Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

02/07/2021

Um Portugal dos Pequeninos em vias de subdesenvolvimento e a caminho de ser controlado pelo Novo Império do Meio

«A China trata Portugal como um país do Terceiro Mundo. Usa exatamente a mesma receita que usou para controlar os países mais pobres: jorrando dinheiro em infraestruturas sem aparentes compensações num momento de profunda fragilidade das economias nacionais. Agora as contrapartidas estão prestes a chegar.

As clássicas podem até tardar um pouco. Aquelas a que temos assistido na vizinhança asiática: quando Pequim se aborrece com um problema geopolítico castiga economicamente, com boicotes, o Estado que a aborreceu. Mas há outras que podem vir mais cedo.

Três exemplos muito breves: Portugal, como, aliás, o resto da Europa, é dependente tecnologicamente dos Estados Unidos e da China. Não há inovação, mas também já não há alternativa a viver fora da crescente “digitalização”, anunciada, em si só, como um bem para a humanidade. Mas é um bem que põe parte da humanidade entre a espada e a parede, até porque as grandes potências em confronto têm vindo a desenvolver tecnologias alternativas e incompatíveis entre si. Quando for preciso fazer escolhas – e elas estão para breve –, estará Portugal em condições de escolher em liberdade?
»

Excerto de A história interminável do controlo chinês, Diana Soller no Observador

Antes de perguntar «estará Portugal em condições de escolher em liberdade?», eu perguntaria previamente estão os portugueses interessados em escolher a liberdade?

Ser de esquerda é... (15)

... é ser revolucionário evolucionário.

Outros "Ser de esquerda é..."

01/07/2021

Dúvidas (312) - Ele diz que esperar que a Федеральная служба безопасности Российской Федерации apague os dados. O homem é um mentiroso compulsivo ou um tolo acabado?

«Espero que as autoridades russas cumpram e apaguem os dados. Falei com o embaixador da Rússia em Portugal [Mikhail Kamynin] e a avaliação é que não é necessária nenhuma medida» afirmou na Comissão Parlamentar, sem se rir e com aquele arzito de quem diz para as câmaras "reparem como eu sou um tipo esperto", o ministro que em tempos confessou gostar de malhar na direita, na direita masoquista, suponho.

Pergunta retórica: "porque é que a corte lisboeta andou com esta criatura ao colo? "

«A pergunta que interessa é outra: quem é que emprestou dinheiro a Berardo naquelas condições absurdas para a própria racionalidade financeira dos bancos? Porque é que, durante o mandato de José Sócrates, Berardo foi literalmente escolhido para ficar milionário? Quem é que queria que Berardo fosse mesmo muito rico e poderoso? E porquê? Porque é que foi um player da OPA à PT se não tinha dinheiro para isso? Porque é que a Caixa deu dinheiro a Berardo para este entrar no BCP? Porque é que Vara, amigo de Sócrates, e Carlos Santos Ferreira permitiram que a Caixa desse dinheiro a Berardo sem qualquer tipo de garantia?», pergunta Henrique Raposo.

E eu acrescento mais uma pergunta: porque é que os políticos de merda, os jornalistas de trampa e os palhaços que por aí escrevem assobiaram para o lado durante 25 (vinte e cinco) anos?

Porquê se tudo era tão visível que o (Im)pertinências dedicou à criatura desde 2007 dezenas de posts com a etiqueta porque ri Berardo?

30/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: A ajuda ocidental a África vista por um africano

«I am Tanzanian.

China is not helping Africa. China is trading with Africa, and sometimes investing in Africa.

“Helping” is what Westerners pretend to do. But we know what their game plan actually is. It’s far from helping.

Westerners donate inconsequential amounts to fund things like “democracy”, “human rights”, “women empowerment”, “education”, “health”, “wars” etc. Things which have little impact to development, and are not sustainable (ie they don’t make money) so they’ll help Westerners create the myth of perpetual Africa aid.

The real deal in terms of economic development is industrialization, and not human rights, democracy, women empowerment, etc. Little things like those take care of themselves once there’s industrialization and the money is flowing in.

Western aid is mainly two things:

(If given directly to govt) A bribe to buy influence and certain leeways in Western extraction of Africa wealth.

(If done by NGO’s and charities) just a way for Westerners to milk their fellows in the West to fund their lavish lifestyles.

