Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

05/04/2024

Dúvidas (370) - Não será um poucochinho exagerado? (7) - O surto inovador e inventivo que nos assalta

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6

Como se pode confirmar nos posts anteriores, o tema das patentes é um mais dos usados pelas figuras de cera e a comentadoria do regime, e evidentemente pelo jornalismo de causas, para exaltar a suposta inventividade inata no Portugal dos Pequeninos e o correspondente sucesso, talvez só superado pelo futebol, tentando compensar o profundo complexo de inferioridade que infecta o país e as suas elites.

Vejam-se, por exemplo, os seguintes dois dos muito títulos exaltantes que se seguiram à divulgação pelo European Patent Office (EPO) do Patent Index 2023: «Portugal triplicou o número de pedidos de patentes europeias numa década» (Público) e «Portugal volta a bater recorde de pedidos de patentes» (Observador). Se os títulos são exaltantes os textos não o são menos.

A realidade que os dados estatísticos objectivamente revelam nada tem de exaltante, se queremos adjectivar, deprimente seria mais adequado. Desde logo, porque os 329 pedidos de patentes portuguesas em 2023 correspondem a 0,38% e 0,17% do número total de pedidos dos 39 países do EPO e do número total de países, respectivamente. De seguida, porque o rácio de 33,9 patentes por milhão de habitantes nos colocam no 38.º lugar do ranking (terceiro a contar do fim) dos países que apresentaram pedidos de patentes ao EPO.

Esquecendo que quem parte de um nível muito baixo, como Portugal, sempre pode progredir muito mais rapidamente do que quem já tem um nível elevado, ainda assim, o número de patentes portuguesas pedidas representava 0,07%  do total em 2014, cresceu para 0,15% em 2019 e desde então variou entre 0,14% e 0,17%. Se considerarmos apenas os pedidos de patentes que são aceites, o rácio de aceitação entre 2014 e 2023 nunca atingiu metade, e se o número de patentes aceites aumentou mais de 100% de 2022 para 2023, isso deveu-se ao número anormalmente baixo de 2022 que foi pouco mais de metade do de 2021.

Moral da estória: é difícil ter uma opinião pública esclarecida quando se tem uma opinião publicada (sim, o que se publica não são notícias) deste calibre.

04/04/2024

SERVIÇO PÚBLICO: Uma obra de demolição de alguns dos mitos mais populares no Portugal dos Pequeninos (7)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6)

Outro post sobre os mitos cuja demolição considero mais importante, recordando que os factos que fundamentam a demolição foram amplamente estudados e documentados no livro de Nuno Palma (NP) e nas dezenas de trabalhos de investigação que publicou (cfr o seu Research output).

Um mito com estatuto especial nas mentes com enviesamento ideológico à esquerda (sim, também há enviesamento ideológico à direita) é que a Primeira República foi um regime salvífico a todos os títulos (apesar da instabilidade social e da violência política quotidiana que, por inegáveis, exigiam uma ginástica olímpica aos "republicanos" para as justificar como resultante da "oposição") e salvífico em particular no esforço e nos resultados da "instrução pública".

Se, por benignidade, aceitarmos como salvífico o esforço que consistiu em aumentar a escolaridade obrigatória de 3 para 5 anos, mesmo com a mesma benignidade não se podem considerar salvíficos os resultados. De facto, a aplicação dessa medida nunca passou do papel porque a propaganda secularista que a acompanhou e a forma como foi adoptada entrou em choque com a cultura religiosa dominante. 

Por isso, a população analfabeta que era de 70% em 1911 quando I República caiu em 1926 era ainda de 62%. Em contraponto ao regime republicano "iluminista", o regime "fascista" conseguiu reduzir o analfabetismo para 42% em 1950.

(Continua)

03/04/2024

ARTIGO DEFUNTO: Fact-Checking the Fact Check

No dia 26 de Fevereiro, Passos Coelho num discurso de mais de 20 minutos no comício do Pontal referiu numa determinada altura citando o que tinha dito no mesmo local em 2016:

«Nós precisamos de ter um país aberto à emigração, mas cuidado precisamos também de ter um país seguro. Na altura o governo fez ouvidos moucos e na verdade hoje as pessoas sentem uma insegurança que é resultado da falta de investimento e prioridade que se deu a essas matérias.»

No dia seguinte o jornal Público publicou um fact check onde deixa implícita uma atitude negativa de Passos Coelho relativamente à imigração e verifica a veracidade de uma afirmação que ele manifestamente não fez.  


Ou seja o Fact Check do Público inventa o facto que diz pretender verificar. 

Como quer que seja, um mês e meio depois, um outro jornal publica uma peça citando dados estatísticos da Direção-Geral de Política de Justiça.


Veredicto: o Fact Check do Avante! da Sonae (epíteto agora confirmado, uma vez mais), pretendeu verificar a veracidade de um facto inventado usando um suposto facto que veio a verificar-se falso. Melhor é impossível.

