto dura…


Graças principalmente ao turismo, que este ano deverá atingir 20% no PIB, o saldo positivo da balança corrente e de capital, isto é, o excedente externo voltou a subir no 3.º trimestre para 8,2 mil milhões, o equivalente a 3,9% do PIB, com um crescimento de 4,7 mil milhões em relação ao mesmo período do ano passado. Se quisermos imaginar o que seria da economia portuguesa sem este surto do turismo podemos olhar os saldos negativos do gráfico até 2011 entre os -4% e os -12%.

… e aí está o endividamento a aumentar

Jornal Económico

Aumento devido principalmente às empresas privadas com uma subida de 2 mil milhões de euros em Setembro. Se fosse para investimento produtivo…

Contas erradas

O Ministério da Saúde corrigiu agora um erro do OE2025 com um aumento da despesa que explicou ainda não estava totalmente quantificada.

Para convocar uma greve qualquer pretexto é bom

O Dr. Leitão Amaro, ministro da presidência, numa conferência de imprensa referiu o facto de Portugal ter um número de acidentes por km de ferrovia «sete vezes pior do que a primeira metade dos países europeus» e anunciou a «proibição de condução sob o efeito de álcool», sem estabelecer qualquer relação entre o facto e a medida. Um dos 17-sindicatos-17 da CP enfiou o chapéu e apressou-se a convocar uma greve «para defender a honra e o respeito profissional».


24/11/2024

Mitos (343) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXII) - Os limites ao crescimento em 1972, segundo o Clube de Roma

Outros posts desta série

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
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A COP29 realizou-se este ano no Azerbaijão, um país onde a produção de petróleo e gás representam metade do PIB cujo presidente de acredita, compreensivelmente, que «o petróleo e o gás são dons de Deus».   

Mme Sandrine Dixson-Declève, que falou em representação do Clube de Roma, fez uma intervenção incendiária onde a par das teses catastrofistas habituais do áctivismo ambientalista fez também a habitual ligação estúpida entre a direita e os inimigos do ambiente - «quem vota à direita não acredita em alterações climáticas», assim transformando o problema das mudanças climáticas numa questão partidária, mais até do que política. 

Model Standard Run as shown in The Limits to Growth

Se olharmos para as teses catastrofistas de Mme Dixson-Declève à luz das previsões catastrofistas do Clube de Roma no seu relatório de 1972 The Limits to Growth (pode ler aqui o texto integral nas suas mais de 200 páginas ou aqui um resumo de 13 páginas) que antevia o esgotamento de todos os principais recursos minerais nalgumas décadas seguida da fome generalizada, poderíamos concluir essas teses não tem qualquer credibilidade e que o Clube de Roma continua a contribuir para transformar uma questão científica numa questão ideológica, prestando um péssimo serviço à causa que se propõe defender.

23/11/2024

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (66) - O Senhor Oliveira da Figueira dos Ferraris em Madrid

Outros portugueses no topo do mundo

1.ª página do Caderno de Economia do semanário de referência

A carência de reconhecimento dos portugueses, gerada pelo «sentimento (identificado por Eduardo Lourenço) de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo», é ainda mais esmagadora do que a raridade de portugueses que o mundo reconheça estarem no topo do mundo. 

É possivelmente por isso que um auto-intitulado semanário de referência (*), à míngua de portugueses que o mundo coloque no seu topo, aproveite o que vem à rede e juntando o útil ao agradável preste um serviço promocional à Santogal prantando na 1.ª página do seu Caderno de Economia um seu gerente sentado numa bela Ferrari (os ferraris são todos fêmeas).
___________

(*) Parece que o semanário Expresso deixou cair há uns anos o "de referência", perdendo assim a singularidade de ser o único periódico auto-intitulado de referência.

Informação inútil (para quem conheça a obra de Hergé): «Le senhor Oliveira da Figueira vit ordinairement à Lisbonne, d’après les affirmations du capitaine du boutre qui recueille Tintin lors d’une tempête en mer Rouge, au début des "Cigares du Pharaon". Son prénom est un nom fréquent au Portugal et Figueira désigne une ville du centre du pays. On découvre vite sa principale caractéristique : c’est un vendeur qui sort de l’ordinaire.»  (Timtim.com)

22/11/2024

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (11) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (VIII)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10)

mais liberdade

A insustentabilidade do sistema de pensões que o diagrama antecipa dentro de menos de 20 anos não deveria surpreender ninguém, pelo menos não deveria surpreender quem nos visita e lê o que vimos escrevendo sobre este tema há pelo menos 15 anos, com este, este ou este post a que seguiram os posts desta série.

mais liberdade

Na génese da insustentabilidade anunciada estão vários factores e entre eles uma taxa de poupança que tem vindo a cair há duas décadas e que hoje é uma das mais baixas da União Europeia. A poupança é tão baixa que, por um lado, não me permite aplicar as poupanças necessárias para garantir a sustentabilidade dos fundos de pensões públicos e privados (as subscrições dos planos de poupança-reforma estão há dois anos a cair) e, por outro, não permite os investimentos produtivos necessários para garantir o aumento da produtividade e o crescimento a longo prazo indispensável para aumentar a poupança sem baixar os níveis de consumo e o bem-estar.