The West is also very big on war mongering, assassination of African leaders (you are Belgian so you should know what you did to Patrice Lumumba), meddling in African politics, creating wars, etc. The West generally has ill-will toward Africa and thinks of Africa as colonial land to date.
»

Excerto de um post do tanzaniano Dar Milli publicado há dias no Quora, denunciando e bem o lirismo ditado pela má consciência, na melhor hipótese, ou o cinismo ditado pela realpolitik, na pior, da "ajuda" ocidental a África. No resto do post, Dar Milli descreve o papel da China em África, sem a clarividência e visão crítica que mostra em relação ao do Ocidente.

29/06/2021

NÓS VISTOS POR ELES: Salazar, o fantasma do fascismo e o fascínio da esquerda

O historiador Tom Gallagher, professor emérito na Universidade de Bradford, publicou vários livros sobre Portugal e recentemente «Salazar — O Ditador Que Se Recusa a Morrer”, a primeira biografia de Salazar por estrangeiro. Numa entrevista ao Expresso exprimiu opiniões ao arrepio do pensamento único vigente, entre as quais destaco o que disse sobre as confusões acerca do fascismo e sobre o fascínio da esquerda pela soluções autoritárias.  

«Permita-me sugerir que não há nenhum reviver do interesse no fascismo. Essa doutrina, porém, nunca deixou de ser uma preocupação da esquerda europeia. Embora eleitoralmente em declínio, com exceção de alguns lugares como Portugal e a Escandinávia, a esquerda domina os media, as universidades, e publicidade e o marketing, bem como as burocracias nacionais e locais. Obviamente, já se desenham planos para um vendaval de eventos mediáticos em torno do centenário da ascensão de Mussolini, para sublinhar o perigo do fascismo. Eu diria que provavelmente nunca houve tão poucos fascistas na Europa como atualmente. Alguns poderão dizer que traços essenciais do fascismo, como o desejo de arregimentar pessoas e de permitir ao Estado intrometer-se profundamente nas suas vidas privadas, fazem parte do armamento dos que agora proclamam em voz alta o seu antifascismo. (...)

 A ala conservadora da política não tem necessidade de ficar na defensiva por causa do desprezo de Salazar pelas eleições e a sua inclinação para depender da censura e de elites restritas. Pelo contrário, será talvez a esquerda que precisa que recuperar a sua fé na democracia, na liberdade de expressão e na limitação dos poderes da elite, em especial os que controlam a informação. Salazar talvez ficasse espantado por elementos da sua fórmula de governação terem sido abraçados por elites corporativas. Logo desde a revolução de 1974-75, tornou-se claro que os comunistas, alguns dos militares radicais e muitos dos extremistas radicais (muitos dos quais viriam a ocupar posições de grande influência) preferiam uma ordem política onde o poder corporativo essencialmente não era contestado, e o cidadão votante tinha pouco a dizer. Será interessante ver em que medida as intenções autoritárias de muitos que estiveram no núcleo da revolução serão reconhecidas durante as comemorações do cinquentenário, ou apenas varridas para debaixo do tapete.»

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (55) - Mais vale um Almirante teso que uma multidão de apparatchiks moles


ECDC

Pela primeira vez, foram ultrapassadas as 100 mil doses na maioria dos dias da semana e a percentagem da população com primeiras doses e vacinação completa ultrapassou a média da UE. Note-se que estas percentagens são em relação à população com mais de 18 anos e as seguintes são em relação à população total.

Ponto de situação dos objectivos para a vacinação:
Alcançável, basta uma média diária ao redor de 70 mil doses. Entretanto, o Sr. Almirante corrigiu este objectivo para "meados de Setembro/Outubro», o que é mais realista e pode reflectir a dúvida quanto a manter o ritmo nos meses de Verão. 
O número de doses diárias mantém na última semana um coeficiente de variação elevado e uma amplitude enorme (80 mil), reflectindo dificuldades de manter um ritmo sustentado. Nada está garantido, sobretudo nos meses de Julho e Agosto e o governo continua estupidamente sem recorrer aos "privados".
Como se confirma no diagrama do ECDC, na última semana de Junho o objectivo ainda não está cumprido e só estão totalmente vacinados 93,5% dos +80, 64,0% dos 70-79 e 60,0% dos 69-70 anos. Esta é talvez a maior falha, visto que se trata dos grupos de maior risco.
51% da população tem pelo menos uma dose. Para atingir os 70% no início de Agosto será necessário administrar 1,9 milhões de primeiras doses a uma média diária de 54 mil o que compara com as 1,7 milhões a uma média diária de 49 mil no período equivalente terminado ontem. Conclusão: é possível mas nada está garantido.