02/04/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (111b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 111a)

Take Another Plan. A maldição das EP

Deveria ser uma coisa evidente. Uma empresa pública com um accionista que se financia ilimitadamente por extorsão dos contribuintes e que nomeia dirigentes por critérios políticos só por milagre poderia ser eficiente e, se operar num mercado sujeito a concorrência, só conseguirá sobreviver à custa de subsídios. O caso da TAP só foi um pouco diferente porque durante décadas parte da concorrência era de “companhias de bandeira” que disfrutaram de condições excepcionais que hoje não existem.

Muito satisfeitos por terem apresentado lucros de 177 milhões em 2023, como se fosse extraordinário numa empresa que recebeu 3,2 mil milhões de subsídios que só em juros, se tivesse de se financiar no mercado, poupou 200 milhões por ano e ficou dispensada de margens para amortizar os 3,2 mil milhões, os dirigentes negociaram novos salários com os sindicatos e excederam em 120 milhões o limite resultante do rácio de 19% dos custos com pessoal, custos que cresceram de 417 milhões em 2022 para 723 milhões em 2023.

E o que ficou a TAP a valer depois lá terem sido torrados 3,2 mil milhões de dinheiro dos contribuintes?1,7 mil milhões segundo um analista citado pelo semanário de reverência.
  

«A educação é a nossa paixão»

mais liberdade

A queda da percentagem de alunos com melhores performances entre 2018 e 2022 é mais uma medida da degradação da qualidade do ensino comparativamente com a média da OCDE.

Desculpas de mau pagador

Perante a acusação de negligência na aprovação de medidas de que dependem os pagamentos ao abrigo do PRR pela CE o governo desculpou-se que está “em gestão”. O estar “em gestão” é quando o Dr. Costa lhe convém. Esteve “em gestão" para não negociar com os polícias, mas não para despejar um chuva de subsídios sobre os agricultores.

Reforçando o Estado sucial

O governo também deixou de estar “em gestão” para aprovar o recrutamento de mais 3.700 técnicos superiores que vão adicionar-se aos 90 mil que o Dr. Costa aumentou durante a sua estadia.

É prudente não deitar foguetes antes da festa

Foi muito celebrado pela imprensa do regime a subida de dois lugares no ranking do PIB per capita PPP devida a razões puramente conjunturais e entre elas o esforço de reequipamento militar que a Polónia e a Estónia, os dois países ultrapassados, estão a fazer para responder à ameaça russa.

01/04/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (111a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O último Semanário de Bordo

Com esta última edição encerra-se este semanário dedicado a cronicar os feitos do Dr. Costa no seu caminho que ele diz ser para o socialismo, e na verdade é para um capitalismo periférico, estatista e não competitivo, servido por um Estado sucial parasitário dependente do óbolo de Bruxelas e ocupado por apparatchiks que disputam tenças. Reúne o pior dos dois mundos: o pior do socialismo e o pior do capitalismo.

«Boas políticas», disse ele

O ministro das Finanças Dr. Medina felicitou-se pelo excedente orçamental que «resulta de boas políticas». Por boas políticas quer ele significar, entre outras coisas, como a inflação e o aumento da carga fiscal, uma execução do investimento orçamentado em 2023 de 74% no total, de 43% na saúde e de 28% na educação, seguindo, uma vez mais, a regra da autoestrada mexicana do investimento público, sempre com grande sucesso na imprensa amiga a engolir há 8 anos a mesma patranha.

O “excedente” que é um défice e os “cofres cheios” que estão vazios

Não faltam indicadores para medir o grau de indigência mental e de falta de profissionalismo do jornalismo doméstico e da comentadoria do regime. Para simplificar poderíamos reduzi-los a um único – as notícias e os comentários sobre “excedente” do Dr. Medina e os “cofres cheios” que o governo deixa para o seu sucessor – esta é tudo menos inocente.

Quanto aos “cofres cheios”, notemos em primeiro lugar como termo de comparação que o excedente de 3,2 mil milhões é por coincidência comparável ao valor dos fundos enterrados pelo governo na TAP. Reparemos em segundo lugar que o excedente de 3,2 mil milhões só existiu em consequência do excedente de 5,5 mil milhões da Segurança Social, que não é excedente nenhum porque terá de ser afectado às reservas para garantir a sustentabilidade a longo prazo. Na verdade, sem a Segurança Social as contas da administração pública apresentaram défices: 2.329 milhões de euros na administração central e de 147,8 milhões na administração local.

Como quer que seja, o excedente de 2023 é passado e nos dois primeiros meses deste ano o saldo das contas públicas que em 2023 era de 1,2 mil milhões este ano caiu para de 292 milhões

Obra socialista

Num país com uma das mais baixas taxas de fecundidade da UE e governos que enchem a boca com políticas sociais, a situação em relação às licenças parentais, um incentivo à natalidade, é bastante má sobretudo em relação às mães que em Portugal têm a segunda mais elevada taxa de emprego.