21/11/2024

No, maybe it won't be the end of the world (7)

Continued from (1), (2), (3), (4), (5) and (6

One of the most ambitious measures announced by Mr. Trump is the creation of the Department of Government Efficiency (DOGE) led by Elon Musk and Vivek Ramaswamy to cut $2 trillion from the federal budget, more than the government’s discretionary spending for a year. The cuts may make sense, depending on what exactly is cut, but the fact is that the total federal government workforce is now the same size as it was in the late 1960s. 

Mr. Trump has given the DOGE two years to make the cuts, but even so, total federal government spending is about $7 trillion, and subtracting interest on the public debt and mandatory allocations for pensions and health insurance leaves $1.8 trillion, so cutting $2 trillion over two years would mean cutting more than half of payroll spending. Even for Mr. Trump’s megalomania, this sounds like overkill. 

The most likely scenario, and in line with the threats made by Mr. Trump and his loyalists, is that the cuts, whatever they may be, will be a pretext for removing undesirable people.

Another of Mr. Trump’s measures targets the Justice Department, whose independence he wants to abolish by turning it into a personal law department to selectively prosecute his political enemies, as revenge for the prosecutions he has endured. Federal judges are likely to prevent the worst of these ideas from being carried out, but the appointments that Mr. Trump intends to make will only reduce opposition to these measures. 

Other clean-up actions Mr Trump has talked about include firing “woke” generals - after all he was quoted as having privately said «I need the kind of generals that Hitler had». According to some sources, the «transition team are drawing up a list of military officers to be fired, potentially to include the Joint Chiefs of Staff».

When it comes to monetary policy and the Fed, Mr Trump has made no secret of wanting to have a say. Whatever that means, it will not be good news for the Fed's independence - remember what happened to a similar move by President Nixon in the 1970s when inflation was soaring above 10%.

(To be continued)

20/11/2024

Proposta Modesta Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações (13) - Áctivistas da igualdade de "géneros" ide manifestar-vos em Bagdade frente do parlamento

Outras propostas modestas

[Em 1729 Jonathan Swift publicou um panfleto satírico com o título longo e insólito A Modest Proposal: For Preventing the Children of Poor People in Ireland from Being a Burden to Their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public.]

MSM

E porque não reduzir a idade do consentimento para seis anos, seguindo o exemplo do Profeta que desposou Aisha bint Abdullah bin Abi Quhafah bin Uthman bin Amir bin Kaab bin Qanana com essa idade? (fonte)

DIÁRIO DE BORDO: Simplificando, há dois tipos de portugueses...

... há os portugueses genuínos que acham que o Portugal dos Pequeninos está muito bem assim, por isso não é preciso fazer nada e fazer alguma coisa só estraga; há os portugueses desiludidos que acham que o Portugal dos Pequeninos não está bem nem tem salvação e, portanto, não há nada a fazer e, fazendo-se, é perda de tempo.

Olhando mais em pormenor, parece que há uns portugueses estrangeirados que acham que o Portugal dos Pequeninos não está bem ou podia estar melhor e, para isso, seria preciso fazer coisas que, inevitavelmente já foram feitas no estrangeiro -  por isso eles são estrangeirados - coisas que os portugueses genuínos acham que não são genuínas e que os portugueses desiludidos acham que não são possíveis ou, sendo-o, são inúteis.

Em suma, tudo pode e deve ficar na mesma e os estrangeirados podem ser rotulados de falsos (ou traidores) ou de lunáticos pelos portugueses genuínos e pelos portugueses desiludidos, respectivamente, ou continuar a ser rotulados por ambos de estrangeirados que é a mesma coisa. 

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Estes delírios pontuais ocorreram-me por um comentário (de um português desiludido) a um post em que acolhi ideias avulsas (e impossíveis ou inúteis?) de dois estrangeirados.

19/11/2024

Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (34)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa» e do «Semanário de Bordo da Nau Catrineta». Outras Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa.

A geringonça como multiferramenta e a lei de Murphy

A geringonça que tão bem serviu em 2015 os propósitos do Dr. Costa de governar depois de ter perdido as eleições, pode estar a caminho de ser usada de novo, desta vez na Madeira, onde o Chega que agora se pode adicionar à geringonça apresentou uma moção de censura que sendo aprovada, como é provável, poderá ser seguida de uma coligação anti-PSD que poderá formar governo com a abstenção do Chega. Se assim for, poderemos ter mais um exemplo da lei de Murphy: a coisa nunca está tão mal que não possa piorar.