Em reconhecimento do trabalho que o Sr. Almirante está a desenvolver arrastando atrás de si uma multidão de apparatchiks mudei o título desta série de posts.

28/06/2021

Much Ado about Nothing. Como causas ultraminoritárias são transmutadas em bandeiras nacionais pelo agitprop esquerdista

«Pelo menos 16 casais do mesmo sexo adoptaram uma criança desde mudanças legais há cinco anos»

16 (dezasseis) casais, pelo menos, em cinco anos diz a ILGA, em mais de 4 milhões de famílias. Andaram milhares de criaturas por cada um dos 16 casais a agitar-se, a fazer lóbi por esta causa, esquecendo-se do mais importante: a adopção não é um direito do casal gay ou do casal normal. O único direito para aqui chamado é o direito da criança ter um ambiente familiar adequado ao seu crescimento e desenvolvimento, e é pelo menos duvidoso que, após 150 mil anos de evolução do homo sapiens, um par XX-XX ou XY-XY proporcione um ambiente mais adequado do que um casal normal.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (91) - Em tempo de vírus (LXVIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O que é orgulho para o PS, é vergonha para o país

Diz o Dr. Costa, a propósito da torrefacção dos dinheiros da bazuca, que «temos um historial de que nos devemos orgulhar e não ser motivo de flagelação relativamente à utilização dos fundos». Conhecendo o resultado de mais de três décadas e de 120 mil milhões de euros, suspeito que só os portugueses com alma de pedinte se poderão sentir orgulhosos.

Também não ajudará ao orgulho pátrio se compararmos a bazuca do Dr. Costa com a bazuca de Kyriakos Mitsotakis, cujo plano teve Christopher Pissarides, um prémio Nobel da Economia, no lugar do Dr. Costa e Silva, e que a CE prevê tenha um impacto no PIB uma vez e meia maior do que a bazuca do Dr. Costa.

Se calhar o Dr. Costa até acredita nisso, o que é mais preocupante do que se estivesse só a mentir

Se pensa que o Dr. Costa nos está a vender, como costume, gato por lebre quando garante que os fundos europeus terão impacto «ao longo dos próximos 50 anos», pense outra vez olhando para os últimos 35 anos.

A Dr.ª Elisa teve uma epifania e contraria o Chefe

Após algumas décadas desempenhando vários cargos públicos, a Dr.ª Elisa Ferreira que há uma dúzia de anos confessou «vou só dar o nome e volto», durante a campanha para as eleições europeias, onde também lembrou a uns velhinhos que «o dinheiro é do Estado, é do PS» (confira aqui), confessou agora em entrevista ao Jornal de Negócios, contradizendo o Chefe Dr. Costa, que «é penoso ver que Portugal, com estes anos todos de apoio, ainda está entre os países atrasados».

Afinal o governo socialista durante a pandemia faz pior no combate à pobreza do que o governo “neoliberal” fez no resgate que outro governo socialista lhe deixou

Segundo um estudo do Center of Economics for Prosperity (PROSPER) da Universidade Católica de Lisboa, as medidas do governo face à pandemia não impediram um aumento de 25% da pobreza. O que dizer de um governo socialista que deixa aumentar a pobreza quando as medidas do governo a que os idiotas chamaram “neoliberal” tomou durante o resgate resultante da governação de um governo socialista, a que pertenceram meia dúzia de membros do actual, reduziram as desigualdades como ficou demonstrado pelo estudo da OECD que citei neste meu post de há sete anos?

Por mim, veria com bons olhos a ida para Sevilha (sem volta) do Dr. Ferro e dos deputados que o quisessem acompanhar

Diz muito sobre o Portugal dos Pequeninos que o presidente do parlamento, membro e ex-secretário geral do partido incumbente, tenha convidado os deputados e os portugueses da Área Metropolitana de Lisboa a furarem o cerco a que o governo os submeteu no fim de semana e a dirigirem-se patrioticamente de forma massiva a Sevilha para apoiar a selecção.