(Continua)

31/03/2024

How the Radical Left Conquered Almost Everything for a Time (X)

(Continued from I, II, III, IV, V, VI , VII, VIII, IX)
More examples picked up from those described by Christopher Rufo of neo-Marxism in institutions controlled by the clique of believers.

«The method of critical pedagogy is now mandatory statewide. After releasing the model curriculum, the California state legislature quickly passed a bill making ethnic studies a graduation requirement for all high school students, which will make the "pedagogy of the oppressed" the official ideology in every school district in the state. (…)

The critical pedagogists foreground ideology, but there is another, deeper force at play: the cold and calculated expansion of the public school bureaucracy. Implicit in every step in the process of "decolonization" is a transfer of power from parents, families, and citizens to the bureaucratic class: administrators, counselors, consultants, specialists, advisors, and paper-pushers.

Following the model of the universities, the largest schools districts have all begun to entrench the critical pedagogies into the bureaucracy under a variety of names, such as "Diversity and Inclusion," "Racial Equity," and "Culturally Responsive Programs." These departments fulfil a dual purpose. First, they serve as a mechanism for ideological enforcement, Second, they serve as a jobs program for college graduates with degrees in the critical theories. Contrary to many skeptics who have argued that students in the fields of race, gender, and identity would have difficulty finding employment, these ideologically trained graduates have found rapidly expanding opportunities in the educational bureaucracy.

The statistics reveal the extent of this shift in power. Between 1970 and 010, the number of students in American public schools increased by 9 percent, while the number of administrators increased by 130 percent. In all, half of all public schools employees area nonteaching administrators, bureaucrats, and support workers.  According to the US Department of Labor, there are now hundreds of thousands of public school manager, making an average wage of $100,000 per year, which is significantly more than classroom teachers and the median American household.

This fifty-year experiment has yielded virtually no improvement in academic outcomes -  the test scores for American high school students have flatlined since the federal government began collecting data in 1971 - yet the expansion of the bureaucracy continues, with recent growth driven by "diversity and inclusion" divisions in the largest scho5l1 districts. As the Heritage Foundation discovered, 79 percent of school districts with more than 100,000 students have hired a "chief diversity officer" and implemented, university-style "diversity, equity, and inclusion" programming.»

(To be continued)

30/03/2024

Flórida versus Nova Iorque - os resultados da governação da direita pragmática versus a governação woke

«Os habitantes da Flórida vivem mais do que no estado de Nova York, onde o orçamento é quase duas vezes maior. Do jardim de infância ao ensino médio, Nova York gasta mais do que o dobro da Flórida para educar cada aluno, mas os alunos do oitavo ano em ambos os estados mostram o mesmo desempenho em testes padronizados, e a Flórida alcança taxas mais altas de conclusão do ensino médio, particularmente para estudantes negros e hispânicos. A Flórida está a construir casas mais rapidamente e, juntamente com habitação económica, tem uma taxa mais alta de propriedade de casa e uma menor incidência de sem abrigo do que Nova York. Com 3,1% em dezembro, a taxa de desemprego é um terço menor na Flórida.

A Flórida tem seus deméritos relativos, incluindo mais pessoas sem seguro de saúde e uma taxa maior de homicídios. Mas pelos seus serviços o Estado não cobra imposto de renda aos cidadãos, enquanto Nova York impõe algumas das taxas mais altas do país. Os impostos sobre as empresas também são mais baixos na Flórida. No geral, os americanos estão concluindo que o saldo favorece a Flórida: a sua população cresceu mais 365.000 no ano passado, enquanto a de Nova York encolheu em 102.000, continuando uma tendência de quatro anos.»

Has Ron DeSantis gone too far in Florida?

29/03/2024

O bem-estar do Portugal dos Pequeninos segundo o Dr. Centeno é um pouco diferente do bem-estar segundo outras fontes

Num dos últimos semanários da Nau Catrineta comentei o esforço do BdP do Dr. Centeno para fazer subir o Portugal dos Pequeninos no ranking europeu, criando um “índice de bem-estar” («Bem-estar e PIB per capita em Portugal face à UE»), onde se considera além do PIB per capita, o consumo, o tempo de lazer e a desigualdade, que nos faz subir quatro lugares no ranking de 20.º para 16.º.

Por curiosidade, confrontemos o “índice de bem-estar” do Dr. Centeno com o Human Development Index (HDI) da ONU (onde paira o Eng. Guterres).

Fonte

Como se pode ver, o HDI português tem melhorado muito pouco e, surpreendentemente, era e continua a ser inferior ao da Grécia, o homem doente da Óropa, e com o 42.º lugar no ranking mundial coloca-nos atrás de todos os outros países da União Europeia, com excepção da Eslováquia e da Hungria, dois sobreviventes do colapso do Império Soviético. 

Apesar de uma situação medíocre em termos do HDI, vejamos se os portugueses estão satisfeitos com a sua infelicidade, como nos garante a ópera bufa «Le jour et la nuit» de Charles Lecocq: «Les portugais sont toujours gais / Qu'il fasse beau, qu'il fasse lais, / Au mois de décembre ou de mai, Les portugais sont toujours gais!» 