Num país normal, depois dos encómios do Dr. Pedro Nuno, o Estado como agente económico ficaria definitivamente desacreditado

«Olhamos muitas vezes para o Estado como uma espécie de empecilho no desenvolvimento económico. Nós temos de mudar a forma de como olhamos para o Estado no seu papel de transformação das economias. Os Estados com boas políticas são mesmo uns dos principais instrumentos de transformação de uma economia», disse há dias o Dr. Pedro Nuno que como ministro das Infraestruturas teve um papel na transformação em lixo de mais de três mil milhões na TAP e na compra da sucata com amianto comprada à Renfe, declarando nessa altura que Portugal (isto é, ele próprio) «pode ensinar a outros Estados estrangeiros e também a alguns privados como fazer bons negócios».

Fazer do Banco de Portugal um púlpito promocional do governador é uma tradição do PS. A despedida do Dr. Centeno

Recordando, o Dr. Constâncio, que foi governador do BdP duas vezes em 1985-1986 e 2000-2010, intercaladas com a liderança do PS em 1986-1989, foi um precursor do Dr. Centeno que saiu directamente do ministério das Finanças para o BdP e agora se promove e está a ser promovido a candidato pelo PS a Belém. A mais recente acção de promoção vai exigir o encerramento do BdP para a reunião anual de todos os 1752 apparatchiks do BdP perante os quais o Dr. Centeno fará a sua última aparição antes de terminar o mandato no próximo ano.

Pretender resolver a imigração desregulada com restrições ao alojamento local é …

… é mais estúpido do que pretender resolver o problema da habitação como a mesma ferramenta (ler aqui uma boa explicação).

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba estava furado

Nós no (Im)pertinências sempre achámos que o balão de hidrogénio do Dr. Galamba era mais um elefante branco a caminho, o que aliás o mesmo Dr. Galamba reconheceu com um atraso de quatro anos. Uma das empresas que não percebeu a tempo foi a Fusion Fuel SA que pretendia fabricar equipamentos para a produção de hidrogénio verde e está a caminho da insolvência e sem dinheiro para pagar salários, apesar de ter recebido do Estado sucial dezenas de milhões de euros de subsídios.

Contas certas

Se os actuais ministros da Justiça e da Defesa não estiverem a contar estórias da carochinha, os seus antecessores gastaram 20 milhões do fundo de modernização para pagar salários e investiram menos 300 milhões na Defesa do que comunicaram à NATO, respectivamente.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

mais liberdade

O Dr. Pedro Nuno responsabilizou o governo pela crise do INEM, crise que, como disse o seu correligionário Eng. Guterres a respeito do conflito palestiniano, «não nasceu do vácuo», como o diagrama mostra.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

O Dr. Costa, o Dr. Caldeira Cabral, o Dr. Siza Vieira e o Dr. Costa e Silva fabricaram o desastre da nacionalização da EFACEC que na última contagem o total de perdas poderá chegar aos 564 milhões. Nem tudo se perdeu. Um dos fundadores da EFACEC , António Ricca, comprou a subsidiária falida EFACEC - Bombas e Ventiladores e vai agora abrir uma fábrica de transformadores na Póvoa do Varzim que será concorrente da EFACEC.

Take Another Plan. Hamsters tomam de assalto um voo da TAP

Durante cinco dias um avião da TAP ficou retido no aeroporto da Ponta Delgada devido à fuga de 100 hamsters, à solta no porão. Com algum esforçou percebe-se os cem hamsters. A explicação para os cinco dias só pode ser falta de pessoal.

18/11/2024

Crónica de um Governo de Passagem (27)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A doença crónica do SNS “não surgiu do vácuo

É claro que o governo AD, o ministro e os restantes dirigentes actuais têm algumas culpas no cartório pela ineficácia do INEM e de várias outras coisas. Porém, se o essencial da coisa residisse aí, como inúmeros analistas e a comentadoria situacionista nos tentam fazer acreditar, seria fácil de resolver e não é porque são problemas crónicos que se tornaram mais evidentes com a redução das 40 para 35 horas que o Dr. Costa, o Dr. Centeno e o Dr. Marcelo nos garantiram que não teria impacto orçamental. A partir daí foi lançado dinheiro para cima dos problemas e a despesa com o SNS aumentou 60% desde 2015 sem consequências visíveis na melhoria do funcionamento.

Retirar a publicidade da RTP? Não seria melhor retirar o governo da RTP?

Confesso não ter ainda percebido o sentido desta medida anunciada pelo governo e ainda menos ter percebido a oposição da oposição a uma medida que, segundo o credo da esquerdalhada, poria a RTP ao abrigo da influência dos “privados”.

Boa Nova

O Dr. Montenegro anunciou na Web Summit – ou “Exponoivos para start-ups” - o lançamento de «um LLM português - Large Language Model - para inovarmos em português, preservando o nosso idioma e utilizando a nossa cultura ao serviço da inovação», empreendimento que mereceu dúvidas relevantes ao outro contribuinte, que também me inquietam.

Bons conselhos

A presidente do Conselho das Finanças Públicas perante o aumento de 10% da despesa pública lembrou ao governo, durante discussão na especialidade do OE2025, que «o país não suportaria termos taxas de crescimento de despesa anuais na casa dos dois dígitos». O Dr. Montenegro terá tido vontade de responder «ai aguenta, aguenta» mas teve uma epifania e ficou calado.