Take Another Plan. A gestão do Dr. Pedro Nuno, também conhecido por Pinóquio

É um daqueles paradoxos só explicáveis à luz do materialismo dialéctico, o Dr. Pedro Nuno um paladino socialista dos trabalhadores está a ser acusado pelos que trabalham nas cabinas dos aviões da TAP da criação de «extrema violência psicológica, discriminação e violação de direitos básicos». Pior do que isto só me ocorrem as queixas dos operários da Ermer & Engels, a fábrica têxtil em Manchester de que era sócio Friedrich Engels.

Percebem-se melhor. no contexto da luta de classes, as críticas de O'Leary, o patrão da Ryanair que acusa o Dr. Pedro Nuno de mentir enquanto mostra um slide com a sua foto com um longo nariz que não envergonharia Gepeto.

27/06/2021

O problema não está no consumo ter caído. O problema está na produção não ter subido

Fonte

Segundo o Eurostat, o consumo per capita português a paridade do poder de compra desceu de 86% da média europeia para 85% o que motivou manifestações de pesar nos mídia domésticos.

Deviam ter ficado mais pesarosos com a queda do PIB per capita a paridade do poder de compra de 83% da média europeia em 2009 para 79% em 2019 e 77% em 2020. E, já agora, deviam organizar um agradecimento colectivo aos "frugais" pela enxurrada de dinheiro que nos enviam todos os anos e nos permite consumir 85% só produzindo 77% da média europeia.  

Ou talvez, em vez de agradecer, devemos antes protestar contra os emolumentos que permitem a uma casta de apparatchiks esmolar Bruxelas, capturar o Estado e comprar a passividade dos portugueses para aceitaram o estatuto de pedintes num país cada vez mais dependente e cada vez mais pobre em termos relativos.

26/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: "A propensão demagógica para criar direitos e favorecer grupos"

«São nefastas as leis e as políticas destinadas a promover direitos de grupos especiais, a conceder privilégios que causem nova injustiça. Os direitos gerais devem ser promovidos de modo igual para todos. Os direitos são dos cidadãos, dos seres humanos, não de minorias ou de grupos, de velhos, de mulheres, de crianças, de doentes, de LGBTQ, de imigrantes, de negros, de ciganos, de transmontanos ou de ilhéus.

A promoção do imigrante, da mulher, do negro, do judeu, do trabalhador, do desempregado, do analfabeto, do recluso e do doente não deve fomentar a criação de novos grupos, mas sim aquilo a que se chama actualmente a inclusão. A inclusão deve aumentar a integração e não a construção de sociedades fragmentadas, em tabuleiros de xadrez ou em guetos.

É racista a lei que crie sistemas e dispositivos especiais para certos grupos com características ditas raciais particulares. É racista a política que crie e defenda privilégios, garantias e direitos especiais para qualquer grupo nacional. São sectárias e desiguais as leis e as políticas destinados a proteger direitos gerais a grupos especiais.

A última fantasia da União Europeia é a da aprovação de uma moção de apoio às pessoas ditas LBGTIQ+ e de condenação da legislação repressiva húngara. Muitos países assinaram. Portugal não assinou, mas disse que estava de acordo. Parece Bill Clinton, que fumou mas não engoliu. A verdade é que este texto, carregado de boas intenções, é mais um passo no mau caminho: o que gradualmente constrói uma nova ortodoxia, um mundo feito de fragmentos, de federações e de comunidades rivais.

A propensão demagógica para criar direitos e favorecer grupos tem levado a criar um Estado repleto de novos confrontos. Não se passa um dia sem que surjam novos direitos para novos beneficiários, aumentando ou insistindo na separação, em vez de integração. Direitos dos trabalhadores, das crianças, dos velhos, dos imigrantes, dos negros, dos ciganos, dos rurais, dos urbanos, dos residentes no interior, dos analfabetos, dos LBGTIQ, dos desempregados, dos estudantes e dos doentes são direitos sectários, desiguais, racistas e discriminatórios. Todos esses direitos e garantias podem simplesmente ser os direitos de todos, dos residentes, dos cidadãos ou simplesmente dos humanos. Caso contrário, transformam-se em privilégios. Que aliás são, entre nós, favorecidos pela Constituição, que consagra mais direitos parcelares e de grupos especiais do que se pode imaginar.»

Excerto de Livres e iguais, António Barreto

Dúvidas (311) - União Europeia, um clube a caminho da irrelevância do qual estamos condenados a ser sócios?