Fonte

Pois parece que não, porque no índice de felicidade os portugueses caem para 55.º e ficam ainda pior.

O Dr. Centeno e o seu BdP vão ter que se esforçar mais para convencerem os portugueses da enorme felicidade e bem-estar que o socialismo lhes proporcionou, com o seu contributo feito de cativações.

28/03/2024

TIROU-ME AS PALAVRAS DE BOCA: A propósito da eleição do presidente da AR

«(...) poderes revolucionários – que querem derrubar a ordem estabelecida – e ao facto de não aceitarem compromissos a não ser como pausa numa estratégia inexorável.

Esse tipo de poderes pode negociar, mas não com a mesma lógica dos outros, pois não aceitam nunca as regras do jogo.

Como escreveu Cooper, “os que não compreendem este risco caem numa armadilha, como Neville Chamberlain”, o primeiro-ministro britânico que assinou o Acordo de Munique, e a quem logo a seguir e com presciência Churchill disse que “entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra e terás a guerra”.

Esta minha reflexão não estava a ser feita a pensar na cena internacional, mas na mais prosaica relação entre o PSD e o CHEGA. (...)

O CHEGA é o que no sistema político internacional se chamaria uma potência desafiante ou ascendente. Está na fase inicial de um processo em que chegou agora a uma encruzilhada.

Ninguém pode - sem especulação excessiva e por isso sem rigor – antecipar a estrada que Ventura vai seguir. Talvez nem ele saiba ainda.

Por isso a solução para o PSD é aguardar até saber qual a estrada em que entrou e se já chegou a um ponto de não retorno. Até lá uma verdadeira negociação é um risco de se repetir Chamberlain.

Mas é preciso que Ventura saiba que quando e se passar a ser claro que o CHEGA aceita a ordem estabelecida, será possível um processo de negociação. Chama-se a isto gerar um sistema de incentivos.

E, por isso também, deve ficar claro que o PSD não escolherá a desonra para evitar uma guerra e que só pode alcançar uma boa paz quem estiver disposto a fazer uma boa guerra. E isso também é um sistema, aqui de incentivos negativos.»

José Miguel Júdice (no Expresso) de quem me afastam as escolhas políticas e me merecem consideração a lucidez, a honestidade intelectual e a independência

27/03/2024

Lost in translation (370) - Tal pai, tal filha ou, mais exactamente, a filha que vai além do pai

«Um Governo, quando chega, herda dossiers. Este Governo vai herdar uma reforma quase pronta da administração pública para a fortalecer enquanto nós herdamos bancos por resolver.»

postulou na SIC Notícias a ministra da Presidência Dr.ª Mariana Vieira da Silva.

Submeti ao ChatGPT a declaração da Dr.ª Mariana, pedi para produzir um comentário em português corrente e na volta recebi o seguinte resposta:

É verdade que um governo quando chega, herda dossiers. 

O governo do PSD-CDS herdou a bancarrota que o Eng. Sócrates lhe deixou, os bancos falidos, economia em recessão, as contas públicas arruinadas e 727.701 utentes da vaca marsupial pública

O primeiro governo a que Dr.ª Mariana pertenceu herdou uma saída limpa do resgate, a economia a crescer, as contas públicas num estado que o chefe da Drª. Mariana veio mais tarde a baptizar de "contas certas" e apenas 659.138 utentes da vaca marsupial pública, ou seja menos quase setenta mil, aos quais os governos a que Dr.ª Mariana pertenceu acrescentaram quase 90 mil (745.582 em Junho de 2023 a que se juntaram mais uns milhares desde então).

[Talvez seja um exagero retórico comparar a filha com o pai, porque a filha mostra uma fidelidade canina onde o pai mostraria talvez um pouco mais de decoro.]

26/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (110b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 110a)


Antes que o apagador do PS oblitere o passado, recordemos que decorridos mais de quatro anos da nacionalização, a facturação da EFACEC caiu de 430 milhões para menos de 100 milhões, foram torrados mais de 300 milhões e o total de perdas do Estado e dos outros accionistas atingirá 513 milhões. O fundo Mutares ficou com o mono com um capital de 300 milhões onde entrou com apenas 15 milhões de capital e 60 milhões de garantias bancária. Cinco meses depois, a Mutares continua a purgar o elefante branco na esperança de um dia o tornar rentável.

O Dr. Costa e os seus três ministros do SNS têm sido os melhores amigos dos “privados” (conclusão)

Sem a insubstituível ajuda da Dr.ª Temido (a que cantava A Internacional para relaxar) e do Dr. Pizarro (cuja esposa era bastonária da Ordem dos Nutricionistas e foi de seguida nomeada para o Instituto Ricardo Jorge, ambos tutelados pelo esposo, e ele era sócio-gerente de uma empresa de consultoria na área de saúde), jamais os “privados” teriam conseguido em tão pouco tempo o que não conseguiram nas décadas anteriores.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

Uma das acções da Dr.ª Temido, que muito ajudou os “privados”, foi terminar a PPP do Hospital Beatriz Ângelo em Loures que ainda um destes dias estava com tempos de espera para os doentes urgentes de mais de 17 horas, com 55 pessoas em espera. (fonte)

Mais duas grandes realizações do Dr. Costa: o saldo da balança de serviços e a chuva em Janeiro

Não se imagine que o Dr. Costa não fez nada. Ainda a semana passada os jornais amigos enalteceram o saldo positivo da balança de serviços que atingiu em Janeiro 1,4 mil milhões de euros, graças ao turismo. Esses mesmos jornais, não enalteceram injustamente a precipitação de Janeiro (19mm) que aliviou a seca. No entanto, quer o comportamento do turismo, quer a meteorologia, tiveram importantes contributos do governo do Dr. Costa.

Melhorando o “índice de bem-estar” do Dr. Centeno

No semanário anterior salientámos a criação pelo BdP do Dr. Centeno do “índice de bem-estar”, para o qual a consideração do consumo, do tempo de lazer e a desigualdade fez Portugal subir quatro lugares no ranking do PIB per capita de 20.º para 16.º. O aumento homólogo de 9,5% em Janeiro do crédito ao consumo é mais um contributo para a subida no ranking. Se calculado antes do resgate, este índice do Dr. Centeno teria feito a felicidade do Eng. Sócrates.

Choque da realidade com a Boa Nova

Há um ano fiz um ponto de situação do resultado dos programas de Renda Acessível do Dr. Pedro Nuno 771-contratos-771 contratos, ou seja, 0,084% dos 921 mil arrendamentos em Portugal. A Dr. Marina Gonçalves que sucedeu ao Dr. Pedro Nuno, agora entronizado líder do PS, também inventou mais o programa Arrendar para Subarrendar que em Julho tinha como objectivo 320 casas. O resultado foi mais um falhanço em toda a linha descrito em pormenor pelo Jornal Eco,

«Pagar a dívida é ideia de criança»

O endividamento da economia (dívida total do Estado, das empresas e das famílias) registou em Janeiro um aumento homólogo de quase 10 mil milhões de euros, dos quais cerca de 70% do sector público.

25/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (110a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Tiros no PSD fazem ricochete e atingem o PS - os maiores tiros no pé desde Dona Maria II

São muitos os tiros e escolho apenas dois relacionados com os resultados das eleições legislativas no círculo Fora da Europa. As dezenas de milhares de votos que emigraram do PS directamente para o Chega e, em especial, a “expulsão” do Dr. Santos Silva, o que gostava de malhar na direita, precisamente por um deputado do Chega, partido a que ele dedicou nos últimos anos o melhor do seu talento para denegrir.

Pro memoria. Quem disse que os governos do Dr. Costa não fizeram reformas?

Na Torre do Tombo do (Im)pertinências pode desenterrar-se a Lista parcial das iniciativas legislativas das primeiras 5 semanas da legislatura. É impressionante!

E ainda que não tivesse feito reformas criou muito reformados potenciais

Em oito anos aumentou 80 mil funcionários e agora, nos últimos dias (até ao lavar dos cestos ainda é vindima), anunciou o aumento da contratação de licenciados para o Estado sucial de 1.000 para 1.200. Serão menos 1.200 jovens da geração mais educada de sempre que não terão necessidade procurar trabalho no estrangeiro a que as suas qualificações em ogias não dariam acesso.

Obra socialista, um pequeno apanhado em duas áreas


mais liberdade

Na extorsão fiscal aos trabalhadores (por definição beneficiários privilegiados do desvelo socialista) o gráfica fala por si.

Na área social socorro-me deste inventário:
 
1. existem 2 milhões de portugueses no limiar da pobreza;
2. um em cada 10 trabalhadores em Portugal é pobre;
3. as pessoas em situação de sem-abrigo aumentaram 78% em quatro anos;
4. dois em cada 10 jovens vivem em situação de pobreza;
5. os baixos salários afastaram ¼ dos jovens do país;
6. 30% dos jovens entre os 15 e os 39 anos já deixaram o país;
7. a taxa de desemprego aumentou para 6,5%;
8. a taxa de desemprego jovem situou-se em 20,3% em 2023;
9. a intervenção precoce na infância chega tarde e não responde às necessidades de cada criança;
10. a prestação social para a inclusão, em alguns casos, não chega sequer para pagar uma semana de terapias de uma criança;
11. com tanto investimento, com pleno emprego, o número de desempregados com deficiência manteve-se.

A gestão socialista transforma qualquer actividade lucrativa num elefante branco (conclusão)

Da “estratégia de internacionalização” da Santa Casa de Misericórdia resultaram perdas estimadas em 20 milhões e do conjunto de asneiras dos últimos anos resultou a transformação de uma instituição lucrativa num desastre adiado enquanto entre 2016 e 2020 (último relatório publicado) o número de apparatchiks aumentava de cinco mil, incluindo 290 chefes, para seis mil, incluindo 348 chefes (fonte).