Fonte

Por muito que a nomenclatura bruxelense baptize de soft power a crescente impotência da União Europeia, o certo é que no desconcerto das nações nenhuma potência pode existir sem poder económico, isto é com grandes empresas multinacionais competitivas (gráfico 1), com peso relevante no PIB mundial e nos mercados de capitais (gráfico 2) e com empresas inovadoras (gráfico 3). E, claro, também não pode existir sem relevância no hard power militar.

As coisas são como são e ainda não foi descoberta a maneira de serem diferentes. A esta luz percebe-se melhor o Brexit, sendo claro que o Portexit não está alcance do Portugal dos Pequeninos que está condenado inverter a boutade marxista (do Groucho não do Karl) porque só pode aderir a um clube que o aceite como membro.

25/06/2021

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (7) - Fact checking ao fact check

Este post é o 7.ª da série: (1), (2), (3), (4), (5) e (6) e vem a propósito deste fact check do Observador quer conclui que é errada a frase «Câmara Municipal de Lisboa tem cerca 17 mil funcionários» que uma criatura botou no seu Facebook.

O Observador gasta 5 páginas de prosa rebarbativa para demonstrar que aquela frase é falsa, para o que bastaria um único quadro.
Achei piada porque este fact check é um exemplo de como o fact checking pode ser uma actividade inócua e praticamente inútil. Na verdade, é tão falso que a câmara de Lisboa tenha 17 mil funcionários, como 1,7 ou 170 mil. 

Os factos mais relevantes são:
  • A câmara de Lisboa tem cerca de 10 mil funcionários para cerca de 510 mil residentes, o que é o dobro dos funcionários por mil habitantes de Madrid ou Barcelona e mesmo quase mais um terço do que a câmara do Porto (3.200 funcionários para 215 mil residentes);
  • Entre esses 10 mil encontram-se mais de um milhar de licenciados, incluindo em áreas como Marketing, História, Línguas e Literatura, entre outras; 
  • E encontram-se também mais de uma centena de assessores (ver aqui uma lista de 2017, que entretanto já deve ter engordado).
Factos que nos permitem concluir que o socialismo camarário é um exemplo de sucesso da aplicação da lei de Parkinson à administração autárquica.

24/06/2021

ACREDITE SE QUISER: Plano Nacional de Desacorrentamento de animais de companhia

Três deputados do PAN apresentaram há dias no parlamento um projecto de lei  para regular o acorrentamento e o alojamento em varandas e espaços afins dos animais de companhia, dispondo entre outras medidas:
  • Os animais de companhia não podem ser deixados sozinhos, sem companhia humana ou de outro
  • animal, durante mais de 12 horas
  • Os animais não podem ser alojados em varandas, alpendres e espaços afins, sem prejuízo da sua presença ocasional nesses locais por tempo não superior a três horas diárias
  • O Governo, em colaboração com as autarquias locais, implementará um Plano Nacional de Desacorrentamento de animais de companhia, o qual incluirá a efetivação de soluções adequadas às condições de alojamento destes e, bem assim, apoios financeiros para o efeito em situações de vulnerabilidade social e económica.
Num país que tem dezenas de milhar de idosos abandonados pela família à sua sorte, este é um exemplo de alienação do mundo real de uma casta de urbanitas lunáticos encapsulados numa bolha e alucinados com a bicheza.

23/06/2021

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (55) - Falta de vacinas? Ó Sr. Almirante não será um exagero?

Fontes: TVI 24Relatório de Vacinação

Vivemos num estado policial? (20) - Sim, vivemos. E por isso os efectivos policiais, cujo número não sabemos ao certo, precisam de ser reforçados e os polícias precisam de ser respeitados

Outros casos de polícia.

Realizou-se na 2.ª feira em Lisboa uma grandiosa manif patriótica dos polícias em luta «exigindo respeito» e outras coisas mais práticas, como um subsídio de risco, e ainda a demissão do Dr. Cabrita, um objectivo nacional que só não é partilhado pelo Dr. Costa, o Dr. Cabrita e a sua Esposa. Para quem não entenda a justa reivindicação de um subsídio de risco, tenha-se em conta que um polícia é contratado para trabalho amanuense e se o governo quer que ele policie as ruas isso deve ser remunerado à parte.