Tudo isto já se sabia. E agora sabe-se que o maior desastre foi com a internacionalização do jogo no Brasil que é mais um caso da atracção socialista por afundar dinheiro nas terras de Vera Cruz, desastre que se segue a vários outros, como a compra pela TAP da Varig Manutenção e a troca da Vivo pela Oi feita por uma joint venture do PS do Eng. Sócrates com o GES do Dr. Salgado.

«A educação é a nossa paixão»

No final do 2.º período ainda há alunos sem aulas e quase quatro mil professores sem a habilitação necessária (fonte).

(Continua)

24/03/2024

DIÁRIO DE BORDO: Pensamento do dia para a transição dos bons tempos que estão a terminar para os tempos difíceis que se avizinham

«Tempos difíceis criam homens fortes. Homens fortes criam bons tempos. Bons tempos criam homens fracos. E os homens fracos criam tempos difíceis.»

«Those Who Remain», G. Michael Hopf, autor, veterano do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA

23/03/2024

Pobrezinhos e bem agradecidos

Estudo da Ipsos para Euronews mostra que os portugueses são os que mais aprovam a adesão à UE. E para as europeias de junho mantém-se a tendência destas legislativas.

Uma esmagadora maioria de portugueses (82%) considera que a adesão à União Europeia foi uma decisão boa e apenas 4% dizem que foi má. (Fonte)

Um desafio para as bazófias anti-europeístas: um difícil equilibrismo entre rosnar para gaúdio dos fiéis sem morder a mão que os portugueses esperam que continue a entregar fundos para torrar no Portugal dos Pequeninos.

22/03/2024

Até para o Czar Putin é demasiado

O manual «O Exército Russo em Defesa da Pátria» de quase 400 páginas agora publicado pelo departamento de propaganda do Czar Putin é destinado a leitura obrigatória pelos estudantes dos 15 aos 18 anos dos territórios ucranianos ocupados pelo exército russo.

O manual enaltece José Estaline, celebra as vitórias soviéticas na "Grande Guerra Patriótica", a "reunificação da Crimeia com a Rússia" em 2014 e, como não podia deixar de ser, justifica a invasão da Ucrânia a que chama "operação militar especial".

Para justificar a invasão, o manual garante que "foi a Ucrânia e a NATO que planejaram iniciar a guerra" para o que concentraram "um grande número de tropas ucranianas e veículos blindados nas fronteiras". Enumera também exemplos das supostas atrocidades cometidas pelos nazis ucranianos como: "Livros russos foram queimados, monumentos foram destruídos, canções russas e a própria língua russa foram proibidas";  "Cidades nas regiões de Luhansk e Donetsk, onde existia dissidência contra tais políticas, foram bombardeadas por projéteis e foguetes nazistas."

A melhor de toda é porém os "coquetéis de 'sangue russo' eram servidos em restaurantes."

21/03/2024

In the contest of mental decay Mr. Trump tenaciously pursues Sleepy Joe

As is well known, Mr. Trump's devotees are tenaciously trying to inventory supposed evidence of Mr. Biden's mental decline. It seems to me a public service for which American voters should thank these devotees, and I regret that their talent is not equally applied to the supposed evidence of their devotee's mental decay.

Fortunately, Forbes magazine has been filling this gap by publishing the «Biden-Trump Gaffe Tracker», from which I quote the most recent entries below. 

«Trump (March 16): At a rally in Dayton, Ohio, Trump again mistakenly referred to former President Barack Obama, this time possibly confusing himself with Obama, though it remains unclear what he might have meant: “Joe Biden won against Barack Hussein Obama, has anyone ever heard of him?” Trump asked the crowd, before adding, “every swing state, Biden beat Obama but in every other state, he got killed.”

Trump (March 9): At a speech in Rome, Georgia, Trump claimed “the polls are rigged” while discussing his appeal to suburban housewives, before abruptly backtracking and saying “disregard that last statement, I love the polls so much.”

Biden (State of the Union speech, March 7): the president misidentified Laken Riley, the student murdered on the University of Georgia campus, calling her “Lanken,” while holding up a pin with her name on it.

Biden (State of the Union speech, March 7): the president briefly said the 2021 Capitol riot took place on July 6, before correcting himself and saying “January 6.”

Biden (State of the Union speech, March 7): after speaking about capping prescription drug prices, Biden made an off-the-cuff remark and invited Congress to fly with him and see lower prices for their medications in “Toronto, Berlin, Moscow—I mean, excuse me—well, even Moscow, probably.”

Trump (March 2): Trump seemed to confuse former President Barack Obama with President Joe Biden—alleging during a rally in Virginia Putin has “so little respect for Obama that he’s starting to throw around the nuclear word,” marking at least the eighth time in recent months it’s happened.»

20/03/2024

Não sei se o Chega vai ou não desaparecer como o PRD... ou como a APU

Concordei que o Chega não desaparecerá como um PRD que surgiu em 1985 na política portuguesa como um meteoro, elegeu 45 deputados os quais dois anos depois na eleição seguinte, resultante da moção de censura apresentada pelo PRD, se reduziram a 7 e desapareceram na eleição de 1991.

Também escrevi que o Chega, como qualquer outro partido, poderá desaparecer quando as suas causas se esvaziarem. Quando? Não sabemos, mas se o que se está a passar com o poder local for um indicativo não precisaremos de esperar décadas. Nas eleições autárquicas de 2021 o Chega elegeu 19 vereadores dos quais já perdeu metade e 173 deputados municipais dos quais perdeu dezenas, segundo as contas do JN.

Também não devemos esquecer que a APU, coligação do PCP com o MDP/CDE, obteve 18% dos votos dos descontentes nas eleições de 1983 elegendo 40 deputados. Nas eleições seguintes a CDU caiu para 12,4% e 31, nas eleições de 1995 obteve 8,6% e 15, em 2002 6,9% e 12, resultados que com algumas oscilações foi mantendo até que nas duas últimas obteve 4,3% e 6 (em 2022), 3,3% e 4 (em 2024).

A história não se repete, dizem uns, ou repete-se passando de tragédia a farsa, dizem outros, e o Chega nada tem a ver com as coligações do PCP, dirão os simpatizantes do Chega e os comunistas concordarão. Ainda assim, uma observação clínica leva a concluir que têm em comum serem partidos que vivem do descontentamento e propõem soluções salvíficas inconciliáveis entre si e geralmente inaceitáveis pelas maiorias de eleitores, excepto em situações de rupturas sociais extremas. Soluções salvíficas inspiradas no pensamento milagroso (mais uma característica comum com a extrema-esquerda) que as torna quase sempre inviáveis, como por exemplo que seria possível financiar o aumento das pensões com 80 mil milhões de euros obtidos da economia "paralela" (o autor do estudo da FEP que estimou esse número considera que em termos práticos não seria possível aumentar a receita fiscal em mais de 2 mil milhões por ano).

Escrito isto, deveria ser evidente que não se podem desprezar ou mesmo minimizar o milhão de votos do Chega, a maioria deles provenientes de outros partidos, incluindo um número significativo do PCP, do mesmo modo que não se deviam ignorar o milhão de 1983 da APU ou os actuais 675 mil de 2024 da extrema esquerda. É menos evidente se as diferenças ideológicas, programáticas e de estilo permitirão um governo viável com a participação do aparelho do Chega, sendo certo que sempre serão possíveis entendimentos sobre acções ou medidas concretas. Escrevi "aparelho do Chega" porque uma coisa são os eleitores e outra o partido que não é proprietário dos seus eleitores, coisa que os dirigentes do Chega já perceberam que se aplica aos outros partidos mas ainda não entenderam que também se aplica a eles próprios.

19/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (109b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 109a)

Parece mentira mas deve ser verdade 

Há mais de um ano que os dois sindicatos dos funcionários da Justiça fazem greves alternadas umas com e outras sem serviços mínimos, greves que totalizam quase 24 horas diárias e adesões de 70% a 90% (semanário de reverência). 

Como até agora não se deu conta que os tribunais estivessem a funcionar pior do que já estavam, se isso fosse possível, poderemos concluir que poderiam funcionar com apenas 10% a 30% do número de funcionários?

A justiça portuguesa ainda não conseguiu apurar se os milhões do animal feroz vieram do cofre de sua mãe, do DDT, da Odebrecht ou outro

Talvez devido à greve, o Ministério Público anda sem sucesso há mais de uma década a procurar quem é “Príncipe” que recebeu quase 5 milhões de euros de luvas pela adjudicação em 2008 da construção da barragem do Baixo-Sabor ao consórcio de que fazia parte uma subsidiária da ODEBRECHT, grupo brasileiro creditado com o maior esquema de corrupção de todos os tempos. Por enquanto vão-se “extraindo certidões”.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

O Estado sucial administrado pelos apparatchiks socialistas deve ser uma das poucas organizações em todo o mundo que quanto mais recursos tem mais carências apresenta e pior funciona. Os técnicos do PlanAPP (don’t ask) do ministério da Saúde concluiu que o SNS que em 13 anos passou de 122 mil para 152 mil profissionais ainda precisará de mais 29 mil.

O Dr. Centeno está a trabalhar para melhorar o bem-estar dos portugueses

Deve ser um pouco humilhante para a máquina de agitprop socialista ver interrompidos os anúncios os amanhãs que cantam e ser confrontada todos os anos com gráficos, como o abaixo, que mostram os portugueses cada ano a caírem mais nos ranking do PIB per capita, do crescimento e dos salários.

mais liberdade

E daí justificar-se plenamente, aproveitando o Dr. Centeno, agora liberto das cativações e em esforço promocional, encontrar um indicador alternativo que mostre como os portugueses afinal são felizes e vivem bem. E daí resultou o trabalho «Bem-estar e PIB per capita em Portugal face à UE», publicado no Boletim do BdP, concluindo que usando o “índice de bem-estar”, onde se considera além do PIB per capita, o consumo, o tempo de lazer e a desigualdade, Portugal sobe quatro lugares no ranking de 20.º para 16.º. Com uma semana de três dias e mais facilidades no crédito ao consumo o Portugal do Dr. Centeno poderá aspirar a subir mais uns lugares.