Vem propósito recordar que, com 451 polícias por 100 mil habitantes, somos um exemplo para a Óropa.

Eurostat

Quando o Dr. Cabrita cumprir, se o deixarem, o seu objectivo de recrutar mais 10 mil chuis aumentando a bófia (Dr. Mamadou) para uns estratosféricos 50 mil, subiremos ao pódio da UE.

Infelizmente, o Eurostat não publica estatísticas sobre os sindicatos de polícias, para podermos confirmar que com 17 sindicatos na última contagem, tendo o último deles 27 polícias todos dirigentes sindicais, estamos na linha de frente também nesta matéria.

22/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: A espécie de democracia em que você vive (sem dar por isso?)

«Imagine o leitor um país. Nesse país, os juízes do Tribunal Constitucional são nomeados pelos partidos, podendo sair directamente desse Tribunal para o Governo. O ministro da Justiça toma posse, enquanto ministro, como juiz do Supremo Tribunal de Justiça, e na qualidade de ministro toma decisões sobre, por exemplo, os salários dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça.

Nesse país, um adjunto do ministro da Justiça pode sair do gabinete do Governo para ir directamente para o seu lugar de procurador e investigar, por exemplo, membros do Governo a que pertenceu por suspeitas de prática de crimes económicos. Outro adjunto pode também ser procurador e juiz e até ter sido condenado por pressionar outros procuradores para forçar o arquivamento de um processo judicial que investigava um primeiro-ministro, que veio a ser acusado de “mercadejar” a sua função, por causa de um projecto imobiliário. Um outro procurador, que trabalhou com este adjunto numa instituição internacional, foi nomeado, depois de uns “lapsos” no currículo, para uma outra entidade internacional pelo ministro da Justiça, que confirmou uma decisão de um Conselho Superior, onde já se tinha sentado o seu Secretário de Estado, depois de aquela entidade internacional ter decidido que havia outro candidato ao lugar que reunia melhores condições para ocupar o cargo. Este procurador nomeado era irmão de um antigo presidente de um instituto público que aprovou o tal projecto imobiliário que acabou investigado por suspeitas de corrupção do tal Primeiro-ministro acusado de “mercadejar” a sua função. E era ainda irmão de um outro procurador que era considerado influenciável pelo actual Primeiro-ministro para evitar a prisão de um membro do partido a que pertence este Primeiro-ministro.

Como atrasar irremediavelmente o plano de vacinação? Resposta: um dia de cada vez (54) - O Sr. Almirante é ele e a (infeliz) circunstância

Pela primeira vez em 6 meses a média móvel diária (7 dias) ultrapassou as 100 mil doses. Apesar dos progressos visíveis ainda estamos abaixo da média da UE, quer na 1.ª dose quer na vacinação completa.  

ECDC

Vejamos o ponto de situação dos objectivos para a vacinação:
 É perfeitamente alcançável, basta uma média diária acima de 70 mil doses.  
Só na última semana foi atingida e ultrapassada a média diária de 100 mil pessoas. Nada está garantido, sobretudo nos meses de Julho e Agosto.  
Como se confirma no diagrama do ECDC na terceira semana de Junho o objectivo ainda não está cumprido.
 

47% da população tem pelo menos uma dose. Para atingir os 70% no início de Agosto será necessário administrar 2,3 milhões de primeiras doses a uma média diária de 56 mil o que compara com as 1,8 milhões a uma média diária de 45 mil no período equivalente terminado ontem. Conclusão: é possível mas nada está garantido.

Uma última palavra para um fenómeno típico do Portugal dos Pequeninos ou dos Pedintes, da sua imprensa servil e dos seus jornalistas de causas, que é o ridículo culto da personalidade que os mídia estão a montar para o Sr. Almirante, culto em que ele não parece interessado (tiremos-lhe, pois, o chapéu). É certo que, se compararmos com a obra do apparatchik seu antecessor (média diária inferior a 10 mil), o Sr. Almirante é um génio. Comparado com a task force do Reino Unido com 74,6 milhões de doses administradas (43,1 milhões de 1.ªs doses e 31,5 milhões de 2.ªs doses) para uma população de 68 milhões, o Sr. Almirante pode considerar-se uma pessoa competente e determinada com uma circunstância desfavorável que é ter de arrastar atrás de si um exército pouco disciplinado e pouco motivado. Talvez não possa exigir-se-lhe mais.

21/06/2021

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (41) - Uma potência em Finanças? É quase tão exagerado como a notícia da morte de Mark Twain

Outros portugueses no topo do mundo.

A imprensa de hoje celebra euforicamente as quatro presenças de Mestrados em Finanças de universidades portuguesas no ranking do Financial Times: Nova (14.º), Católica (23.º), ISEG (35.º), ISCTE (51º) em 55.

Não questiono que, em si mesmo, isso é relevante e positivo para um país europeu em vias de subdesenvolvimento. Dito isso, vejamos as coisas mais de perto, porque o diabo costuma estar nos detalhes, segundo um ditado dos alemães que há dois dias deram uma lição de futebol à selecção portuguesa. 

Reparemos para começar que o ranking é o Masters in Finance pre-experience 2021 e que segundo a metodologia do FT:
  • «The pre-experience ranking measures average salary increase between the first post-masters job on graduation and today — a timespan of about three years» 
  • «Local salaries are converted to US dollars using purchasing power parity rates supplied by the International Monetary Fund.»
  • «There are 17 different categories in the pre-experience ranking, and alumni responses inform seven categories that together constitute 58 per cent of the total weight. The other 10 categories are calculated from the school data and account for the remaining 42 per cent»
  • «The current average salary of alumni has the highest weighting: 20 per cent.» 
Só para temperar a euforia vejamos os factores onde as escolas portuguesas pontuaram acima, em certos casos muito acima, do ranking global e que, portanto, o afectaram positivamente:
  • Factores relacionados com o salário, sobretudo «Salary percentage increase» e «career progress» (não esquecer que os salários são corrigidos pela paridade do poder de compra);
  • Factores relacionados com o "género", como «Female faculty %» e «Women on board (%)».
Por isso, titular que Portugal é «uma potência em Finanças» me parece quase tão exagerado como a notícia da morte de Mark Twain, e também porque em matéria de Finanças (Públicas), o Portugal dos Pequeninos é um dos dois maiores desastres da UE, e o outro está a caminhar rapidamente para deixar de o ser. É claro que a coisa se percebe à luz do complexo de inferioridade lusitano sempre à procura de um reconhecimento «lá fora».

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (90) - Em tempo de vírus (LXVII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

«Já posso ir ao banco?»

A pergunta retórica do Dr. Costa a Frau von der Leyen é provavelmente a melhor síntese dos resultados da governação socialista e diz quase tanto sobre o estatuto de pedinte em que essa governação colocou o Portugal dos Pequeninos - a partir de agora talvez melhor apelidado de Portugal dos Pedintes - como diz sobre o estatuto de benfeitor em que, graças aos «frugais», a UE se colocou.

A delação à Rússia como um paradigma da governação socialista

Os episódios da delação continuada pela câmara de Lisboa a várias embaixadas, nomeadamente à da Rússia de Putin, dos dados pessoais dos organizadores de manifestações, são um caso paradigmático da governação do PS com todos os ingredientes habituais: mentira, omissão de factos, manobras evasivas, manipulação dos mídia, irresponsabilidade e, em desespero, sacrifício de bodes expiatórios. Uma das últimas mentiras - a desculpa do Dr. Medina que a informação comunicada às embaixadas era uma prática do passado - caiu com estrondo pela mão de António Galamba, um militante socialista e antigo governador civil de Lisboa.

L’État c’est nous

Como conseguiu o PS colocar 118 apparatchiks nos 145 concursos da CReSAP, uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos? Por exemplo, colocando em regime de substituição esses apparatchiks em 83% dos casos e desses 69% durante mais de um ano.

O regime jurídico do arrendamento forçado de prédios rústicos com uma renda anual fixada pelo Estado que entra em vigor em 1 de Julho, tem tanto de despótico e arbitrário como de inútil. Terá o governo alguma ideia de qual o interesse de um privado arrendar um terreno abandonado precisamente porque o seu proprietário não tem nada para fazer com esse terreno?

O cerco à AML é inconstitucional?

O bastonário da Ordem dos Advogados considerou «claramente inconstitucionais as medidas anunciadas pelo Governo, no que toca à proibição de circulação de cidadãos sem estar em vigor o estado de emergência». O bastonário esqueceu que Constituição postula que a Portugal está «a caminho para uma sociedade socialista» e quem melhor que o Partido Socialista para saber o caminho?