18/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (109a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Um marciano que lesse os jornais concluiria que quem perdeu as eleições foi a AD

A esquerda tinha 130 deputados agora reduzidos a 91, a que se poderão somar talvez 1 ou 2 do estrangeiro que ainda faltam apurar. São menos 39 deputados ou menos 43%. Quando o número de eleitores aumentou 14%, o PS perdeu 480 mil votos ou 22% e 40 deputados, caindo de uma maioria absoluta de 117 para 77 apenas dois anos depois. O PCP perdeu 34 mil votos e dois deputados e o BE manteve o número de deputados aumentando 34 mil votos. O Livre que se converteu em centro-esquerda lá escapou ao temporal com quatro deputados e 200 mil votos. A isto os optimistas costumam chamar desastre e os pessimistas catástrofe.

A esquerdalhada já conhece o programa e a composição do governo AD

Ainda não se tem a certeza de quem será o novo governo, muito menos se conhece o seu programa e composição e já o PAN informa o Dr. Marcelo que não aprovará «um programa que põe em causa» os direitos das mulheres, o PCP anuncia, com o peso da sua representatividade agónica, que apresentará uma moção de rejeição, no que foi secundado pela Dr.ª Mortágua (a neta da sua avó) que garantiu que o Berloque de Esquerda não viabilizará o executivo.

O PS é como aquela prostituta velha…

Segundo as conclusões de uma sondagem à boca das urnas, o PS, que continua o partido mais votado entre os reformados, foi apenas o terceiro no escalão etário 18-34 anos com pouco mais votos do que a IL. Muito passado, pouco presente e não se sabe se tem futuro.

A máquina de propaganda do PS continua a girar até ao último suspiro

Três dias antes das eleições o governo publicou um “projecto de portaria” anunciado em vários jornais com títulos fabricados no mesmo local. Exemplo do Público (ou Avante! do grupo Sonae): «Governo decide aumentos de 7,89% para 104 mil trabalhadores do privado» (outro exemplo do Eco).

Não é extraordinário um governo tão amigo dos trabalhadores que anuncia com antecedência que obrigará os seus patrões a aumentá-los vários pontos percentuais acima da inflação, se o governo seguinte aprovar a portaria cujo projecto o governo actual divulgou? É tão mais extraordinário que por trás desta linguagem cabalística está o expediente das chamadas «portarias de extensão» pelo qual, como expliquei a propósito do expediente de 2023, os contratos colectivos negociados pelos sindicatos (controlados pelo PCP) que representam 10% dos trabalhadores têm influenciado 90% dos contratos de trabalho, em empresas e sectores sem condições para pagarem a bitola das maiores empresas e continuarem competitivas. A salva de notícias, que o ano passado foi bem mais vasta. este ano perdeu-se no meio da campanha e dos resultados.

O desaforo do Dr. Costa não conhece limites

As «legislaturas devem-se cumprir» prescreveu o Dr. Costa que tem no seu activo três governos em oito anos e uma demissão a pretexto do seu chefe de gabinete guardar uns dinheiros no armário.

(Continua)

17/03/2024

Não sei se o Chega vai ou não desaparecer como o PRD. Sei, contudo, a razão por que resistirá mais do que o PRD

A propósito deste comentário de João Miguel Tavares no Público, que atribui a suposta resiliência futura do Chega à distribuição relativamente homogénea do seu eleitorado, ao contrário do PRD e na verdade diferentemente de todos os outros partidos, com a possível excepção do PS, eu diria que falta explicar a que se deve essa homogeneidade, que a meu ver se deve ao que há dias escrevi para um grupo de amigos.

Os votos do Chega são os votos do ressabiamento de ressentidos com o Estado sucial, por muitas e variadas razões, a maior parte compreensíveis. 

Algumas delas são generalizadas (uma descrença na democracia, como o pior dos regimes, com excepção de todos os outros, como disse Churchill, ou a rejeição das ideologias de identidade do género, etc.) e outras domésticas (como o novo situacionismo do PS e as suas consequências).

Assim se compreende que o Chega tenha tido 21% em Beja (concelho historicamente comunista), 17,5% em Valpaços (um dos 3 ou 4 concelhos mais pobres de Portugal) e 11,6% em Oeiras (concelho com maior percentagem de licenciados e a segunda média de rendimentos), ou seja, resultados não muito diferentes porque o Chega é um partido catch-all e onde não há ressentidos pela pobreza e por abandono capturam os ressentidos ideológicos.

E por falar em não desaparecer acrescento que o Chega irá desaparecer um dia, não como o PRD, nem a um prazo tão curto, mas porque todos os partidos um dia desaparecem quando desaparecem as causas que os justificam.